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portinari1Cândido Portinari foi um dos mais conhecidos pintores brasileiros. Nasceu em Brodosque, São Paulo no dia 29 de dezembro de 1903, e faleceu no dia 6 de fevereiro de 1962. Descendente de Italianos. Cursou a Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, de 1918 a 1928. o maior pintor brasileiro de todos os tempos; dotado de excepcional modéstia, seu valor e seguro em seu ofício. Recebeu um prémio de viagem em 1928, à França, a Espanha e à Itália. De 1936 a 1939, ensino na Universidade do Rio de Janeiro. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária de desde criança manifestou sua vocação artística. Aos quinze anos de idade foi para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes.

Em 1928 conquista o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Vai para Paris, onde permanece durante todo o ano de 1930. Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, Portinari decide, ao voltar para o Brasil em 1931, retratar nas suas telas o povo brasileiro, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo a ciência antiga da pintura a uma personalidade experimentalista a antiacadêmica moderna.

 

Em 1935 obtém seu primeiro reconhecimento no exterior, a Segunda menção honrosa na exposição internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados Unidos, com uma tela de grandes proporções intitulada CAFÉ, retratando uma cena de colheita típica de sua região de origem.

A partir de então, sua obra passou a ser conhecida pelo mundo, tornando-se considerado um dos maiores pintores do nosso Continente. Sua fama internacional levou-o a pintar a fresco para a Biblioteca do Congresso de Washington, e os murais Guerra e Paz no Edifício da ONU. Suas pinturas que mais se destacaram: “São Francisco de Assis”, “A Primeira Missa no Brasil”, “Tiradentes” e a “Chegada de D. Jogo VI ao Brasil”. Entre os retratos que pintou, os mais famosos são: o da mãe do pintor, o de Mário de Andrade, o de Olegário Mariano. Ilustrou também Graham Greene e André Maurois, para as edições de luxo da Livraria Gallinard. Portinari gozava de merecido renome internacional, recebendo convites para exposições e encomendas de trabalhos de todo mundo. lncontestavelmente, a obra de Portinari contribuiu para fazer o Brasil mais conhecido entre as nações civilizadas.

A inclinação muralista de Portinari revela-se com vigor nos painéis executados no Monumento Rodoviário situado no Eixo Rio de Janeiro – São Paulo (na hoje “Via Dutra”), em 1936, e nos afrescos do novo edifício do Ministério da Educação e Saúde, realizados entre 1936 e 1944. Estes trabalhos, como conjunto e como concepção artística, representam um marco na evolução da arte de Portinari, afirmando a opção pela temática social, que será o fio condutor de toda a sua obra a partir de então. Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participa da elite intelectual brasileira numa época em que se verificava uma notável mudança da atitude estética e na cultura do país: tempos de Arte Moderna e apoio do mecenas Getúlio Vargas que, dentre outras qualidades soube cercar-se da nata da intelectualidade brasileira de seu tempo.


No final da década de trinta consolida-se a projeção de Portinari nos Estados Unidos. Em 1939 executa três grandes painéis para o pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York. Neste mesmo ano o Museu de Arte Moderna de Nova York adquire sua tela O MORRO. Em 1940, participa de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de público, de crítica e mesmo de venda (menor das preocupações do Artista...)


Em dezembro deste ano a Universidade e Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor, PORTINARI, HIS LIFE AND ART, com introdução do artista Rockwell Kent e inúmeras reproduções de suas obras. Em 1941, Portinari executa quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, com temas referentes à história latino-americana. De volta ao Brasil, realiza em 1943 oito painéis conhecidos como SÉRIE BÍBLICA, fortemente influenciado pela visão picassiana de Guernica e sob o impacto da 2ª Guerra Mundial. Em 1944, a convite do arquiteto Oscaar Niemeyer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, destacando-se o mural SÃO FRANCISCO e a VIA SACRA, na Igreja da Pampulha.


A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries RETIRANTES e MENINOS DE BRODOSWKI, entre 1944 e 1946, e à militância política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidatando-se a deputado, em 1945, e a senador, 1947. Ainda em 1946, Portinari volta a Paris para realizar sua primeira exposição em solo europeu , na Galerie Charpentier. A exposição teve grande repercussão, tendo sido Portinari agraciado, pelo governo francês, com a Légion d!Honneur. Em 1947 expõe no salão Peuser, de Buenos Aires e nos salões da Comissão nacional de Belas Artes, de Montevidéu, recebendo grandes homenagens por parte de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países.

O final da década de quarenta assinala o início da exploração dos temas históricos através da afirmação do muralismo. Em 1948, Portinari exila-se no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel A PRIMEIRA MISSA NO BRASIL, encomendado pelo banco Boavista do Brasil. Em 1949 executa o grande painel TIRADENTES, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho Portinari recebeu, em 1950, a medalha de ouro concedida pelo Juri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia.


portinari2Em 1952, atendendo a encomenda do Banco da Bahia, realiza outro painel com temática histórica, A CHEGADA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA À BAHIA e inicia os estudos para os painéis GUERRA E PAZ, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas. Concluídos em 1956, os painéis, medindo cerca de 14x10 m cada - os maiores pintados por Portinari - encontram-se no "hall" de entrada dos delgados de edifício-sede da ONU, em Nova York. Em 1955, recebe a medalha de ouro concedida pelo Internacional Fine-Arts Council de Nova York como o melhor pintor do ano. Em 1956, Portinari viaja a Israel, a convite do governo daquele país, expondo em vários museus e executando desenhos inspirados no contado com recém-criado Estado Israelense e expostos posteriormente em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Neste mesmo ano Portinari recebe o Prêmio Guggenheim do Brasil em 197, a Menção Honrosa no Concurso Internacional de Aquarela do Hallmark Art Award, de Nova York. No final da década de cinqüenta, Portinari realiza diversas exposições internacionais.


Expõe em Paris e Munique em 1957. É o único artista brasileiro a participar da exposição 50 ANOS DE ARTE MODERNA, no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas, em 1958. Como convidado de honra, expõe 39 obras em sala especial na I Bienal de Artes Plásticas da Cidade do México, em 1958. No mesmo ano ainda, expõe em Buenos Aires. Em 1959 expõe na Galeria Wildenstein de Nova York e, juntamente com outros grandes artistas americanos como Tamayo, Cuevas, Matta, Orozco, Rivera, participa da exposição COLEÇÃO DE ARTE INTERAMERICANA, do Museo de Bellas Artes de Caracas. Candido Portinari morreu no dia 06 de fevereiro de 1962, quando preparava uma grande exposição de cerca de 200 obras a convite da Prefeitura de Milão, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava.

O Político

O ano de 1945 é marcado pela derrota do nazi-fascismo e conseqüente fortalecimento das idéias democráticas. No Brasil, essas idéias produzem amplo movimento popular, que visa dois pontos básicos: anistia e eleições. A crise do Estado Novo é evidente.


O Partido Comunista Brasileiro (PCB), única organização que, mesmo na clandestinidade, se identificava com a resistência à ditadura e com as idéias libertárias, cataliza grande parte desse processo. Artistas e intelectuais aglutinam-se em torno de suas propostas transformadoras.


O PCB lança candidato próprio à presidência da República e, para a Assembléia Constituinte, reúne o maior número possível de nomes conhecidos e de prestígios.


É assim que Portinari, Jorge Amado, Caio Prado Júnior e outros integram suas chapas nos estados. As eleições realizam-se em dezembro, o PCB elege um senador – Luiz Carlos Prestes – e 14 deputados, entre os quais Jorge Amado; Portinari não é eleito.


Nas eleições de 1947, novamente candidato, concorrendo a uma cadeira no Senado, desde o início da apuração o nome de Portinari parece se afirmar. No entanto, não é eleito por pequena margem, o que põe em dúvida a lisura do pleito. Em maio o Tribunal Superior Eleitoral cancela o registro do PCB e o partido volta à clandestinidade.


O acirramento da perseguição aos comunistas leva Portinari a viajar para o Uruguai em exílio voluntário.


Em maio de 1951 é lançado o movimento de artistas ampla aos cidadãos presos ou perseguidos por "delito de opinião", entre os quais Portinari.


Portinari nunca se desligou do Partido Comunista, embora tenha se afastado da política partidária em seus últimos anos.


O Poeta


"Quanta coisa eu contaria se pudesse e se
soubesse ao menos a língua, como a cor”
Os circos traziam iluminação
De carbureto. Próximos
Dos elementos. Quantos vendavais e
Chuvas de granizo!
Moinhos de garapa,
Feitos de madeira - canaviais
E matas virgens com seus pássaros e
Frutas. Consumiram
Tudo e mais as lendas. Onde
Estarão os jacus e as pacas?
Os jenipapos e jatobás?
As estradas cortando as
Matas criavam histórias
E medos. Os caminhos
Também fugiram. Olhando
O céu, às vezes transformados em nuvens.
Saí das águas do mar
E nasci no cafezal de
Terra roxa. Passei a infância
No meu povoado arenoso.
Andei de bicicleta e em
Cavalo em pêlo. Tive medos
E sonhei. Viajei pelo espaço.
Fui à lua primeiro do que o sputnik.
Caminhei além, muito além , para
Lá do paraíso. Desci de pára-quedas,
Atravessei o arco-íris, cheguei
Nos olhos-d'água antes do sol nascer
Nasci e montei na garupa
De muitos cavaleiros. Depois
Montei sozinho em cavalo de
Pé de milho. Fiz as mais
Estranhas viagens e corri
Na frente da chuva durante
Muitos sábados. Dava poeira
No trenzinho de Guaivira.
Paco espanhol era meu parceiro.
Vivíamos apavorados com os
Temporais - pareciam odiar
Aqueles lugares...
Vinham ferozes contra as
Sete ou oito cabanas
Desarmadas.
Num pé de café nasci,
O trenzinho passava
Por entre a plantação. Deu a hora
Exata. Nesse tempo os velhos
Imigrantes impressionavam os recém-chegados.
O tema do falatório era o lobisomem.
A lua e o sol passavam longe.
Mais tarde mudamos para a Rua de Cima.
O sol e a lua moravam atrás de nossa
Casa. Quantas vêzes vi o sol parado.
Éramos os primeiros a receber sua luz e calor.
Em muitas ocasiões ouvi a lua cantar.


OS INVENTARIANTES
I
Os inventariantes pedirão conta dos cílios
Apedrejados. Das madeiras inertes e dos cabelos
Perdidos e dos egoísmos. Das penas das aves
Das chuvas inúteis. Dos furacões e dos ventos
II
Dos espaços perdidos. Das lágrimas secas
Dos carvões em brasa e das fogueiras de São João.
Das violetas sob a terra nos cemitérios
Das cores das môças morenas.
III
Das gotas d'água afundadas nas pedras. Dos laranjais
Sem laranja e das malvadezas. Das águas constantes e
Da lepra. Quem responderá? Os inventariantes quererão saber
Dos feios e dos pequenos funcionários que estão sempre
IV
Nas filas, filas de caixões de defunto. Filas das prestações
Nas filas dos hospitais, filas dos sofrimentos de arrancar
Dentes, de arrancar o ôlho e transfusões de sangue com água
Nas filas de leite com água e nas filas de pedir água.
V
Nas filas intermináveis da morte que não chega...
Pedirão conta do lôdo. Das espadas brancas. Dos cães amedrontados
Dos pés estragados, dos dedos perdidos. Da nave morta e
Repelida, cheia de gente viva. Dos fornos queimando vivos.
VI
Queimando crianças com flores e velhos com sonhos
Mulheres antigas e jovens... Pedirão conta das éguas
Solteironas. Dos frutos podres que os meninos não comeram
Dos que engendram a maldição. Dos cheiros misturados.
VII
Dos fogos perdidos. Das meninas feias morando distante
E chegando sempre na luz da aurora. Pedirão conta dos
Moirões queimados e das angústias. Dos ninhos de joões-de-barro
Das areias estéreis. Da malária. Da ameba. Das sezões. Dos
VIII
Sarampos. Das tosses compridas. Das seriemas e gabirobeiras
Dos meninos caolhos e barrigudos. Dos estropiados. Dos
Espinhos. Das borboletas ref;etidas n'água estagnada.
Das gôtas de sangue desconhecidas. Dos urubus tristes e
IX
Malqueridos. Das môças sem dentes e sempre grávidas.
Das manchas amarelas nas pedras. Ouvirão os horizonte fugidios?
Pedirão conta dos gritos sem eco. Das fomes mortas.
Das estradas azuis. Das nascentes nas montanhas.
X
Dos ruídos à-toa. Das almas mortas sem destino.
Dos enfartes no silêncio dos campos. Pedirão conta
Dos silêncios intermináveis. Dos pobres assassinados e dos
Assassinados a machado. Dos desastres e trilhos enferrujados.
XI
Das porteiras cantadeiras e solitárias. Das portas abandonadas
Das tristezas vagando. Dos escorpiões e viúvas-negras só
Conhecidas dos pequeninos... Pedirão conta da
Erva nascida do sôpro da inocência...
Entre Nancy e Paris - 01/11/1961

O Desenhista


portinari3Os mestres universais do desenho sempre veneraram o impulso do primeiro traço caracterizado pela sutil sensualidade do gesto que leva o desenhista a se exprimir velozmente na exatidão da imagem instantânea. Esta imagem, comparada com a opulência cromática de um quadro, resulta num despojamento total do espaço e da composição, em benefício do ímpeto originário do artista em seu primeiro gesto no espaço, escapando às limitações impostas pelo tema. Ultrapassado esse limite, o desenho representa, ao mesmo tempo, uma refinada elaboração mental e principalmente, a gramática do gesto orgânico. Existem no mundo, e não é ao acaso, imponentes museus especializados nos mestres do desenho de todas as épocas, que coletaram durante séculos os croquis, os esboços e os estudos desses gênios atemporais, como forma de comprovação, para a posteridade, de como suas obras foram germinadas, concebidas.


Presentes em todos os períodos de sua vida de trabalho, os desenhos de Portinari representam um diário minuncioso de todas as soluções e evoluções imaginárias de sua obra. Inclusive naquele longo período em que esteve impedido de fazer uso das tintas, por questões de saúde. Durante esse período, como única opção diante de sua voracidade inventiva, seus desenhos adquiriram momentos de explosão total.


Eles eram seus guias espirituais no desenvolvimento de temas imediatos e futuros, anotações animicas para soluções telúricas. Retratando os pés e as mãos da realidade árida, registra vidas, desespiritualizadas pela luta da vida, pela dura hora de suas destinações. Porém sua fé na alma do homem prevaleceu, em realidade, como seu axioma primeiro. O homem foi desde sempre a questão fundamental de Portinari.


A preocupação mais nítida de seu expressionismo manifestou-se o tempo todo dentro de seu veemente protesto social-humanista.

Furto no MASP


portinari4Uma das obras mais importantes de Portinari, O lavrador de café, foi furtada do segundo andar do Museu de Arte de São Paulo na madrugada do dia 20 de dezembro de 2007, em uma ação de três minutos, juntamente com o quadro Retrato de Suzanne Bloch, de Pablo Picasso. Estas obras foram resgatadas e restituídas ao museu dia 8 de janeiro de 2008, sem sofrer avarias.

 

 

 


Homenagens, títulos e prêmios


• 1940 - Chicago (EUA) - A Universidade de Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor, Portinari: His Life and Art, com introdução do artista Rockwell Kent


• 1946 - Paris (França) - Legião de Honra, concedida pelo governo francês


• 1950 - Varsóvia (Polônia) - Medalha de Ouro, pelo painel Tiradentes (1949), concedida pelo júri do Prêmio Internacional da Paz


• 1955 - Nova Iorque (EUA) - Medalha de Ouro, como melhor pintor do ano, concedida pelo International Fine Arts Council


• 1956 - Nova Iorque (EUA) - Prêmio Guggenheim de Pintura, por ocasião da inauguração dos seus painéis na sede da ONU

MUSEU


O Museu Casa de Portinari foi instalado e inaugurado em 14 de março de 1970, constituindo-se de uma casa principal, dois anexos e uma capela.


A sua entidade mantenedora é a Secretaria de Estado da Cultura, estando especificamente vinculado ao DEMA - Departamento de Museus e Arquivos da referida Secretaria.


A inclusão do Museu Casa de Portinari na Rede de Museus da Secretaria da Cultura do Estado deu-se através do Decreto de 08 de abril de 1970.


Trata-se de um Museu de pequeno porte, quer por sua área, quer pelo número de funcionários que prestam serviços ao mesmo.


O Museu possui duas vertentes básicas: Artística e Biográfica. Na parte biográfica do Museu a exposição destina-se aos objetos de uso pessoal do artista, documentos e à história de sua vida. O acervo artístico constitui-se, principalmente, por trabalhos realizados pelo artista em pintura mural, nas técnicas de afresco e têmpera.


A técnica do afresco é bem pouco difundida no Brasil, consiste em pintar sobre uma parede preparada com argamassa úmida, usando pigmento misturado somente com água, o cimento absorve a mistura de água com tinta que seca juntamente com o mesmo. Quanto à têmpera, esta técnica utiliza como tinta uma mistura de água, substâncias oleosas, ovo (principalmente a gema) e pigmento em pó, o ovo funciona como aglutinante; constitui um desafio ao artista, por causa da rápida secagem.


A temática das obras é predominantemente sacra, exceto as suas primeiras experiências neste gênero de pintura realizadas em sua casa, as demais obras do acervo são religiosas.


Cronologia


1903 - Nasce em Brodósqui (Brodowski), perto de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, no dia 13 de dezembro, filho de imigrantes toscanos que trabalhavam na lavoura de café. Cândido teria dez irmãos - seis mulheres e quatro homens;


1914 - Cria sua primeira gravura, um retrato do compositor Carlos Gomes, em carvão, copiando a imagem de uma carteira de cigarros;


1919 - Matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio. Em sérias dificuldades financeiras, Candinho chega a comer a gelatina química que recebe para misturar com as tintas;


1923 - Pinta "Baile na Roça", sua primeira tela de temática nacional. O quadro é recusado pelo salão oficial da Escola de Belas Artes, por fugir dos padrões acadêmicos da época;


1929 - Como prêmio do Salão Nacional de Belas Artes, que obteve com um retrato do amigo (poeta) Olegário Mariano, ganha uma bolsa de estudos em Paris. Ali, descobre Chagall, os muralistas mexicanos e sofre fortes influências do trabalho de Picasso;


1931 - Volta da França casado com a uruguaia Maria Victoria Martinelli;


1935 - Produz uma de suas obras mais famosas, "O Café" e inicia a que é considerada sua fase áurea (1935-1944);


1936 - Começa a dar aulas de pintura na Universidade do Distrito Federal;


1939 - Em 23 de janeiro nasce seu único filho, João Cândido. Cria três painéis para o pavilhão do Brasil na feira mundial de Nova York. Faz uma retrospectiva com 269 obras, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio;


1940 - O Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) inaugura a exposição Portinari of Brazil


1942 - Cria painel para a Biblioteca do Congresso dos EUA;


1944 - Trabalha no polêmico altar da Igreja de São Francisco de Assis, em Belo Horizonte. Muito discutida pelos religiosos, tanto por suas formas arquitetônicas quanto pelo mural de São Francisco com o cachorro, a igreja só seria inaugurada em 1950;


1945 - Filia-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidata-se a deputado federal. Não consegue eleger-se;
1946 - Termina a as obras da Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte e faz o painel da sede da ONU, "Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse", com 10 por 14 metros. Expõe 84 obras em Paris. Candidata-se ao Senado pelo PCB, mas também não é eleito;


1950 - Representa o Brasil na Bienal de Veneza;


1953 - Inicia os painéis "Guerra" e "Paz", para a ONU, que terminaria em 1957;


1954 - Começa a manifestar sinais de envenenamento pelo chumbo contido nas tintas com que trabalha: sofre uma hemorragia intestinal e é internado;


1955-56 - Realiza 21 desenhos com lápis de cor para uma edição de Dom Quixote, de Cervantes. A técnica era uma alternativa tentada por Portinari para escapar à intoxicação pelas tintas;


1956 - Faz uma viagem a Israel, onde produz uma série de desenhos a caneta tinteiro;


1959 - Faz as ilustrações para uma edição francesa de "O Poder e a Glória", de Graham Greene;


1960 - Nasce sua neta Denise, e ele passa a pintar um quadro dela por mês, contrariando as recomendações médicas;


1962 - Morre no Rio de Janeiro, em 6 de fevereiro, em conseqüência da progressiva intoxicação. Na época preparava material para uma exposição no palácio Real de Milão;

Fontes: http://www.e-biografias.net/biografias/candido_portinari.php
 http://www.culturabrasil.org/portinari.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Candido_Portinari
http://www.casadeportinari.com.br/

 

Comentários   

 
#3 Guest 18-11-2010 13:08
bom d+ vcs estão de parabens
 
 
+1 #2 Guest 22-09-2010 11:31
E tão lindo que eu ate :cry:
 
 
+2 #1 Guest 02-08-2010 17:19
:P
Que legal.Gosto do seu trabalho

parabens pelo q vc faz
beijos
 

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