O documento mais vergonhoso da História

vergoPor Heitor de Paola, 29/01/2015 - "Hoje serei profeta mais uma vez: se os financistas judeus, dentro ou fora da Europa, conseguirem submergir mais uma vez as nações noutra guerra mundial, o resultado não será a bolchevização do planeta, portanto a vitória dos judeus, mas a aniquilação da raça judia na Europa." (Adolf Hitler, Discurso no Reichstag em 30 de janeiro de 1939). Há 73 anos reuniam-se numa vila às margens do Lago Wannsee nos arrabaldes de Berlin, quinze membros civis do regime nazista, oficiais das SS e ...

representantes do partido para elaborar um documento que veio a ser chamado de Protocolo de Wannsee: a Endlösung der Judenfrage - a Solução Final da Questão Judaica na Europa. 20 de janeiro permanecerá para sempre um dos dias mais infames da história da humanidade.

 

A Reunião

Entre os quinze presentes basta nomear o SS-Obergruppenführer (1), Reinhard Heydrich, chefe da SIPO (2) e do SD, SS-Gruppenführer Heinrich Müller, do RSHA e chefe da Gestapo, e o SS-Obersturmbamführer Adolf Eichmann, chefe da Seção IV B4 do RSHA, responsável pela logística da Solução Final. A reunião ocorria a pedido do Reichsmarshall Hermann Göring e, obviamente, do Führer, para decidir como implementar dois pontos importantes:

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a) a expulsão dos judeus de todas as esferas da vida do povo alemão, e

b) a expulsão dos judeus do espaço geográfico ocupado ou que viria a ser ocupado pelo povo alemão.

As dúvidas se referiam às Leis de Nuremberg, de 1935 (3):

1ª Lei - LEI DA BANDEIRA DO REICH: “a partir de agora as cores nacionais são negro, vermelho e branco e a bandeira da Suástica passa a ser a bandeira nacional”.

2ª Lei – LEI DA CIDADANIA: “estabelece a fundamental distinção entre ‘cidadãos do Reich’, com total direitos civis, e ‘súditos’ que passavam a ser privados daqueles direitos. Somente aqueles de sangue alemão, ou relacionado, podem ser cidadãos. Portanto, daquele momento em diante os judeus passavam a ter, de fato, um status semelhante a estrangeiros”.

3ª Lei – LEI PARA A DEFESA DO SANGUE E DA HONRA ALEMÃES: “proibia o casamento e relações extramaritais entre judeus e cidadãos de sangue alemão ou similar. Casamentos contratados em desconhecimento desta Lei, mesmo se fora da Alemanha, eram considerados inválidos. Judeus eram proibidos de empregar em suas casas cidadãs alemãs abaixo de quarenta e cinco anos de idade. Finalmente, judeus estavam proibidos de içar a Bandeira do Reich (uma ofensa à honra alemã), mas podiam usar suas próprias cores”.

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O preâmbulo para a 3ª Lei revelava todas suas implicações:
“Plenamente conscientes de que a pureza do sangue alemão é a condição de sobrevivência do Volk (4) Alemão e animados pela firme vontade de assegurar para sempre a Nação Alemã, o Reichstag decidiu por unanimidade aprovar a seguinte Lei, que é agora proclamada”. Seguia-se o § 1º: “Casamentos entre judeus e cidadãos de sangue alemão ou relacionados são proibidos”.

Na reunião foi adotada uma solução provisória (5), a aceleração da emigração judaica do território Reich. Já havia sido criado em 1939 um Escritório Central da Emigração Judaica cujas tarefas mais importantes eram:

a) fazer todos os arranjos necessários para preparar o incremento da emigração dos judeus,

b) dirigir o fluxo da emigração,

c) acelerar o processo de emigração de cada caso individual.

Estas ações eram apenas um alívio temporário enquanto se preparava a Solução Final do problema judaico, que envolvia aproximadamente 11 milhões de judeus, a maioria da Polônia (2.284.000), na Rússia (5.000.000) e na Ucrânia (2.994.694). Estes números se referiam apenas aos judeus que ainda aderiam à religião judaica, pois alguns países ainda não tinham uma classificação racial.

Os antecedentes

A violência desencadeada pelos alemães contra os judeus, principalmente na Polônia pode parecer, numa retrospectiva, como o desencadeamento da “Solução Final”. Os ataques violentos dos Einzatsgruppen (2) no início da campanha polonesa e o crescente terror que se seguiu parecem enfatizar esta continuidade. Simultaneamente, não havia nenhuma indicação oficial, muitos menos em detalhes. Em instruções aos Einzatsgruppen em 21 de setembro de 1939 Heydrich mencionou um “objetivo final”, mas não entrou em detalhes. Em termos de decisões políticas, de medidas administrativas e de planos seletivos de assassinato em massa no Leste, a “Solução Final da Questão Judia na Europa” não eram ainda aparentes no início de junho de 1941. No entanto, a crescente violência na Polônia ocupada criou uma área indistinta de permissividade mortífera que, embora não planejada (?) facilitou a política de morticínio mais sistemático (6).

Em seu discurso de 30 de janeiro de 1940, Hitler concluiu sua “profecia” de 1939 (epígrafe) expressou a esperança de que um maior número de europeus seguiriam a liderança anti-judaica alemã:  “Já agora nosso conhecimento racial penetra um povo depois do outro e espero que também aqueles que hoje ainda são nossos inimigos reconhecerão, um dia, seu maior inimigo interno e se juntarão a nós numa frente única: um front contra a exploração Judia internacional e sua corrupção das nações”.

O Führer sabia do que estava falando. Nove dias antes a capital da Romênia, Bucareste, foi alvo de um ataque pela Guarda de Ferro, apoiada pelas SS, num banho de sangue promovido pelos legionários de Horia Sima, com a morte reconhecida de pelo menos 93 judeus. Mas sabe-se que os judeus assassinados em Straulesti com extrema ferocidade foram pendurados nos ganchos de um abatedouro de gado com o cartaz “Comida Kosher”. A Guarda de Ferro derivava da organização antissemita Legião do Arcanjo Miguel, dirigida por Corneliu Zelea Codreanu e, juntamente com o Exército, derrubaram o Rei Carol em 6 de setembro de 1940, assumindo o poder o Comandante-em-Chefe do Exército, Ion Antonescu e Horia Sima.

Na Bélgica, principalmente na área flemish, e França (ocupada e Vichy) não havia necessidade de apelo algum. A tradição antissemita disfarçada abriu-se totalmente com a ocupação alemã e com a fundação do regime de Vichy. Hitler encontrou-se com o Marechal Pétain em Montoire em 24 de outubro de 1940 sendo proclamada a colaboração entre o regime de Vichy e o Reich. Já em 18 de outubro os bens judeus que não haviam sido congelados poderiam ser administrados por “meios especiais”. Em fevereiro de 1941 a “arianização” progredia a passos largos em ambas as regiões da França com a total colaboração do povo francês. Os negócios judeus foram colocados sob o controle de comissaires-gérants estimulando inúmeros vilões a comprar os negócios dos judeus por preços aviltantes.

Na opinião do autor do presente artigo (De Paola) os planos para a execução da Solução Final já existiam desde, no mínimo, 1925, na primeira edição do Mein Kampf, se não já antes, durante a I Guerra, e eram conhecidos da cúpula nazista, principalmente Himmler, Göring, Goebbels, Heydrich, Müller, Kaltenbrunner, Hans Frank, Rosenberg, von Schirach, Hess, Streicher, várias altas patentes das Forças Armadas como Keitel, Guderian, Witzleben, Rommel, von Kleist, Halder, etc. A aparente “evolução gradual” do pensamento anti-judaico não passou de pura desinformação para não chocar o mundo e principalmente o povo alemão que, embora antissemita, teve que ser preparado aos poucos para aceitar as soluções mais violentas. Ideias esdrúxulas como emigração para Madagascar e outros lugares serviram de cobertura para a preparação da “Solução Final”.

O Protocolo

No planejamento da Solução Final, as Leis de Nuremberg (1935) formaram o pano de fundo para providenciar uma solução completa para a questão de casamentos mistos e pessoas de sangue misto (Mischilinge: mestiços):

1) Pessoas de sangue misto de primeiro grau (pai ou mãe judeu) serão tratados como judeus com exceção de:

a) se desses casamentos resultaram filhos (mestiços de segundo grau): estes seriam tratados como essencialmente alemães;

b) mestiços de primeiro grau para quem os altos escalões do Partido já tivessem emitido isenção em alguma esfera da vida. O pré-requisito para qualquer isenção deveria ser algum mérito pessoal. Estas pessoas seriam esterilizadas para prevenir novos filhos e eliminar o problema de mestiçagem para sempre. A esterilização deveria ser voluntária, mas com a condição de que não saíssem do território do Reich. Seriam levantadas todas as restrições anteriores.

2) Pessoas da sangue misto de segundo grau: serão tratadas como essencialmente alemães com as seguintes exceções:

a) aqueles mestiços que nasceram de casamentos bastardos (ambos os pais mestiços),

b) tenham aparência indesejável que os marque externamente como judeus,

c) tenham fichas policiais ou políticas sujas que demonstrem que se sente e se comporta como judeu,

3) Casamentos de judeus completos com pessoas de sangue germânico: deveria ser decidido caso a caso que o parceiro judeu poderia ser evacuado ou mandado para um gueto de pessoas idosas, para onde iriam todos os judeus acima de 65 anos de idade, os veteranos da Grande Guerra feridos e aqueles com condecorações de guerra (Cruz de Ferro Primeira Classe) – principalmente Theresiendtadt.

4) Casamentos de pessoas de sangue misto de primeiro grau com pessoas de sangue germânico,

a) sem filhos: o mestiço de primeiro grau será evacuado ou mandado para um gueto de pessoas idosas,

b) com filhos: os filhos deverão ser tratados como judeus, evacuados ou mandados para um gueto com o genitor mestiço de primeiro grau,

5) Casamentos entre mestiços de primeiro grau com judeus: todos os membros da família, inclusive os filhos, serão tratados como judeus e evacuados ou mandados para um gueto.

6) Casamentos entre mestiços de primeiro grau e mestiços de segundo grau: ambos serão evacuados ou mandados para um gueto, independentemente se do casamento resultaram filhos porque, tendo como regra que estas crianças tenham forte sangue judaico.

Os judeus que trabalhassem em indústrias essenciais para os esforços de guerra não seriam evacuados caso não fosse possível sua substituição por trabalhadores alemães.

Foram propostas e aceitas sugestões de esterilização forçada de todos os judeus ou mestiços que por qualquer razão não fossem evacuados ou mandados para guetos. Também se decidiu que todos os casamentos entre judeus ou mestiços com pessoas de sangue germânico fossem automaticamente dissolvidos.

“No curso da Solução Final e sob liderança apropriada, os judeus deverão ser alocados a trabalhos no Leste, em grandes colunas divididas por sexo; os judeus capazes de trabalhar serão destinados à construção de estradas em direção ao Leste. Sem dúvida a maioria será eliminada por causas naturais. Todos os sobreviventes serão dos elementos mais resistentes. Eles deverão ser tratados adequadamente porque, por seleção natural, poderão formar o germe de um renascimento judaico. Durante a execução da Solução Final a Europa será passada a pente fino de Oeste para Leste. A Alemanha, incluindo o Protetorado da Boêmia e Morávia deverão ser tratadas de acordo com as possibilidades de encontrar locais, tanto quanto as necessidades sociais e políticas.

"As maiores ações de evacuação começarão quando a situação militar permitir. A respeito do manejo da Solução Final nos países europeus ocupados ou influenciados por nós, propomos que os experts do Ministério do Exterior discutam a matéria com os relevantes oficiais da SIPO e do SD.

"Na Eslováquia e na Croácia não será tão difícil já que os problemas mais substanciais já estão perto de uma solução. Na Romênia o governo local já providenciou um Comissariado para Assuntos Judeus. Na Hungria será necessário forçarmos a supervisão do Escritório Central do Reich para a Raça e Colonização para a questão judaica junto ao Governo (7). Com relação à Itália Heydrich considera oportuno um contato direto com o chefe de polícia. Na França ocupada e não ocupada (Vichy) não haverá problema para o registro de judeus para a deportação. Nos países Escandinavos são previstos problemas, portanto talvez seja melhor postergar nossas ações. Como o número de judeus é pequeno este adiamento não deve trazer problemas de monta.

Macabro Resultado

Um mês após a Reunião de Wannsee, 75 a 80% das vítimas do Holocausto (Shoah) ainda estavam vivas, enquanto 20 a 25% haviam morrido. Onze meses depois, em Fevereiro de 1943, a estatística era o inverso.

Nota do autor: Este artigo é propositadamente curto, simples e direto, pois o que interessa é mostrar a crueldade, a maldade e a arrogância dos perpetradores de tais medidas. Aprofundamentos poderiam encobrir a crueza dos empreendimentos. O Protocolo é, na realidade, uma ata da reunião. Retirei apenas o essencial.

Notas:

(1) - POSTO NAS WAFFEN-SS (Forças SS) - EQUIVALENTE EXÉRCITO ALEMÃO - EQUIVALENTE BRASIL

Reichsmarshall – posto criado especificamente para Hermann Göring, sem equivalente, pois estava acima de qualquer outro militar da Wermacht só comparável ao de Reichsführer-SS de Heinrich Himmler, coordenador geral da Solução Final

Obergruppenführer – General – General de Exército

Gruppenführer - Generalleutnant – General de Divisão

Obersturmbamführer – Oberstleutnant - Tenente Coronel

(Cf. Herbert F. Ziegler, Nazy Germany’s New Aristocracy: The SS Leadership, 1925-1939)

(2) - ÓRGÃOS DO APARATO DE SEGURANÇA DO REICH

SIPO – Sicherheitspolizei – Polícia de Segurança

RSHA – Reichssicherheitshauptamt – Escritório Central de Segurança do Reich

SS - Shutzstaffel - Destacamentos de Segurança

SD – Sicherheitsdienst – Departamento de Segurança e Inteligência do Partido e do Estado

GESTAPO – Geheime Staatspolizei – Polícia Secreta do Estado

KRIPO – Kiminalpolizei – Polícia Judiciária

EINZATSGRUPPEN - conjunto de destacamentos de execuções itinerantes especiais (Sonderkommandos) formados por membros das SS, SD e outros membros da policia secreta da Alemanha Nazista. Atuaram primeiro, superficialmente, na anexação da Áustria de 1938 (Anschluss) e na invasão da Tchecoslováquia (1939), e depois na Polônia (1939) e na União Soviética (URSS) em 1941 como unidades especiais autónomas. Além destes grupos existiam unidades da Polícia da Ordem (Ordnungpolizei) oriundas da Agência Central para Administração de Justiça do Estado (Zentralle Stelle der Landesjustizverwaltungen) em Stuttgart (ver Ordinary Men: Reserve Police Battalion 101, de Christopher R. Browning)

(3) - Saul Friedländer, Nazi Germany and the Jews, Vol. I: The Years of Persecution – 1933-1939

(4) - O conceito de Volk transcende a mera tradução literal (povo), referindo-se à comunidade racial ariana, Volksgemeinschaft, em oposição a todas as demais comunidades raciais, principalmente judeus, eslavos, negros, asiáticos, latinos, etc.

(5) Sempre que não houver outras citações as informações são retiradas de Mark Roseman, The Wannsee Conference and the Final Solution – A Reconsideration.

(6) Saul Friedländer, Nazi Germany and the Jews, Vol. II: The Years of Extermination – 1939-1945

(7) A Hungria não tinha um conceito racial dos judeus, apenas religioso.

Fonte: http://heitordepaola.com

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