Beber álcool diariamente pode levar à Fibrilação Atrial, segundo estudo

    bebmo1Por Merelyn Cerqueira, 2017 - O consumo diário e a longo prazo de álcool foi associado a um aumento de 5% no risco de desenvolvimento de fibrilação atrial e alargamento da câmara esquerda superior do coração. Tal constatação foi sugerida em um relatório publicado recentemente no Journal of the American Heart Association. Apesar da percepção comum de que moderar o consumo de álcool é o mais recomendável quando o assunto é saúde cardíaca, a pesquisa sugeriu que, a longo prazo, mesmo uma pequena quantidade da bebida pode causar a ampliação da câmara esquerda superior do coração (átrio), aumentando o risco de desenvolvimento de fibrilação atrial.

    Segundo o autor principal do estudo, Gregory Marcus, professor associado de Eletrofisiologia Cardíaca na Universidade da Califórnia, o estudo fornece a primeira evidência do porquê o consumo prolongado de álcool pode levar ao desenvolvimento desta perturbação de ritmo cardíaco. A fibrilação atrial é uma condição de ocorrência comum em que o coração bate de forma irregular e não consegue bombear adequadamente o sangue, aumentando risco de acidente vascular cerebral (AVC) e formação de coágulos sanguíneos. Pesquisas anteriores já haviam mostrado associações entre o consumo de álcool e cardiomiopatia ventricular, em que o coração encontra dificuldades para bombear e entregar o sangue para o resto do corpo.

    No estudo, os pesquisadores analisaram dados de 5.220 participantes de um projeto de investigação nacional em curso nos EUA (Framingham Heart Study). As pessoas (54% mulheres e com idade média de 56 anos) foram submetidas a eletrocardiogramas (ECG) para medir a atividade elétrica do coração. De 17.659 ECGs realizados ao longo de seis anos, os pesquisadores detectaram 1.088 incidências de fibrilação atrial. Eles também descobriram que a cada 10 gramas (uma dose) de álcool consumidas por dia, um aumento de 5% nos riscos de fibrilação atrial ocorria, além do crescimento de 0,16 milímetros em uma das quatro câmaras do coração. Tais relações foram medidas entre 24% – 75% dos casos, com os pesquisadores afirmando que elas se mantiveram estáveis mesmo após considerarem outros fatores de risco para a saúde do coração, como pressão arterial elevada, Diabetes ou tabagismo.

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    Há de se ressaltar que estas descobertas observacionais não sugerem que o consumo de álcool cause diretamente problemas cardíacos. No entanto, os pesquisadores afirmaram que os resultados questionam a crença popular de que o álcool traz benefícios para o coração. “Nossos dados sugerem que a fibrilação atrial pode ser prevenida ao evitar o consumo de álcool”, disse Marcus. “Nossa esperança é que através da compreensão da relação mecânica entre o álcool e fibrilação atrial possamos aprender algo que ajudaria a identificar novas formas de compreensão e tratamento da doença”.

    A American Heart Association recomenda que o consumo de álcool seja feito com moderação. No entanto, eles também advertem que as pessoas que não bebem, não o façam sem antes consultar um médico sobre os riscos e benefícios do consumo moderado.

    Fonte: http://newsroom.heart.org

     

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