Bisfenol A - Parte 1

    bisfenol 2 garrafaso que é? - Bisfenol A ou BPA é um difenol, utilizado na produção do policarbonato de bisfenol A, o policarbonato mais comum, e de outros plásticos. A susbtância é proibida em países como Canadá, Dinamarca e Costa Rica, bem como em alguns Estados norte-americanos, mas no Brasil ela é utilizada na produção de garrafas plásticas, mamadeiras e copos para bebês e produtos de plástico variados. Desde a década de 1930 suspeita-se que seja prejudicial à saúde humana (estudos sobre estrogenicidade). Em 2008, após vários artigos do governo dos EUA questionarem sua segurança, alguns varejistas retiraram das prateleiras produtos com BPA. Um estudo do FDA (Food and Drug Administration) de 2010 levantou preocupações quanto à exposição de fetos, bebês e crianças pequenas.

    Uso

    O bisfenol A foi usado primeiramente para fazer plásticos, e produtos contendo como base o bisfenol A foram comercializados por mais de 50 anos. É um monômero chave na produção de resinas epóxi e nos plásticos policarbonato mais comuns. O plástico policarbonato, o qual é claro e quase à prova de quebra, é usado para fazer uma variedade de produtos comuns, incluindo mamadeiras e garrafas de água, equipamentos esportivos, dispositivos médicos e dentários, cimentos e selantes dentais, lentes de óculos, CDs e DVDs, e eletrodomésticos.

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    O BPA é também usado na sintese de polissulfonas e poliéter cetonas, como antioxidante em alguns plastificantes, e como inibidor da polimerização no PVC. Resinas epóxi contendo bisfenol A são usadas como revestimentos dentro de quase todas as embalagens de alimentos e bebidas, entretanto, devido a preocupações com riscos à saúde pelo BPA, no Japão a maioria das embalagens com epóxi foram substituídas por filme PET. O bisfenol A também é um precursor para o tetrabromobisfenol A, usado antigamente como fungicida. O bisfenol A é o preparador de cor preferido no papel térmico e no papel cópia sem carbono.

    Estima-se a produção global do bisfenol A em 2003 em mais que 2 milhões de toneladas. Nos EUA é fabricado pela Bayer MaterialScience, Dow Chemical Company, SABIC Innovative Plastics (antes GE Plastics), Hexion Specialty Chemicals e Sunoco Chemicals. Em 2004 essas companhias produziram pouco mais de 1 milhão de toneladas do bisfenol A, a partir de apenas 7.260 toneladas em 1991. Em 2003, o consumo anual dos E.U.A era de 856.000 toneladas, 72% do qual era usado para fazer plástico policarbonato e 21% para resinas epóxi.Nos Estados Unidos, menos que 5% do bisfenol A produzido é utilizado em aplicações de contato com comida.


    Efeitos sobre a saúde


    Disruptor endócrino - O bisfenol A é um disruptor endócrino que mimetiza os hormônios do organismo e pode causar efeitos negativos sobre a saúde. Os anos iniciais do desenvolvimento parecem ser o período de maior sensibilidade a seus efeitos. Organismos reguladores, como o FDA (EUA) e a ANVISA (Brasil), determinaram níveis seguros para seres humanos, mas estes níveis são atualmente questionados ou revistos como resultado de novos estudos científicos.

    Em 2009 a Endocrine Society divulgou comunicado científico expressando preocupação com a exposição humana corrente ao BPA.

    Em 2008 um relatório do NTP (Programa Toxicológico Nacional) dos EUA concordou, expressando "alguma preocupação por efeitos sobre o cérebro, comportamento e glândula próstata em fetos, bebês e crianças", com menor preocupação com o efeito sobre glândulas mamárias a mortalidade.

    Funcionamento da tireóide - Estudo de 2007 concluiu que o bisfenol A bloqueia os receptores do hormônio da tireóide.

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    Problemas neurológicos - Em 2007 um painel do NIH (National Institutes of Health) dos EUA demonstrou "alguma preocupação" com os efeitos do BPA sobre o desenvolvimento cerebral e o comportamento de fetos e bebês.O estudo do NTP também indicou "alguma preocupação" com o efeito do BPA sobre o desenvolvimento cerebral e comportamento de fetos e bebês.Estudo de 2008 concluiu que a exposição neonatal ao BPA pode afetar o comportamento ligado ao dimorfismo sexual no adulto. Também em 2008 conclui-se que o BPA afeta, mesmo em nanodosagem, o processo da memória, porque altera a potenciação a longo prazo do hipocampo.Estudo com primatas da Yale School of Medicine observou interferência do BPA em conexões celulares do cérebro vitais para a memória, aprendizagem e humor.

    Disrupção do sistema dopaminérgico - Hiperatividade, déficit de atenção e aumento da sensibilidade a drogas de abuso resultam do aumento da atividade mesolímbica da dopamina causada pelo mimetismo da atividade estrogênica pelo BPA

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    Câncer de mama - Estudo de 2008 baseado em experimentos com animais e dados epidemiológicos reforça a hipótese de que a exposição fetal a xenoestrógenos seja uma causa subjacente do aumento do câncer de mama nos últimos 50 anos

    Crescimento da próstata - Estudo in vitro de 2007 mostrou aumento permanente de tamanho da próstata com concentrações de BPA usualmente encontradas no soro humano.

    Sistema reprodutor e comportamento sexual - Estudos de 2009 apontam para anomalias do ovário e efeitos carcinogênicos por exposição durante períodos prenatais críticos de diferenciação, alteração permanente dos mecanismos hipotalâmicos estrógeno-dependentes que organizam o comportamento sexual da fêmea de ratos exposta no período neonatal,disfunção sexual masculina referida por adultos que trabalham com BPA.

    Pesquisa realizada em 2010 demosntrou que o Bisfenol-A, aumenta o risco de disfunções sexuais masculinas, reduz a concentração e qualidade do sêmen, segundo estudo publicado na revista “Fertility and Sterility”. A pesquisa foi realizada durante cinco anos com 514 operários que trabalhavam em fábricas da China.

    Outros efeitos - Afeta o coração de mulheres, danifica de forma irreversível o DNA de camundongos e está entrando no corpo humano por uma variedade de fontes desconhecidas. Provoca aborto, prematuridade, restrição ao crescimento intrauterino e pre-eclampsia. Impacta a permeabilidade intestinal. Induz a asma.


    MP investiga efeitos do bisfenol A em produtos como brinquedos e garrafas

     
    20/07/2010 - Substância causaria câncer e até problemas cardíacos. Utilizada na fabricação de copos, potes, garrafas, mamadeiras, chupetas, brinquedos, celulares, computadores, peças de automóvel, entre outros produtos de plástico, a substância bisfenol A (BPA) — já banida em países como Canadá, Dinamarca, Costa Rica e em alguns estados norte-americanos — seria responsável pelo desenvolvimento de câncer de mama, obesidade, hiperatividade, além de problemas de coração. O alerta, emitido por cientistas internacionais, já tem reflexos no Brasil. O Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito civil público para investigar os supostos efeitos maléficos do produto e enviou ofício à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pedir explicações sobre a regulamentação do produto no território nacional.

    Instalada pela Procuradoria dos Direitos do Cidadão de São Paulo, a sindicância deve se estender aos fabricantes brasileiros. “Vamos coletar informações do órgão responsável (Anvisa) e também das indústrias que se utilizam do bisfenol para saber se o Brasil utiliza de forma correta a substância”, explicou o procurador Jefferson Aparecido Dias, que decidiu instaurar o inquérito depois de questionamentos feitos por cidadãos em eventos da procuradoria. “Em razão dessas dúvidas se reiterarem, estudei o assunto e achei melhor solicitar informações à Anvisa para saber se há regulamentações ou estudos de impacto no Brasil.”

    Professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB), Marcelo Moreira Santos admite que a substância pode causar danos à saúde, mas que depende da dose de bisfenol utilizada na fabricação dos produtos. “Ninguém vai pegar um câncer amanhã porque consumiu hoje um produto que ficou dentro de uma embalagem que contém BPA”, pondera. “Há um certo exagero. O alarde que fazem é sempre maior do que suas consequências”, observa. Segundo Moreira, o bisfenol A é utilizado pela indústria brasileira há pelo menos 40 anos.

    Procurada pela reportagem, a Anvisa informou que o limite estabelecido, no Brasil, para o uso do bisfenol é o de 0,6 mg do produto para cada quilo da embalagem. Dentro desse parâmetro, segundo o órgão, a substância não oferece risco à saúde. “A legislação sanitária sobre o uso de aditivos na área de alimentos é harmonizada no âmbito do Mercosul e, desta forma, precisa ser aceita dentro do bloco econômico, antes de ser internalizada pelos países membros. A norma sobre materiais plásticos destinados à elaboração de embalagens e equipamentos em contato com alimentos foi revisada dentro do bloco econômico no começo de 2008 e incorporada a legislação nacional por meio da RDC nº 17/2008, da Anvisa”, diz o texto da agência.

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    De acordo com a autarquia federal, nem a União Europeia e nem o FDA (Food and Drug Administration), órgão regulador americano, proibiram o uso do bisfenol A em embalagens e equipamentos plásticos que entram em contato com alimentos. Apesar da justificação da Anvisa, o FDA emitiu alerta e solicitou aos pais que reduzam a exposição de seus filhos a embalagens plásticas. Na avaliação dos cientistas, grávidas e crianças pequenas que se expõem ao bisfenol A merecem atenção especial. A explicação é que a substância pode prejudicar as funções endócrinas e alterar o funcionamento do hormônio feminino estrogênio.

    PARTE 2

     

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