Você comeria bifes produzidos em impressoras 3D?

    impebi topoFernando Ramos, 22/01/2013 - Será que um dia as impressoras 3D produzirão carnes como essa? Quando comemos um bife, sabemos que a procedência daquele alimento é um animal que, alguns dias atrás, ainda estava vivo. Isso chega a incomodar algumas pessoas a ponto de elas abdicarem dos prazeres da carne. Mas agora vegetarianos do mundo todo já podem comemorar, pois a solução está próxima: máquinas capazes de imprimir bifes para consumo humano.

    Com as bioimpressoras que a empresa Modern Meadow pretende disponibilizar no mercado, o alimento seria produzido sem o abate de qualquer animal. Criada pela dupla Gabor e Andras Forgacs, pai e filho, a empresa acabou recebendo, recentemente, o investimento de US$ 350 mil(R$ 714) Peter Thiel, um dos nomes mais proeminentes do Vale do Silício e co-fundador do serviço de pagamento PayPal. Agora, mais detalhes sobre a criação vieram à tona.

    Você comeria bifes produzidos em impressoras 3D?Carne sintética seria impressa em moldes de agarose (Fonte da imagem: Reprodução/BBC)

    A técnica de produção desse tipo de carne é praticamente a mesma que a de uma impressora 3D comum, com o objeto sendo produzido camada a camada, por meio de um modelo digital. Entretanto, como matéria prima, as bioimpressoras da Modern Meadow usam biotintas, ou seja, soluções que contêm diversos tipos de células. Além disso, a impressão do tecido animal é feito em meio a moldes de agarose, um dos componentes da solução gelatinosa extraída de algas vermelhas (agar-agar). Alguns dias depois de impresso, o “bife” é retirado desses moldes e levado a um biorreator que estimula o tecido para amadurecer as fibras do músculo.

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    Você comeria bifes produzidos em impressoras 3D?Depois de impresso, tecido vivo deve passar por um bioreator (Fonte da imagem: BBC)
    De acordo com uma entrevista concedida para a BBC, o Prof. Gabor Forgacs afirma que já possui um protótipo desse tipo de impressora 3D, capaz de imprimir tecidos vivos, mas que o resultado ainda não é próprio para o consumo.

    Como é produzida a biotinta?

    Para produzir esse tipo de carne, os cientistas extraem células-tronco ou células específicas de um animal, por meio de biópsias. No caso das células-tronco, essas podem se multiplicar muitas vezes e também se transformar em um tipo específico de célula, como as musculares. Assim, quando elas atingem uma certa quantidade, são armazenadas em biocartuchos que, em vez de tinta tradicional, possuem um composto feito com milhares de células vivas.

    De certa forma, o que a Modern Meadow está fazendo é dar um passo além da medicina regenerativa, algo que o próprio Gabor já foi capaz de realizar em um investimento anterior. Quando ele ajudou a fundar a Organovo, uma empresa pioneira na impressão de estruturas vivas para propósitos médicos, ele foi capaz de produzir vasos sanguíneos completamente funcionais a partir das células de uma pessoa.

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    Você comeria bifes produzidos em impressoras 3D?

    Pelo visto, essa é uma das grandes promessas das impressoras 3D, já que outros experimentos semelhantes têm sido desenvolvidos mundo afora. O artigo da BBC conta, por exemplo, que pesquisadores da Universidade da Columbia foram capazes de implantar um dente impresso por uma bioimpressora na mandíbula de um rato. Além disso, cientistas da Carolina do Norte conseguiram imprimir células diretamente no ferimento da pele de camundongos, acelerando, assim, o processo de regeneração.

    Por enquanto, a técnica é ainda muito experimental para ser usada por humanos, principalmente se levarmos em conta que a impressão de um bife, por exemplo, é muito mais simples do que a de órgão funcional. E como se não bastasse, o processo todo ainda é muito caro: imprimir um hambúrguer custaria cerca de R$ 646 mil. Pelo bem do orçamento doméstico, no momento, é melhor continuar com os vegetais ou bifes naturais.

     

    ´Impressora 3D produzirá carne saudável´

     

    04/11/2012 - Segundo Andras Forgacs, CEO da Modern Meadow, mesmo sem data de lançamento, projeto vai permitir aplicação de proteínas em estruturas de tecidos animais na própria impressora. As fazendas de gados estão com os dias contados. Pelo menos para Andras Forgacs, o CEO da Modern Meadow. Ele trabalha no desenvolvimento de uma impressora diferente: que, ao invés de imprimir, vai usar uma tecnologia 3D para produzir carnes. “Com muitas proteínas, inclusive”, diz.

    Forgacs captou 350 mil dólares para desenvolver uma impressora 3D capaz de criar carne artificial a partir de células animais. O dinheiro do investimento vem da Thiel Foundation, empresa do multimilionário Peter Thiel, cofundador do sistema de pagamentos online PayPal. O projeto ainda não tem data de lançamento. Mas quando sair, acredita Forgacs, as pessoas poderão usá-la para imprimir filés de desenho. Primeiro, a carne tomaria forma na tela de um computador. Depois, passaria ao mundo real com a aplicação de proteínas em estruturas de tecidos animais na própria impressora.

    Quando nasceu a Modern Meadow?

    A startup foi fundada na primavera de 2011. Estamos nesse novo projeto há aproximadamente um ano, mas os membros da nossa equipe já trabalham juntos há quase 10 anos. Por exemplo, os nossos cientistas inventaram a bioimpressão. Foi quando eu e meu irmão cientista Gabor Forgacs fundamos a primeira startup, a Organovo, para comercializar essa nova tecnologia para a medicina.

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    Como os recursos da bioimpressão podem ajudar no desenvolvimento da impressora 3D de carne?
    Nossa equipe inventou a bioimpressão em 3D. Por isso, sabemos seus pontos fortes e também suas limitações. Sabemos que ela funciona muito bem em pequena escala, mas sua produção não foi testada em larga escala ainda. Por isso, fazemos vários testes simultaneamente para melhorar a bioimpressão e construir uma impressora 3D de carne que possa alcançar muita gente pelo mundo.

    A impressão 3D de carne é o principal projeto de vocês?

    O nosso foco é a aplicação de métodos de engenharia de tecidos para desenvolver novos biomateriais – couro e carne são apenas exemplos. Embora já tenhamos demonstrado a viabilidade de impressão 3D de carne em pequena escala, o nosso primeiro produto comercial vai ser o couro.

    Quando a impressão de carne em 3D será comercializada?

    Isso vai demorar muito mais tempo para acontecer do que a impressão de couro por várias razões. A primeira delas é porque o couro (pele) é tecnicamente mais simples para reproduzir do que a carne, que é um músculo. Os obstáculos para regularizar a impressão 3D de couro também são bem menores do que a carne. Além disso, o consumidor irá aceitar com mais rapidez comprar o couro do que comer uma carne produzida por impressão.

    Que recursos exatamente a impressão de carne em 3D exige?

    Essa é uma pergunta difícil de responder porque são muitos detalhes. Mas, basicamente, a impressão de carne em 3D requer técnicas de cultura de células (que estão sendo desenvolvidas), biomontagem (baseada em métodos de engenharia de tecidos), além da maturação dos tecidos em biorreatores.

    O que falta para finalizar a impressora 3D de carne?

    Falta muito. Ainda estamos na fase de desenvolvimento do protótipo. Nosso foco é, durante o próximo ano, testar a tecnologia para depois produzi-la em escala. O nosso foco é principalmente o couro, mas também iremos desenvolver a carne em um horizonte distante.

    O produto da impressora 3D fornecerá as mesmas proteínas da carne animal?

    Esperamos que sim. Na verdade, a ideia de que as pessoas possam imprimir a própria carne também daria o poder de controlar a composição do produto. Nós poderíamos colocar ainda mais ferro, vitaminas, ômega-3 os ácidos graxos no alimento, por exemplo. Mas a composição nutricional da carne de cultura é algo que ainda vamos estudar de perto.

     

    Impressoras 3D + comida viva: esse é o futuro da alimentação?

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    2016 - Designer de alimentos holandesa desenvolveu snack nutritivo, produzido em impressora 3D, que pode ser um dos caminhos para a sustentabilidade na produção de alimentos. O uso de impressoras 3D para a produção de alimentos vem sendo testado em diversos projetos diferentes nos últimos anos. Em 2014, a Nasa, agência espacial americana, anunciou pesquisas com impressoras 3D capazes de imprimir pizzas, por exemplo. O desenvolvimento dessa tecnologia é uma saída promissora para ampliar a oferta de alimentos no mundo, com menos impacto no uso de recursos naturais. Isso porque uma comida mais elaborada passa a ser feita sob demandas pessoais, sem os desperdícios do processo industrial. No entanto, a maior parte das iniciativas até o momento trazem impressoras capazes de produzir apenas alimentos de alto valor calórico e baixa quantidade de nutrientes, como as pizzas da Nasa ou doces. Diante desse cenário, a designer de alimentos holandesa Chloé Rutzerveld fez experimentações para criar algo mais saudável em uma impressora 3D.

    Como funciona a impressão da comida

    A impressora 3D de alimentos é simplesmente a maneira como convencionou-se chamar uma espécie de robô capaz de empilhar camadas de diferentes substâncias comestíveis, em diferentes quantidades e disposição, de acordo com um código de programação específico. Usando a tecnologia já disponível hoje, Rutzerveld desenhou uma espécie de snack com sementes de brotos e esporos de fungos. Eles ficam alojados dentro da massa, em um substrato nutritivo e também comestível. A designer o chamou de “Edible Growth”, algo como “crescimento comestível”. Cinco dias depois de ser “impresso” pela máquina, os brotos e os cogumelos começam a crescer e surgem entre os vãos da massa. Outra classe de fungos cresce e cria preenchimento dentro da massa.

    Idealmente, essa é a hora de comer. No entanto, Rutzerveld aponta que o produto é comestível desde o momento em que for impresso - e o momento certo de ingeri-lo varia de acordo com o gosto do indivíduo, já que os sabores vão ficando mais pronunciados ao longo do desenvolvimento. O futuro da comida A “empada” desenhada por Rutzerveld é um protótipo do que a comida poderá ser no futuro. Não se trata, claro, da solução para a fome no mundo. Mas aponta saídas possíveis para a produção individual e em grande escala de alimentos nutritivos. Veja como a impressão de comida sob demanda em impressoras 3D individuais, somada aos experimentos da designer de alimentos holandesa, pode impactar a produção de alimentos em larga escala: Menos uso de recursos naturais: um alimento que cresce em um substrato comestível diminui a necessidade de terras para plantio e todo o consumo de recursos naturais que a agricultura demanda, de água a fertilizantes. Menos desperdício: você só produz aquilo que vai comer.

    Não há sobras nem alimentos estragados pelo excesso. No Brasil, estima-se que sejam desperdiçadas mais de 26 milhões de toneladas de alimentos todos os anos. Menos poluição: mão de obra, transporte, armazenamento e embalagem também são reduzidos, o que diminui a produção de carbono consequente em toda cadeia produtiva. Alimentação mais saudável: alimentos frescos dispensam conservantes e altas quantidades de açúcar, sal e gordura, substâncias que têm papel central na epidemia mundial de obesidade. Outras iniciativas de buscar caminhos possíveis para a comida no futuro envolvem carne produzida por meio de células tronco, proteínas vegetais que simulam sabor, textura e consistência de frango e alimentos que usam insetos como fonte de proteína animal de alto valor nutritivo e baixo custo.

    Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/07/26/Impressoras-3D-comida-viva-esse-%C3%A9-o-futuro-da-alimenta%C3%A7%C3%A3o

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    Austrália exibe carne produzida em impressora 3D

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    2017 - Pesquisadores e o corpo comercial do Meat and Livestock Australia (MLA) revelaram uma impressora de carne 3D inovadora que produz proteína comestível a partir de miúdos e carne moída. Descrita pelos criadores como uma “tinta de carne”, os especialistas afirmam que a tecnologia de impressão de carne 3D pode um dia tornar-se tão comum quanto o café estilo barista. Mas não é apenas uma moda passageira; especialistas da indústria acreditam que poderia adicionar valor monetário genuíno para cortes secundários e miúdos – produtos animais que as empresas muitas vezes lutam para maximizar financeiramente.

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    A máquina foi revelada na conferência de impressão de alimentos 3D Ásia-Pacífico, realizada em Melbourne. Foi construída pela companhia holandesa byFlow. Usando uma mistura liquefeita de miúdos e carne moída, a máquina imprimiu o que poderia ser um dos primeiros exemplos de carne comestível impressa em 3D. No evento, o chef corporativo do MLA, Sam Burke, até preparou algumas das carnes impressas em 3D para os amantes da comida. Embora a tecnologia não possa competir com a produção de carne tradicional em breve, ela oferece uma alternativa atraente para as empresas de carne que lutam para maximizar o subproduto. Ele também pode oferecer aos idosos a chance de desfrutar de uma maior variedade de alimentos, à medida que a carne vermelha é altamente nutritiva e provavelmente tem um sabor melhor do que os alimentos em forma de purê.

    Fonte: BBC
               https://exame.abril.com.br
               https://www.beefpoint.com.br
               https://www.nexojornal.com.br

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