Dica de Cinema

Do Fundo do Mar 2: Entre o CGI duvidoso e a diversão trash

Do Fundo do Mar 2: Entre o CGI duvidoso e a diversão trash

Do Fundo do Mar 2: A Ousadia de Reviver um Clássico com Orçamento de Churrasco de Fim de Ano. Sabe aquela cena em que o Samuel L. Jackson está dando um discurso motivacional super inspirador em 1999 e, de repente, vira lanche de tubarão? Pois é, esse foi o ápice glorioso de Do Fundo do Mar, um filme que misturou terror, ficção científica e tubarões geneticamente modificados de um jeito que marcou a infância (e os traumas) de muita gente.

Quase vinte anos depois, alguém teve a brilhante — ou lunática — ideia de tirar essa franquia da gaveta. O resultado? Do Fundo do Mar 2 (2018). Sem pano quente e sem frescura: estamos diante de um exemplar legítimo do cinema "trash", daqueles que a gente assiste entre risadas e incredulidade. Vamos falar a verdade nua e crua: se você esperava o mesmo glamour de Hollywood do original, entrou no oceano errado. Mas será que essa continuação merece o seu tempo ou é só mais um naco de carne jogado aos tubarões? Segura o fôlego que a mergulhada vai ser profunda.

O Salto no Escuro: De Blockbuster de Cinema a Filme de TV

Em 1999, o diretor Renny Harlin tinha em mãos um orçamento parrudo, efeitos práticos de respeito, um elenco estelar com Thomas Jane, Saffron Burrows e Stellan Skarsgård, e um tubarão que parecia real o suficiente para tirar o seu sono. O filme faturou grana e virou cult. Pular para 2018 significava encarar uma realidade bem diferente. Do Fundo do Mar 2 foi lançado diretamente em formato caseiro (vídeo/streaming) e, posteriormente, exibido no canal Syfy — famoso justamente por dar vida a pérolas do cinemão B, como a franquia Sharknado. Dirigido por Darin Scott, o filme não escondeu a que veio: orçamento reduzido, atores menos badalados e uma premissa que dobrou a aposta na bizarrice da ciência irresponsável.

A Trama: Tubarões Mais Smart, Cientistas Mais Burros

A história recicla a fórmula clássica com aquela forçada de barra clássica que a gente até perdoa. Desta vez, temos uma farmacêutica malvada chamada Akira Pharmaceuticals (sim, porque empresas farmacêuticas em filmes de terror nunca são boazinhas). O executivo-chefe da empresa, interpretado por Michael Beach — o grande destaque do elenco por mastigar cada cena com gosto —, está conduzindo experimentos secretos em uma instalação marinha isolada. O foco da pesquisa? Tubarões-cabeça-chata. O objetivo? Aumentar a inteligência deles para extrair uma proteína que pode curar doenças cerebrais humanas. O problema, como você já deve imaginar se já assistiu a meia hora de filme de terror na vida, é que os tubarões ficam espertos demais, começam a se comunicar, planejam fugas e decidem transformar o laboratório em um buffet livre. E é aqui que o roteiro escorrega na maionese com estilo. Enquanto no primeiro filme os personagens tentavam bolar estratégias mirabolantes para escapar, aqui a gente vê cientistas tomando decisões tão absurdamente irracionais que dá vontade de entrar na tela para chacoalhar todo mundo.

O Calcanhar de Aquiles: Quando o CGI Decide Tirar Férias

Vamos encarar os fatos sem romantismo: os efeitos especiais de Do Fundo do Mar 2 são, para dizer o mínimo, sofríveis. Enquanto o clássico de 1999 misturou animatrônicos incríveis com computação gráfica aceitável para a época, a sequência de 2018 parece ter sido feita num computador da Xerox de 2005. Em várias cenas, os tubarões parecem gráficos de videogame mal renderizados flutuando por cima da água. A interação entre os atores e os tubarões digitais muitas vezes soa artificial, gerando momentos involuntariamente hilários. Se você procura terror psicológico sufocante, vai se frustrar. Mas se você curte assistir a um monstro digital engolindo um figurante sem nome enquanto a água espirra em computação gráfica pura, vai se divertir horrores.

Por Que Vale a Pena Dar uma Chance (Mesmo Sendo Ruim)? A grande sacada para aproveitar Do Fundo do Mar 2 é mudar a chave na sua cabeça. Não encare como um suspense de alta qualidade; encare como um programa de comédia involuntária de fim de noite. O fator "trash do bom": Tem mortes criativas? Tem. Tem diálogos vergonhosos? Com certeza. Tem aquela tensão típica de "quem vai ser o próximo a virar petisco"? Tem sim senhor. A atuação de Michael Beach: Enquanto o resto do elenco jovem serve basicamente para ser mastigado, Michael Beach entrega uma atuação digna de vilão de desenho animado dos anos 90, abraçando o absurdo do roteiro com uma dignidade admirável. Referências ao original: O filme tenta honrar o legado do primeiro, trazendo de volta a dinâmica claustrofóbica de uma instalação cercada por água por todos os lados.

O Veredito: Mergulhar ou Passar Direto?

No fim das contas, Do Fundo do Mar 2 cumpre o que promete para quem é fã de filmes B de tubarão. Ele não tem a genialidade irônica de Gigantes de Aço ou o terror claustrofóbico de Águas Rasas, mas se garante como aquele passatempo despretensioso para uma noite de pizza com os amigos, onde todo mundo aponta o dedo pra tela rindo dos absurdos da trama. Não vai mudar sua vida, não vai ganhar prêmios da academia, mas cumpre a missão de entreter quem não tem medo de um CGI duvidoso. Pegue sua pipoca, desligue o senso crítico e divirta-se com o fundo do mar mais irresponsável do cinema moderno.

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