A Onda Ufológica de Dezembro de 1971 e março de 1978

carta onda topoUma grande onda ufológica atinge a região de Itaperuna, entre setembro e dezembro, com uma grande intensidade de casos entre 19 e 21 de dezembro. Paralelamente a isso, ocorre uma grande onda de avistamentos envolvendo 60 cidades gaúchas em 19 de dezembro. Introdução: Em 1971, o Brasil foi palco de uma forte onda ufológica que atingiu alguns estados brasileiros, destacando-se o Estado do Rio de Janeiro, com o foco principal de relatos originados na cidade de Itaperuna, e o Estado do Rio Grande do Sul, onde avistamentos foram reportados em pelo menos 60 cidades diferentes.

Além destes estados brasileiros houveram numerosos registros em Argentina, Uruguai e Chile, dentro de uma área delimitada geograficamente.

O Boletim da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores, em sua edição 85/89, de 1972, apresentou ampla cobertura dos fatos ocorridos em território brasileiro, apresentando algumas relações com casos ocorridos em outros países. Depois desta publicação não houve uma retomada na investigação desta onda, o que faremos agora, de posse de informações mais amplas, não disponíveis na ocasião.

Características da onda

Em geral os casos narrados ocorreram no começo da noite. Não houveram casos ao amanhecer nem durante o dia. A maioria dos casos aconteceu entre 19 e 21 de dezembro, sendo que a maioria dos relatos ocorreu no dia 19. Foram descritos variados tipos de objetos. Alguns relatos descrevem objetos circulares, com uma parte interna transparente e envolto em nebulosidade ou fumaça branca. Houveram alguns relatos de objetos de grande tamanho que recolheram objetos menores antes de partir do local onde eram observados. Alguns relatos referem-se à luzes estranhas, semelhantes à uma estrela, em geral estática no céu e com um brilho constante que vai descendo em direção ao solo, desaparecendo um pouco antes de chegar ao solo. Na época em que estes casos ocorreram estes últimos foram incluídos como avistamentos não explicados e incluídos nas estatísticas ufológicas. Em nossa investigação, porém, contatamos que este ultimo objeto era na verdade o Planeta Venus erroneamente confundido com discos voadores que vinham se manifestando em alguns locais.

Entre as testemunhas existem representantes das mais variadas formações. Desde simples agricultores, comerciantes, até professores, médicos e militares. Os detalhes narrados foram geralmente coincidentes entre si, mesmo entre pessoas desconhecidas. Houveram episódios em que grande número de pessoas testemunhou simultaneamente uma mesma aparição.

Os casos de Itaperuna, Rio de Janeiro

No Estado do Rio de Janeiro,o foco das aparições deu-se na cidade de Itaperuna, ao norte do Estado do Rio de Janeiro, com alguns casos esparsos em outras cidades, mais ou menos na mesma época. Os primeiros casos ocorreram em setembro, e até dezembro ocorreram esporadicamente. A partir de 19 de dezembro se tornaram mais intensos. Vejamos então os mais significativos:

Caso nº1 [Paulo Caetano]: - Em 23 de setembro de 1971, Paulo Caetano Silveira, técnico de máquinas de escritório, casado, morador de Itaperuna (RJ), passou pela primeira de uma série de alegadas experiências de abdução (que serão tema de uma investigação mais detalhada futuramente). Ele regressava de Carangola, onde tinha ido a trabalho. Por volta das 19h45m, a uns 3 km da cidade de Tombos, notou pelo espelho retrovisor, que era seguido por um corpo luminoso. A distância entre eles foi encurtando até se reduzir a 3 metros. Então, o objeto ficou evoluindo em volta da vemaguet, a meio metro do chão.

Era um aparelho vermelho, de forma elíptica, com uns 3 metros de altura por 2,50 de largura. Depois tomou uma coloração branca, de brilho azulado. Nesse momento, o carro começou a perder velocidade até parar. O estranho objeto continuou girando em torno do veículo por uns 3 ou 4 minutos sem nenhum ruído , subindo depois. Paulo notou que o automóvel devia estar engrenado com o motor funcionando pois, repentinamente deu um avanço para frente e o motor morreu em seguida.

Paulo conseguiu acionar o motor novamente e seguiu até a localidade de Tombos onde registrou um boletim de ocorrência na Delegacia local. Após isso seguiu viagem. Faltando 13 quilômetros para chegar a Itaperuna, na localidade de Bananeiras, notou o corpo luminoso mais uma vez, a uns 500 metros de altura. A 3 Km a frente, em Serraria, que fica no Km-4 da rodovia RJ-100, viu um vulto escuro que pensou ser um animal. Quando se aproximou até ficar a uns 10 metros, a coisa se iluminou toda de luz vermelha e, ao mesmo, seu veículo desligou, seguindo para o acostamento, como por magia, e parou. Então enquanto a cor do aparelho mudava do vermelho para o branco. Paulo tentou desesperadamente sair do local, mas o carro não se moveu. Ouviu um assobio agudo vindo do objeto, uma porta se abriu e, de dentro, foi projetado um facho de luz, que o atingiu. Na sequencia ele foi retirado do carro por 3 pequenos seres que o levaram para bordo do objeto onde foi examinado.

Mais tarde foi deixado perto do carro onde ficou deitado por alguns instantes, tomado de intensa fraqueza. Mais tarde conseguiu chegar na cidade onde registrou novo Boletim de Ocorrência, sendo posteriormente atendido pelo Dr. Bussad. O Caso de Paulo Caetano é longo e complexo, envolvendo casos ocorridos em várias ocasiões nas semanas e meses seguintes e será objeto de investigação futura aqui no Portal Fenomenum.

Caso nº2 [Benedito Miranda]: Dois dias depois, em 25 de setembro, ocorreu um novo caso, possivelmente de abdução, nos arredores de Itaperuna. Desta vez, o protagonista foi Benedito Miranda, que viajava pela rodovia BR-040. Na altura da ponte de Carangola ele se deparou com um objeto arredondado, que estava posicionado no meio da estrada impedindo a passagem. Benedito se aproximou do objeto e percebeu dois pequenos seres nas proximidades do objeto. Um deles apontou-se um objeto, semelhante à uma lanterna de onde saiu um facho de luz que atingiu Benedito suspendendo-o no ar. Pouco depois Benedito foi recolocado em seu carro. O protagonista dirigiu até a cidade e registrou um Boletim de Ocorrência relatando o acontecido. No dia seguinte, Benedito esqueceu-se de alguns fatos ocorridos naquela noite, inclusive o próprio momento em que registrou o B.O., só relembrando alguns detalhes posteriormente com o auxílio de hipnose regressiva.

Em outubro e novembro, os casos relatados envolveram o já citado Paulo Caetano. Alguns destes acontecimentos tiveram testemunhas secundárias ou indiretas que puderam confirmar alguns detalhes narrados por Paulo. Em dezembro, os casos aumentaram drasticamente configurando uma onda ufológica na região, nos dias 19, 20 e 21.

Caso nº3 [Rua Tiradentes] - horário: 19:30 hs : Segundo o Boletim da SBEDV (85/89), no dia 19 de dezembro de 1971, três jovens, que estavam em frente ao número 45 da Rua Tiradentes, observaram do outro lado do rio Muriaé, a uma distância estimada por eles em 1 Km, uma luz, semelhante à uma estrela, que ora acendia, ora apagava. Uma hora e 45 minutos mais tarde, a uns 70 metros daquele local, os três jovens perceberam na esquina, próximo à uma árvore, a uns 7 metros do solo, um objeto preto, um pouco maior que um Volks, e que era realçado por uma nuvem branca. Esse objeto pôde ser observado por cerca de 3 minutos, quando atravessou a rua e, tomando a direção do centro da cidade foi subindo.

Caso nº4 [RJ-100, Km 2] - horário desconhecido: Ainda no dia 19, na RJ-100, na altura do Km 2, um casal que retornava a Itaperuna, passou por uma experiência de avistamento nas proximidades de Serraria. Nesse local eles observaram um "circulo de fumaça". Logo em seguida eles notaram que havia um anel circular, luminoso, que se deslocava rapidamente alterando a espessura do anel circundante sem alterar o diâmetro do anel. O casal parou o carro para observar o fenômeno. Um motorista de caminhão fez o mesmo e todos observaram o fenômeno por alguns minutos. Todos descreveram o objeto como sendo escuro e transparente, podendo-se observar as estrelas através do objeto.

Caso nº5 [local não informado em Itaperuna] - 21:10 hs: O médico radiologista Dr. Walter Anderson observou um disco voador redondo, fosforescente com diâmetro aproximado de 1 metro, a uma altura de 200 a 800 metros, sobrevoando as casas da cidade. O Disco voador atravessou a cidade com um movimento em zig-zag, à uma velocidade estimada de 60 km/h. Aparentemente vinha da região de Serraria. Também foi descrito como sendo transparente, permitindo observar-se estrelas através dele.

Caso nº6 [Rua Assis Ribeiro, Itaperuna] - 20:30 hs: O Sr. Aquiles Ernesto Andrade, professor de geometria descritiva na escola de Itaperuna, seus familiares e cerca de 80 pessoas da vizinhança observaram durante 3 dias consecutivos (19, 20 e 21) por volta das 20:30 hs, um objeto luminoso arredondado. Por estimativa ele calculou o objeto como tendo 2 metros de diâmetro, a uma altura estimada de 100 metros de distância e a 300 metros acima do horizonte. Segundo as testemunhas deste caso, o objeto era transparente e por ele era possível observar as estrelas. O objeto teria desaparecido lentamente, durante 15 minutos, até desaparecer num angulo de 60º acima do horizonte.

Caso nº7 [Buarque de Nazareth, Itaperuna] - 20:00 hs: Em 20 de dezembro, cerca de 60 pessoas observaram um objeto branco, luminoso, redondo, num angulo de 45º acima do horizonte, do outro lado do rio Muriaé. Segundo os depoentes, ele tinha estrias douradas e foi descendo lentamente em intervalos aproximados de 5 em 5 minutos, até se tornar invisível (sic) atrás das moradias.

Caso nº8 [Hotel Meirelles, Itaperuna] - 20:45 hs: Em 21 de dezembro, o proprietário do hotel e sua mulher avistaram um OVNI que segundo eles sobrevoava lentamente os morros situados à margem do rio Muriaé, do outro lado do rio em relação ao Hotel.

Estes casos acima citados e acontecidos, todos em Itaperuna, estão diretamente relacionados aos ocorridos na noite de 19 de dezembro, no Rio Grande do Sul. Os detalhes narrados são semelhantes na maioria dos casos.

No Estado do Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul houveram registros em aproximadamente 60 cidades diferentes, e quase na mesma hora (entre 20:30 hs e 21:30 hs). Continuaremos citando-os na listagem a gerada a partir dos casos ocorridos em Itaperuna.

Os casos gaúchos tiveram início por volta das 20:30 hs, com avistamentos em Passo Novo, Arroio do Meio e Cachoeirinha. Dez minutos depois, às 20:40 hs, os avistamentos ocorriam também em Tramandaí, no litoral. Quinze minutos depois, em 20:55 hs, foi a vez de São Vicente do Sul e Bom Jesus. Às 21 horas ocorreram avistamentos em Nova Palma, Gravataí, Cinquentenário, Tuparendi, Porto Alegre, Canoas, Alegrete e Guaíba. Neste mesmo horário ocorria um avistamento em Itapeva, São Paulo. Às 21:10 hs era a vez das cidades de Alto União e Ijuí. Uruguaiana registrou avistamentos por volta das 21:15 hs e às 21:30 hs foi a vez de Carazinho e Canela no Rio Grande do Sul, e Criciúma, em Santa Catarina e Ipiabas, no Rio de Janeiro.

Estes horários foram repassados pelas testemunhas aos pesquisadores e jornalistas que investigaram os casos. Eles podem ser imprecisos ou aproximados. Houveram ainda outras cidades gaúchas sobrevoadas mais ou menos no mesmo horário; São Leopoldo, Viamão, Santo Ângelo, Santa Maria, Estrada Pinhal e Novo Hamburgo registraram casos. Em 70% dos casos os objetos foram descritos como vindos do sul e seguindo em direção ao norte. Cerca de 20% foram descritos como vindos do sudoeste para o nordeste e em 10% dos casos como tendo desaparecido na vertical. Vejamos os mais significativos:

Caso nº9 [Gravataí (RS)] - 21:00 hs: Um objeto luminoso posicionado no alto do céu foi observado em Gravataí (RS). Ele tinha um tamanho aparente superior ao da Lua Cheia, e assemelhava-se à um anel circular com centro escuro e transparente. Ele era cercado por uma nebulosidade esbranquiçada. Ele aparentemente vinha do sudoeste e dirigia-se para o nordeste. Dois aviões T-6, da Base Aérea de Canoas aproximaram-se do objeto. Seus pilotos descreveram-no como um objeto de natureza metálica, no centro de um anel nebuloso.

Caso nº10 [General Vargas e Ijuí (RS)] - Horário desconhecido: Em duas cidades, General Vargas e Ijuí foram observados 4 objetos, sendo três pequenos e um grande. Segundo as testemunhas estes três objetos aproximaram-se do objeto maior, dois vindo pelo sul e um pelo leste, e entraram no objeto maior que vinha do sul e seguiu ao norte.

Caso nº11 [Alegrete (RS)] - 21:00 hs: A congregação da Igreja Adventista do 7º Dia, reunida em oração, foi interrompida para ver a passagem de estranhos objetos sobre a cidade.

Traçando padrões

Quando existem ondas ufológicas, os pesquisadores podem encontrar padrões característicos a partir dos relatos, que podem facilitar a exclusão de casos originados em fraudes ou erros de interpretação. Em alguns casos, uma simples onda ufológica pode ser explicada a partir de um evento natural apenas através destes padrões identificáveis. Uma das causas naturais mais comuns para ondas ufológicas ocorre à um engano comum a partir de corpos celestes luminosos, envolvendo principalmente os planetas Vênus e Júpiter, que em determinadas épocas são muito brilhantes no céu. Vênus tem um diferencial que o torna ainda mais associado à falsos casos ufológicos. Sua órbita mais próxima ao Sol produz um deslocamento mais acelerado pelo céu, que torna-se perceptível após alguns dias de observação. Então, para uma pessoa que não está acostumada a olhar os céus todos os dias no mesmo horário pode ser surpreendido "por uma estrela que não estava lá semana passada".

Esta onda ufológica, em específico, foi influenciada por erros de interpretação de algumas pessoas. Isso acontece em parte pela falta de conhecimentos na área de astronomia e também pela influência de outros casos que vão ocorrendo pela região. É como um princípio de histeria, onde uma testemunha ouve várias pessoas relatando um caso ou vários casos na mesma região, se impressiona e torna-se mais susceptível à informações deste tipo. Além disso temos o fator atmosfera que pode produzir efeitos interessantes que em geral passam desapercebidos em situações normais. Vamos analisar os casos padrão citados aqui ao longo do texto e entender o que pode ter acontecido naquelas noites de dezembro de 1971.

Caso nº1 [Paulo Caetano]

O Caso Paulo Caetano pode ter sido o estopim de alguns casos da região de Itaperuna. Independente de o caso ter ocorrido de fato ou não, pessoas podem ter sido influenciadas pelo relato de Paulo. Em cidades pacatas do interior, onde todos se conhecem, fatos como o relatados pelo protagonista chamam a atenção das pessoas que passam a olhar mais para o céu. Com uma observação constante do céu, as chances de alguém ver um fenômeno raro ou mesmo um disco voador legítimo tornam-se muito maiores. É nesse contexto que a onda ufológica em Itaperuna ocorreu. O primeiro caso narrado por Paulo ocorreu em 23 de setembro e logo tornou-se notícia. O Caso de Benedito Miranda ocorreu dois dias depois, alertando a população para o Fenômeno OVNI. Em 10 de outubro um ônibus que seguia para Itaperuna foi acompanhado por um objeto luminoso que o acompanhou durante 55 minutos. Este fato ganhou destaque no Jornal O Dia, do Rio de Janeiro, em 21 de outubro de 1971, sendo possivelmente muito comentado na cidade. No dia seguinte à ocorrência deste caso, Paulo Caetano foi protagonista de um segundo contado com tripulantes de OVNIs. Todos estes eventos reforçam ainda mais o estado de atenção da população frente à eventos celestes desconhecidos.

Tal situação continuou em novembro face às novas narrativas de Paulo Caetano, nos dias 15 e 16 com alegadas fotografias de discos voadores, e no dia 17 com um novo relato de contato com os tripulantes destes objetos. Em 5 de dezembro teria ocorrido o quarto contato direto com os humanóides, apenas quatorze dias antes da onda ufológica que se abateu sobre o município.

Em 19, 20 e 21 de dezembro centenas de pessoas relataram terem visto OVNIs na cidade e arredores. O próprio Paulo Caetano narrou uma experiência onde teria sido levitado por um facho de luz emitido por um aparelho, nas proximidades de morros que cercam Itaperuna. Esse episódio teria ocorrido no mesmo momento em que vários moradores da cidade avistavam um objeto luminoso sobre o morro.

O Caso nº 3, ocorreu às 19:30 hs, na Rua Tiradentes, na altura do nº 45, e podemos dividi-lo em duas fases. A primeira trata-se da observação de uma luz do outro lado do rio Muriaé e a segunda, de um objeto pouco acima de uma arvore. No programa Stellarium (programa que fornece mapas celestes de qualquer região do planeta em qualquer data e horário), inserimos a data e hora do ocorrido, bem como sua localização e comparamos com o ambiente através de mapas da região obtidos através do Google Earth e Google Maps. O resultado de tal análise nos permite afirmar que muitos dos avistamentos relatados naquelas noites foram originadas, de fato, em um erro de interpretação embalados numa leve histeria coletiva. O objeto erroneamente interpretado foi de fato o Planeta Venus, que se encontrava a Oeste, após o pôr-do-Sol. Ele permaneceria visível até 21:30 hs em condições ideais de observação. Nas imagens seguintes apresentamos a carta celeste do dia e horário em que o avistamento ocorreu e fazemos a relação com o mapa da região.

carta testemunhas 3

Na imagem acima temos uma vista aérea de Itaperuna, Rio de Janeiro. Cortando a cidade temos o Rio Muriaé. Em geral, as testemunham encontravam-se na margem à direita, na fotografia. Na imagem acima temos a localização da rua Tiradentes, que está orientada de Sudeste à Nordeste. As testemunhas do caso nº3 encontravam-se no começo da rua, em sua região afastada do rio. Esse posicionamento faria com que Venus estivesse, aparentemente, acima do Morro, circundado pela Rua Darcy Vargas, no lado esquerdo da imagem, do outro lado do rio. Sendo assim, a primeira parte do Caso nº 3 explica-se perfeitamente. Já a segunda parte do caso, ocorrido por volta das 21:15 hs, não pode ser explicada desta forma, pois o objeto estava acima de uma arvore e apresentou deslocamento próprio. Além disso, os detalhes descritos coincidem perfeitamente com outros avistamentos relatados na mesma cidade naquela época e com os casos gaúchos.

O Caso nº 7 também parece ter sido originado em um erro de interpretação. Ele teria ocorrido na rua Buarque de Nazareth (paralela à Rua Tiradentes), em 20 de dezembro de 1971. Por volta das 20 horas, 60 pessoas observaram um objeto branco, luminoso, redondo, num angulo estimado de 45º acima do horizonte, do outro lado do Rio Muriaé. Segundo os depoentes ele tinha estrias douradas e foi descendo lentamente em intervalos aproximados de 5 em 5 minutos, até se tornar invisível (sic) atrás das moradias. Observamos aqui os mesmos efeitos verificados no dia anterior com os três jovens que confundiram o planeta Vênus, mas que acabaram testemunhando um objeto bastante próximo pouco depois. Neste caso do dia 20, temos ainda, o clássico efeito observado em corpos celestes de brilho intenso, em que são formadas as estrias luminosas. O relato de descida do objeto, em direção ao solo, é outro efeito característico de corpos celestes próximos ao horizonte oeste. Através da carta celeste do dia podemos ter uma melhor noção de como isso ocorreu.

carta celeste

No dia seguinte, em 21 de dezembro, ocorreu o caso nº 8, em que os proprietários de um Hotel observaram o Planeta Venus, posicionado acima dos morros do outro lado do rio Muriaé. Como nos outros casos eles estavam nas proximidades da Rua Tiradentes, com ampla visão para os morros da região.

Mas porque num curto período de tempo?

Uma dúvida que permeia a mente de muitos, neste momento deve ser: Se era o Planeta Venus, porque estes casos não ocorreram dias, semanas, meses antes?

Aqui voltamos ao já citado fator "atenção". Antes dos relatos de Paulo Caetano e Benedito Miranda, as pessoas não tinham sua atenção despertada para mistérios celestes. Após a seqüência de eventos é que eles passaram a prestar atenção. Além disso, até o dia 30, Vênus não estava bem visível naquele período e naquela posição. Conforme a posição de Vênus e da Terra, em relação ao Sol, em determinadas épocas ele aparece no amanhecer ou no por do sol. Durante estes períodos está numa fase de transição onde passa à frente ou atrás do sol, impedindo a visualização a partir da Terra. Depois do dia 30 de dezembro, Venus completou a transição e dia após dia foi surgindo cada vez mais tarde. O auge foi no dia 18 de janeiro, quando estava mais alto no céu, mas ainda a oeste, e mais luminoso. Não temos dados sobre as condições climáticas daqueles dias, mas períodos de chuva, em que por vários dias o céu permanece encoberto poderia esconder a evolução do planeta. Assim, quando finalmente o céu limpa, teríamos um objeto muito brilhante que não estava lá até alguns dias atrás.

Caso legítimos

Dentro da onda de Itaperuna, permaneceriam inexplicados além dos casos de Benedito Miranda e Paulo Caetano, os casos nº 3 (segunda parte), 4 (Km 2, da RJ-100), 5 (Dr. Walter Anderson), e 6 (da rua Assis Ribeiro).

No caso nº3, temos o relato de um objeto, do tamanho de um Volks, escuro, que era realçado por um névoa branca. No caso nº 4 temos um objeto em forma de anel, com seu interior transparente e também envolto em névoa ou fumaça branca. No caso nº 5, também temos um objeto com o interior transparente. Desta vez temos a clássica descrição do movimento em zig-zag. No caso nº 6, temos 80 testemunhas diretas de um objeto luminoso arredondado, também com interior transparente. Este objeto, embora redondo e luminoso não se enquadraria em erro de interpretação devido ao óbvio deslocamento, inclusive desaparecendo a 60º acima do horizonte (Vênus, no momento da observação estava a pouco mais de 10º em relação ao horizonte).

Tão misteriosamente como iniciou, a onda de Itaperuna terminou. Depois dessa época ocorreram casos esporádicos de avistamentos a média e longa distância, mas nada significativo como tivemos no final de 1971.

Os casos gaúchos

Na noite de 19 de dezembro, houveram numerosos avistamentos em pelo menos 60 cidades do Rio Grande do Sul. O caso nº 9, ocorrido às 21 horas, em Gravataí, não poderia ser explicado como erro de interpretação, pois o objeto luminoso inicialmente estava posicionado no alto do céu, e não à oeste, em relação ao observador. Ele tinha um tamanho aparente superior ao da Lua Cheia, e também assemelhava-se à um anel circular com centro escuro e transparente. E igualmente foi descrito como cercado por uma nebulosidade esbranquiçada. Seu deslocamento ocorreu de sudoeste à nordeste. Dois aviões da Base Aérea de Canoas aproximaram-se do objeto e seus pilotos descreveram-no como metálico, com um centro nebuloso.

Os casos nº 10 e 11, também não podem ser explicado como sendo originados a partir de observações do Planeta Venus. Nos relatos também temos descrição de deslocamento, e quase sempre de mais de um objeto.

No Boletim da SBEDV, já mencionado, encontra-se uma tabela de casos ocorridos naquela noite dentro do estado, a qual reproduzimos aqui para melhor entendimento:

carta onda tabela

A Tabela 2 refere-se à casos ocorridos em Porto Alegre e região:

carta onda tabela 2

Concluindo

A pesquisa desta importante onda ufológica continua. Nosso trabalho de coleta de dados continua a partir dos próximos Boletins da SBEDV onde novos dados são disponibilizados. Concluindo esta etapa temos livros de pesquisadores envolvidos e documentos da Força Aérea Brasileira que trazem informações adicionais e que serão devidamente analisadas por nossa equipe, resultando em novas atualizações para este estudo.

Novos casos serão acrescentados e ao final poderemos realizar uma estatística apropriada desta curta, mas intensa onda ufológica do ano de 1971. Ao final deste artigo disponibilizamos outras cartas celestes, tanto da região de Itaperuna como de cidades gaúchas, com outros detalhes, horários, e grades métricas para quem quiser se aprofundar na análises dos casos.

Cartas Celestes para Itaperuna

carta 1

carta 2

carta 3

carta 4

carta 5

carta 6

carta 7

carta 8

 

Cartas celestes para as cidades do Rio grande do Sul

Porto Alegre

carta poa 1

carta poa 2

carta poa 3

Gravatai

carta gravatai

são Leopoldo

carta sao leo

A Onda Ufológica de Março de 1978

carta onda 1978 1
Perfil dos objetos maiores observados sobre o campo dos Afonsos

Uma onda ufológica atingiu as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, tendo milhares de testemunhas oculares em diferentes pontos descrevendo insólitas experiências. No Rio de Janeiro uma frota de objetos sobrevoa o Campo dos Afonsos. Na noite de sábado para domingo, de 11 para 12 de março de 1978, principalmente entre 1 e 2 horas da madrugada, foi assinalada a presença de discos voadores, isolados ou em esquadrilhas, na região centro-leste do país. O centro das atividades parecia cristalizar-se na cidade do Rio de Janeiro (ref.: 9, 10, 11, 12, 13 e 14). Alguns dos jornais que noticiaram o fato deram a entender que as esquadrilhas de discos voadores foram primeiramente assinaladas em regiões vizinhas ao Rio de Janeiro, como as cidades serranas de Nova Friburgo e Teresópolis, e também na Baixada Fluminense,em São São Gonçalo, no quilômetro zero da Rodovia Amaral Peixoto. Além desses locais, registrou-se também sua presença em regiões mais afastadas, no litoral fluminense, como Cabo Frio, e em Minas Gerais, na cidade de Serrania (ref.: 15). O fenômeno foi observado até em Brasília, onde chegou a assustar uma das moradoras da cidade, residente numa superquadra; à 1:30 hs aproximadamente, essa testemunha viu o voo nivelado de um engenho em direção ao seu prédio (ref.: 8). Além dessa moradora, outras pessoas observaram também "luzes belíssimas no céu" (ref.: 9). Ainda em Brasília, foram vistos discos voadores, por avião da Varig (prefixo 860), à 1:20 hs; além desse avião também um jato da Pan American foi testemunha do fenômeno a 16.000 metros de altura (ref.: 5 e 6). aliás, um dos recortes de jornais (ref.: 8) assinalou (em caráter não oficial) que telas do sistema de radar do Ministério da Aeronáutica teriam captado a presença de discos voadores em Brasília.

Além de Brasília e Goiânia, os discos voadores teriam sobrevoado também cidades do norte do país, como Santarém e Manaus.

Pesquisando sobre o início do aparecimento dos discos voadores, descobrimos que em São Paulo, nas matas da Cantareira, perto do reservatório da SABESP, em 9 de março de 1978, ocorrera um fenômeno ufológico, aproximadamente às 11 hras do dia: fora observado "queda de objeto não identificado, envolvido em fumaça, tendo em seguida provocado forte explosão" (ref.: 1, 2, 3 e 4).

Naquele mesmo dia e nos dias subseqüentes o COE - Comando de Operações Especiais - foi mobilizado à procura de um objeto (nas matas da Cantareira), mas tudo sem resultado. Qual não deve ter sido a surpresa deste "Comando" ao saber a notícia de que, quatro dias após, na madrugada de domingo, 13 de março de 1978, à 1 hora da manhã, foi visto um objeto luminoso, ou disco voador, levantar voo, das matas da Cantareira, em seguida sobrevoar São Paulo, principalmente os bairros Tremembé e São Miguel, para depois seguir rumo ao norte (SBEDV: Brasília).

Além disso, conforme observação do sargento da Brigada Pára-quedista do Exército, João Zimenes Filho, uma semana após os acontecimentos da movimentada madrugada de 13 de março de 1978, três discos voadores fizeram seu reaparecimento sobre o Campo dos Afonsos e arredores, no Rio de Janeiro; esses três objetos sobrevoaram a região de zero até duas horas. Na ocasião, o sargento fez um desenho ilustrativo, que foi publicado em jornal.

em alguns casos, as testemunhas de tais episódios haviam também descrito pormenores dos movimentos das naves: às vezes em ascensão vertiginosa, outras vezes descrevendo curvas (ref.: 10), ora em vôo rasante, ora a grande altura.

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Jornal Última Hora, Rio de Janeiro, 13/03/1978

Não havia qualquer razão para se querer confundir, a fenomenologia observada, com chuvas de estrelas cadentes, queda de satélite ou ainda a demorada passagem (de horas ou dias) de um cometa. Se não de pessoas menos avisadas por não terem estudado ainda a fenomenologia dos discos voadores (UFOs), tais comentários podem ser também oriundos de elementos envolvidos com a política de despistamento do assunto disco voador.

Todos os observadores são uníssonos em afirmar terem assistido a espetáculos belíssimos, talvez assustadores, tratando-se de objetos luminosos as vezes multicoloridos, em certos casos arrastando atrás de si longas caudas. Entretanto, algumas das testemunhas tiveram ainda a visão acompanhada de sentimento subjetivo, como paz interior (ref.: 12), de bem estar, ou impressão amistosa acerca dos tripulantes eventualmente presentes nos engenhos avistados (ref.: 16). Como exemplo, temos o da artista plástica do Museu de Arte Moderna, Lígia Pape, que viu os objetos luminosos (juntamente com outros) à 1:30 hs; entretanto, cerca de meia hora antes, essa artista havia visto uma "bola prateada, muito grande, descrevendo o mesmo caminho".

"Durante o tempo em que os objetos passaram", comentou a testemunha, "eu senti uma vibração intensa, embora não ouvisse som algum".

Avistamento no Campo dos Afonsos

Na Base Aérea do Campo dos Afonsos, nas vertentes do morro do Rosa, que o cerca ao sul, existe um conjunto residencial. Nesse mesmo lugar, localiza-se a residência do Coronel Rui Guardiola. Por estar esta residência colocada em nível mais elevado que o do campo de aterrissagem da Base Aérea, tem-se daí uma ótima visão sobre o Campo dos Afonsos, situado ao norte, A Vila Militar e o bairro de Marechal Deodoro. Mais para o norte, seguem-se outros bairros e morros; no extremo norte, o horizonte é formado pela serra das montanhas de Petrópolis, de aproximadamente 1200 metros a 1500 metros de altitude, a uma distância entre 40 e 50 Km. Em compensação, no lado sul a vista é barrada por morros cujas cristas variam de 70 a 300 metros de altura. Se não nos engana a memória, essas cristas ficam a um ângulo de uns 40 a 50 graus de elevação relativamente ao observador nas residências.

Se isto descreve sucintamente o cenário local, devemos ainda apresentar o Coronel Guardiola aos nosso leitores. Trata-se de um home de ótima cultura básica e seguidor de uma ética que nós próprios gostaríamos de possuir. Profissionalmente, o Coronel Guardiola no momento está envolvido com a comunicação eletrônica e a segurança de voo. Atualmente, ele está com 45 anos de idade (junto de 1979), tendo ingressado na FAB em 1951. Já foi piloto de "ligação e observação", o que, como se deve saber, além de seguro e rápido raciocínio, exige adicionalmente uma coordenação perfeita do piloto nos seus comandos. Dizer tudo isso achamo-lo importante, para que se possa dar o devido valor ao episódio relatado pelo aviador.

O que ainda cabe aqui é um pedido de desculpas do relator da SBEDV, já que estamos familiarizados com certos termos de aeronáutica; não temos grandes conhecimentos sobre o tráfego de engenhos interplanetários e seus múltiplos modelos, um dos quais aqui descrito pelo seu observador. Com o Cel. Guardiola, estivemos por três vezes, sendo a ultima em 15 de junho de 1978.

O Relato

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Jornal Última Hora, Rio de Janeiro, 20/03/1978

A noite deSábado, 12 de março de 1978, era clara e a temperatura amena. Dessa maneira, o Cel. Guardiola, sua esposa e mais dois casais, reunidos em animada palestra na varanda da casa, prolongaram a conversa madrugada adentro, no domingo dia 13.

Na ocasião, o Cel. não possuía relógio; entretanto, julgava ser entre 1:20 hs e 1:30 hs, quando avistou à sua frente um ponto parecendo enorme estrela emitindo luz branca intensa (prateada) e dirigindo-se para o lado Norte. Obs.: Um casal de namorados, sentado em jardim nos arredores, tendo assistido a todo o acontecimento descrito adiante e tendo consultado o relógio na ocasião, observou que era 1:33 hs.

Esse ponto luminoso era visível a um ângulo de uns 30 graus sobre o horizonte e estava situado a cerca de 2400 metros de altitude, na direção do Pico do Couto, na serra de Petrópolis.

Essa luz foi se aproximando rapidamente e baixando em um curso de colisão (em relação aos três casais observadores). O segundo enquadramento da luz foi na altura da serra da Madureira, já sob angulo menor, de aproximadamente 15 graus acima do horizonte. Neste momento, a luz, até então um foco único, dividiu-se em dois, ambos de cor branca. Então, o aviador julgou tratar-se de avião que, acendendo suas luzes de aterrissagem, estaria prestes a entrar no tráfego do Campo dos Afonsos (para aterrissar).

No terceiro enquadramento, instantes em seguida, com as duas luzes geminadas, já à altura do bairro de Ricardo Albuquerque, o Cel. Guardiola notou que a distância entre os dois focos luminosos devia ser de uns 100 metros !!! Ainda neste momento, pequena luz branca surgiu no meio, entre os dois grandes focos. Esta luz cintilou e apagou-se!!!

Nestes instantes, o nosso coronel já havia percebido que algo fora de comum e extraordinário, em matéria de aeronáutica, devia estar acontecendo à sua frente. Por isso, trocou rapidamente o conforto de sua poltrona por uma posição no gramado, a descoberto, ao lado da varanda. Usou ainda o poste à sua frente, para balizamento dois posteriores avistamentos das luzes.

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Vista inferior dos objetos observados sobre o Campo dos Afonsos

O quarto enquadramento (aparecimento) das luzes deu-se à altura de Marechal Deodoro e, assim, na Vila Militar, a aproximadamente 2000 metros de distância do observador. Este reconhecer então que as duas luzes correspondiam à luminosidade irradiada pela proa de dois corpos voadores, volumosos, que as projetavam apenas para a frente do seu rumo de voo. Os dois corpos, que haviam aparentemente estado em voo descendente, alcançavam agora um curso nivelado na horizontal a uma altura de 300 a 600 metros. O voo continuava em direção ao observador, seguindo o seu curso de colisão. Entretanto, a luz, que até agora era de um branco brilhante, mudou repentinamente de cor; aliás, mudou de cores, pois o bólide à esquerda do observador passou, da cor branca, para a "azul elétrica" e, o da direita, para o amarelo alaranjado.

No quinto enquadramento, já nos limites do campo de aviação de Afonsos, e assim a uns 1200 metros de distância do Cel. Guardiola, os corpos continuavam a voar a mesma altura de 300 a 600 metros. Na casa do Cel., na varanda, os observadores ficaram apreensivos. Embaixo e ao redor do Campo dos Afonsos e das residÊncias, todo o terreno estava agora iluminado com as cores azul e laranja.

Nesse quinto enquadramento (sobre o Campo dos Afonsos) e logo adiante, no sexto, quando os dois corpos luminosos sobrevoaram o grupo de observadores no conjunto residencial, o Cel. Guardiola notou que os dois objetos haviam reduzido acentuadamente a sua antes vertiginosa velocidade. Então, ele pôde observar bem neste sobrevoo, todos os detalhes da enorme flotilha que acompanhava os dois corpos maiores que irradiavam as luzes coloridas. É que estes corpos estavam ainda acompanhados, lateralmente, por outros quatro objetos de forma eliptica, em cada lado, numa ordem estritamente simétrica, em ambos os flancos. Esta visão foi neste instante facilitada pela distribuição da luz irradiada pelas naves líderes; essa luminosidade que era dirigida só para a frente e para baixo, havia antes, na sua aproximação, inundado toda a paisagem com suas cores, mas também ofuscara a vista do observador.

Os dois corpos principais tinham dimensões avantajadas, de uns 30 a 60 metros de comprimento; a base (parte inferior) parecia ser plana e de contorno oval, tendo o eixo maior na direção do voo. A proa (parte da frente) possuía curvatura menor em relação à popa ( a parte de trás, cuja terminação parecia amputada em linha reta ao invés do que deveria ser o trecho de maior curvatura).

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Representação do episódio, realizado por desenhista da SBEDV, baseado nos depoimentos das testemunhas.

Essa plataforma plana e aproximadamente oval suportava uma estrutura em forma de cúpula. Essa cúpula era mais alta na proa, onde media entre 10 e 15 metros. Mais para a popa ela se achatava até confundir-se com a base plana. Isto pode ser observado nos desenhos, em planta baixa e em perfil, que o Cel. Guardiola fez.

Esses dois corpos, evidentemente os líderes da flotilha, irradiavam a luz de suas proas, somente para a frente e para baixo, segundo já dissemos. Entre si, eles estavam distantes cerca de uns 200 metros. Entre os dois focos, mais para o centro, estavam localizadas ainda mais duas formas elipticas semelhantes, mas, de tamanho menor que os daquelas situadas nos flancos, já mencionadas aqui. Assim, havia 12 corpos ao todo, enfileirados em leque, da forma como se vê nos desenhos.

Os objetos continuaram o seu voo até rápido desaparecimento atrás da crista do morro da Rosa, sempre em direção ao sul e, aparentemente, rumo ao Atlântico. Para acompanhar essa trajetória dos discos voadores, o Cel. Guardiola teve de girar seu corpo cerca de 180 graus; assim, ele pôde fixar bem os seguintes seis detalhes interessantes a respeito dos aparelhos:

1º - as formas da base e do perfil dos corpos maiores, no momento em que a esquadrilha passava pelo zênite (direção correspondente a um ângulo de 90º sobre o horizonte - isto é - na vertical do lugar).

2º - Talvez por uma coincidência, quando a esquadrilha sobrevoava no zênite, o observador, este estava colocado aproximadamente no plano vertical passando pelo alinhamento longitudinal central da esquadrilha.

3º - Cessado ofuscamento visual consequente da luz irradiada pela proa das "naves capitâneas", observou-se seguinte: em sua popa recortada em linha reta, as "naves capitâneas" traziam a reboque um numero enorme (pelo menos neste momento) de corpos cilíndricos, semelhantes a obuses, de 5 a 10 metros de comprimento cada um. Tais cilindros estendiam por uma distância de 1 a 2 km. Encontravam-se em perfeito alinhamento: era sempre de 4 a 5, enfileiradas paralelamente no mesmo plano horizontal, correspondendo exatamente à largura da popa da nave líder. Além disso, 4 a 5 de tais planos estavam sobrepostos, formando assim um feixe que consistia, então de aproximadamente 16 a 25 cilindros (considerados numa secção transversal). Tais feixes seguiam, um após o outro, talvez uns 100 ou 200, sempre deixando curtas distâncias entre si. Todo esse trem de cilindros estava banhado de uma luz vermelha, assim como os intervalos entre um e outro feixe, aparentemente representado um campo energético sustentado e disciplinando os cilindros na sua presente ordem. Entre a popa reta da "nave rebocadora" e o primeiro feixe, havia ainda um intervalo. Esse intervalo era identicamente banhado pela tal luz vermelha, representando, eventualmente, o "engate" para o trem "celestial".

4º - O tempo da passagem deste "reboque" sobre o observador, foi de aproximadamente 6 a 8 segundos.

5º - Quando pela passagem sobre o observador, ou seja, no Campo dos Afonsos, houve uma nítida redução na velocidade dos engenhos aéreos.

6º - Desde o seu aparecimento na serra de Petrópolis, a uns 50 km de distância, até o seu desaparecimento atrás da crista dos morros no Campo dos Afonsos, a flotilha gastou de 20 a 30 segundos.

Obs. da SBEDV - Usando, para cálculos aproximados, os valores dados pelo nosso amigo aviador, de fato, a flotilha parece ter diminuído sua velocidade em sua passagem pelo Campo dos Afonsos, o posto de observação para o relato. A velocidade média da flotilha, para percorrer aproximadamente 50 km de distância em 20 a 30 segundos, ficou entre 6 mil e 9 mil km/h. O tempo (6 a 8 segundos) da passagem na Base Aérea, gasto pelo "trem rebocado" (comprimento de 1 a 2 km), corresponderia à velocidade (reativamente reduzida de 450 a 1200 Km/h).

Comentário da SBEDV

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Há muito, vimos nos dedicando à especialidade do aspecto dos tripulantes extraterrestres e suas reações; apenas secundariamente ocupamo-nos das formas dos discos voadores, da sua propulsão e de outros detalhes da tecnologia ufológica. Apesar disso, no presente boletim, voltamo-nos aos aspectos técnicos, principalmente, em homenagem ao nosso observador da Aeronáutica e ao seu relatório minucioso e franco, aqui transmitido aos nossos leitores. Isto indica o surgimento de nova mentalidade e evolução na nossa sociedade terrestre (onde, até bem pouco tempo, o assunto era considerado "hermético", sigiloso e de propriedade da aeronáutica).

Em outras palavras, arriscaríamos até a dizer que, há vinte anos, no tempo do famoso episódio ufológico do Prof. Dr. João de Freitas Guimarães, em Santos - São Paulo, o presente relato do Cel. Guardiola teria sido algo impossível de difundir. Somando a isto os relatos deste episódio feito pelos jornais (ref.: 8, 9, 10 e 11) até com desenhos ilustrativos (ref.: 7), temos comprovado então uma verdadeira reviravolta e abertura para o grande público, acerca do assunto disco voador.

Isto comprova o progresso da sociedade humana terrestre nos últimos vinte anos, em especial a do nosso país; está havendo maior dose de sensibilidade e de respeito para com os cidadãos, independendo da farda ou do macacão, do uso do microscópio ou da marreta, profissionalmente falando. Todo cidadão é agora digno de se informar com relação aos discos voadores e à presença, entre nós, de entidades extraterrestres.

Ainda podemos indagar se esta nova atitude seria inerente apenas ao nosso amigo Coronel, ou seria uma nova qualidade da espécie humana atual. Esta parece que está agora mais consciente do livre arbítrio do indivíduo, que deve procurar ele mesmo achar o caminho próprio ao invés de seguir cegamente ditames antigos já superados.

Deixamos também registrado o fato de que naquela ocasião, numerosas pessoas acercaram-se de nós para contar episódios ufológicos iguais ou semelhantes ao que foi relatado pelo Cel. Guardiola, embora não fossem descritos com a mesma precisão e cronometragem. Por exemplo, a senhorita "M", do nosso local de trabalho, no dia 12 de março de 1978 (sábado), entre 23 e 24 horas, observou na Barra da Tijuca, em frente à Pedra da Gávea, um corpo luminoso parado no alto e que, repentinamente, afastou-se a grande velocidade.

Como enfoque adicional, mencionamos o Boletim SBEDV nº 74/79 - página 17. Lá publicamos uma pesquisa que fizemos em 1970 e também a respeito de sobrevoo e aterrissagem de disco voador, pelas cercanias do Campo dos Afonsos (ou nele mesmo), alegadamente em 18 e 20 de agosto e 30 de setembro daquele mesmo ano.

Referências originais do texto:


1. "Objeto voador caiu em São Paulo: nada foi encontrado ainda" - Folha da Tarde, São Paulo, 11/03/1978


2. "Misterioso OVNI é procurado na Serra da Cantareira" - Cidade de Santos, Santos, 11/03/1978


3. "Disco Voador explode na Serra da Cantareira" - Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 12 /03/1978


4. "Tripulantes e muitos populares viram o objeto voador em são Paulo" - Notícias Populares, São Paulo, 13/03/1978


5. "Objeto voador avistado em São Paulo e Brasília" - Folha de São Paulo - 13/03/1978


6. "Milhares de pessoas viram o disco voador" - O Estado de São Paulo - 13/03/1978


7. Discos sobrevoam o Rio: Coronel Aviador viu tudo" - Ultima Hora, Rio de Janeiro, 13/03/1978

8. "Discos voadores deixam muita gente em pânico" - A notícia, Rio de Janeiro, 13/03/1978


9. "Objetos no céu, mistérios no Rio" - O Globo, Rio de Janeiro, 13/03/1978


10. "Astrônomo: Fenômeno no céu era meteoro" - O Globo - Rio de Janeiro 14/03/1978


11. "Astrônomo diz que objeto voador visto no domingo pode ser satélite da NASA" - Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 14/03/1978


12. Fotografado em Cabo Frio o objeto luminoso - Cabo Frio parou para ver o disco voador" - O Fluminense, Niterói - 14 /03/1978


13. "Objeto voador avistado também nos céus do Rio" - O Estado de são Paulo - São Paulo - 14/03/1978


14. "Mais gente viu o disco voador" - Ultima Hora, Rio de Janeiro, 15/03/1978.


15. "Objeto estranho assusta Serrânia" - O Estado de São Paulo - São Paulo, 18/03/1978.

Fonte: http://www.fenomenum.com.br

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