Dica de Cinema

O Beijo do Dragão: O Filme Proibido na China que Você Precisa Ver

O Beijo do Dragão: O Filme Proibido na China que Você Precisa Ver

Jet Li em Paris: Por Que “O Beijo do Dragão” (2001) Ainda Dá Um Soco no Estômago 24 Anos Depois. Imagina só: você é um cara que foi treinado desde criança pra ser uma máquina de matar, chega em Paris.

Ele chega a cidade do amor, das baguettes e dos turistas tirando selfie na Torre Eiffel — e, em menos de 48 horas, todo mundo quer te ver morto. Polícia corrupta, mafiosos franceses metidos a besta, gêmeos albinos assassinos e até uma prostituta loira que não fala quase nada, mas muda tudo. Essa é a vida do Liu Jian em “O Beijo do Dragão”.

E, cara… que filme do caralho. Lançado em 2001, produzido pelo próprio Luc Besson (o mesmo maluco de Léon e O Quinto Elemento) e com roteiro escrito por Jet Li em pessoa, o filme é basicamente Jet dizendo: “Quero fazer um filme de ação puro, sem firula, sem romance meloso, sem piadinha. Só porrada bem feita”. E deu certo. Deu muito certo.

A trama que ninguém esperava (nem o próprio Jet Li)

Liu Jian é um agente secreto chinês mandado pra Paris pra entregar uma gravação que incrimina Richard (um francês rico, branco, poderoso e podre de mau caráter interpretado por Tchéky Karyo). Missão simples: entrega o negócio e volta pra casa. Só que, óbvio, nada é simples. O contato dele é assassinado na frente dele, a polícia francesa (liderada pelo inspetor Richard em pessoa) arma pra ele, e de repente o cara vira o suspeito número 1 de dois assassinatos.

Aí entra Jessica (Bridget Fonda, linda e totalmente fora da curva). Ela é prostituta, viciada em heroína, mantida praticamente como escrava pelo Richard. Liu a encontra por acaso, descobre que ela tem a única cópia da fita que pode provar a inocência dele e… pronto. Viram parceiros de fuga. Sem beijinho, sem “eu te amo”. Só dois desesperados tentando sobreviver.
E aí o filme vira um videogame dos bons: fase atrás de fase, capanga atrás de capanga, até o chefão final no comissariado de polícia (!). Sim, a cena final acontece dentro de uma delegacia lotada de policiais corruptos. Absurdo? Total. Genial? Também.

As lutas que fizeram todo mundo perder o queixo

Todo mundo fala da cena do dojo com os gêmeos albinos (aqueles dois loiros idênticos que parecem terem saído de Matrix), mas pra mim o verdadeiro orgasmo cinematográfico é a luta na cozinha do hotel. Jet Li enfrentando dois capangas usando só… duas frigideiras? Não tem CGI, não tem cabo de aço, não tem corte a cada 0,2 segundo. É só o cara sendo o maior artista marcial vivo da época.
E tem a cena da mesa de passar roupa. Sim, você leu direito. Jet Li usa uma mesa de passar roupa como arma. E ainda tem a sequência do cinto. E a do varal. E a da lavanderia inteira virando ringue. O coreógrafo Yuen Woo-ping (o mesmo de Matrix e Kill Bill) disse que foi o filme mais difícil que já fez porque Jet Li queria tudo real. Resultado? Cada soco dói na gente assistindo.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

Jet Li escreveu o roteiro original com o título “Kiss of the Dragon” porque queria um filme onde o herói não beijasse ninguém. Luc Besson achou graça e manteve o título, mesmo sem beijo.
Bridget Fonda aprendeu francês só pra cena do telefone. E fala com sotaque perfeito.

Os gêmeos albino são interpretados por Cyril Raffaelli e Didier Azoulay, dois dos maiores parkour guys da França na época. O Raffaelli depois virou dublê do Distrito 13.

A famosa técnica da agulha no pescoço (o “beijo do dragão” do título) realmente existe nas artes marciais chinesas. Colocada no ponto certo, provoca aneurisma instantâneo. Jet Li disse que nunca usaria na vida real, óbvio.

O filme foi proibido na China. Motivo? Mostra a polícia francesa como corrupta, mas a chinesa como honesta. O governo chinês achou “propaganda demais”.

Jet Li recusou Matrix 2 e 3 pra fazer esse filme. Ele queria um protagonista que fosse 100% dele, sem dividir espaço.

Por que ainda bate forte em 2025?

Porque é cru. Não tem discurso woke, não tem vilão que quer dominar o mundo, não tem piada forçada a cada 5 minutos. É só um cara tentando fazer a coisa certa num mundo que não dá a mínima. E, principalmente, é um filme de ação que respeita a inteligência do público: não explica demais, não subestima, não enrola. E tem aquela cena final… aquela lista com 400 nomes de meninas traficadas que a Jessica entrega pro Liu. Ele olha, guarda no bolso e vai embora. Sem discurso, sem lágrima, sem câmera lenta. Só o peso da realidade batendo na cara.

Vale reassistir hoje?

Cara, coloca na tela agora. Em 4K então, nem se fala. Você vai perceber que 90% dos filmes de ação atuais parecem brincadeira de criança do lado desse aqui. É rápido (1h38min), é violento na medida certa, é estiloso pra caramba e ainda tem Paris inteira como cenário. “O Beijo do Dragão” não é só um filme do Jet Li. É o filme que ele sempre quis fazer. E, olha… ele conseguiu. Conseguiu pra caralho. E aí, já tá procurando no streaming? Faz o seguinte: coloca pra rodar, aumenta o volume na trilha do Massive Attack e se prepara. Porque quando acabar, você vai fazer igual eu fiz em 2001: assistir de novo. Imediatamente.

 

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