Rússia afirma ser a primeira nação com mísseis hipersônicos operacionais

    mihiper topo27/12/2019 - O ministro da Defesa russo Sergei Shoigu informou ao presidente Vladimir Putin na sexta-feira que o míssil hipersônico Avangard do país se tornou operacional. O míssil pode transportar ogivas nucleares de dois megatoneladas a 27 vezes a velocidade do som e é equipado com um veículo planador que permite que o equipamento mude drasticamente o rumo no ar, o que o Kremlin alega que torna quase impossível interceptar o míssil. Em 18 de dezembro, Putin afirmou durante uma conferência de imprensa que a Rússia é o único país que possui mísseis hipersônicos operacionais.

    "Temos uma situação única na história moderna quando eles [os EUA] estão tentando nos alcançar", disse Putin. "Nenhum país possui armas hipersônicas, muito menos armas hipersônicas de alcance intercontinental".

    "Quero parabenizá-lo por este evento histórico para os militares e toda a nação", disse Shoigu a Putin em uma teleconferência na sexta-feira. O general Sergei Karakayev, chefe das Forças Mísseis Estratégicas da Rússia, disse durante a ligação que as baterias Avangard foram colocadas em operação na região de Orenburg, nas montanhas dos Urais.

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    Putin anunciou publicamente o desenvolvimento da Rússia de armas hipersônicas em 2018. Durante uma audiência no Comitê de Serviços Armados do Senado, em março daquele ano, o general da Força Aérea dos EUA John E. Hyten, chefe do Comando Estratégico dos EUA, disse ao Congresso que as armas hipersônicas representam um desafio distinto para os americanos. defesas.

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    "Não temos nenhuma defesa que possa negar o emprego de tal arma contra nós", disse Hyten. Os EUA esperam possuir capacidades de armas hipersônicas o mais cedo possível até 2023.

    A China anunciou na sexta-feira que completou com sucesso o lançamento de seu foguete Longa 5 de março para o espaço. O foguete foi projetado para transportar cargas úteis pesadas, incluindo satélites, e o lançamento bem-sucedido colocou em órbita o novo satélite de comunicações Shijian-20 da China. O satélite facilitará a comunicação de criptografia quântica para os militares e o governo chinês. China e Rússia juntaram-se ao Irã na sexta-feira para exercícios navais conjuntos na costa de Omã.

     

    Rússia coloca em operação arsenal de mísseis hipersônicos “invencíveis”

     

    27/12/2019 - Chamados de invencíveis por Vladimir Putin, esses mísseis podem superar qualquer escudo antimíssil e atingir alvos em qualquer lugar do mundo. O exército russo anunciou nesta sexta-feira (27) a entrada em operação de seu primeiro regimento de mísseis hipersônicos Avangard, uma das novas armas desenvolvidas por Moscou e classificadas pelo presidente Vladimir Putin de “praticamente invencíveis”.

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    Esse sistema faz parte de uma nova geração de mísseis capazes, segundo Moscou, de atingir um alvo em quase qualquer lugar do mundo e de furar todos os escudos antimísseis existentes atualmente. “O ministro da Defesa, Serguei Shoigu, informou ao presidente Putin sobre a entrada em operação do primeiro regimento equipado com os novos sistemas estratégicos Avangard”, afirma o ministério em um comunicado citado pelas agências de notícias russas. Shoigu felicitou os militares russos, considerando “um evento fantástico para o país e para as forças armadas”.

    Em dezembro de 2018, o exército russo anunciou que o primeiro regimento de mísseis Avangard seria implantado na região de Orenburg, nos Urais. Vladimir Putin revelou orgulhosamente em março de 2018 uma nova geração de mísseis russos, sendo o primeiro a entrar em operação o Avangard, que, de acordo com Moscou, é capaz de atingir 27 Ma de velocidade, ou seja, 27 vezes a velocidade do som e mais de 33.000 quilômetros por hora. Ele também é capaz de mudar de rumo e altitude, tornando-o “praticamente invencível”, segundo o presidente russo.

    Putin comparou os mísseis Avangard, testados com sucesso em dezembro de 2018 com um alcance de 4.000 km, “à criação do primeiro satélite artificial da Terra”. “É um sistema de mísseis intercontinentais, não balístico. É a arma absoluta”, disse Putin em junho de 2018. “Não acredito que algum país terá essa arma nos próximos anos. E nós já a temos”, acrescentou. As autoridades russas garantem que esse tipo de arma é capaz de perfurar qualquer escudo antimísseis atualmente existente.

    Outra arma apontada como “invencível” por Putin, o míssil balístico intercontinental de quinta geração Sarmat, deve ser entregue às forças armadas russas em 2020. O Sarmat teria praticamente nenhum limite em termos de alcance e seria “capaz de mirar em alvos cruzando o Polo Norte como o Polo Sul”. Outros sistemas em desenvolvimento incluem um drone submarino movido a energia nuclear, mísseis hipersônicos para caças russos e um misterioso “laser de combate”. O anúncio da chegada dos Avangards ocorre depois que Moscou e Washington suspenderam este ano sua participação no tratado bilateral de desarmamento INF, datado da Guerra Fria.

    Também está em questão o futuro do tratado START para a redução de arsenais nucleares, que expira em 2021. A Rússia acusa os Estados Unidos de tentar romper os tratados existentes, a fim de alcançar seu “esgotamento econômico por uma nova corrida armamentista”, na qual assegura que não deseja embarcar. No entanto, multiplicou os anúncios nesse sentido, anunciando, em particular, que deseja adaptar seus sistemas marinhos Kalibr, usados pela primeira em 2015 na Síria, em variante terrestre, dentro de dois anos. Também revelou em meados de dezembro pequenos detalhes de seu escudo espacial antimíssil Kupol, que afirma ser o equivalente ao sistema SBIRS americano, mas cujos contornos ainda são misteriosos.

    O exército russo sofreu vários acidentes embaraçosos este ano, incluindo uma explosão nuclear no extremo norte que matou sete pessoas em 8 de agosto, durante testes de “novas armas”. Especialistas dizem que foi o Burevestnik, um míssil de cruzeiro de “alcance ilimitado”.

     

    O que são as armas hipersônicas, alvo de disputa entre EUA, Rússia e China para desenvolvê-las primeiro

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    10/08/2018 - Elas parecem ter saído de uma cena de Star Wars. E, de fato, se deslocam a "velocidades interestelares". A velocidade é tão alta que pode quebra a barreira do som e, também, de qualquer sistema de defesa existente. São as chamadas armas hipersônicas - antiga ambição armamentista da Guerra Fria -, que vieram à tona novamente nos últimos dias.

    A China anunciou nesta semana que testou pela primeira vez com sucesso o Xingkong-2 ("Céu Estrelado-2" em tradução livre), uma aeronave hipersônica não tripulada que viajou, segundo o governo chinês, a 7.344 quilômetros por hora. Ou seja, seis vezes mais rápida que a velocidade do som, capaz de dar uma volta completa na linha do Equador em pouco mais de cinco horas. Mas eles não são os primeiros.

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    A Rússia comunicou, no mês passado, que seus MiG-31 que patrulham o Mar Cáspio estavam armados desde abril com um novo míssil hipersônico, o Kinjal. O Ministério da Defesa russo também afirmou que, em breve, estaria pronto o Avangard, um sistema de mísseis que poderia percorrer distâncias intercontinentais a uma velocidade hipersônica de 24.140 quilômetros por hora. A Força Aérea dos Estados Unidos, por sua vez, anunciou em 2015 a meta de desenvolver uma arma hipersônica até 2023, e mostrou vários avanços nesse sentido. Mas diante do crescente progresso de Pequim e Moscou, Washington começa a manifestar preocupação com os progressos do outro lado do Pacífico.

    Recentemente, a Agência de Defesa contra Mísseis dos EUA solicitou US$ 120 milhões de orçamento para 2019, destinados a desenvolver sistemas de proteção contra mísseis hipersônicos. Para se ter uma ideia, em 2016, o departamento solicitara US$ 75 milhões para a mesma finalidade.

    "Washington tem até agora um sistema antimíssil que ainda não sabe se funcionará efetivamente diante de um ataque real, mas não tem nenhum mecanismo para se defender contra esses novos dispositivos", explica à BBC News Mundo, serviço da BBC em espanhol, George Nacouzi, especialista em armas hipersônicas da Rand Corporation, centro de estudos que oferece consultoria para as Forças Armadas americanas. Mas em que consistem as armas hipersônicas e por que despertam tanta preocupação?

    O que são armas hipersônicas

    Por definição, as armas hipersônicas são aquelas que ultrapassam a velocidade do som em seu voo, segundo explica James Acton, codiretor do Programa de Política Nuclear do Carnegie Endowment for International Peace, centro de estudos com sede em Washington. Ou seja, 1.237 quilômetros por hora (a uma temperatura de 20ºC). "Teoricamente, elas podem ultrapassar cinco, 10, 20 vezes ou mais a velocidade do som", diz o especialista.

    Nacouzi lembra, por sua vez, que existem dois tipos de armas hipersônicas:

    Veículos planadores hipersônicos (HGV, na sigla em inglês), que são enviados ao espaço, alcançam altas altitudes e, em seguida, retornam com trajetórias sem curso definido em direção ao alvo.

    Mísseis de cruzeiro hipersônicos (HCM, na sigla em inglês), um tipo de projétil que conta com um sistema de propulsão que quebra a barreira do som várias vezes.

    Ambos podem viajar a velocidades superiores a 6.115 quilômetros por hora. Segundo Acton, a fabricação desse tipo de armamento é uma aspiração desde a Guerra Fria, mas seu desenvolvimento enfrenta vários desafios tecnológicos.

    "Depende do tipo de arma hipersônica, mas no caso da primeira (HGV), uma das principais limitações é a temperatura. Elas atingem temperaturas muito elevadas na atmosfera e podem derreter. Então, o desenvolvimento de materiais resistentes e o controle do calor seriam dois elementos a serem levados em conta", destaca.

    "No segundo caso (HCM), o problema é o motor, ou seja, como fazer com que sejam rápidos o suficiente e mantenham essa velocidade durante longas distâncias sem o motor explodir", acrescenta.

    Nacouzi observa que o maior desafio estratégico destes dispositivos é que, até agora, as armas existentes possuem uma trajetória de voo previsível.

    "As armas hipersônicas, entretanto, apresentam trajetórias de voo imprevisíveis e se deslocam a velocidades ou altitudes variáveis, por isso é muito difícil se defender delas. Então, nem os Estados Unidos nem qualquer outro país têm sistemas de defesa eficazes contra um ataque desse tipo", explica. A boa notícia é que, de acordo com o especialista, essa ainda é uma possibilidade remota, uma vez que apenas três países estão fazendo progressos significativos no seu desenvolvimento.

    A má, acrescenta, é que sua implementação está dando lugar a uma nova "corrida armamentista" para alcançá-la.

    A nova corrida

    Acton também concorda que os três países estão disputando uma "corrida" para ver quem domina esse tipo de armamento primeiro. "Eles estão desenvolvendo as tecnologias, defendem seu desenvolvimento, investem grandes somas de dinheiro, e parte da justificativa é a produção desse tipo arma por parte de outros países. Por isso que há definitivamente uma nova corrida armamentista", analisa. Segundo ele, se a China está mais interessada em foguetes, a Rússia parece ter se concentrado em planadores, embora Moscou tenha anunciado que, no próximo ano, pode começar a produzir seu míssil intercontinental de longo alcance.

    Nacouzi ressalta que, no caso dos Estados Unidos, os especialistas estão trabalhando nessa área há mais de 30 anos, mas, até onde se sabe, não desenvolveram nenhuma tecnologia, seja pelo custo ou por outros motivos. No entanto, o secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, disse em abril, antes de uma audiência do Comitê de Serviços Armados do Senado, que as armas hipersônicas e sistemas de defesa contra as mesmas eram "prioridade número um" para a pesquisa e desenvolvimento militar do país. "A evidência disponível sugere que os Estados Unidos continuam a liderar essas tecnologias", diz Acton.

    A nova ameaça nuclear

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    O físico considera, porém, que o maior desafio não está apenas no desenvolvimento desse tipo de armamento, mas em outros elementos que podem se originar dele. "Essas armas ainda não foram produzidas em larga escala. Mas, para mim, a maior consequência disso seria se, por um lado, a Rússia ou a China implementassem sistemas de longo alcance com capacidade nuclear", avalia Segundo o especialista, ambos os países parecem estar dispostos a equipar suas armas hipersônicas com ogivas atômicas, enquanto os Estados Unidos procuram associá-las a armas convencionais. E a diferença, diz Action, é que as armas nucleares hipersônicas não requerem a precisão demandada pelos armamentos convencionais: a destruição pode ser a mesma, sem a necessidade de atingir um alvo identificado.

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    "Se elas vão ser usadas com capacidade nuclear ou não, o fato é que os Estados Unidos nunca foram ameaçados por armas convencionais chinesas e sua vulnerabilidade às armas convencionais russas tem sido muito limitada. E com essas armas, carregando ogivas nucleares ou não, o perigo é muito maior do ponto de vista de segurança", acrescenta. Com todas essas cartas na mesa, os especialistas não têm dúvida de que as armas hipersônicas serão um fator-chave em potenciais ameaças ou guerras no futuro.

     

    Fonte: https://www.nationalreview.com/
               https://exame.abril.com.br/
               https://www.bbc.com/

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