Moisés de Michelangelo

    moisesmi1Moisés (Mosè [moˈzɛ]) é uma das principais obras do artista renascentista Michelangelo. Conta-se que após terminar de esculpir a estátua de Moisés, Michelangelo passou por um momento de alucinação diante da beleza da escultura. Bateu com um martelo na estátua e começou a gritar: Por que não falas? (em italiano: Per ché non parli?). Segundo Ernesto Fischer, no seu livro "A necessidade da arte" (capítulo II), esta obra não só personificava o ideal do homem do Renascimento ...

    ("a corporificação em pedra de uma nova personalidade consciente de si mesma"), como também se apresentava como um repto para que a sociedade de então encarnasse esse ideal - no fundo, o mesmo desejo de Moisés, ao trazer as tábuas da lei que deveriam reformar a sociedade do seu tempo.

    Ao observar atentamente a estátua, pode-se verificar que Moisés possui um par de chifres acima dos seus olhos, nascendo por baixo dos seus cabelos. Uma explicação para o sucedido poderá ser a tradução errada de karan (baseado na raiz keren, que geralmente significa "chifre"; o termo é atualmente interpretado como significando "radiando" ou "emitindo raios") feita por São Jerônimo para o latim. A escultura está na basílica de San Pietro in Vincoli, Roma.

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    Em 1505, o Papa Júlio II encomendou uma tumba ao artista florentino Michelangelo. A obra foi concluída em 1545, sendo que o Papa morreu em 1513. O projeto original da tumba incluía um massivo mausoléu com mais de 40 peças de escultura. A estátua de Moisés teria destaque central em um pedestal de aproximadamente 3,7 metros de altura, em oposição à outra escultura representando Paulo de Tarso. No entanto, conforme o avanço do conjunto, o projeto original foi modificado gradativamente até dar lugar à obra tal como se encontra atualmente. A figura de Moisés ocupa o espaço central na seção inferior do monumento.

    Descrição

    Na biografia de Michelangelo, Giorgio Vasari escreveu: "Terminou o Moisés, de cinco braças, de mármore, estátua que não terá jamais coisa moderna que lhe possa disputar a beleza, e das antigas pode-se dizer o mesmo: sentando-se com gravíssima atitude, pousa um braço sobre as tábuas seguras por uma das mãos, e com a outra traz a barba anelada e longa, esculpida no mármore em tal maneira, que os cabelos, onde tanta dificuldade encontra a escultura, são executados muito sutilmente plumosos, suaves, desfiados, a ponto de o ferro parecer transformar-se em pincel. Além disso, parece que ao contemplares a beleza da face, com aura de verdadeiro santo e terribilíssimo príncipe, sintas o desejo de pedir-lhe um véu para cobri-la, tão esplêndida e brilhante se mostra.

    E tão bem retratou no mármore a divindade que Deus emprestara àquele santíssimo semblante, para não falar dos panos revoltos, finalizados no giro belíssimo das pregas, dos músculos dos braços e da ossatura e nervos das mãos, executados com tanta beleza e perfeição, e das pernas, dos joelhos e dos pés tão bem plantados, que Moisés pode, hoje mais que nunca, chamar-se amigo de Deus, que tão antes dos outros quis, pelas mãos de Michelangelo, compor lhe e preparar lhe o corpo para a ressurreição. E prossigam os judeus, como fazem a cada Sabá, homens e mulheres, tal qual estorninhos, a ir em fila visitá-lo e adorá-lo, que não o adorarão como coisa humana, mas divina."

    Na tradução para língua portuguesa de "Moisés de Michelangelo", Freud afirma: "O Moisés de Michelangelo é representado sentado; o corpo volta-se para frente, a cabeça com a pujante barba olha para a esquerda, o pé direito repousa sobre o solo e a perna esquerda acha-se levantada de maneira que apenas os artelhos tocam o chão. O braço direito une as Tábuas da Lei a uma parte da barba e o esquerdo repousa sobre o colo."

    Chifres

    A estátua possui em sua cabeça o que são comumente aceitos como dois chifres. A representação de Moisés com chifres decorre da descrição do rosto de Moisés como "cornuto" na tradução Vulgata da passagem em que o profeta retorna ao povo após receber os mandamentos pela segunda vez. São Jerônimo esforçou-se por traduzir com fidelidade o texto massorético original, que faz uso do termo Karan (baseado no radical keren, por muitas vezes traduzidos como "chifres"); o termo, no entanto, tem a conotação de "brilhante" ou "reluzente". Apesar de historiadores defenderam que São Jerônimo cometeu um erro, o próprio parece ter visto o termo keren como uma metáfora para "glorificado", baseado em outros de seus comentários. A Septuaginta, que São Jerônimo também tinha como fonte de tradução, traduz o versículo como: "Moisés não sabia que a aparência da pele do seu rosto estava glorificada". Em geral, teólogos e estudiosos medievais entendem que São Jerônimo tinha a intenção de expressar o rosto de Moisés, ainda que por uso da palavra latina "cornuto". Há ainda entre os estudiosos a compreensão de que o original hebraico foi de trabalhosa tradução.

     

    Michelangelo representou Moisés com chifres. A culpa foi de uma má tradução da Bíblia

     

    08/12/2018 - A escultura apresenta a figura bíblica de Moisés, no momento em que este desce do monte Sinai com as tábuas dos dez mandamentos e se depara com os israelitas a adorar um bezerro de ouro. Quando Michelangelo começou a esculpir a figura de Moisés, em 1513, já era um artista reconhecido em Itália. Na época, Florença era o centro de arte da Europa e o berço dos melhores artistas do continente. O pintor conseguiu destacar-se ao ganhar as comissões para criar a “Pietà”, agora na basílica de São Pedro, e “David”, na catedral de Florença. Foi também nesta altura que muitos artistas nascidos em Florença, como Leonardo da Vinci e Andrea del Verrocchio, saíram da cidade à procura de melhores comissões.

    Nesta conjuntura, Michelangelo ganhou a fama de “homem do Renascimento” e atraiu a atenção do Papa Júlio II – daí ter pintado o teto da Capela Sistina, um trabalho que durou quatro anos. Após completar o teto da capela, Michelangelo encontrou em “Moisés” a realização em escultura das várias figuras que pintou na capela e dedicou cerca de dois anos da sua vida à obra. A escultura apresenta a figura bíblica de Moisés do Êxodo, no momento em que este desce do monte Sinai com as tábuas dos dez mandamentos e depara-se com os israelitas a adorar um bezerro de ouro – que representava os falsos deuses. Na obra de Michelangelo, Moisés aparece imponente, sentado com as Tábuas da Lei debaixo do braço e acariciar a barba com a outra mão. Mas o elemento mais premente da escultura são os dois cornos na cabeça de Moisés, que tem levantado mistérios há vários anos.

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    De acordo com o National Geographic, especialistas em arte renascentista já conseguiram explicar que era comum algumas personagens da Bíblia serem assim representadas, devido a uma tradução de uma palavra. Em Hebreu não se escrevem vogais. Tendo isto em mente, nos finais do século IV, quando o padre São Jerónimo de Estridão traduziu a Bíblia desde o Grego e Hebreu para o Latim, enganou-se numa palavra. A confusão começou quando o tradutor deparou-se no Êxodo 34 e 35 com a palavra “KNR”, que se pode interpretar como “keren” – radiante, luminoso, com raios de luz – ou como “karan” – chifres.

    “E os filhos de Israel viram então os raios de luz que emanavam da face de Moisés”, pode ler-se na maioria das Bíblias. São Jerónimo, contrariamente, optou por traduzir o texto assim: “E os filhos de Israel viram então os chifres que emanavam da face de Moisés”. Embora a tradução possa explicar os chifres da escultura, até hoje, ainda não se sabe porque é que São Jerónimo de Estridão decidiu traduzir a passagem do Êxodo desta forma.

    Fonte: https://pt.wikipedia.org/
               https://zap.aeiou.pt/

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