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Chip_impressora_1Consultando manuais de instruções, Marcos se da conta de que os engenheiros determinam a vida útil de muitas impressoras ao desenha-las. Conseguem-no colocando um chip dentro da impressora. Marcos diz: "Encontrei o chip. É um chip EEPROM onde se guarda um contador de impressões. Quando chega a um determinado número a impressora bloqueia, e deixa de imprimir".Que acham os engenheiros quando tem que desenhar um produto para que se estrague? O dilema é refletido num clássico do cinema britânico de 1951, onde um jovem químico inventa um fio que não se desgasta nunca. O químico crê que conseguiu um grande progresso. Porém, nem todos gostam do invento. E em pouco tempo é perseguido não só pelos dnos das fábricas, mas também pelos operários, que temem ficar sem seus empregos.

 

 

 

 

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Nicols Fox, jornalista: "É muito interessante, e lembra-me algo que aconteceu na indústria têxtil. O meu pai trabalhou na Dupont antes e depois da guerra, na divisão do nylon e contou-me que quando o nylon apareceu e o testaram para fazer meias, os trabalhadores da sua seção levavam meias para casa para suas mulheres e namoradas as provassem. Meu pai levou-as para a minha mãe, e as primeiras encantaram-se porque eram muito resistentes. As mulheres estavam contentes porque não desfiavam, mas isso significava que os fabricantes nao iam vender muitas meias. Os homens da seção de meu pai tiveram que começar do zero para criar fibras mais fracas e a chegar a algo mais fragil, que se rompesse, para que as meias não durassem tanto."

Nylon1 Nylon2

Nylon3

Em 1940. o gigante químico Dupont apresentou uma fibra sintética revolucionária, o Nylon! Para as mulheres, as meias duradouras eram um grande progresso. Mas a alegria durou pouco. Os químicos da Dupont tinha motivos para estarem orgulhosos. ATé os homens admiravam a resistência das meias de nylon. O problema é que duravam demais. A Dupont deu novas instruções ao pai de Nicols Fox e a seus colegas. Os mesmos químicos que aplicaram todo seu saber para criar um nylon duradouro, seguiram a corrente da época e fizeram-no mais frágil. Esse fio eterno desapareceu das fábricas, tal como no cinema.

O que os químicos da Dupont achavam de reduzir a vida de um produto deliberadamente? "Deve ter sido frustrante para os engenheiros terem de usar os seus conhecimentos para criar um produto inferior depois de tanto esforço para fazer um bom produto. Mas suponho que essa é uma visão de fora. Eles só faziam o seu trabalho. Fazê-lo mais forte ou mais frágil, era o seu trabalho." Diz Nicols Fox.

Giles Slade, autor de Made to BReak: "Eticamente eram tempos complicados para os engenheiros. esta confrontação com a obsolescência programada fez-lhes examinar o seus conceitos éticos mais fundamentais. A velha escola acreditava que devia fazer produtos duradouros que nunca quebrassem. Os da nova escola motivados pelo mercado, queriam fazer produtos tão descartáveis quanto possível. O debate resolveu-se quando a nova escola ganhou o confronto."

A obsolescência programada não afetou só os engenheiros, a frustração dos consumidores fez eco no clássico teatral de Arthur Miller, "A Morte de um caixeiro  viajante". Como Willie Lomax, os consumidores só se poderiam queixar.

Os consumidores não sabiam que do outro lado da Cortina de Ferro, nos paises do bloco do leste, havia uma economia inteira sem obsolescência programada. A economia comunista não se baseava no mercado livre, mas estava planeada pelo estado. Era pouco eficiente, e sofria de uma falta de recursos crônica. Nesse sistema, a obsolescência planeada não tinha nenhum sentido.

Na antiga alemanha oriental, a economia comunista era mais eficiente, as normas diziam que os frigoríficos e máquinas de lavar roupa deviam funcionar durante 25 anos.

Em 1981, uma fábrica de Berlim Oriental começou a produzir uma lâmpada de longa duração. Apresentaram-na numa feira internacional, em busca de compradores ocidentais.

Lampada_Alemanha_Oriental_1 Lampada_Alemanha_Oriental_2

Helmut Hoge, historiador: "Quando os fabricantes da Alemanha Oriental apresentaram essas lampadas de longa duração na feira de Hanover de 1981, os sues colegas do Ocidente disseram "Voces ficaram sem trabalho". Os engenheiros da Alemanha Oriental disseram: Não, pelo contrário, conservaremos nossos trabalhos se economizarmos recursos e não disperdiçarmos tungstênio."

Os Ocidentais recusaram a lâmpada. Em 1989, caiu o muro de Berlim. A fábrica fechou e a lampada de longa duração nunca mais foi fabricada. Agora só pode ser vista em exposições e museus.

20 anos depois da queda do muro de Berlim, o consumismo desenfreado esta tanto no leste quanto no oeste. Com uma diferença: na era da internet, os consumidores estão dispostos a lutar contra a obsolescÊncia programada.

Casey

Casey Neistat, videoartista: "Nosso primeiro trabalho com êxito foi um curta sobre o Ipod. Eu estava completamente liso e comprei um Ipod que valia 400 ou 500 dólares. Uns 8 ou 12 meses depois a bateria "morreu". Liguei para a Apple para lhes pedir que trocassem a bateria e sua política de então era dizer aos clientes que comprassem outro Ipod. O chato não foi que a bateria morresse. Se acontecesse com meu celuar Nokia, compro uma bateria nova, Mesmo meu laptop Apple, posso trocar a bateria. Mas o Ipod, tão caro, quando a bateria morre, temque trocar o aparelho inteiro. O meu irmão teve a idéia de fazer um curta sobre isso. Íamos com um stencil e um spray pintando sobre os anuncios do Ipod que víamos. A BATERIA NÃO SUBSTITUIVEL DO IPOD DURA APENAS 18 MESES. Disponibilizamos o video no nosso site, www.ipodsdirtysecret.com . No primeiro mes teve cinco ou seis milhões de visitas e o site ficou louco."

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Uma advogada de São Francisco, Elizabeth Pritxkar, ouviu falar do vídeo, e resolvei processar a Apple acerca da bateria do Ipod. Meio século depois do caso do Cartel, a obsolescência programada chegavava de novo nos tribunais.

Elizabeth

Elizabeth Pritxkar, advogada: " Ao começar este litígio, o Ipod estava ha dois anos nao mercado, e a Apple tinha vendido três milhóes de Ipods nos EUA. Dentre os consumidores que nos ligaram escolhemos representantes para uma ação coletiva. Uma ação coletiva é um mecanismo particular dos EUA. Um pequeno grupo de pessoas representa a um grupo maior para apresentar uma ação no tribunal.

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Boa parte desses Ipods teriam problemas com a bateria, e seus proprietários estavam dispostos a ir ao tribunal. Um deles era Andrew Westley. "O meu papel nesse caso foi representar milhares, talvez dezenas de milhares de pessoas, o caso ficou conhecido como Westley contra Apple. Quando meus amigos ouviram que era um caso importante acreditaram que eu me tornei um radical. Eu era outro Erin Brockovich.",  diz Westley.

Em Dezembro de 2003, Elizabeth Pritzker apresentou a ação perante o Tribunal do Condado de San Mateo, próximo a sede central da Apple. "Pedimos à Apple diveros documentos técnicos relativos a vida útil da bateria do Ipod e recebemos muitos dados técnicos sobre o processo de desenho e de testes da bateria. E assim descobrimos que a bateria de lítio do Ipod foi desenhada desde o princípio para ter uma vida curta.  A premissa no desenvolvimento do Ipod foi a obsolescência programada." Diz Elizabeth.

Depois de meses de tensão, as duas partes chegaram a um acordo. A Apple criou um serviço de troca de baterias, e prolongou a garantia para dois anos. Os requerentes receberam compensação. "Algo que me chateia pessoalmente é que a Apple se apresenta como uma empresa moderna, jovem, e avançada. Que uma empresa assim não tenha uma política ambiental que permita ao consumidor devolver os produtos para reciclagem e eliminação, é contraditório e vai contra a sua mensagem." Diz Elizabeth.

A Obsolescência programada provoca um fluxo constante de resíduos que acabam em paises do terceiro mundo, como Gana, na África.

Mike Anane, ativista ambiental: "Faz oito ou nove anos dei-me conta de que chegavam a Gana muitos contentores com resíduos eletrônicos. Falamos de  computadores e televisores estragados que ninguem quer nos países desenvolvidos."

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Um tratado internacional proibe enviar resíduos eletrônicos para o terceiro mundo, porém, os comerciantes usam um truque simpels: Declará-los produtos de segunda mão. Mais de 82% dos resíduos eletrônicos que chegam a Gana não podem ser consertados, e acabam abandonados em lixeiras por todo o pais.

Mike

Mike Anane, ativista ambiental: "Na lixeira de Agbogbloshie havia um rio maravilhoso, o Odaw, que serpenteava por toda a área. Transbordava de vida, havia muitos peixes. Eu ia a escola, perto, jogávamos futebol, etc. Os pescadores organizavam passeios de barco. Agora tudo desapareceu. E isso me faz sentir muito triste e irritado. Os que estão por trás das remessas dizem: queremos acabar com o abismo digital entre Europa e América e o resto de África e Gana. Porém os computadores que nos mandam não funcionam. Não faz sentido receber resíduos se não pode tratá-los, menos ainda se não são seus e o seu país converte-se no balde de lixo do mundo."

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O_que_sobrou_de_um_belo_rio_2 O_que_sobrou_de_um_belo_rio_3

Hoje em dia, não há mais crianças brincando perto do rio, depois das aulas. No seu lugar, jovens de familias pobres vem buscar sucata, Queimam o isolamento plástico dos cabos para obter o metal que tem dentro. As crianças pequenas revolvem os restos para encontrar qualquer pedaço de metal que os maiores tenham esquecido.

John Thackara, filósofo: "O lixo escondido durante tanto tempo na era industrial esta a chegar às nossas vidas e já não podemos evitá-lo, A economia do desperdício esta a chegar ao fim porque ja não existem lugares onde depositar os resíduos."

Warner Philips, bisneto dos fundadores da Philips:" Com o passar do tempo começamos a perceber que o planeta não pode sustentar isto para sempre. Os recusros naturais e energéticos dos quais dispomos são limitados."

Dinamarca Alemanha

Universidade_de_Westminster Apple

 

Pessoas de todo o mundo ja começaram a atuar contra a obsolescência programada. Mike Anane luta o final da cadeia. Começou a colher informação. "Guardo resíduos que tem etiquetas identificadoras. Por exemplo: CEntro Amu, em Sjaelland, Dinamarca; Alemanha; Universidade de Westminster; Apple, uma empresa que alardeia ser ecologista, porem muitos dos seus produtos acabam atirados aqui. Tenho uma base de dados com as etiquetas e os contatos das empresas as quais pertenciam os resíduos que foram despejados em Gana." Diz Mike.

Mike pensa converter esta informação em provas para uma denúncia perante um tribunal. "Devemos passar a ação com medidas punitivas, processar as pessoas para que não cheguem mais resíduos a Gana", diz Mike.

Vitaly

Marcos está na internet de novo procurando como prolongar a vida de sua impressora. Um site da Rússia parece oferecer um software gratuíto para impressoras com chip contador. O programador teve a paciência de explicar sua motivação pessoal. "Isto acontece por uma má construção. Esse é o seu modelo de negócio. É mau para o utilizador e para o meio-ambiente. Por isso arranjei maneira de criar um software que permite limpar o chip contador", diz o programador Vitaly Kiselev.

Marcos não sabe o que pode acontecer mas, de qualquer modo decide baixar o software.

De um pequeno povoado na França, John Thackara luta contra a obsolescência programada, ajudando pessoas de todo o mundo a partilhar idéias de negócio e de design. "Nos paises mais pobres, consertam-se sempre as coisas. A idéia é jogar um produto fora só porque se avaria é impensavel para alguém do sul. Na ìndia ha uma palavra, "jugaad", para descrever esta tradição de consertar as coisas, sem ter em conta a complexidade. Tentamos encontrar pessoas com projetos concretos, que não faça apenas afirmações abstratas sobre o mal que existe ou o que deve mudar", diz John.

Um deles é Werner Philips, descendente da dinastia dos fabricantes de lâmpadas. " Lembro-me que o meu avô me levou a uma fábrica da Philips para que visse como se fabricavam lâmpadas, que era muito, muito interessante", diz Werner.

Quase um século depois do Cartel da lâmpada, Werner Philips segue a tradição familiar, porém com uma perspectiva diferente: fabrica uma lâmpada LED que dura 25 anos. "Não ha um mundo ecológico e um mundo de negócios. "Não ha um mundo ecológico e um mundo de negócios. Negócio e sustentabilidade são um conjunto. De fato, é a melhor base para um negócio. É a única forma de consegui-lo é considerar o custo real dos recursos utilizados. E considerar também o consumo de energia, incluindo o consumo indireto do transporte", diz Werner.

Serge Latouche, professor emérito de Economia da universidade de Paris: "Se os transportadores pagassem o custo real do transporte, considerando que o petróleo é um recurso não renovável e para o qual não ha substituto, os custos multiplicariam-se por 20 ou por 30."

Werner Philips: "Se se considerar tudo isso em cada produto fabricado, os empresários de todo o mundo teriam poderosos incentivos para fazer produtos que durassem para sempre."

Também se pode lutar contra a obsolescência programada reformulando a engenharia e a produção. Um conceito novo, "do berço ao berço", afirma que se as fábricas funcionassem como a natureza a própria obsolescência ficaria obsoleta.

Michael

Michael Braungart: "Quando falamos em proteger o meio ambiente, pensamos sempre em reduzir, reutilizar, reciclar. Porem na primavera a natureza, uma cerejeira nem reduz, nem reutiliza. A natureza não produz resíduos, só nutrientes." O ciclo natural produz em ambundância, mas as flores caidas e as folhas secas não são resíduos, mas nutrientes para outros organismos. Baumgart crê que a indústria pode imitar o ciclo virtuoso da natureza e demonstrou isso ao redesenhar o processo de produção de uma fábrica têxtil suiça. "Quando reveste umsofá com um tecido os recortes são tão tóxicos que devem ser eliminados com os resíduos tóxicos". Baumgart descobriu que a fábrica usava por desleixo centenas de tintas e produtos químicos altamente tóxicos. Para fabricar os novos tecidos, Baumgart e sua equipe reduziram a lista a apenas 36 substâncias, todas biodegradáveis. "Selecionamos ingredientes que se poderiam comer. Se quisesse, poderia adiciona-los aos seus cereais. Numa sociedade de desperdício, um produto de vida curta cria um problema de resíduos. Se uma sociedade produz nutrientes, os produtos de vida curta convertem-se em algo novo", diz Baumgart.

Para os críticos mais radicais da obsolescência programada, não basta reformular os processos produtivos: querem reformular a nossa economia e os nossos valores.

Serge Latouche, professor emérito de Economia da universidade de Paris: "É uma verdadeira revolução, uma revolução cultural, porque é uma mudança de pardigma e mentalidade." Essa revolução chama-se "decrescimento". Serge Latouche viaja de palestra em palestra, explicando como abandonar a sociedade de crescimento definitivamente. "O decrescimento é um slogan provocador que tenta romper com o discurso eufórico do crescimento viável, infinito e sustentável. Tenta mostrar a necessidade de uma mudança de lógica. A essência do decrescimento pode ser reduzida numa palavra: reduzir. Reduzir o nosso rastro ecológico, o desperdício, a superprodução e o superconsumo. Ao reduzir o consumo e a produção, podemos libertar tempo para desenvolver outras formas de riqueza que tem a vantagem de não se esgotarem ao serem usadas, como a amizade ou o conhecimento."

John Thackara, filósofo: "Cada vez mais dependemos de objetos para a nossa identidade e auto-estima. Isso é consequencia da crise daquilo que costumava dar-nos identidade, como a relação com a comunidade ou a terra. Ou aquelas coisas singelas substituidas pelo consumismo."

Serge Latouche, professor emérito de Economia da universidade de Paris: "Se a felicidade dependesse do nível de consumo, deveríamos ser absolutamente felizes, porque consumimos 26 vezes mais que tempos de Marx. Mas as pesquisas demonstram que as pessoas não são 20 vezes mais felizes, porque a felicidade é sempre subjetiva."

Os críticos do decrescimento defendem que destruirá a economia e nos levará de volta a Idade da Pedra.

Serge Latouche, professor emérito de Economia da universidade de Paris: "Voltar a uma sociedade sustentável, cuja pegada ecológica não seja maior que um planeta, não significa voltar a idade de Pedra, mas voltar considerando os parâmetros de um pais como a França, aos anos 60, que não é a idade da Pedra. A sociedade do decrescimento torna realidade a visão de Gandhi: Que disse: "O mundo é suficientemente grande para satisfazer as necessidades de todosmas sempre demasiado pequeno para a avareza de alguns".

Marcos esta instalando o freeware russo no seu computador. Com o novo programa, pode limpar o chip contador da impressora. A impressora é desbloqueada IMEDIATAMENTE.

Impressora_funciona_novamente_1 Impressora_funciona_novamente_2

Impressora_funciona_novamente_3 Impressora_funciona_novamente_4

 

FONTE: http://www.akatu.org.br/
Documentário "The Light Bulb Conspiracy", Compilação em forma de texto e imagens, Renato Corrêa Bicca Gestor de Conteúdo do Arquivo.

Comentários   

 
#1 Rogério Floripa 14-06-2012 19:04
Download do Documentário - A Obsolescência Programada - http://bit.ly/L81C4s
 

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