Kodokushi e Hikikomori

    morso1Nada parece ser mais trágico do que “morrer de solidão”, mas acredite, acontece no Japão o tempo todo. E tanto é asim que existe até um termo para designar esse triste fenômeno: Kodokushi, que significa literalmente “morte solitária” e abrange especialmente pessoas da terceira idade (mais de 65 anos). A cada ano, milhares de pessoas são encontradas mortas e só são descobertas depois de semanas, meses ou até mesmo anos. Atinge pessoas sem muitos laços sociais, especialmente homens da terceira idade, embora há casos de mulheres idosas e pessoas mais jovens (na faixa entre 30 e 40 anos).

    Quando surgiu esse termo?

    A palavra kodokushi surgiu em 1980, quando o cadáver de um idoso foi encontrado em seu apartamento após 30 anos. As mortes decorrem de diversas formas tais como infarto do miocárdio, doença cerebral, doença crônica, cirrose por excesso de álcool, acidente doméstico e pasmem… até de fome. Às vezes, os corpos demoram tanto para serem descobertos que eles acabam mumificados. Existem empresas especializadas em limpar apartamentos de pessoas que infelizmente tiveram esse triste fim, se deparando inclusive com manchas deixadas pelo corpo em processo de decomposição.

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    Como sabemos, o Japão está se tornando cada dia mais uma nação envelhecida. Segundo estimativas, dentro de 20 anos, um a cada três japoneses pertencerá à terceira idade, o que significa que o número de mortes solitárias pode aumentar consideravelmente, caso não haja uma intervenção. Não existe estatísticas exatas, mas em uma reportagem da TV japonesa foi informado que no ano de 2009, 32 mil idosos padeceram da “morte solitária”. Uma empresa de mudanças em Osaka também informou que 20% das mudanças eram de remoção de pertences de pessoas que sofreram Kodokushi.

    Causas do kodokushi

    Algumas das razões atribuídas e este fenômeno são os frágeis laços familiares e o meiwaku, um termo que significa “incômodo”, mas que reflete uma conduta de boa parte da sociedade japonesa, que abomina qualquer tipo de situação que possa incomodar outras pessoas, mesmo que sejam da família. Outra razão atribuída ao Kodokushi é que desde 1990, muitos japoneses vem se aposentando cada vez mais cedo. Muitos desses homens nunca se casaram e acabam se isolando depois que saem da sociedade corporativa.

    Muitos também sobrevivem com um aposentadoria mal remunerada e vivem em apartamentos do governo. A falta de recursos financeiros pode levar a um quadro de estresse, apatia e depressão, que acaba fazendo com que o indivíduo evite contatos sociais, culminando em isolamento social extremo. or não se tratar de casos isolados, o Kodokushi nos faz refletir e nos questionar sobre o por que da sociedade japonesa enfrentar tantos problemas tais como o Kodokushi e o Hikikomori, ainda mais levando em conta que a internet e telefones móveis estão muito mais acessíveis hoje em dia.

     

    Hikikomori – Comportamento de Isolamento Extremo

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    No Japão, é comum criarem termos específicos para designar certos desvios de comportamentos dentro da sociedade. Como exemplo, podemos citar o Karoshi, o Soushoku Danshi e o Hikikomori, termos predominantes na sociedade moderna japonesa e que acabaram sendo mundialmente conhecidos. Este fenômeno que já atinge mais de 70 mil japoneses na idade entre 15 a 39 anos, segundo o Ministério da Saúde no Japão, se caracteriza por pessoas que tem um comportamento de extremo isolamento social, passando a maior parte do dia trancados em seu quarto, isolados do mundo e sem perspectivas de vida.

    Este tipo de comportamento leva a pessoa a evitar a todo custo, o contato com outras pessoas. É verdade, que os “Hikikomoris” (?????) sempre existiram e não estão restritos somente à terra do sol nascente, mas nota-se que podem ser mais facilmente encontrados em países desenvolvidos e em famílias de classe média ou alta. No Japão, a proporção desse fenômeno é de fato alarmante. Os jovens de hoje em dia foram em sua maioria criados em meio a muito conforto e tecnologia, porém sem o estímulo necessário para que tivessem uma vida social saudável, o que contribuiu para que muitos desses indivíduos acabassem com medo de enfrentar o mundo.

    Quem criou este termo foi o psicólogo Saito Tamaki e como é um grande estudioso no assunto, ele afirma que os dados fornecidos pelo Ministério da Saúde no Japão estão muito abaixo da realidade. Para o psicólogo, de 1 a 3 milhões de jovens do sexo masculino sofrem deste comportamento de extrema exclusão e isolamento social. Um número absurdo não acha? Segundo Saito Tamaki, as causas desse fenômeno no Japão ocorre devido ao padrão de perfeição exigida pela sociedade, acarretando vários problemas como baixa auto-estima e até graves transtornos sociopáticos.

    Portanto, o comportamento de um Hikikomori vai muito além do cara ser simplesmente um ser “anti-social”.

    Pode estar ligado diversos problemas, entre eles a timidez excessiva, depressão, ansiedade, síndrome do pânico, bipolaridade, personalidade esquizoide, entre outros transtornos. E além da pressão exercida por uma sociedade rígida, existem outras causas que podem dar origem ou agravar o problema de isolamento social. O ijime (bullying) por exemplo, acontece com frequência durante a vida escolar ou no trabalho e pode fazer com que o indivíduo acabe se decepcionando com a sociedade como um todo, gerando um afastamento radical do convívio social com outras pessoas que o cercam, incluindo amigos de longa data e familiares.

    Vivendo dentro de uma concha

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    Como é de se esperar, esse problema causa uma grande preocupação, afinal atinge uma grande parcela da população masculina. Além de serem vistos como improdutivos, sem qualquer ambição profissional, os Hikikomoris, assim como ocorre com os Homens Herbívoros, afastam qualquer tipo de relacionamento amoroso concreto, que possa resultar em casamento e uma ninhada de filhos. Como sabemos a baixa taxa de natalidade é outro problema grave que o Japão enfrenta. Além disso, a falta de interesse em alcançar o sucesso profissional mostra que o problema atinge não só o indivíduo e sua família como também afeta o desenvolvimento econômico de um país inteiro, ainda mais se tratando do Japão que é considerada a 3° maior potência econômica do mundo.

    Este é mais um exemplo de que o Japão é um país de contrastes, pois ao contrário do Karoshi, que se caracteriza por homens que valorizam o trabalho ao extremo, chegando até a pagar este preço com a própria vida, o Hikikomori se caracteriza por pessoas que não conseguem se fixar em nenhum emprego. Outra característica do Hikikomori, sem generalizar, é que a maioria deles são muito desorganizados, não se preocupam com a aparência e nem com a higiene. Acabam vivendo como ermitões solitários imersos dentro da sua própria ilha.

    Muitos deles chegam aos 40 anos de idade ainda dependentes financeiramente de sua família. Com certeza, é uma situação muito triste, capaz de desestruturar uma família inteira. Não são pessoas que não trabalham por “vagabundagem” e sim porque realmente existe um bloqueio que os impede de ter uma vida social saudável. Muitos até sentem vontade de mudar, de dar uma reviravolta na situação, mas não conseguem ou não tem autoestima suficiente para aproveitar as oportunidades que a vida oferece. Ao invés disso, preferem viver dentro de sua própria concha, como forma de se proteger do mundo “cruel” e “real” que fica do lado de fora.

    Também é normal relacionar o Hikikomori com a Cultura Otaku, já que possuem alguns pontos em comum, como a vida solitária e o interesse em tudo que é relacionado à mangás, animes e jogos de videogames. Mas isso não é uma regra, pois há muitos casos de Hikikomoris que possuem outros tipos de interesse.

     

    Fonte: https://www.japaoemfoco.com

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