Dica de Cinema

Expresso do Horror: o terror alienígena que paralisa em 1972

Expresso do Horror: o terror alienígena que paralisa em 1972

Expresso do Horror: o filme de 1972 que transforma o Transiberiano num pesadelo alienígena que você não consegue largar. Imagina só: você tá em 1906, dentro de um trem lotado cruzando a Sibéria gelada, nevando pra caralho lá fora, e de repente os olhos do cara na sua frente ficam completamente brancos, tipo leite derramado. Ele cai duro e você descobre que alguma coisa acabou de roubar o cérebro dele.

Literalmente. Bem-vindo ao Expresso do Horror, ou Horror Express, o filme espanhol-britânico de 1972 que ninguém esperava que fosse tão bom assim – e que até hoje deixa gente de boca aberta.

A criatura que veio do frio (muito frio)

Tudo começa com o professor Saxton, vivido pelo lendário Christopher Lee, aquele cara que parece que nasceu já usando capa. Ele tá voltando da China com uma caixa misteriosa: um hominídeo congelado há dois milhões de anos encontrado numa caverna. Segundo os exames iniciais, o bicho tá morto. Mortíssimo. Só que, né… quem acredita em paleontólogo britânico dizendo que “está tudo sob controle”?
Claro que a criatura descongela. Claro que ela acorda. E o detalhe mais sinistro: ela não precisa morder, arranhar ou babar. Basta OLHAR pra você. O olho vermelho brilha, você sente uma dor lancinante no cérebro, seus olhos ficam brancos e… tchau. Sua memória, seu conhecimento, sua personalidade – tudo vai pro HD mental do alienígena. É tipo um pen drive extraterrestre com fome de gigabytes.

Christopher Lee + Peter Cushing dentro de um trem = ouro puro

Se tem uma coisa que eleva o filme pra outro patamar é o reencontro da dupla dinâmica do terror: Lee e Peter Cushing. Os dois já tinham feito juntos mais de vinte filmes na Hammer, eram amigos na vida real e aqui estão de volta, agora sem capa de Drácula ou Frankenstein – só terno caro e cara de “eu já vi coisa pior”.

Cushing faz o Dr. Wells, um médico curioso pra caramba que quer disseccionar tudo. Lee é o antropólogo metido a detetive. Os dois começam brigando (“Isso é propriedade britânica!”) e terminam tendo que se abraçar pra tentar salvar o planeta. A química entre eles é tão boa que você esquece que o filme foi feito com orçamento de pão com mortadela.

Telly Savalas entrando pra roubar a cena (e o filme inteiro)

Aí, quando você acha que já tá bom, no terceiro ato aparece o Capitão Kazan, interpretado por Telly Savalas – o Kojak careca dos anos 70. O cara entra no trem como um cossaco maluco, chicote na mão, barba gigante, gritando em russo e falando que vai resolver tudo na base do tiro e do grito.

É tipo colocar um tanque de guerra dentro de uma partida de xadrez. Em dez minutos de tela ele cospe, ameaça monges, dá tiro pra cima e fala a frase imortal: “Um brinde… ao inferno!”. O filme inteiro é bom, mas quando o Kazan chega vira LENDÁRIO.

Mas espera aí… é um filme B ou obra-prima disfarçada?

Produzido na Espanha por uma equipe que misturava ingleses, espanhóis e um orçamento apertado pra cacete, Expresso do Horror usa os mesmos vagões de trem que apareceram em Doutor Jivago e em Pânico no Transiberiano (outro clássico trash). Reaproveitamento nível hard.

Mesmo assim, a direção do Eugenio Martín segura firme: a claustrofobia do trem é palpável, a maquiagem dos olhos brancos é simples e assustadora até hoje, e o roteiro (escrito por Arnaud d’Usseau e Julian Zimet) joga referências de Agatha Christie, coisa de H.G. Wells e até possessão demoníaca – só que o demônio é um alienígena que viajou de carona num meteoro há milhões de anos.

Curiosidades que vão fazer você reassitir amanhã mesmo

Christopher Lee disse que esse foi um dos poucos filmes de terror que ele realmente curtiu fazer, porque o roteiro era “inteligente pra caramba”.
O filme foi lançado nos EUA como pânico total: título virou “Panic on the Trans-Siberian Express” em alguns lugares.
A criatura é interpretada pelo espanhol Juan Olaguivel dentro de um macacão peludo que parece emprestado do Planeta dos Macacos.
Tem uma cena em que o alienígena transfere sua consciência pro corpo do Capitão Kazan e Telly Savalas faz uma atuação tão louca que você não sabe se tá com medo ou morrendo de rir.
O final… bom, sem spoiler, mas envolve luz, escuridão e uma pergunta que fica martelando: e se ainda tiver mais deles congelados por aí?

Por que, 52 anos depois, a gente ainda fala desse filme?

Porque Expresso do Horror é aquele tipo de obra que não tenta ser mais do que é, mas acaba sendo muito mais. É terror trash com cérebro, ficção científica com alma, suspense de trem com atores que poderiam estar fazendo Matar ou Morrer e escolheram fazer um filme B espanhol só pela zoeira – e entregaram uma pérola. Se você nunca viu, para tudo agora, coloca no YouTube (tá dublado, legendado, em 4K restaurado, tem de tudo) e embarca. Só não reclama se, lá pela metade, você olhar pro seu gato e pensar: “esses olhos vermelhos são normais mesmo?”. O trem já tá apitando. Última chamada. Entra logo antes que a criatura olhe pra você também.

 

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