Novelas brasileiras têm impacto sobre os comportamentos sociais - Parte 1

    novelas tv29/01/2009 - Famosas há muito por mostrar praias maravilhosas, personagens carismáticos e representações realistas da vida e das aspirações da classe média, as novelas brasileiras ajudaram a moldar as idéias das mulheres sobre divórcio e filhos de maneira crítica, segundo dois estudos recentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ambos os estudos analisam o papel da ...

    televisão e das novelas em .influenciar mudanças significativas nas taxas de fertilidade e divórcio no Brasil nas três últimas décadas. As taxas de fertilidade no país caíram mais de 60% desde a década de 1970 e os divórcios aumentaram mais de cinco vezes desde a década de 1980. Durante o mesmo período, a presença de aparelhos de televisão teve uma elevação de mais de dez vezes, estando hoje em mais de 80% das residências.

    As descobertas dos dois estudos, Novelas e Fertilidade: Evidências do Brasil, e Televisão e Divórci Evidências de Novelas Brasileiras, podem ter implicações importantes para os governos de países em desenvolvimento. As autoridades desses países com freqüência têm dificuldade para educar a população em questões sociais e de saúde pública fundamentais devido à alta taxa de analfabetismo e aos níveis limitados de circulação de jornais e de acesso à internet.“A televisão desempenha um papel crucial na circulação de idéias, em particular em nações em desenvolvimento com uma forte tradição oral, como o Brasil,” disse o economista do BID Alberto Chong, um dos autores dos estudos. “Os artigos sugerem que alguns programas de televisão podem ser uma ferramenta para transmitir mensagens sociais muito importantes que ajudem, por exemplo, a lutar contra a disseminação da epidemia de Aids e promover a proteção dos direitos de minorias.”

    Os dois estudos centram-se na expansão da Rede Globo, o maior grupo de mídia do Brasil e a quarta maior rede de televisão comercial do mundo. A Globo tem ampla cobertura nacional: suas transmissões foram expandidas para 98% dos municípios do país na década de 1990, atingindo 17,9 milhões de residências, em comparação com praticamente zero em meados da década de 1960. A rápida expansão da Globo durante esses anos e a mudança acentuada de alguns indicadores sociais brasileiros oferecem um campo fértil para pesquisas. Os estudos realizam uma série de testes econométricos com resultados estatísticos consistentes. Utilizam dados demográficos amplos e informações detalhadas sobre a expansão da cobertura dos sinais de televisão e sobre o conteúdo das novelas no Brasil nas três últimas décadas.

    Impacto da televisão

     

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    Os estudos mostram que a televisão teve um papel importante na influência das percepções das mulheres sobre casamento e família de 1970 a 1991, ao lado de outros fatores bem estudados como aumento dos níveis de instrução e do acesso a contracepção e algumas políticas governamentais. O primeiro estudo encontrou que as taxas de fertilidade, ou o número de nascidos vivos por mulher em idade reprodutiva, foram significativamente mais baixas em áreas do Brasil alcançadas pelo sinal da rede Globo do que em áreas que não recebiam o sinal. O impacto sobre o comportamento foi mais forte entre mulheres de famílias pobres e mulheres no meio ou no final de seus anos reprodutivos, sugerindo que a televisão influenciou a decisão de parar de ter filhos, e não de quando deveriam começar a ter filhos.

    Em geral, a probabilidade de uma mulher ter um filho em áreas cobertas pelo sinal da Globo caiu 0,6 ponto percentual a mais do que em áreas sem cobertura. A magnitude do efeito é comparável à de um aumento de 2 anos no nível de escolaridade das mulheres. Não houve impacto nas taxas de fertilidade no ano anterior à entrada do sinal da Globo. A exposição constante às famílias menores e menos oneradas que aparecem na televisão pode ter criado uma preferência por ter menos filhos, disse Chong. A pesquisa de Chong sobre fertilidade e televisão também revelou um impacto relacionado sobre a taxa de divórcios. Embora os dados de apoio não fossem tão amplos, Chong encontrou que a porcentagem de mulheres separadas ou divorciadas também é maior em áreas que recebem o sinal da Globo, em particular em pequenas comunidades em que uma alta proporção da população tem acesso às transmissões da emissora. Essas áreas apresentaram um aumento de 0,1 a 0,2 ponto percentual na porcentagem de mulheres de 15 a 49 anos que são divorciadas ou separadas. O aumento é pequeno, mas estatisticamente significativo, de acordo com Chong. O impacto é comparável a um aumento de 6 meses no nível de instrução de uma mulher, o que é um efeito muito significativo quando se leva em conta que a escolaridade média das mulheres no período era de 3,2 anos.

    Influência das novelas

     

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    Sessenta a oitenta milhões de brasileiros assistem regularmente a novelas noturnas em português. A Globo domina a produção nacional de novelas, as quais geralmente mostram um modelo de família muito específic pequena, atraente, branca, saudável, urbana, de classe média ou alta e consumista. O cenário, na maioria das vezes, são as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Em geral, as famílias mais felizes nas novelas são pequenas e ricas, enquanto as famílias mais infelizes são mais pobres e com mais filhos.Os estudos analisaram o conteúdo de 115 novelas transmitidas pela Globo entre 1965 e 1999 nos dois horários de maior audiência: 19 e 20 horas. Sessenta e dois por cento das principais personagens femininas não tinham filhos e 21% tinham apenas um filho. Vinte e seis por cento das protagonistas femininas eram infiéis a seus parceiros.

    Os enredos das novelas com freqüência incluem críticas a valores tradicionais. Por exemplo, o sucesso de 1988 da rede, a novela Vale Tudo, apresentava uma protagonista que era capaz de roubar, mentir e enganar a fim de alcançar o seu objetivo de ficar rica a qualquer custo. A Globo também trouxe para a tela estilos de vida modernos e emancipação feminina em novelas como Dancing Days, transmitida em 1978, em que a protagonista feminina era uma ex-presidiária lutando para reconstruir sua reputação e recuperar o amor de sua filha adolescente. A redução das taxas de fertilidade foi maior em anos imediatamente seguintes à exibição de novelas que incluíam casos de ascensão social, e para mulheres com idades mais próximas da idade da protagonista feminina da novela.

    As novelas também influenciaram a escolha dos nomes dos filhos. A probabilidade de que os 20 nomes mais populares em uma determinada área incluíssem um ou mais nomes de personagens de uma novela exibida naquele ano foi de 33% se a região recebesse o sinal da Globo. Em regiões sem acesso à Globo, a probabilidade foi de apenas 8,5%. "Há ainda indicações sugestivas de que o conteúdo das novelas tenha influenciado também as taxas de divórcio", de acordo com Chong. "Quando a protagonista feminina de uma novela era divorciada ou não era casada, a taxa de divórcio aumentava, em média, 0,1 ponto percentual."

    Globo versus SBT

     

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    A expansão do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), a segunda maior rede de televisão do Brasil, não afetou as taxas de fertilidade no país durante o mesmo período. Os estudos atribuem esse resultado a diferenças de conteúdo. As novelas da Globo são escritas por autores brasileiros e produzidas no Brasil, enquanto a maioria das novelas do SBT é importada do México, ou usa enredos importados. "Para afetarem o comportamento, os programas têm que ser percebidos como representações realistas da sociedade brasileira", disse Chong. "O público consegue se identificar facilmente com as situações apresentadas nas novelas da Globo."

    As novelas da Globo também têm produção muito mais cara do que as produzidas no México ou em outros países latino-americanos. A Globo gasta em média cerca de US$ 125.000 por capítulo de novela, ou cerca de 15 vezes mais do que qualquer rede da América Latina. Além disso, as novelas da Globo são filmadas em locais facilmente reconhecíveis e mostram um ambiente de classe média típica que a maioria dos espectadores pode identificar, qualquer que seja a sua situação socioeconômica.

    Eliana Ferrara, economista da Bocconi University, foi co-autora do artigo sobre divórcio, junto com Chong. A economista do BID Suzanne Duryea foi co-autora do estudo sobre fertilidade, com Chong e Ferrara.

    Rede Globo faz parceria com grupos de controle populacional para promover a ideologia contraceptiva

    Matthew Cullinan Hoffman BRASÍLIA, julho de 2008 - A queda acentuada no índice de nascimentos do Brasil, de 6,3 filhos por mulher em 1960 para 2,3 em 2000 e 1,8 em 2006, está sendo atribuída à influência da propaganda contraceptiva veiculada ao público através das novelas.

    Pelo menos dois estudos publicados em abril deste ano concluíram que a influência das novelas criadas pela popular Rede Globo explica o extremo declínio na fertilidade. Um estudo feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, "Novelas e fertilidade: Evidência do Brasil", declara que "as mulheres que vivem em áreas cobertas pela transmissão da Globo têm uma fertilidade significativamente mais baixa ".

    "O único outro país em desenvolvimento de tamanho comparável que tem experimentado tal declínio acentuado e generalizado é a China, onde o declínio ocorreu como conseqüência de propositadas políticas governamentais", declara o banco.

    Um estudo semelhante realizado pelo Centro de Pesquisas de Políticas Econômicas da Inglaterra declara que "usando os dados do recenseamento do período de 1970-1991, vemos que as mulheres que vivem em áreas cobertas pela transmissão da Globo têm uma fertilidade significativamente mais baixa. O efeito é mais forte nas mulheres de condição socioeconômica mais baixa e nas mulheres que estão nas fases do meio ou fim de seu ciclo de fertilidade, em conformidade com a alteração de seu comportamento".

    Os dados recentes, que surpreenderam os especialistas, indicam que a fertilidade no Brasil está bem abaixo do nível de substituição de 2,1 filhos por mulher. Como resultado, a previsão é que a população envelhecerá rapidamente, obrigando uma população jovem menor a cuidar de uma população cada vez maior de aposentados, o mesmo tipo de conseqüência que a maioria dos países da Europa já está experimentando.

    "Mais do que uma simples revisão dos cálculos estatísticos, a constatação de que o Brasil terá cada vez mais idosos e menos crianças antes do previsto tem impacto em cálculos de aposentadoria e traz desafios para políticas públicas, que terão que se adaptar a uma estrutura populacional envelhecida", escreve o jornal Folha de S. Paulo. O relacionamento entre exposição às novelas da Globo e declínio da fertilidade não é coincidência. De acordo com a organização de controle populacional Population Media Center PMC), a Rede Globo tem há muito tempo um acordo com o grupo para introduzir sua ideologia contraceptiva em sua programação de novelas.
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    Queda no índice de nascimento ligada à influência das novelas Devido à popularidade das novelas da TV Globo que recebem patrocínio comercial, PMC, junto com a ONG brasileira Comunicarte, têm um acordo com a TV Globo que ajuda os escritores das novelas do horário nobre a entrelaçarem, as vidas dos principais personagens, questões sociais recomendadas", declara a organização em seu site. "A TV Globo introduz mensagens relacionadas à saúde reprodutiva e outras questões em seus programas mais populares, totalmente de graça para Comunicarte e PMC. O tempo de programação que a TV Globo tem doado para as questões de interesse social teria custado dezenas de milhões de dólares apenas para o período do ano passado. Em troca, PMC fornece gratuitamente pesquisas aos escritores com relação a temas que eles escolhem incorporar nos programas". A PMC está envolvida em programação de novelas em países do mundo inteiro e tem escritórios no Brasil, Etiópia, Índia, Jamaica, Quênia, Malaui, Mali, México, Níger, Nigéria, Filipinas, Ruanda, Santa Lucia, Senegal e Sudão.

     

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    A organização usa o que chama de "Método Sabido" para promover sua ideologia, criando personagens que adotam valores pró-família. Mas aos poucos, com o tempo, esses personagens vão mudando para posições anti-família, como conseqüência de experiências que ocorrem durante o curso do enredo da novela. A audiência, que tem os mesmos valores que os personagens têm no início das novelas, é influenciada a mudar também. O ativista pró-família Julio Severo, que há muito denuncia a influência das novelas em seu país, está preocupado com o fato de que a acentuada queda no índice de nascimentos terá conseqüências prejudiciais sérias nas próximas décadas.

    Como se sabe, os índices de nascimentos na Europa estão caindo, e os europeus já estão enfrentando escassez de trabalhadores jovens", disse ele para LifeSiteNews. "Mas os índices de nascimentos no Brasil estão caindo rápido demais! O Brasil poderá enfrentar problemas cada vez maiores com uma enorme população idosa. Aliás, penso que nos próximos anos o Brasil sofrerá uma crise pior do que a Europa ". Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com

    Alberto Chong - "As Telenovelas moldaram o Brasil"

     

    Novelas - Alberto Chong

     

    27/02/2009 - Qual é o verdadeiro impacto das telenovelas nos lares brasileiros? Segundo dois estudos recentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), as tramas exibidas na TV nos últimos 40 anos vêm moldando as famílias em pelo menos dois aspectos: menos filhos e mais divórcios. As pesquisas, coordenadas pelo economista Alberto Chong, analisaram o conteúdo de 115 novelas transmitidas pela TV Globo entre 1965 e 1999 nos horários das 19 horas e das 20 horas. Nessa amostragem, 62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% delas eram infiéis a seus parceiros – o que suavizou o tabu do adultério. Para Chong, a telenovela é um excelente canal de difusão de programas sociais, como prevenção à aids e direitos das minorias. Ele deu a seguinte entrevista a ÉPOCA.

    Entrevista - Albert Chong

    QUEM É - Economista nascido em Lima, no Peru. Tem 45 anos e mora em Washington, nos Estados Unidos

    O QUE FEZ - Desde 2000, trabalha como pesquisador do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)

    O QUE PUBLICOU - As pesquisas Novelas e fertilidade: evidências do Brasil, com Suzanne Duryea, do BID; e Televisão e divórcio: evidências de novelas brasileiras, em parceria com Eliana Ferrara, economista da Bocconi University

    ÉPOCA – De que forma as telenovelas influenciaram a sociedade brasileira?
    Alberto Chong – Durante o período da ditadura, os autores já viam nas novelas a oportunidade de lutar contra o sistema, apresentando novas ideias e valores. Há, de forma recorrente, a crítica à religião, ao machismo e ao consumo de luxo e a ideia de que a riqueza e o poder não trazem felicidade. A família está no centro dessas transformações. As novelas são um instrumento muito poderoso na formação de um modelo bastante específico de família: branca, saudável, urbana, bonita, consumista – e pequena.

    ÉPOCA – Vem daí a explicação para a influência das novelas na queda da taxa de fertilidade?
    Chong – Sim. A família pequena é uma imposição da produção, que tem limitações de elenco. Para que a história aconteça, são necessários pelo menos cinco ou seis núcleos. Então nenhum pode ser grande demais. Por um tempo essa família tão reduzida era irreal. Com o tempo, porém, a repetida exposição desse perfil influenciou fortemente na preferência por menos filhos e pelo custo financeiro mais baixo dessa escolha. Ao longo dos anos, essa queda na taxa de fertilidade foi caindo mais em áreas alcançadas pela televisão do que em áreas que não recebiam o sinal.

    ÉPOCA – As mulheres são o público principal das novelas. Elas são mais influenciáveis por esse tipo de conteúdo?
    Chong – Uma das ideias mais disseminadas pelas novelas, em todos os tempos, é, certamente, a emancipação feminina, junto com a entrada da mulher no mercado de trabalho. A busca do amor e do prazer pelas personagens femininas também é uma constante em qualquer trama – mesmo que ela tenha de cometer adultério, o que também é comum nas histórias.

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    ÉPOCA – No Brasil, de acordo com o IBGE, vem das mulheres a maior parte dos pedidos de divórcio. Quanto as novelas contribuem para isso?
    Chong – Estudar o Brasil sob esse ponto de vista é interessante, porque os casos de divórcio aumentaram dramaticamente nas últimas três décadas. Estima-se que as taxas aumentaram de 3,3 em cada cem casamentos em 1984 para 17,7 em 2002, mais do que em qualquer outro país latino-americano. Nosso estudo avança na hipótese de que os valores da televisão, mais precisamente das novelas, contribuíram de fato para esse aumento, principalmente a partir do momento em que no Brasil há um alcance desse tipo de programa como em nenhum outro país. A novela é, de longe, a maior atração da TV e é veiculada pela Rede Globo, que tem mantido um domínio quase absoluto do setor por cerca de três décadas. Percebemos que, quando a protagonista de uma novela era divorciada ou não era casada, a taxa de divórcio aumentava, em média, 0,1 ponto porcentual. A mudança é positiva. A simples possibilidade do divórcio dá às mulheres a chance de igualdade de gênero no casamento e na distribuição do trabalho, dentro e fora de casa. Também diminui a violência doméstica, os homicídios e suicídios.

    Novelas: a “educação” de sua família feita por uma rede de televisão

    Muitos brasileiros já sabem pelo menos o nome da recente novela das 21hs. E não foi preciso completar a frase com “da globo”, para que o leitor pensasse: “Salve Jorge” (coitado de São Jorge). A Rede Globo, historicamente a maior produtora de novelas diárias da televisão brasileira, tem índices altíssimos de audiência nos horários correspondentes a tais novelas, de modo especial aquelas que atingem um grande público e fazem mais sucesso, como a penúltima história das 21hs, “Avenida Brasil” em que, só para lembrar, a vilã imoral e perversa aparecia como uma católica ativa para disfarçar sua real personalidade. Justamente pela hegemonia da Rede Globo na produção de telenovelas, ela tem um papel fundamental nas questões abordadas sutilmente nas tramas que, aos poucos, começam a integrar tendências, mentalidade e comportamento dos brasileiros. Vale ressaltar o papel de Dias Gomes, auto-declarado militante de esquerda, que em seu livro “Apenas um subversivo” afirmou várias vezes sua intenção de escrever tramas que disseminassem ideais que são abertamente anti-cristãos. Vejam só o que ele escreveu a respeito de suas novelas:

    “Iniciava Verão Vermelho, ambientada na Bahia, entre coronéis,
    jagunços, capoeiristas e poetas populares, e abordando tema até
    então tabu entre nós, o divórcio – p. 258? Verão Vermelho foi exibida em 1969.

    ”Iniciei Assim na Terra como no Céu, uma critica bem
    humorada ao estilo de vida ipanemense, com seus boas-vidas
    e seus cafajestes, e também abordando outro tema polêmico,
    o celibato dos padres”
    -p.258 – Esta novela foi ao ar em 1970

    "Eu prometo’, (de 1984) com a ajuda de uma jovem escritora em início
    de carreira, Glória Perez “- p. 319 – Podemos perceber com quem
    Glória Perez aprendeu a escrever novelas…

    Essas considerações não são especulações, ou pré-conceitos daqueles que não se interessam pelas histórias retratadas nas telenovelas há mais de 40 anos. Mas sim resultados de uma pesquisa coordenada por um economista do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Alberto Chong, que demonstra a capacidade das telenovelas em interferir diretamente em questões morais fundamentais da família, no caso específico desta pesquisa: fertilidade e divórcio.

    Já em 1970 a Globo investia fortemente em tratar de temas diretamente anti-cristãos, como foi o caso de “Malu Mulher”, que abordava divórcio, baixo índice de fertilidade e aborto.

    “Percebemos que, quando a protagonista de uma novela era divorciada ou não era casada, a taxa de divórcio aumentava, em média, 0,1 ponto porcentual.”

    O seriado “Malu Mulher”, que também está nas tramas analisadas pela pesquisa, é um exemplo claro da pretensão dos roteiros em moldar a opinião pública. Malu, personagem principal vivida por Regina Duarte, era uma socióloga divorciada que vive “os dramas” da mulher moderna. Segundo a própria descrição da rede Globo: “O seriado discutia as relações entre homem e mulher; as dificuldades da vida conjugal e da vida profissional; a educação dos filhos; e o conflito de gerações, questões até então inéditas na televisão brasileira. O seriado debatia ainda a condição da mulher emancipada que, diante de uma liberdade recém-conquistada, queria assumir responsabilidades sem precisar se submeter à figura do marido.”

    E vejam só quais temas já apareciam na telinha da Globo, em 1970, numa época em que a sociedade brasileira estava muito mais pronta para se defender dos ataques da esquerda e do relativismo que crescia acentuadamente desde maio de 68:

    (…) Na segunda temporada, Malu reaparece mais madura e ajustada. Tem um emprego fixo em um instituto de pesquisa, um carro em bom estado, as prestações do apartamento quitadas e uma empregada. Ela começa, então, a pensar em recomeçar sua vida afetiva. O seriado continua falando de temas considerados tabus na época, como virgindade, orgasmo e aborto.”

    PARTE 2

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