Dica de Cinema

A cena de Jerusalém que fez o planeta inteiro gritar

A cena de Jerusalém que fez o planeta inteiro gritar

Guerra Mundial Z: O Filme de Zumbi que Quase Virou um Zumbi Ele Mesmo. Imagina o seguinte: você tá de boa no sofá, rolando o streaming, e de repente aparece um mar de zumbis correndo mais rápido que boleto vencido. Não é aquele zumbi lerdo de George Romero que dá tempo de tomar café. Não. Esses filhos da puta voam. Em segundos, Jerusalém vira um rodízio de mordidas e a Coreia do Sul parece o carnaval de Salvador misturado com o apocalipse. Você já grudou na tela.

Eu também. Esse é o poder de Guerra Mundial Z, o filme de 2013 que pegou todo mundo de surpresa — inclusive quem fez ele.

O dia que Hollywood cagou dinheiro… e quase cagou o filme inteiro

Vamos ser sinceros logo de cara: a produção de Guerra Mundial Z foi um caos que daria um filme à parte. Orçamento inicial? 125 milhões de dólares. Orçamento final? Quase 200 milhões. O terceiro ato original era tão ruim que jogaram fora e reescreveram tudo. Brad Pitt e o diretor Marc Forster brigaram tanto que pararam de se falar. Teve até vazamento de armas ilegais na Hungria (sim, armas de verdade pra filmar zumbi de mentira). Damon Lindelof, o cara de Lost, foi chamado pra salvar o final e disse: “Não dá pra salvar, só dá pra reescrever.” Resultado? Refizeram 40 minutos inteiros do filme. Quarenta. Isso é quase um episódio duplo de série.

E sabe o que é mais doido? Deu certo pra cacete. O filme arrecadou 540 milhões no mundo inteiro. Virou o filme de zumbis de maior bilheteria da história (até hoje só Train to Busan em 2016 chegou perto em proporção de custo x retorno). Moral da história: às vezes o maior inimigo do filme não é o zumbi, é o estúdio.

O livro x o filme: quem traiu quem?

O livro do Max Brooks é uma obra-prima. É tipo uma entrevista da Segunda Guerra feita depois que ela acabou, só que com zumbis. Cada capítulo é um depoimento diferente, de soldado cubano a astronauta japonês. Zero protagonista fixo, zero romance, zero esperança hollywoodiana. É seco, político, realista pra caralho.

O filme? Tem Brad Pitt bonitão, família perfeita pra salvar, e uma solução no final que deixa qualquer fã do livro puto da vida. No livro, ninguém “resolve” o problema. A humanidade só aprende a conviver com os zumbis tipo praga mesmo, como malária. No filme, Brad Pitt vira Sherlock Holmes e descobre a camuflagem perfeita em tipo… duas semanas. Parece enredo de episódio de The Walking Dead que ninguém pediu.

Mas segura a raiva: o filme nunca quis ser adaptação fiel. Ele usou o título, o conceito de pandemia global e os zumbis rápidos. Só. É mais um “inspirado em” do que adaptação. E, cara, como entretenimento puro? Funciona que é uma beleza.

Os zumbis que mudaram tudo

Antes de 2013, zumbi rápido era exceção (28 Dias Depois, Madrugada dos Mortos remake). Depois de Guerra Mundial Z, virou regra. Aquela cena da muralha de Jerusalém caindo? É uma das sequências mais insanas já filmadas em filme de terror. Milhares de zumbis subindo uns nos outros tipo formiga em açucareiro. Você sente o desespero. E o mais foda: quase tudo é CGI, mas parece real. O som deles é assustador — aquele estalo de dente batendo que parece osso quebrando.

Curiosidade macabra: os produtores consultaram especialistas em pandemia de verdade. Tipo, gente que trabalha com ebola e SARS. Perguntaram: “Se uma doença fizesse isso, como seria?” A resposta? “Exatamente assim. Só que mais lento.” Ou seja, o filme é mais realista do que a gente gostaria de admitir.

A solução mais polêmica da história dos zumbis

Sem spoiler pesado (mas se você não viu até hoje, sinto muito): a ideia do final é genial e idiota ao mesmo tempo. Genial porque ninguém tinha pensado nisso antes. Idiota porque… bom, é conveniente pra caralho. Mas funciona dentro da lógica do filme. E o mais importante: não é vacina mágica, não é cura, é só um “jeitinho brasileiro” pra sobreviver mais um dia. Isso deixa um gosto amargo gostoso, sabe? Não é final feliz de Disney, é final “talvez a gente não morra hoje”.

2025: ainda vale assistir?

Sim. Mil vezes sim. Em pleno 2025, com pandemia real no currículo, o filme bate diferente. Você assiste e pensa: “Caralho, a gente quase chegou lá.” As cenas de supermercado vazio, quarentena, governo mentindo no jornal… é tudo dolorosamente familiar.

E tem mais: o plano da sequência ainda existe. Brad Pitt quer fazer. Tem roteiro pronto desde 2019, com David Fincher na direção (o cara de Clube da Luta e Seven). A Paramount cancelou, voltou atrás, cancelou de novo. Hoje tá naquele limbo eterno de Hollywood. Mas se um dia sair, vai ser evento.

Resumo da ópera

Guerra Mundial Z não é o melhor filme de zumbi da história (esse título ainda é de Madrugada dos Mortos ou Todo Mundo Quase Morto, dependendo do seu humor). Também não é a melhor adaptação (nem tenta ser). Mas é, sem dúvida, o mais ambicioso blockbuster de zumbi que já fizeram. É aquele filme que você coloca quando quer ver o mundo acabar de forma espetacular, com Brad Pitt correndo de helicóptero em helicóptero enquanto o planeta vai pro saco.

E no final, quando rola o texto na tela dizendo que “a guerra só começou”, você acredita. Porque, cara, com ou sem zumbis, a gente tá sempre a um surto de distância do caos total.
Agora vai lá, coloca no streaming e me conta: na cena de Israel, você também gritou “PELA PORTAAA” junto com o soldado? Eu gritei. Todo mundo gritou. Esse filme é isso: um grito coletivo de “que porra é essa” que a gente ama repetir.

 

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