Dica de Cinema

squece a Liga normal: Liga da Justiça Sombria é terror de verdade

Esquece a Liga normal: Liga da Justiça Sombria é terror de verdade

Liga da Justiça Sombria (2017): O Filme que Prova que Nem Todo Herói Precisa de Capa – Alguns Precisam de um Sobretudo Sujo e um Cigarro Eterno. Você tá de boa em casa, rolando o streaming, e de repente vê um cara de terno amassado, com cara de quem não dorme há três dias, enfrentando demônios que fariam o Superman mijar nas calças. Não é piada. Em 2017, a DC lançou Liga da Justiça Sombria, uma animação que pega o universo dos heróis e joga no esgoto mais escuro possível.

Esquece os salvadores perfeitinhos de Metropolis. Aqui o negócio é magia negra, possessões demoníacas e um time de desajustados que mal se aguentam entre si. E o melhor? É o Batman – sim, o cara sem poderes – que percebe que a Liga normal não dá conta e vai atrás de ajuda no submundo oculto. Eu assisti isso numa noite qualquer, achando que ia ser mais um filminho de super-herói pra passar o tempo. Dois dias depois, tava caçando quadrinhos do John Constantine pra entender melhor o passado daquele filho da mãe. Acontece isso com você também? Vem comigo que eu te conto tudo, sem enrolação, sem filtro – porque essa animação merece ser falada na real, com os altos, os baixos e aquelas curiosidades que ninguém conta.

Quando o Mundo Enlouquece e a Liga Normal Toma Chapéu

O filme abre direto no caos: gente comum, do nada, virando assassinos violentos. Um cara vê fantasmas e mete bala na família. Uma mulher acha que tá num apocalipse zumbi e explode tudo. A Liga da Justiça chega achando que é vilão de sempre – tipo Lex Luthor ou Darkseid – mas não. Os heróis tentam resolver na porrada e... levam um coro. Superman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, todos ficam parecendo amadores vendo alucinações e surtando.

Aí entra o Batman. Ele é o único que saca: isso não é tecnologia, não é alienígena. É magia. Coisa sobrenatural. E pra combater isso, precisa de gente que vive nesse lamaçal. Ele vai atrás do John Constantine, o maior filho da puta charmoso do universo DC. O cara é um ocultista britânico, mestre em enganar demônios, falar sacanagem e fumar como se o câncer fosse lenda urbana.

Constantine tá de boa na Casa dos Mistérios (uma casa que anda sozinha, sim, é foda), se recuperando de um trauma antigo em Newcastle – uma criança que ele não conseguiu salvar e que custou a vida de amigos. Zatanna, a feiticeira que fala de trás pra frente (tipo "otnaT" pra dizer "tanto"), aparece porque os dois têm um passado... quente. Aí juntam o Deadman (um fantasma que possui corpos, dublado com sotaque nova-iorquino que é hilário), Jason Blood/Etrigan (o cara amaldiçoado com um demônio rimador dentro dele), o Monstro do Pântano (que aparece pouco, mas rouba a cena) e a Orquídea Negra.

O vilão? Felix Faust e Destiny, dois feiticeiros clássicos que querem dominar o mundo com o Dreamstone. Mas o filme não perde tempo explicando tudo mastigadinho – ele joga você no meio da merda e você nada junto.

Por Que Esse Filme É Tão Foda (e Às Vezes Frustra)?

Primeiro: o tom. É R-rated pra caralho. Tem sangue, tem merda voando (literalmente, numa cena nojenta que envolve cocô demoníaco – sim, você leu certo), tem mortes brutas e linguagem que faria sua avó tapar os ouvidos. Nada daquela censura boba das animações antigas. Aqui o Constantine xinga, fuma (mesmo que cortaram o cigarro em algumas cenas por "politicamente correto", o que é uma sacanagem), e o humor é negro pra dedéu.

Segundo: Matt Ryan como Constantine. Cara, esse homem NASCEU pra isso. Ele já tinha feito live-action na série Constantine (cancelada injustamente) e aqui reprisa o papel com perfeição. A química dele com a Zatanna (Camilla Luddington) é elétrica – dá pra sentir o tesão e o rancor antigo. Jason O'Mara como Batman funciona porque o Morcego aqui tá vulnerável: ele caga nas calças com magia, tem crises de pânico, e precisa confiar em malucos que ele normalmente prenderia.

Curiosidade rápida: o filme foi dirigido por Jay Oliva, o mesmo cara de várias animações DC top. Ele queria fazer algo que o Guillermo del Toro sonhou em live-action (Justice League Dark com del Toro quase aconteceu, mas morreu na praia). Graças a Deus virou animação, porque live-action ia custar uma fortuna em efeitos.

As Partes Que Pegam (e as Que Podiam Ser Melhores)

O que pega mesmo: as lutas mágicas. Não é porrada genérica. É feitiço explodindo realidade, demônios rasgando gente ao meio, Etrigan rimando enquanto come inimigo vivo. Tem uma sequência na Casa dos Mistérios que é puro terror psicológico – melhor que muito filme de horror por aí.

O que frustra um pouco: 75 minutos só. Parece corrido. O vilão Destiny é meio fraquinho, genérico. Swamp Thing aparece e some. Black Orchid é jogada no meio sem explicação (nos quadrinhos ela é mais complexa). E o Batman... bom, ele é coadjuvante, mas ainda rouba um pouco o holofote dos outros.

Nota no IMDb: 7.0/10. Rotten Tomatoes: uns 78% dos críticos. Vendagem de home video passou dos 3 milhões de dólares só nos EUA. Pra uma animação direta pro vídeo, é sucesso pra caramba.

Curiosidades Que Vão Te Fazer Assistir de Novo

Matt Ryan improvisou várias falas. Tipo quando Constantine fala "bollocks!" – puro sotaque britânico autêntico.

O filme é parte do DC Animated Movie Universe (DCAMU), que começou com Flashpoint Paradox e terminou (com chave de ouro sangrenta) em Justice League Dark: Apokolips War, de 2020 – lá o Constantine vira protagonista absoluto e o bagulho fica INSANO.

Originalmente ia ter mais Swamp Thing, mas cortaram pra caber no tempo.

A cena do cocô demoníaco? Inspirada em quadrinhos antigos do Constantine onde o humor é bem escatológico.

Zatanna fala de trás pra frente de verdade – se você inverter o áudio, faz sentido. Detalhe nerd foda.

E Depois Disso? O Legado Continua Sangrando

Liga da Justiça Sombria abriu a porta pro lado mais sombrio da DC nas animações. Veio Constantine: City of Demons (série animada ótima), e o gran finale Apokolips War, que mata metade dos heróis de forma brutal e reseta o universo com o Flash correndo de novo (clássico). Se você curte Hellblazer, Sandman ou qualquer coisa que misture super-herói com horror, corre pra ver. Não é perfeito, mas é honesto: mostra heróis quebrados, magia que dói pra caralho e que o bem nem sempre vence limpinho. É sujo, é real, é Constantine cuspindo na cara do inferno. Terminou de ler e já tá procurando onde assistir? Missão cumprida. Agora vai lá, acende um cigarro (ou não, né, saúde em primeiro lugar) e mergulha nesse universo sombrio. Você vai sair pensando: "Puta merda, a DC sabe fazer animação adulta quando quer." E sabe mesmo.

 

liga da justica sombria cena 1

liga da justica sombria cena 2

liga da justica sombria cena 3