Como os aromas influenciam a nossa percepção

    aromper topo05/01/2017, por Arthur Gomes - Sabe quando você tá andando na rua, sente um cheiro e sua cabeça é levada quase que instantaneamente para um outro momento? Apesar de estar parado no momento presente, sua mente reconstrói uma memória de maneira tão vívida e tão completa que é como se tudo que você lembrou estivesse acontecendo naquele exato momento. Às vezes, os cheiros que sentimos e as lembranças que eles evocam tem uma relação bastante lógica, como quando você sente um perfume e se lembra de alguém que costuma usá-lo. No entanto, a capacidade do nosso sentido olfativo vai muito além dessa relação aparentemente clara e racional entre um aroma sentido e uma lembrança evocada.

    Um ótimo exemplo do quão complexo esse sentido de fato é, e de como isso pode ser melhor utilizado para impactar positivamente seu consumidor, foi demonstrado num estudo holandês que avaliou o impacto de fragrâncias cítricas, comumente utilizadas em produtos de limpeza, no comportamento e na cognição dos consumidores. Dentre as várias avaliações que o estudo fez, uma das mais interessantes foi um teste de tempo de reação, que monitorava o tempo que os consumidores participantes da pesquisa demoravam para categorizar palavras apresentadas em computador como sendo reais ou não (este teste, na verdade, tem uma estrutura muito parecida com o nosso teste implícito de associação, que você pode conferir aqui).

    O que nenhum dos consumidores sabia era que um grupo de participantes realizou o teste enquanto era exposto às tais fragrâncias cítricas, enquanto um segundo grupo realizou o mesmo teste em um ambiente controlado, sem cheiros aparentes. Acredito que, levando em consideração toda essa nossa conversa sobre o impacto de aromas na nossa capacidade cognitiva, você já deva imaginar que os achados do estudo foram incríveis, certo? Os resultados revelaram que os participantes expostos às fragrâncias cítricas reconheciam de maneira mais rápida palavras associadas à limpeza como sendo palavras reais. O verdadeiro “pulo do gato” é que esses participantes quando foram questionados se haviam sentido algum aroma ou fragrância na sala onde foi realizado o experimento, responderam que não.

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    Num mundo tão ligado a aspectos visuais quanto o nosso, nem sempre nos damos conta da quantidade e riqueza de estímulos de outras variantes sensoriais a que somos expostos. Apesar disso, não podemos ignorar a influência e o poder que esses outros estímulos têm de nos afetar, mesmo sem percebermos. Cheiros, sons, gostos e até mesmo a temperatura do ambiente, influenciam nossas preferências e têm um impacto muito grande em nossa tomada de decisão.

    E claro, não poderia ser diferente para os consumidores, que também podem ser influenciados por toda essa imensidão de possibilidades de estímulos sensoriais. Lembrando que vivemos na era da experiência, criar momentos de compra marcantes e que envolvam vários sentidos do seu consumidor, como uma ambientação sonora e olfativa adequada, uma temperatura agradável e estímulos visuais provocativos, pode ser o segredo para que sua marca se torne um destaque dentre as demais.

     

    Você sabia que um aroma pode influenciar a sua percepção?

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    Você já deve ter a sensação de, quando está andando ao ar livre, sentir um aroma e sua mente ser automaticamente levada para outro momento, como se estivesse indo para outro lugar. Apesar de nossa mente estar no momento presente e dele não poder sair, é comum que sejamos levados para memórias distantes de uma forma tão viva e completa que realmente parece que estamos vivendo o passado naquele exato momento.

    O aroma e as nossas memórias

    Já é um fato comprovado pela ciência que um aroma pode nos remeter imediatamente a lembrança de um passado distante, ou até um nem tão distante assim. Ao contrário do que pensa uma boa parte das pessoas, a relação entre um aroma e as nossas lembranças é até bastante lógica. Nós não nos lembramos do passado apelas pela nossa visão e pela nossa audição, mas também pelo olfato. É perfeitamente possível que consigamos nos lembrar de coisas que nos aconteceram por aromas que marcaram essas situações. Pelo menos, uma parte da nossa memória, por exemplo, pode se lembrar de uma pessoa por conta do perfume que ela usava. Apesar disso, a nossa capacidade de reconhecer aromas e relacionar com situações da nossa vida vai muito além de se lembrar daquilo que já aconteceu.

    O aroma e as nossas percepções

    Em muitos casos, as nossas percepções também são influenciadas pelo aroma que está difundido em determinado ambiente. Por exemplo, ainda que não estejamos em um ambiente limpo, se nosso olfato sentir o aroma característico de um produto de limpeza no ambiente, temos a tendência de crer que aquele espaço está perfeitamente limpo. Da mesma forma, se você gostar muito de café e sentir o cheiro da cafeína em algum ambiente, ainda que naquele espaço ninguém esteja fazendo café, você tende a considerar aquele ambiente mais confortável do que consideraria se não tivesse sentido o aroma.

    Inclusive, há cerca de dois anos, uma pesquisa que foi realizada em um Centro de Neurociências do Rio de Janeiro revelou que o café tem um dos aromas mais ricos da natureza. Essa mesma pesquisa concluiu que o aroma do café estimula as principais áreas de prazer do nosso cérebro. Essa pesquisa também descobriu que o café libera mais de 200 componentes no ar e que podem ser percebidos pelo nosso olfato. Aliás, outra conclusão importante dessa pesquisa foi o fato de que o aroma do café tem mais componentes do que algumas bebidas de aromas bastante característicos como o vinho e o perfume.

    O aroma e o nosso paladar

    Engana-se quem pensa que o olfato não influencia o nosso paladar. A antiga expressão “comer com os olhos” ainda é muito válida e, para muitos amantes da gastronomia, o sabor de uma comida também está estritamente relacionada com o seu cheiro. De fato, é muito comum que, ao sentir o cheiro de uma comida enquanto alguém ainda está preparando-a, já pensamos no quanto essa comida deve estar boa. Outra prova do quanto somos levados pelo cheiro para nosso cérebro decidir se algo é bom ou não. Para estudar o quanto o sabor de uma comida também se relaciona com nossos outros sentidos, como o olfato, surgiu a Neurogastronomia.

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    A Neurogastronomia nada mais é do que uma união de conceitos da neurociência com as tradições da gastronomia. Os primeiros estudos em Neurogastronomia provaram que o olfato não é um sentido independente do paladar. O olfato, na verdade, é um sentido múltiplo que passa pelas vias oral, nasal e ortosanal. Ou seja, especialistas em neurogastronomia afirmam que é impossível separar o olfato do nosso paladar, porque, na verdade, os dois sentidos agem juntos, funcionam ao mesmo tempo. Dificilmente, você tem prazer comendo algo cujo cheiro não lhe agrada.

    Fonte: http://www.forebrain.com.br/
               https://despertarclube.com/

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