A gruta de Lascaux

    caverna2Considerado Património Mundial da UNESCO, a gruta de Lascaux foi descoberta a 12 de Setembro de 1940 por quatro adolescentes. Coberta de pinturas rupestres, os cientistas acreditam que algumas das obras tenham cerca de 20 mil anos. Cavalos, cervos, cabras selvagens, bovídeos. A gruta foi aberta aos turistas em 1948, contudo o dióxido de carbono libertado pelos curiosos através da respiração começou a danificar visivelmente as pinturas. Lascaux foi encerrado, e hoje só um grupo restrito de estudiosos pode visitar o local.

    Lascaux é um complexo de cavernas ao sudoeste de França, famoso pela suas pinturas rupestres. A disposição da caverna, cujas paredes estão pintadas com bovídeos, cavalos, cervos, cabras selvagens, felinos, entre outros animais, permite pensar tratar-se de um santuário.

     

     

    As investigações levadas a cabo durante os últimos decénios permitem situar a cronologia das pinturas no final do Solutrense e princípio do Madalenense, ou seja, 17.000 anos AP. Todavia, certos indícios, tanto temáticos como gráficos levam a pensar que algumas das figuras podem ser mais recentes, sendo tal hipótese, confirmada por datações com Carbono 14, em cerca de 15.500 anos AP.

    Geografia e contexto geológico

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    A gruta fica no Périgord, na comuna de Montignac (Dordogne), a quarenta quilômetros a Sudeste de Périgueux. Abre-se sobre a beira esquerda do rio Vézère, numa colina calcária do Cretáceo superior. Contrariamente a muitas outras cavernas da região, a de Lascaux é relativamente «seca». Em efeito, uma camada de argila impermeável isola-a de qualquer infiltração de água, impedindo novas formações de concreções calcárias etc.

    Descoberta

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    Foi descoberta a 12 de Setembro de 1940, por quatro adolescentes: Marcel Ravidat, Jacques Marsal, Georges Agnel e Simon Coencas, que avisaram ao seu antigo professor, Léon Laval. O pré-historiador Henri Breuil, refugiado na zona durante a ocupação nazi, foi o primeiro especialista que visitou Lascaux, a 21 de Setembro de 1940, em companhia de Jean Bouyssonnie e André Cheynier. H. Breuil foi também o primeiro em autenticá-la, descrevê-la e estudá-la. De seguido realizou os primeiros calcos desde fins de 1940, passando vários meses in situ para analisar as obras, que atribuiu ao período perigordiano.

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    Logo de passar vários anos na Espanha, Portugal e mesmo na África do Sul, voltou em 1949, prosseguindo escavações com Séverin Blanc e Maurice Bourgon, ao pé da cena do poço, onde aguardava encontrar uma sepultura. O que tirou a luz foram pontas de azagaias, decoradas, feitas de corno de reno. De 1952 a 1963, por encomenda de Breuil, foram efetuadas novos levantamentos, sobre 120 m², de calcos por André Glory, que contabilizavam um total de 1.433 representações (hoje estão catalogadas 1.900). Por essa mesma época, as representações parietais foram também estudadas Annette Laming-Emperaire, André Leroi-Gourhan e, entre 1989 e 1999, por Norbert Aujoulat.

     

     

    Classificação

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    A gruta de Lascaux é relativamente pequena: o conjunto dos corredores não ultrapassa os 250 m de comprimento, com um desnível de ao redor de 30 m. A parte decorada corresponde a um nível superior, pois o inferior está fechado pela presença de dióxido de carbono. A entrada atual corresponde com a entrada pré-histórica. Para facilidade de descrição, a caverna está tradicionalmente subdividida num certo número de zonas, denominadas salas ou corredores. Os nomes, imaginários, devem-se em parte a H. Breuil e fazem, com freqüência referência à arquitetura religiosa:

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    a primeira sala é a "Sala dos Touros" ou "Rotonda", de 17 m por 6 m de largo e 7 de alto;

    prolonga-se pelo "Divertículo axial", uma galeria mais estreita na mesma direção, mais ou menos do mesmo tamanho;

    depois da Sala dos Touros, à direita do Divertículo axial, acede-se à "Passagem", um corredor de uma quinzena de metros;

    na prolongação da Passagem abre-se a "Nave", outro corredor mais elevado, com cerca de vinte metros;

    a Nave prossegue com uma parte não decorada, pois as paredes são pouco apropriadas, seguindo logo até ao "Divertículo dos Felinos", um estreito corredor com cerca de vinte metros;

    A "Abside" é uma sala redonda que se abre para Oeste, na confluência da Passagem e a Nave;

    O "Poço" abre-se no fundo da Abside. Seu acesso supõe uma baixada de 4 a 5 metros até ao começo do nível inferior. As grutas não podem ser vistadas por causa do CO2 porque desfaz a pintura.

    As representações parietais

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    A Sala dos Touros, apresenta a composição mais espetacular de Lascaux. As paredes de calcita são inadequadas para gravuras, pelo qual só está enfeitada de pinturas, com freqüência de dimensões não usuais: algumas medem até cinco metros de longo. Duas fileiras de auroques estão encaradas entre si, duas de uma faixa e três da outra. Os dois auroques do lado norte vão acompanhados de uma dezena de cavalos e de um grande animal enigmático, pois ostenta dois traços retilíneos sobre da testa que lhe deram o apelido de «unicórnio». No lado sul há três grandes auroques que ladeiam três menores, pintados a vermelho, bem como seis pequenos cervos e o único urso da gruta, solapado no ventre de um auroque e de difícil interpretação.

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    O Divertículo axial está também ornamentado de bovídeos, junto de cavalos acompanhados por cervos e de cabritos. Um desenho representando um cavalo a fugir foi pintado com giz de manganês a uns 2,50 metros do chão. Alguns animais foram pintados no teto, parecendo saltar de uma a outra parede. Com estas representações, que deveram precisar o uso de andaimes, entremesclaram-se numerosos signos (bastões, pontos e signos retangulares). A Passagem apresenta uma decoração muito degradada de antigo, nomeadamente pelas correntes de ar. A Nave contém quatro grupos de figuras: o painel da Pegada (l'Empreinte), o da Vaca negra, o dos Cervos nadando, bem como o dos Bisões cruzados. Estas obras estão acompanhadas por inumeráveis signos geométricos, misteriosos, nomeadamente de tabuleiros coloreados que H. Breuil qualificou de «brasões».

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    O Divertículo dos Felinos deve o seu nome a um grupo de felinos, dos quais um parece estar a urinar para marcar o território. De difícil acesso, podem-se ver aqui gravuras de feras de feitura abundo ingênua. Encontram-se também outros animais associados a signos, como uma representação de cavalo visto de frente, algo excepcional na arte paleolítica, pois os animais são, em geral, representados de perfil ou com uma «perspective tordue».

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    A Abside contém mais de mil gravuras, alguns superpostos a pinturas, correspondendo a animais e signos. Aqui está a única rena figurada de Lascaux. O Poço apresenta a cena mais misteriosa de Lascaux: um homem, com cabeça de pássaro e de sexo erecto, pareça cair, investido talvez por um bisão desventrado por uma azagaia; de lado está representado um objeto alongado sobreposto a uma ave, que talvez seja um propulsor; na esquerda um rinoceronte parece afastar-se. Na parede oposta há também representado um cavalo. Dois grupos de signos são de notar nesta composição:

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    entre o homem e o rinoceronte, três pares de ponteados de dedos que também se observam no fundo do Divertículo dos Felinos, ou seja, na parte mais recôndita da gruta; sobre o homem e o bisão, um signo barbado complexo que se reproduz em outras paredes da caverna, e assim mesmo nas pontas das azagaias e nas lâmpadas de Grés, que se encontraram nas proximidades.

    Fonte: http://pt.wikipedia.org/

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