Dica de Cinema

Quando cientistas criaram a mulher dos sonhos (e o pesadelo)

Quando cientistas criaram a mulher dos sonhos (e o pesadelo)

A Experiência (1995): a loira gostosa que queria acabar com a humanidade… e quase conseguiu.Imagina só:

você tá num laboratório ultra-secreto, cria uma mulher perfeita misturando DNA humano com o de um ET qualquer que encontraram no espaço, e acha que vai conseguir controlar.  Aí ela acorda, olha pro espelho, vê que tá um avião e pensa: “Obrigada, mas eu vou dar um rolê”.

Em 48 horas a gata já virou a maior ameaça que a Terra já viu desde o asteroide dos dinossauros. Essa é a premissa insana de “A Experiência” (Species no original), filme de 1995 que mistura ficção científica, terror, suspense e uma dose cavalar de tesão que pegou todo mundo de surpresa.

Paul Verhoeven, o mesmo cara doente que fez Robocop e Instinto Selvagem, sentou a bunda na cadeira de diretor e falou: “Vamos fazer um filme sobre uma alienígena que só quer transar e matar todo mundo”. E fez. E ficou bom pra caralho.

Sil: a personagem mais perigosa (e mais gostosa) dos anos 90

Natasha Henstridge tinha 21 aninhos quando estreou no cinema… pelada, saindo de um casulo e já matando guarda na sequência de abertura. A garota nasceu pra isso. Sil é uma híbrida: metade humana, metade alienígena (o ET veio das mensagens do SETI mesmo, aquela parada real de 1974). Os cientistas injetaram o DNA extraterrestre num óvulo humano e aceleraram o crescimento. Resultado? Em 4 meses ela saiu de bebê pra mulherona de 1,80m, loira, peitões, pernas intermináveis e um instinto reprodutivo que faria coelho corar.

Mas não é só beleza não. A mina regenera mais rápido que Wolverine, quebra pescoço com um movimento de ombro, pula de trem em movimento como se fosse descer do ônibus e, quando quer seduzir, vira literalmente outra pessoa (cabelo, olho, tudo muda). É o pacote completo do pesadelo: bonita demais pra você ignorar, forte demais pra você correr.

O time dos coitados que tentaram parar ela

Do outro lado temos um esquadrão que parece montado no aleatório:

Ben Kingsley fazendo um cientista arrogante que criou a bomba e agora tá correndo atrás dela (clássico);
Michael Madsen como Press Lennox, um “empata” que sente emoções alheias e é contratado porque, sei lá, talvez sinta quando a Sil tá com tesão;
Alfred Molina como biólogo que só quer estudar a criatura (e acaba virando churrasco);
Forest Whitaker como vidente (sim, vidente mesmo, o cara tem premonições);
Marg Helgenberger como a única mulher da equipe que parece ter dois neurônios funcionando.

Eles correm atrás da Sil por Los Angeles inteira enquanto ela vai deixando um rastro de macho morto: pega carona com cara casado (mata), vai pra boate (mata o segurança ciumento), tenta engravidar de um ator famoso (quase consegue, mas ele tinha diabetes – sério, isso salva o mundo).

Por que o filme envelheceu tão bem (e tão mal ao mesmo tempo)

Vamos ser honestos: os efeitos especiais de 1995 hoje dão risada. Quando a Sil vira alienígena full modo (aquela coisa com tentáculos saindo das costas e língua bifurcada), parece boneco de borracha. Mas o design do H.R. H.R. Giger (o mesmo de Alien) ainda assusta pra caralho, especialmente na cena do trem em que ela mata o revisora dentro do banheiro. Aquilo ali é tensão pura.
E tem o fator “tesão + medo” que ninguém fazia na época. Verhoeven não teve medo de mostrar peito, bunda, sexo explícito e violência gráfica tudo no mesmo filme. Nos EUA cortaram 6 minutos pra não tomar NC-17. No Brasil? Passou do jeito que Deus (ou o diabo) quis.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

Michelle Pfeiffer, Pamela Anderson e até Kim Basinger foram cotadas pro papel da Sil. Imagina?
Natasha Henstridge ficou realmente pelada em TODAS as cenas que precisava. Sem dublê de corpo. Respeito.
A cena do beijo na boate? A língua de mentira da Sil era feita de preservativo cheio de gel. Ela engasgou de verdade.
O filme arrecadou 113 milhões de dólares no mundo com orçamento de 35. Perdeu só pro Batman Forever naquele ano.
Tem três continuações diretas pra vídeo que são… bem… melhor fingir que não existem.

No fim das contas, qual a moral da história?

Não tem moral bonitinha. O filme é cínico pra cacete. A humanidade quase acaba porque um monte de cientista homem ficou com tesão de criar a mulher perfeita. Quando ela sai do controle, contratam outros homens pra caçar ela – e quase todos morrem babando. Só sobrevive quem não tentou comer a alienígena (lição aí, brothers).

“A Experiência” é aquele tipo de filme que você começa assistindo ironizando e termina tenso pra porra, torcendo pro time improvável conseguir explodir a mina antes que ela dê à luz um exército de mini-Sils.

Se você nunca viu, para tudo e vai assistir agora. Se já viu, assiste de novo. Porque, vamos combinar: uma loira gostosa alienígena querendo acabar com o mundo só porque quer dar uns pegas é o tipo de premissa que só os anos 90 tinham coragem de levar a sério.

E o mais assustador? Vinte e nove anos depois, com toda essa loucura de CRISPR e edição genética, a gente tá mais perto do que nunca de criar a nossa própria Sil.
Boa sorte, humanidade. Vamos precisar.

 

a expericencia elenco

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