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niceia3Há que se ressaltar que, "Igreja" na época de Jesus, não era a "Igreja" que entendemos hoje, pois se lermos os Evangelhos duma ponta à outra veremos que a palavra «Igreja», no sentido que hoje lhe damos, nem sequer neles é mencionada exceto por aproximação e apenas três vezes em dois versículos no Evangelho de Mateus (Mt 16, 18 e Mt 18, 17), pois a palavra grega original, usada por Mateus, ekklêsia, significa simplesmente «assembléia de convocados», neste caso a comunidade dos seguidores da doutrina de Jesus, ou a sua reunião num local, geralmente em casas particulares onde se liam as cartas e as mensagens dos apóstolos.

Sabemo-lo pelo testemunho de outros textos do Novo Testamento, já que os Evangelhos a esse respeito são omissos. Veja-se, por exemplo, a epístola aos Romanos (16,5) onde Paulo cita o agrupamento (ekklêsia) que se reunia na residência dum casal de tecelões, ...

Áquila e Priscila, ou a epístola a Filémon (1, 2) onde o mesmo Paulo saúda a ekklêsia que se reunia em casa do dito Filémon ; num dos casos, como lemos na epístola de Tiago (2, 2), essa congregação cristã é designada por «sinagoga». Nada disto tem a ver, portanto, com a imponente Igreja católica enquanto instituição formal estruturada e oficializada, sobretudo a partir do Concílio de Nicéia, presidido pelo Imperador Constantino, mais de 300 anos após a morte de Cristo. Onde termina a IGREJA PRIMITIVA dos Atos dos Apóstolos e começa o Catolicismo Romano?

Quando Roma tornou-se o famoso império mundial, assimilou no seu sistema os deuses e as religiões dos vários países pagãos que dominava. Com certeza, a Babilônia era a fonte do paganismo desses países, o que nos leva a constatar que a religião primitiva da Roma pagã não era outra senão o culto babilônico. No decorrer dos anos, os Líderes da época começaram a atribuir a si mesmos, o poder de "senhores do povo" de Deus, no lugar da Mensagem deixada por Cristo. Na época da Igreja Primitiva, os verdadeiros Cristãos eram jogados aos leões. Bastava se recusar a seguir os falsos ensinamentos e o castigo vinha a galope. O paganismo babilônico imperava a custa de vidas humanas. No ano 323 d.C, o Imperador Constantino professou conversão ao Cristianismo. As ordens imperiais foram espalhadas por todo o império:

As perseguições deveriam cessar! Nesta época, a Igreja começou a receber grandes honrarias e poderes mundanos. Ao invés de ser separada do mundo, ela passou a ser parte ativa do sistema político que governava. Daí em diante, as misturas do paganismo com o Cristianismo foram crescendo, principalmente em Roma, dando origem ao Catolicismo Romano. O Concílio de Nicéia, na Ásia Menor, presidido por Constantino era composto pelos Bispos que eram nomeados pelo Imperador e por outros que eram nomeados por Líderes Religiosos das diversas comunidades. Tal Concílio consagrou oficialmente a designação "Católica" aplicada à Igreja organizada por Constantino : "Creio na igreja una, santa, católica e apostólica". Poderíamos até mesmo dizer que Constantino foi seu primeiro Papa. Como se vê claramente, a Igreja Católica não foi fundada por Pedro e está longe de ser a Igreja primitiva dos Apóstolos...

Os documentos incluídos no assim-chamado "Novo Testamento" (a saber, os Quatro Evangelhos, os Atos, as Cartas e o Apocalipse) seriam falsificações perpetradas pelos patriarcas da Igreja Romana na época de Constantino, por eles chamado "o Grande" porque permitiu esta contrafação, colaborando com ela.

Constantino não teve sonho algum de "In Hoc Signo Vinces". Tais lendas teriam então sido inventadas pelos patriarcas romanos dos três séculos que se seguiram, durante os quais todos os documentos dos primórdios da assim-chamada "era Cristã" existentes nos arquivos do Império Romano foram completamente alterados. O que realmente aconteceu na época de Constantino, foi que, aliados os presbíteros de Roma e Alexandria, com a cumplicidade dos patriarcas das igrejas locais, dirigiram-se ao Imperador, fizeram-lhe ver que a religião oficial era seguida apenas por uma minoria de patrícios, que a quase totalidade da população do Império era cristã (pertencendo às várias seitas e congregações das províncias); que o Império se estava desintegrando devido a discrepância entre a fé do povo e a dos patrícios; que as investidas constantes de seitas guerreiras essênias da Palestina incitavam as províncias contra a autoridade de Roma; e que, resumindo, a única forma de Constantino conservar o Império seria aceitar a versão Romano-Alexandrina do Cristianismo. Então, os bispos aconselhariam o povo a cooperar com ele; em troca, Constantino ajudaria os bispos a destruírem a influência de todas as outras seitas cristãs! Constantino aceitou este pacto político, tornando a versão Romano-Alexandrina do Cristianismo na religião oficial do Império.
Conseqüentemente, a liderança religiosa passou às mãos dos patriarcas Romano-Alexandrinos, que, auxiliados pelo exército do Imperador, começaram uma "purgação" bem nos moldes daquelas da Rússia moderna. Os cabeças das seitas cristãs independentes foram aprisionados; seus templos, interditados; e congregações inteiras foram sacrificadas nas arenas das províncias de Roma e Alexandria. Os gnósticos gregos, herdeiros dos Mistérios de Elêusis, foram acusados de práticas infames por padres castrados como Orígenes e Irineu (a castração era um método singular de preservar a castidade, derivado do culto de Átis, do qual se originou a psicologia Romano-Alexandrina). Os essênios foram condenados através do hábil truque de fazer dos judeus os vilões do Mistério da Paixão; e com a derrota e dispersão finais dos judeus pelos quatro cantos do Império, a Igreja Romano-Alexandrina respirou desafogada e pode dedicar-se completamente ao que tem sido sua especialidade desde então: AJUDAR OS TIRANOS DO MUNDO A ESCRAVIZAREM OS HOMENS LIVRES.

Em resumo: Por influência dos imperadores Constantino e Teodósio, o Cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano e entrou no desvio. Institucionalizou-se; surgiu o profissionalismo religioso; práticas exteriores do paganismo foram assimiladas; criaram-se ritos e rezas, ofícios e oficiantes. Toda uma estrutura teológica foi montada para atender às pretensões absolutistas da casta sacerdotal dominante, que se impunha aos fiéis com a draconiana afirmação : "Fora da Igreja não há salvação". Além disso, Constantino queria um Império unido e forte, sem dissensões. Para manter o seu domínio sobre os homens e estabelecer a ditadura religiosa, as autoridades eclesiásticas romanas deviam manter a ignorância sobre as filosofias e Escrituras. A mesma Bíblia devia ser diferente. Devia exaltar Deus e os Patriarcas mas, também, um Deus forte, para se opor ao próprio Jeová dos Hebreus, ao Buda, aos poderosos deuses do Olimpo. Era necessário trazer a Divindade Arcaica Oriental, misturada às fábulas com as antigas histórias de Moisés, Elias, Isaías, etc., onde colocaram Jesus, não mais como Messias ou Cristo, mas, maliciosamente, colocou Jesus parafraseado de divindade no lugar de Jezeu Cristna, a segunda pessoa da trindade arcaica do Hinduísmo. Nesse quadro de ambições e privilégios, não havia lugar para uma doutrina que exalta a responsabilidade individual e ensina que o nosso futuro está condicionado ao empenho da renovação interior e não à simples adesão e submissão incondicional aos Dogmas de uma Igreja, os quais, para uma perfeita assimilação, eram necessários admitir a quintessência da teologia : "Credo quia absurdum", ou seja, "Acredito mesmo que seja absurdo", criada por Tertuliano (155-220), apologista Cristão.

Disso tudo deveria nascer uma religião forte como servia ao império romano. Veio ainda a ser criados os simbolismos da Sagrada Família e de todos os Santos, mas as verdades do real cânone do Novo Testamento e parte das Sagradas Escrituras deviam ser suprimidas ou ocultadas, inclusive as obras de Sócrates e outras Filosofias contrárias aos interesses da Igreja que nascia. Esta lógica foi adotada pelas forças clericais mancomunadas com a política romana, que precisava desta religião, forte o bastante, para impor-se aos povos conquistados e reprimidos por Roma, para assegurar-se nas regiões invadidas, onde dominava as terras, mas não o espírito dos povos ocupados. Em troca, o Cristianismo ganhava a Universalidade, pois queria se tornar "A Religião Imperial Católica Apostólica Romana", a Toda Poderosa, que vinha a ser sustentada pela força, ao mesmo tempo em que simulava a graça divina, recomendando o arrependimento e perdão, mas que na prática, derrotava seus inimigos a golpes de espada. Então não era da tolerância pregada pelo Cristianismo que Constantino precisava, mas de uma religião autoritária, rígida, sem evasivas, de longo alcance, com raízes profundas no passado e uma promessa inflexível no futuro, estabelecida mediante poderes, leis e costumes terrenos. Para isso, Constantino devia adaptar a Religião do Carpinteiro, dando-lhes origens divinas e assim impressionaria mais o povo o qual sabendo que Jesus era reconhecido como o próprio Deus na nova religião que nascia, haveria facilidade de impor a sua estrutura hierárquica, seu regime monárquico imperial, e assim os seus poderes ganhariam amplos limites, quase inatingíveis. Quando Constantino morreu, em 337, foi batizado e enterrado na consideração de que ele se tornara um décimo terceiro Apóstolo, e na iconografia eclesiástica veio a ser representado recebendo a coroa das mão de Deus.

Resumindo, isso é a própria história de terror abafada pela fé cristã. E... nós somos o lado negro da história?

 

Os 21 Concílios Ecumênicos

 

A guisa de recapitulação de toda a história da Igreja, apresentamos uma síntese da história dos Concílios.


1 - Concílio de Nicéia I (325)


O primeiro Concílio Ecumênico foi o de Nicéia I, reunido de 26/05 a 25/07/325. Desde o Século II, os cristãos voltaram a sua atenção para as verdades da fé reveladas pelo Evangelho, procurando penetrar-lhes o sentido. Sem dúvida, uma das que mais se impunham a reflexão dos fiéis, era a questão do relacionamento de Jesus Cristo com Deus Pai ou com o único Deus (revelado no Antigo Testamento): seria Jesus realmente Deus ou apenas criatura?&& Após correntes que concebiam Jesus como inferior ao Pai, o presbítero Ario de Alexandria em 312 começou a ensinar que o Logos (ou o Filho) era, como criatura, subordinado ao Pai; daí os nomes de sua escola: arianismo ou subordinacionismo. O Imperador Constantino, que concedera a paz aos cristãos mediante o Edito de Milão em 313, quis contribuir para a solução da controvérsia teológica assim originada, convocando um Concílio universal para Nicéia (Ásia Menor) em 325. O Papa S. Silvestre, idoso como era, fez-se representar na assembléia, dando-lhe a autoridade legítima. Os padres conciliares, após acalorados debates.

1) definiram que o Filho de Deus é consubstancial (homoousious) ao Pai - o que significa que não é criado, mas compartilha a essência do Pai (ou a Divindade). Esta verdade foi expressa no Símbolo de Nicéia;

2) fixaram a data de Páscoa, que seria celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da Primavera;

3) estabeleceram a ordem de dignidade dos Patriarcados:Roma, Alexandria, Antioquia, Jerusalém. O Papa S. Silvestre confirmou as decisões do Concílio.


2 - Concílio de Constantinopla I (381)


Após a controvérsia sobre a divindade do Logos, os cristãos se voltaram para a do Espírito Santo: houve quem professasse ser o Espírito Santo mera criatura. O arauto principal desta tese foi Macedônio, bispo de Constantinopla; donde o nome de Macedonismo ou Pneumatomaquismo que Ihe foi dado. O lmperador Teodósio (379-395), zeloso da reta fé, houve por bem convocar novo Concílio Ecumênico desta vez para Constantinopla. Esta assembléia reuniu-se de maio a julho de 381. Firmou três decisões principais:

1) O Espírito Santo é Deus, da mesma substância que o Pai e o Filho. Em conseqüência, o Símbolo de fé Niceno foi completado com as palavras: “Cremos no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai, que é adorado e glorificado com o Pai e o Filho e que falou pelos Profetas”.

2) Foram condenados todos os defensores do arianismo sob qualquer das suas modalidades.

3) A sede de Constantinopla ou Bizâncio foi atribuída uma preeminência sobre as demais logo após a de Roma, pois Bizâncio era considerada “a segunda Roma”. O Concílio de Constantinopla I não contou com a presença do Papa ou de algum legado deste. Todavia foi reconhecido explicitamente pela Sé de Roma a partir do século VI, no que concerne às suas proposições de fé (divindade do Filho e do Espírito Santo).


3 - Concílio de Éfeso (431)


Após o estudo da SS. Trindade, os cristãos se detiveram sobre Jesus Cristo: como poderia ser Deus e homem ao mesmo tempo? Levando adiante idéias de autores anteriores, Nestório, bispo de Constantinopla, pôs-se a combater o título Theotokos, Mãe de Deus, que os cristãos desde o século III atribuíam a Maria SS... Tal título significava que em Jesus havia uma só pessoa - a divina -, que, além de possuir tudo o que Deus possui, dispunha de verdadeira natureza humana. Para Nestório, a humanidade de Jesus seria apenas o templo ou a revestimento do Filho de Deus; a divindade teria passado par Maria, mas não nascera de Maria, a que implicava uma pessoa humana em Jesus distinta da segunda pessoa da SS. Trindade. Tal doutrina causou celeuma entre as cristãos, de modo que a lmperador Teodósio II (408-450) convocou um Concílio Ecumênico a se realizar em Éfeso (Ásia Menor) de junho a setembro de 431. O Papa S. Celestino I (422-432) fez se representar par S. Cirilo de Alexandria. O Concílio de Éfeso:

1) condenou e depôs Nestório, rejeitando a sua doutrina. Não elaborou fórmula de fé, mas aprovou a segunda carta de S. Cirilo a Nestório;

2) condenou a pelagianismo (doutrina excessivamente otimista no tocante a natureza humana) e o messalianismo (corrente de espiritualidade que apregoava a total apatia ou uma Moral indiferentista).O Papa S. Celestino I confirmou as decisões do Concílio de Éfeso.


4 - Concílio de Calcedônia (451)


O pensamento teológico, tendo superado a Nestorianismo (que cindia Jesus Cristo, atribuindo-lhe dois eu ou duas pessoas) esteve sujeito a movimento pendular. A tese de ortodoxia, que rejeitava a dualidade de pessoas, foi exageradamente enfatizada no chamado “monofisismo” ou “monofisitismo”. Com efeito, Eutiques de Constantinopla, adversário de Nestório e seguidor de S. Cirilo, ultrapassou o seu mestre, ensinando o seguinte: em Cristo, não havia apenas uma só pessoa (um só eu), mas havia também uma só natureza, visto que a natureza divina absorvera a humana. Tal posição suscitou ardente controvérsia, pois se lhe opunham Teodoreto de Ciro, Domno de Antioquia e a próprio Papa Leão I (440- 461). O Imperador Marciano (450-457) convocou então um Concílio Ecumênico para Éfeso, o qual, iniciado nesta cidade, foi transferido para Calcedônia (junto a Constantinopla); durou de 8 de outubro a novembro de 451. São Leão Magno, Papa, enviou seus legados, assim como uma carta que definia a doutrina ortodoxa: em Cristo há uma só pessoa, mas duas naturezas (a divina e a humana) não confundidas entre si. Tal doutrina foi aclamada pelos padres conciliares, que condenaram Eutiques e a monofisismo aos 25/10/451. O Concílio de Calcedônia também se voltou para questões disciplinares, condenando a simonia, os casamentos mistos e proibindo as ordenações absolutas (isto é, realizadas sem que o novo clérigo tivesse determinada função pastoral). Em seu famoso cânon 28, a Concílio reconheceu a Sé de Constantinopla, a cidade imperial, os mesmos privilégios que à de Roma. O Papa S. Leão Magno recusou-se a aprovar este cânon, visto que Roma é a sede dos Apóstolos Pedro e Paulo, ao passo que Constantinopla não foi sede de Apóstolo, mas derivava sua importância do simples fato de ser sede do lmperador.


5 - Concílio de Constantinopla II (553) O Concílio de Calcedônia não conseguiu pôr termo às controvérsias cristológicas. Em 527 subiu ao trono imperial de Bizâncio Justiniano I, que muito se interessava por assuntos teológicos; em conseqüência, julgou que serviria a causa da verdade e da Igreja se condenasse três autores do Século V tidos como nestorianos: Teodoro de Mopsuéstia, Teodoreto de Ciro e Ibas de Edessa. Originou-se assim a controvérsia dos Três Capítulos, visto que os bispos orientais e ocidentais assumiram atitudes diversas diante da posição de Justiniano. Este constrangeu o Papa Vigílio a ir de Roma a Constantinopla para apoiar o Imperador. Finalmente Justiniano resolveu convocar um Concílio Ecumênico para dirimir a controvérsia. Este, reunido em Constantinopla de 5/05 a 2/06/553, condenou os Três Capítulos. O Papa Vigílio aprovou tal condenação depois de proclamada pelo Concílio, dando assim foros de legitimidade tanto ao Concílio de Constantinopla II quanto ao seu decreto condenatório. O Papa S. Gregório I, em 591, confirmou o mencionado Concílio, que foi fortemente agitado par causa da indevida ingerência do lmperador.


6 - Concílio de Constantinopla III (680/1) O monofisitismo, que não se extinguiu após a Concílio de Calcedônia, assumiu nova forma (assaz sutil) chamada monotelitismo. Este ensinava que em Cristo havia uma só vontade (a divina) e um só princípio de atividade ou energia (o divino) - o que redundaria em unidade de natureza ou monofisismo. O protagonista desta tese era a Patriarca Sérgio de Constantinopla, ao qual se opunha Sofrônio de Jerusalém. A disputa suscitou, da parte do lmperador Constantino IV Pogonato (668-685), a convocação de bispos, inclusive legados papais, para Constantinopla; assim teve origem mais um Concílio Ecumênico (7/11/680 a 16/09/681). O monotelitismo foi então condenado e afirmou-se a existência, em Cristo, de duas vontades (a divina e a humana) moralmente unidas entre si, e de dois princípios de atividade. Os Papas S. Agatão (678-681) e São Leão II (682-683) confirmaram as sentenças do Concílio.


7 - Concílio de Nicéia II (787) O Concílio de Constantinopla III encerrou a série de controvérsias teológicas sobre Jesus Cristo, sua Divindade e sua humanidade; os pontos essenciais referentes à SS. Trindade e à Encarnação do Filho estavam definidos. Todavia os teólogos não cessaram de estudar as verdades da fé. Novo motivo de disputas veio a ser o uso de imagens nas igrejas, dando ocasião à controvérsia iconoclasta. Desde os primeiros séculos os cristãos costumavam pintar e esculpir as figuras de Cristo a dos santos, não a fim de adorá-las, mas no intuito de melhor poder voltar sua atenção para o Senhor a seus irmãos mártires ou confessores da fé. Todavia, sob a influência do judaísmo a do islamismo, houve cristãos no século VIII que se puseram a combater o uso das imagens; os lmperadores Leão III o Isáurico (717-741), Constantino V Coprônimo (741-775), Leão IV (775- 780) favoreceram o iconoclasmo. O principal defensor das imagens foi São João Damasceno (†749), que, juntamente com outros cristãos, padeceu árdua perseguição por causa de sua fidelidade à Tradição cristã. Morto Leão IV, a rainha-mãe regente, que patrocinava o culto das imagens, resolveu, de comum acordo com o Papa Adriano I. (772- 795), convocar um Concílio Ecumênico para Nicéia. Este realizou-se de 24/09 a 23/10/787; foi então lida a carta do Papa ao Patriarca Tarásio de Constantinopla e a Irene em favor das imagens; o Concílio declarou outrossim que reconhecia a intercessão de Maria, dos anjos e dos Santos, assim como o culto da Cruz e das imagens; tal culto seria relativo ao Senhor Jesus e aos santos, de modo tal que ao primeiro (Jesus Cristo) se prestaria adoração e aos santos veneração. Após o Concílio, a luta ainda continuou salientando-se então o patriarca Nicéforo de Constantinopla e o monge Teodoro Studita como defensores das imagens. No Ocidente o Imperador Carlos Magno (800-814) mostrou-se propício ao iconoclasmo, o que não teve graves conseqüências na vida do povo cristão.


8 - Concílio de Constantinopla IV (869/870) A exposição até aqui mostra como os cristãos orientais eram propensos a discussões teológicas, As vezes de índole sutil. Tais controvérsias punham não raro o Oriente em confronto com o Ocidente, especialmente com a sé de Roma, onde havia menos acume dialético. As tensões foram, a partir de 859, alimentadas pela atitude do patriarca Fócio de Constantinopla. Este em 867 reuniu um Sínodo em Constantinopla, que, sob a inspiração de Fócio, proferiu a condenação da Sé de Roma. Então o Papa Adriano II (867-872) e o lmperador Basílio I (867-886) entenderam-se sobre a convocação de um Concílio Ecumênico, que teve lugar em Constantinopla de 5/10/869 a 28/02/870; os padres conciliares assinaram um documento que prescrevia a todos a Submissão à Igreja de Roma, “na qual a fé sempre se conservou sem mancha”. Fócio foi condenado por fomentar o cisma. O Concílio reafirmou outrossim a ordem de precedência das cátedras patriarcais: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia, Jerusalém. O culto das imagens foi confirmado. O Papa Adriano II aprovou as decisões do Concílio.


9 - Concílio do Latrão I (1123) Com o Concílio de Constantinopla IV termina a Série dos Concílios Ecumênicos realizados, no Oriente. Em 1054 deu-se o cisma de Constantinopla, que perdura até hoje (excetuados breves períodos de reatamento). De então por diante, os Concílios Ecumênicos serão todos celebrados no Ocidente. Nos Séculos X e XI, a Igreja latina sofreu do mal da ingerência do poder político na distribuição dos bispados; os Imperadores e os senhores feudais queriam nomear os prelados de acordo com os seus interesses políticos, praticando assim o que se chama “a investidura leiga”; A autoridade eclesiástica tocaria apenas dar a ordem sacra ao candidato designado exclusivamente pelo poder civil. Como se compreende, desta prática resultavam bispos sem vocação pastoral e, conseqüentemente, o clero se ressentia. de relaxamento da respectiva disciplina; havia outrossim simonia, e nicolaísmo. Em Roma, a própria cátedra de Pedro era cobiçada pelas famílias nobres da cidade e das redondezas, que tentavam impor-lhe os seus favoritos. Com o Papa Gregório VII (1073-85) começou a forte réplica da Igreja a tal situação ou a luta do sacerdócio e do Império, que redundaria em fortalecimento do Papado. Em 1122 o Papa Calixto II (1119-1124) e o lmperador Henrique V assinaram a Concordata de Worms, que assegurava à igreja plena liberdade na escolha e ordenação de seus bispos. Tal resultado foi promulgado pelo Concílio do Latrão I, convocado pelo Papa Calixto II para Roma e celebrado de 18/03 a 16/04/1123 por cerca de trezentos bispos e abades. Os cânones definidos pelo Concílio versavam todos sobre a disciplina eclesiástica. Com efeito, voltaram-se contra a simonia, o nicolaísmo e proibiram a ordenação de bispos que não tivessem sido escolhidos canonicamente. Em particular no tocante ao celibato sacerdotal, note-se que desde os primeiros séculos foi abraçado espontaneamente pelos clérigos; o Concílio de Elvira (Espanha), por volta de 306, foi o primeiro a promulgar tal praxe em âmbito regional; no decorrer dos séculos, subseqüentes Concílios regionais confirmaram o celibato dos clérigos. O Concílio do Latrão I não criou a lei do celibato, mas apenas corroborou a legislação vigente nas diversas regiões da lgreja, usando os seguintes termos: “Proibimos expressamente aos presbíteros, diáconos e subdiáconos viver com concubinas e esposas como coabitar com outras mulheres, excetuam-se apenas aquelas com as quais o Concílio de Nicéia permitiu habitar unicamente por motivo de necessidade, a saber: mãe, irmã, tia paterna e outras a respeito das quais não pode haver suspeita”. As decisões do Concílio do Latrão I foram confirmadas pelo Papa Calixto II.

 

10 - Concílio do Latrão II (1139) Este dista do anterior apenas dezesseis anos. Foi convocado pelo Papa lnocêncio II (1130-1143) para reafirmar a unidade e a disciplina da Igreja após o cisma do antipapa Anacleto II. Na verdade, em 1130, quando morreu o Papa Honório II, foi eleito o Papa legítimo Inocêncio II; todavia uma facção elegeu ilegitimamente Pedro de Leão como antipapa Anacleto II. Este conseguiu prevalecer em Roma - o que levou lnocêncio II a deixar a cidade eterna. São Bernardo, tendo reconhecido lnocêncio como Pontífice legítimo, moveu reis, nobres e todo o povo de Deus a apoiarem o Papa. Este conseguiu voltar a Roma em 1133; finalmente, Anacleto faleceu aos 25/01/1138. Foi então que lnocêncio, desejoso de consolidar a unidade da Igreja, reuniu mais de quinhentos bispos e abades no Concílio do Latrão II, de 4 a 30/04/1139. Esta assembléia corroborou os cânones dos Concílios regionais anteriores, proibindo a simonia e o nicolaísmo; aos clérigos vetou outrossim o exercício da medicina e da advocacia. Rejeitou a usura ou os juros; quem cedesse a esta prática, seria tido como infame. Os decretos do Concílio foram confirmados por Inocêncio II


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11 - Concílio do Latrão III (1179) A luta da lgreja medieval contra os lmperadores, de um lado, e contra males internos, de outro lado, prosseguiu mesmo após os Conciliares anteriores. Alexandre III teve um pontificado longo (de 1159 a 1181), durante o qual quatro antipapas se sucederam por instigação dos lmperadores germânicos, especialmente de Frederico I Barbarroxa (1152-1190). Eram Vítor IV (1159-64), Pascoal III (1164-68), Calixto III (1168-78), Inocêncio III (1178-80). Durante o mesmo pontificado agravou-se o movimento dos Cátaros ou albigenses, hereges dualistas, que assolavam regiões do Norte da Itália e do Sul da França. No final do seu pontificado Alexandre III quis reunir um Concílio Ecumênico para tomar as providências exigidas pelas circunstâncias. Tal assembléia se reuniu na basílica do Latrão de 5 a 19 de março de 1179. Entre outras medidas promulgadas então, destacam-se:

A - a regulamentação das eleições papais; doravante seriam exigidos 2/3 dos votos, ficando excluído qualquer recurso a autoridades leigas para dirimir dúvidas oriundas no processo eleitoral;

B - rejeição do acúmulo de benefícios ou funções dentro da Igreja por parte de uma só pessoa;

C - recomendação da disciplina da Regra aos monges e aos cavaleiros regulares, que interferiam indevidamente no governo da Igreja;

D - promoção e organização do ensino, em favor de estudantes que não pudessem pagar seus mestres;

E - condenação das heresias da época, que tinham um fundo dualista (catarismo) ou de pobreza mal entendida (a Pattária, o movimento dos Pobres de Lião ou Valdenses). O Papa Alexandre Ill, confirmou as decisões do Concílio.


12 - Concílio do Latrão IV (1215) O pontificado de lnocêncio III (1198-1216) representa o apogeu do prestígio papal em toda a história da Igreja. Ao termo da sua gestão, marcada, entre outras coisas, pelo surto das Ordens mendicantes, pelo combate aos albigenses, pela intervenção em questões da lgreja da lnglaterra. Inocêncio III quis reunir um Concílio Ecumênico. Convocado desde 19/04/1213 para abrir-se a 19/11/1215, o Concílio teve sua primeira sessão aos 11/11/1215, com a presença de 412 bispos, 800 abades e Superiores de Ordens Religiosas, embaixadores de reis e nobres, que perfaziam uma bela imagem da grandeza da Igreja governada por Inocêncio. O Concílio decretou:

1- a condenação dos albigenses e valdenses, assim como a dos erros de Joaquim de Fiore, que esperava o fim do mundo para breve, apoiando-se em falsa exegese bíblica; o Concílio professou a existência dos demônios como sendo anjos bons que abusaram do seu livre arbítrio pecando;

2 - a realização de mais uma cruzada para libertar o Santo Sepulcro de Cristo, que se achava nas mãos dos muçulmanos;

3 - a profissão de fé na Eucaristia, tendo sido então usada a palavra “transubstanciação”;

4 - a obrigação da confissão e da comunhão anuais. O Concílio legislou ainda sobre vários pontos da disciplina e da Liturgia da lgreja, abrangendo ampla área da vida eclesial. Aprovado pelo Papa lnocêncio III, é o mais importante dos Concílios antes do de Trento.

13 - Concílio de Lião I (1245) Ao grande Papa Inocêncio III sucederam-se Honório III (1216- 1227), Gregório IX (1227-1241), Celestino IV (1241), lnocêncio IV (1243-1254). Este período foi, sem dúvida, glorioso para o Papado, mas caracterizou-se pela recrudescência da luta entre o Sacerdócio e o lmpério. Na Alemanha, o lmperador Frederico II (1215-50) foi pessoa marcante; afilhado do Papa Inocêncio III, teve uma Corte de soberano oriental ou sultão, dada ao luxo desenfreado e um tanto recoberta pelo véu do mistério. Inocêncio IV, sentindo-se inseguro em Roma, transferiu sua resistência para Lião na França, onde poderia contar com a tutela do rei São Luís IX. Lá o Papa quis reunir os bispos da Igreja universal para considerar o procedimento do Imperador, as invasões dos árabes e dos mongóis no Oriente e a reunião dos cristãos gregos com os latinos. O Concílio durou de 28/06 a 17/07/1245, limitando-se quase unicamente a ouvir o depoimento de Tadeu de Suessa, delegado do lmperador; após o que o monarca foi excomungado.


14 - Concílio de Lião II (1274) Após Frederico II a luta entre o Sacerdócio e o Império declinou - o que levou Gregório X (1271-1276), um santo Pontífice, a procurar o reatamento de cristãos bizantinos e ocidentais. Para tanto, escreveu ao Imperador Miguel VIII o Paleólogo, de Constantinopla, mostrandolhe que a reunião de todos os cristãos fortalecidos fortaleceria a presença dos mesmos no Oriente. O lmperador Miguel mostrou-se disposto a aceitar a união com Roma, apesar dos protestos de dignitários da Corte bizantina. Por isto, enviou legados a Lião, aonde o Papa convocara todos os bispos da lgreja. O Concílio durou de 7/05 a 17/07/1274. Conseguiu realmente a reunião de latinos e bizantinos sob o primado do Papa. A fim de evitar as constantes intervenções políticas de Imperadores e nobres na eleição dos Papas, o Concílio promulgou novas medidas para garantir a liberdade dos eleitores, entre as quais a prescrição de permanecerem em local fechado a chave ou conclave. O Papa Gregório X abriu e encerrou o Concílio dando plena aprovação aos seus atos.

PARTE 4

 

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