Dica de Cinema

Highlander: Imortalidade ou Maldição Eterna?

Highlander: Imortalidade ou Maldição Eterna?

Highlander: A Imortalidade que Te Mata de Rir, de Chorar e de Adrenalina. Imagine acordar de uma ferida mortal na Escócia do século 16, só pra descobrir que você é imortal, mas tem que passar a eternidade cortando cabeças alheias pra não perder a sua. Loucura total, né?

Pois é exatamente isso que rola em Highlander, o filme de 1986 que pegou uma ideia maluca de imortais duelando pelo "Prêmio" supremo e transformou em um clássico cult. Dirigido por Russell Mulcahy, esse épico de ação e fantasia não é só sobre espadas voando e quickenings explodindo – é uma reflexão profunda sobre solidão, amor e o peso de viver pra sempre.

E olha, cara, mesmo com seus defeitos gritantes, como efeitos datados e um tom que oscila entre o sério e o ridículo, o filme grudou na cultura pop como cola superbonder. Vamos mergulhar nessa história que salta do passado medieval pro caos de Nova York nos anos 80, explorando todos os cantos: da produção caótica aos spin-offs que deram errado, passando por curiosidades que vão te fazer rir alto.

A Saga de Connor MacLeod: De Clãs Escoceses a Arranha-Céus Americanos

Tudo começa em 1536, nas Terras Altas da Escócia, onde Connor MacLeod – interpretado por Christopher Lambert com aquele sotaque francês tentando ser escocês que vira piada interna – leva uma facada fatal em uma batalha contra o clã rival. Ele morre... ou acha que morreu. Acorda inteiro, e aí o caos: seu próprio povo o acusa de bruxaria e o expulsa. Anos depois, ele casa com a Heather (Beatie Edney), uma mulher que envelhece enquanto ele fica igualzinho, e aprende a verdade com o mentor Ramírez (Sean Connery, roubando a cena como um egípcio metido a espanhol). Os imortais são uma raça antiga, só morrem se perderem a cabeça – literal e metaforicamente –, e brigam num jogo eterno até sobrar um só, que ganha o "Prêmio": todo o poder acumulado, incluindo ler mentes e influenciar o mundo.

Pula pra 1985, Nova York. Connor agora é Russell Nash, um colecionador de antiguidades que esconde sua katana japonesa e sua dor infinita. Ele cruza com Brenda Wyatt (Roxanne Hart), uma perita forense esperta que investiga decapitações misteriosas. E aí entra o vilão dos vilões: o Kurgan (Clancy Brown), um bárbaro sádico que estuprou a esposa de Connor séculos antes e agora quer o Prêmio pra dominar tudo. Os duelos são brutais, cheios de faíscas – baterias presas nas pernas dos atores pra simular isso, acredite! – e culminam num confronto épico no topo do Silvercup Studios, com Connor absorvendo a energia final e virando mortal. Mas o twist? Ele percebe que a imortalidade é uma maldição solitária, uma prisão onde amores morrem e você fica pra trás. É poético, né? Como se o filme dissesse: "Ei, viver pra sempre? Nem sempre é o que parece."

O enredo salta no tempo como um coelho hiperativo, misturando flashbacks com o presente, e isso dá um ritmo que te prende. Não é perfeito – tem furos, como imortais se achando em lugares sagrados sem poder lutar –, mas explora ângulos profundos: o custo emocional da eternidade, o ciclo de violência, e até um toque de romance que não cai no meloso. Ah, e tem uma cena de flashback na Segunda Guerra que só aparece em algumas versões internacionais, mostrando Connor salvando uma criança. Detalhes assim enriquecem a lenda.

Bastidores: Um Caos Orçado em Milhões que Virou Ouro Cult

Produzir Highlander foi uma aventura tão épica quanto o filme. Com um orçamento de US$ 19 milhões – que hoje parece troco de pinga –, as filmagens rolaram na Escócia gelada, em Londres chuvosa e em Nova York caótica. Russell Mulcahy, vindo do mundo dos clipes musicais (ele dirigiu o primeiro da MTV, "Video Killed the Radio Star"), trouxe um estilo visual frenético, com cortes rápidos e ângulos malucos que fazem o filme parecer um videoclipe gigante. Mas não foi fácil: chovia tanto na Escócia que a equipe usava secadores de cabelo pra manter o elenco seco entre takes. E aquela cena subaquática no lago? Congelante, com atores mergulhando em águas frias pra simular duelos antigos.

O roteiro veio de uma tese de faculdade de Gregory Widen, que imaginou imortais depois de ver uma armadura medieval e pensar: "E se o dono ainda estivesse vivo?" Peter Bellwood e Larry Ferguson poliram, adicionando camadas. Inicialmente chamado "The Dark Knight" – ironia, Batman veio depois –, o filme quase teve Kurt Russell como Connor, mas Goldie Hawn, sua esposa, vetou porque ele tava exausto. Arnold Schwarzenegger foi cotado pro Kurgan, mas Clancy Brown levou – e que escolha acertada. Sean Connery gravou a narração inicial no banheiro dele, pra dar um eco natural. E Christopher Lambert? Mal falava inglês na época, aprendeu o roteiro foneticamente, o que explica aquele sotaque esquisito que vira charme. Ah, e Clancy Brown assustava a equipe com sua maquiagem de Kurgan, chegando a fazer figurantes chorarem. Guerrilha total: filmaram a luta inicial no estacionamento do Madison Square Garden, mas a cena de luta livre foi no Meadowlands Arena, em Nova Jersey, com wrestlers reais como Greg Gagne.

Problemas? Muitos. Efeitos especiais datados, como o quickening com raios falsos, e um tom que mistura drama com camp – tipo Connery explicando haggis pra um francês de kilt. Mas isso tudo contribuiu pro cult: um filme imperfeito que se assume.

Elenco: Heróis, Vilões e Acentos que Viram Meme

Christopher Lambert como Connor é o coração: olhos expressivos, presença quieta, mesmo com o inglês quebrado. Ele insistiu pra Connery voltar na sequência, e os dois viraram brothers, se chamando pelos nomes dos personagens off-set. Sean Connery, como Ramírez, é puro carisma – um egípcio com sotaque escocês vestindo traje espanhol? Absurdo delicioso. Ele filmou em uma semana só, mas rouba o show com lições de espada e filosofia.

Clancy Brown como Kurgan é o terror: alto, rosnando, com cicatrizes falsas que ele ajudou a criar. Ele improvisou muito, tornando o vilão um psicopata icônico – lembra quando ele lambe o pescoço de uma freira? Roxanne Hart como Brenda traz o romance real: inteligente, durona, não só uma donzela. E tem Hugh Quarshie como Kastagir, o imortal amigo, adicionando humor leve. Curioso: Peter Diamond, o coordenador de dublês, também fez Fasil, o primeiro decapitado.

A Trilha Sonora do Queen: Quem Quer Viver Pra Sempre?

Ah, a música! Queen viu cenas do filme e, em vez de uma faixa só, compôs várias pro álbum A Kind of Magic. "Princes of the Universe" abre com guitarras rasgando, perfeita pros créditos. "Who Wants to Live Forever" toca na morte de Heather – lágrima garantida. "Gimme the Prize" é o tema do Kurgan, com Brian May gritando como um louco. Michael Kamen compôs a orquestra, misturando rock com épico. Sem essa trilha, Highlander seria metade do que é. Curiosidade: Marillion recusou o convite antes do Queen.

Recepção Inicial: Flop que Virou Fenômeno

Lançado em 1986, Highlander arrecadou só US$ 12,8 milhões mundialmente – fracasso. Críticas mistas: Variety chamou de "bagunça", mas elogiou as lutas; Rotten Tomatoes dá 69% hoje, com nota média 6,2/10, destacando o apelo cheesy. Metacritic: 24/100, unfavorável. Público deu C+ no CinemaScore. Mas no home video, explodiu, especialmente na Europa. Virou cult por temas profundos e ação estilosa. Defeitos? Atuações ham, tom irregular, mas isso vira charme. Sem maquiagem: é bobo em partes, como imortais se achando em igrejas sem lutar.

Legado: Sequências Ruins, Séries Boas e um Remake no Horizonte

O legado? Enorme. Gerou sequências horríveis: Highlander II: The Quickening (1991) transforma imortais em aliens – desastre total, com Connery voltando de forma forçada. Highlander III (1994) ignora o II, mas é fraco. Endgame (2000) une Connor e Duncan da série de TV. The Source (2007) é direto pra DVD, uma bagunça. A série Highlander: The Series (1992-1998), com Adrian Paul como Duncan MacLeod, é o ponto alto: 119 episódios explorando mitologia, com Lambert cameo. Tem animação (1994-1996) e spin-offs como The Raven.

Atualizado pra 2026: o remake com Henry Cavill como Connor, dirigido por Chad Stahelski (John Wick), tá atrasado. Filmagens deviam começar em 2025, mas lesão de Cavill empurrou pra 2026. Pode virar trilogia, com Russell Crowe como Ramírez, Dave Bautista como Kurgan. Queen confirmada na trilha. Lionsgate quer franquia grande, incluindo games e séries. Mas cuidado: o original é único, sequências passadas provam que "só pode haver um" nem sempre funciona.

Curiosidades que Te Fazem Dizer "Uau, Sério?"

Lambert quase cegou num duelo – sua visão ruim limitou cenas de luta.
Baterias nas pernas pros faíscas nas espadas: perigoso, mas deu certo.
Connery gravou vozover no banheiro pra eco.
Brown inventou personalidade do Kurgan, odiando o roteiro inicial.
Cena de Kirk Matunas sobrevivendo facada: furo, ele devia morrer.
Igreja com cruz em chamas no fundo? Erro de produção.
Queen inspirado por Heather morrendo: "Who Wants to Live Forever" veio daí.
Wrestlers reais na abertura: Greg Gagne e cia.
Brenda acha espada em concreto com detector – impossível, ferro da estrutura atrapalha.
Connery e Lambert: amizade eterna, chamando-se Ramírez e MacLeod off-set.

E aí, terminou de ler sem piscar? Highlander é assim: começa como fantasia louca, vira reflexão sobre vida. Assista – ou reassista – e sinta o quickening. There can be only one... mas o legado? Eterno.

 

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