Espiral do silêncio

    espilencio1Espiral do silêncio é uma teoria da ciência política e comunicação de massa proposta em 1977 pela alemã Elisabeth Noelle-Neumann. Neste modelo de opinião pública, a ideia central é que os indivíduos omitem sua opinião quando conflitantes com a opinião dominante devido ao medo do isolamento, da crítica, ou da zombaria. Os agentes sociais analisam o ambiente ao seu redor e, ao identificar que pertencem à minoria, preferem resguardar-se para evitar impasses.

    Esse comportamento gera uma tendência progressiva ao silêncio, tratando-se, pois, de um movimento ascendente em espiral, daí a denominação espiral do silêncio, porque o indivíduo, ao não expôr sua ideia, automaticamente compactua com a maioria, de modo que outras pessoas, que poderiam com ele concordar, também deixam de verbalizar suas ideias. Quanto menor o grupo que assume abertamente a opinião divergente, maior o ônus social em expressá-la.

    Preocupada com os efeitos que levaram o eleitorado à mudança na reta final das eleições de 1965 e 1972, na Alemanha, Noelle-Neumann decidiu estudar o que, de fato, ocorria. Então, ela descobriu que um fator importante para a mudança ter ocorrido é o Clima de Opinião. Noelle-Neumann descobriu que quando um lado é superestimado, outras pessoas, decididas ou não, são influenciadas a seguir por ele. Consequentemente, quando o outro é subestimado, as pessoas tendem a afastar-se dele.

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    Para chegar a tal conclusão, ela utilizou alguns instrumentos para medir o Clima de Opinião. Segundo ela, são necessárias questões que possam mensurar a tendência de as pessoas falarem ou de manterem-se em silêncio quando submetidas a ideias diversas daquelas que elas apoiam. Outro fator importante é a opinião sobre a escolha do eleitor em função de quem ele acha que vai ganhar. Aristóteles sugere que a sociabilidade é uma propriedade essencial do homem, de forma que precisa de vínculos sociais para satisfazer suas necessidades e, consequentemente, teme o isolamento.

    Os estudos sobre a Espiral do Silêncio foram iniciados na década de 60. A teoria foi proposta especificamente por Noelle-Neumann sobre os efeitos dos meios de comunicação de massa. A pesquisadora estudou o eleitorado social-democrata e democrata cristão na Alemanha durante as campanhas eleitorais alemãs entre 1965 e 1972, em que os dois partidos alternavam a liderança e na reta final do processo de eleição, ocorreu uma súbita mudança de opinião dos eleitores. De acordo com seus estudos, ao mudar de opinião, os eleitores buscavam se aproximar das opiniões que julgavam dominantes.

    O ponto principal da teoria é a dominação da opinião pública pelos líderes dos media e de opinião. A autora vê a televisão como essencial na consolidação da opinião pública, uma vez que as discussões públicas são, em grande parte, impostas pela consonância temática mediática, que consiste numa abordagem unilateral por diversos meios de comunicação. Segundo a hipótese de Agenda-Setting, a comunicação social determina a pauta pública ao ressaltar certos assuntos e preterir outros, o que influencia na formação da Espiral do Silêncio, que guia a opinião pública, ou seja, o indivíduo recorre aos meios de comunicação para se inteirar sobre quais temas falar e se expressar de acordo com o que observa no ambiente. Um exemplo é em casos de ostensiva cobertura de um mesmo crime em vários canais de televisão. A comunicação social mantém por semanas esse tema em evidência, e, ao desfavorecer os envolvidos, instaura um debate parcial.

    Além disso, há a influência também da aculturação, teoria que propõe que a televisão estabelece um padrão de estabilidade através da veiculação de imagens, práticas e crenças. Gerbner sugere que os media televisivos estão concentrados em grandes conglomerados, comprometidos com a visão de seus acionistas. Shanaham e Morgan escrevem em seu livro que o sistema é estruturado de forma que beneficia apenas as elites econômicas, que detém os mesmos pontos de vista e os meios de comunicação.

     

    A espiral do silêncio

     

    Por Tiago Eloy Zaidan - Segundo Cândido Teobaldo de Souza Andrade, em Curso de Relações Públicas: relações com os diferentes públicos, embora o público, em sua formação, admita a controvérsia, a oportunidade de discussão e a abundância de informações, dentre outras características, abriga também a seguinte faceta: a “procura de uma atitude comum”. E aqui, começamos a entrar em uma das premissas do corpo teórico apresentado pela cientista política alemã Elisabeth Noelle Neumann a partir dos anos 1970, e que viria a ser chamado de Espiral do Silêncio.

    Se um sujeito percebe que a sua atitude diante de uma controvérsia social é minoritária, tende a omitir sua opinião e, nos casos mais extremos, até mesmo a mudar de atitude, como forma de facilitar a sua integração à comunidade ou grupo. Em última instância, fala mais alto a relutância do desgaste que a defesa de uma opinião minoritária acarretará, e o consequente medo de um potencial isolamento social.

    Por outro lado, ao perceber-se em maioria, um sujeito que compartilha da opinião dominante tende a sentir-se mais disposto a expressá-la, ampliando o burburinho das atitudes percebidas como majoritárias. A consequência do fenômeno é o reforço das opiniões percebidas como majoritárias, ao passo em que as alternativas tornam-se cada vez mais distantes, fadadas ao limbo dos temores do insulamento social.

    Posts inflamados

    A espiral do silêncio também é passível de ser verificado em comunidades ou grupos específicos, como no interior de uma classe profissional, por exemplo. Um caso recente envolveu a comunidade médica no Brasil, por ocasião do advento do Mais Médicos. O programa, regulado pela Lei Federal 12.871, foi criado sob a justificativa de suprir a demanda emergencial de profissionais de medicina em regiões onde estes são escassos. Dentro do país a distribuição dos médicos não é uniforme. Segundo levantamento divulgado pelo portal UOL (Entenda a vinda de médicos estrangeiros para o Brasil, de 26 de agosto de 2013), no Distrito Federal são 3,46 médicos para cada mil habitantes, enquanto no Maranhão, por exemplo, a marca é de 0,58. O programa oferece R$ 10 mil aos profissionais interessados em atuar na rede pública, com prioridade para: 1º médicos formados em instituições brasileiras, inclusive aposentados; 2ª médicos brasileiros formados em instituições estrangeiras; e, por último, 3º médicos estrangeiros com habilitação para o exercício de medicina no exterior (Lei 12.871, Art. 13, §1º).

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    Parte perceptível da classe médica manifestou-se radicalmente contra o programa, com destaque para o posicionamento de profissionais experientes, dos setores públicos e privados, líderes de opinião no seio da classe, além de representantes do conselho profissional. Algumas das manifestações ganharam grande repercussão, como aquela que inspirou a matéria Cubanos são chamados de ‘escravos’ por médicos brasileiros no CE (Folha de S. Paulo, em 26 de agosto de 2013).

    Nesse contexto, manifestar-se a favor do programa seria colocar-se ao lado da opinião claramente percebida como minoritária dentro da comunidade profissional. Isso, a despeito do Mais Médicos, eventualmente, apresentar-se como uma oportunidade de trabalho para o jovem médico. Luís Mauro Sá Martino, na obra Teoria da Comunicação: ideias, conceitos e métodos, frisa que “evidentemente há sempre um apoio residual à opinião minoritária. Essa sobrevivência, no entanto, pode significar um imenso peso para quem não compartilha a opinião geral”.

    O clímax da controvérsia em torno do programa foi noticiado no site Último Segundo, do portal IG (Comunidade médica prega holocausto no Nordeste em campanha contra Dilma na Web, de 9 de outubro de 2014). Em uma comunidade no Facebook, usuários declarados médicos defendiam, em meio a xingamentos a nordestinos, castrações químicas e um holocausto no Nordeste – reduto eleitoral da candidata a reeleição Dilma Rouseff. Na comunidade, a ameaça de isolamento prevista pela espiral do silêncio tornou-se explícita “(…) com ameaças de expulsão do grupo caso o usuário se manifeste contra os ideais da página”, revelou a jornalista Carolina Garcia.

    Contudo, neste caso, aparentemente, houve resistência por parte da atitude minoritária, pois – ainda segundo a matéria, as manifestações foram denunciadas pelo tumblr ‘Médicos Indelicados’, o qual reunia os posts mais inflamados e os comentava com ironia. Felizmente houve dissonância. A multiplicidade de atitudes dos públicos frente às controvérsias é inerente a uma sociedade democrática plena.

    Fonte: https://pt.wikipedia.org/
               http://www.observatoriodaimprensa.com.br/

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