Castelinho da rua Apa

    castel1Castelinho da Rua Apa é um imóvel localizado na confluência da Rua Apa com a Avenida General Olímpio da Silveira, ao lado do Elevado Presidente João Goulart, popularmente conhecido como Minhocão, no município de São Paulo, Brasil. Trata-se de uma construção residencial de 1912. Até 1937, foi propriedade da família Dos Reis, composta por Virgilio Guimarães dos Reis, o pai, Maria Cândida Guimarães dos Reis, a mãe, Armando César dos Reis e Álvaro dos Reis, os filhos. Após uma tragédia familiar, o imóvel ficou sem herdeiros e passou para o patrimônio do Governo Federal. A partir dos anos 1950, o castelinho passou a ser ocupado pela família de Otávio Manzaro, funcionário da Receita Federal, ...

    onde ficou até 1982. De 1982 em diante, a residência foi abandonada e serviu como depósito para catadores de papel. Em 1991, foi aberto processo de tombamento, o qual se concretizou em 2004. No ano de 2015 iniciou-se o processo de restauro, que quando finalizado tornará o bem utilizável para fins sociais e culturais. Desde 1996, a ONG Clube das Mães do Brasil tem a concessão para utilização do local. Além de seu valor histórico e cultural, o Castelinho é conhecido por ter abrigado uma tragédia familiar na década de 1930, na qual os remanescentes da família de proprietários foram encontrados mortos a tiros. Até hoje não se sabe quem foi o responsável, o que dá ao Castelinho um clima de mistério e fama de mal assombrado, tendo sido manchetes de jornais, revistas e televisão.

    Residência da Família "Dos Reis"

    O Castelinho foi construído pela família Dos Reis em 1912, tendo como molde os castelos franceses. O pai da família faleceu dois meses antes da noite de 12 de maio de 1937, quando uma tragédia ocorreu no imóvel. Maria Cândida Guimarães, de 73 anos, e seus dois filhos, Álvaro Guimarães Reis, de 45, e Armando Guimarães Reis, de 43, foram encontrados mortos ao lado de uma pistola automática Parabellum calibre 9. O crime até hoje não foi esclarecido e diferentes reportagens apontam uma solução, todas díspares. A falta de resposta definitiva ocorre por versões diferentes dadas por policiais e médicos-legistas. A versão divulgada pela polícia dois dias após o ocorrido é de que Álvaro teria atirado na mãe e no irmão e, depois, se suicidado.

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    A razão seria a discordância entre eles quanto o destino do dinheiro da família, pois ele gostaria de construir um ringue de patinação no gelo, enquanto mãe e irmão desejavam manter o cinema que tinham no centro de São Paulo. Já os médicos-legistas afirmaram que o autor dos disparos teria sido Armando, o irmão mais novo, pois havia pólvora nas mãos dele. E foi incluído ao mistério o fato dos corpos terem sido encontrados lado a lado, uma posição que não é típica de quem dispara contra o alvo e depois se suicida. Além disso, as balas encontradas na mãe são de outro calibre, ou seja, ela teria sido morta com outro revólver, que nunca foi encontrado. O mistério, além de estampar jornais e revistas, virou livro em 2015, e este traz uma nova versão de que o assassinato teria sido cometido por uma quarta pessoa. Depois da morte de todos os membros da família, o castelinho foi objeto de disputa judicial entre parentes, mas acabou por virar patrimônio público.

    Concessão ao Clube de Mães do Brasil

    Em 1996, foi concedida à Organização não-governamental Clube de Mães do Brasil os direitos de uso do Castelinho da Rua Apa. Maria Eulina dos Reis Hilsenbeck é a fundadora e presidente do Clube e usa o espaço desde então. Agora, quando restaurado utilizarão o imóvel como espaço de inclusão de pessoas em vulnerabilidade social - crianças, pessoas em situação de rua, dependentes químicos, catadores(as) de papel, entre outros. A ONG fica em um prédio anexo ao Castelinho - que não está no plano de restauro - e se utilizará do bem tombado para venda de produtos manufaturados pelas pessoas atendidas pelo Clube das Mães.

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    Tombamento

    No caso deste bem, consta no Processo de Tombamento dois pedidos protocolados. O primeiro foi em 14 de fevereiro de 1990, de Jucelino Silva Neto, vereador da cidade. O motivo conclamado por ele foi de que era uma construção datada do início do século, sendo este dotado de traços arquitetônicos de grande valor artístico, tendo inclusive, sido cenário de inúmeros filmes que retratam o Brail do início do século. Em dezembro do mesmo ano a oficial de justiça Susan Innace abre mais um pedido com a pretensão de transformar o local em um Museu do Crime. Por decisão da maioria dos Conselheiros presente à reunião, realizada dia 05 de abril de 1991, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo - CONPRESP - resolve abrir processo de tombamento do Castelinho da Rua Apa. O motivo presente no documento é: pelo valor arquitetônico intrínseco, somado ao fato de ser exemplar residencial da ocupação original da área, representando um marco referencial para a população local. No dia 10 de dezembro de 2004, sai uma nota no Diário Oficial do Município (DOM) informando que o Castelinho havia sido tombado, a decisão foi por unanimidade dos Conselheiros. Em 2007 e 2011 os artigos 2 e 3 sobre o tombamento que tratam da área externa ao imóvel sofrem nova redação.

    Vistorias

    Foram realizadas três vistorias no local desde 1991, quando o processo de tombamento foi aberto, até 2004 quando o CONPRESP declarou o bem como Patrimônio Histórico e Cultural. Segundo o relato da primeira vistoria, o fato do bem estar abandonado desde 1982 e servir de depósito para catadores de papel ajudou no acúmulo de lixo, papéis e madeira na área externa da casa. Isto fez com que houvesse vários princípios de incêndio. Afirmaram também que o imóvel não se relacionava paisagisticamente com o entorno, que é constituído por edificações de maior gabarito e mais novas. No entanto, ainda se destaca por suas características arquitetônicas diferenciadas. Após longa descrição - encontrada na seção "arquitetura" deste verbete - concluíram solicitando que fosse aberto o processo de tombamento de modo a garantir a manutenção do bem.

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    Dia 10 de outubro de 1995, uma equipe formada por um engenheiro e uma arquiteta foi enviada ao Castelinho para verificar como se encontrava o imóvel desde a vistoria realizada para viabilizar o tombamento - a qual foi citada acima. Eles afirmaram que o imóvel encontrava-se no mesmo estado precário que na época de abertura do processo, afirmando que o térreo do bem ainda era depósito de sucata e agora abrigava nas antigas cozinha e quarto dos fundos uma família. Contaram estar o forro de madeira deteriorado; não haver vestígios do telhado original, que fora substituído por um improvisado de fibrocimento. As calhas originais estavam apodrecidas e foram substituídas por canos de PVC. O piso do pavimento superior era quase inexistente e corria alto risco de desabamento dos poucos barrotes de madeira que restavam. As janelas de tipo "veneziana" estavam deterioradas, inclusive sem vidros, tal como as esquadrias metálicas.

    A vistoria não foi feita na parte superior, pois a escada de madeira estava prestes a ruir. Os pontos positivos descritos foram quando a integridade das paredes de alvenaria, sem trincas, e da laje da fachada que suporta o terraço superior. E, apesar do estado geral de precariedade a equipe não detectou intervenções que comprometessem as características arquitetônicas originais do bem, afirmaram dessa forma que o Castelinho era passível de restauro. A última vistoria foi realizada dia 08 de outubro de 2004 por um arquiteto e um engenheiro civil. Nove anos após a vistoria anterior, o bem encontrava-se em maior degradação, mas ainda passível de restauro: "Apesar do avançado estado de deterioração física que a construção apresenta no momento todos os problemas observados são reversíveis".

    Restauro

    O restauro do Castelinho da Rua Apa foi solicitado pela Secretaria Estadual de Defesa da Justiça e da Cidadania ao Fundo de Interesses Difusos - FID. Desde sua reinauguração em abril de 2017, com a conclusão da reforma, o endereço passou a ser a sede da ONG Clube de Mães do Brasil que tem como foco a assistência social, a reintrodução social de moradores de rua, crianças carentes e dependentes químicos, comandada por uma ex-moradora de rua, Maria Eulina Reis Hilsenbeck, que enquanto moradora, procurava abrigo nesse castelo, já abandonado. Tem estimativa de 2,8 milhões de reais do órgão e uma contrapartida do Clube das Mães de 208 mil reais. O restauro teve início no final de 2015 e foi finalizado em janeiro de 2017, sendo o imóvel reaberto em abril de 2017, quase oitenta anos depois da tragédia familiar que lá aconteceu.

     

    CASTELINHO DA RUA APA: O PALCO DE UM ASSASSINATO CERCADO DE MISTÉRIO

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    30/04/2020 - Nunca esclarecido, o crime ainda intriga e assusta paulistanos; e construção continua carregando a fama de mal-assombrada. Quando se fala em castelo mal-assombrado, muita gente pensa nas construções feudais européias retratadas ou idealizadas em livros e filmes, como o castelo do Conde Drácula, na Romênia. Porém, existe um desses no Brasil. Ou quase isso. Em uma das esquinas da famosa Avenida São João, por muitos anos alguma coisa acontece no coração de quem passa pelo majestoso edifício que ali se ergue: o Castelinho da Rua Apa. Recebeu esse nome graças ao seu estilo arquitetônico, derivado do francês — apesar de não ser propriamente um castelo. E dizem ser mal-assombrado graças a um infame episódio, nunca devidamente esclarecido, onde uma mãe e seus dois filhos foram encontrados mortos a tiros em 1937.

    Os habitantes da peculiar residência eram uma família importante e influente na cidade à época. Donos do Broadway, um cinema na própria Avenida São João, a matriarca Maria Cândida Guimarães dos Reis tinha 73 anos e era uma socialite fervorosamente dedicada à religião desde que perdera o marido, o médico Virgílio César dos Reis, pouco tempo antes do ocorrido que chocou a São Paulo da década de 30. Os dois filhos da abastada família também eram conhecidos pela alta sociedade paulistana. Álvaro, com 45 anos, era advogado, exímio patinador e epicuro por natureza. Gostava de festas, mulheres e viagens, chegou a ser recordista mundial nos patins. O irmão Armando, 43, também se enveredou pelos caminhos do direito, mas, em questão de personalidade, era o contraponto estoico para o estilo mais hedonista do irmão.

    Essa divergência entre os dois, segundo consta, foi o gatilho para o famoso crime. Após a morte do pai e uma viagem à Europa, Álvaro queria fechar o cinema para instalar um ringue de patinação. Armando, responsável pelas finanças da família, negava, alegando que isso não seria uma garantia de retorno como era o Broadway. A gota d’água veio em maio de 1937. Os dois irmãos teriam discutido, os ânimos se exaltaram e eles apontaram armas um para o outro. A mãe veio apartar, e esse foi o estopim. De acordo com a versão oficial, Álvaro foi o culpado: baleou fatalmente a mãe e o irmão e, caindo em si, suicidou-se com dois tiros no peito, método pertinente a quem deixa a vida para entrar pra história. Porém, algumas provas e circunstâncias levam muitos a acreditar que não foi bem assim, inclusive Leda Kiehl, sobrinha-neta de Maria Cândida e autora do livro O Crime do Castelinho: Mitos e Verdades, de 2015.

    Leda teria escrito o livro porque houve uma contestação enorme — corroborada, inclusive, pelo laudo do IML — sobre a versão oficial da polícia. A pistola de Álvaro foi encontrada na cena e, para os policiais, foi o fator incriminante. Porém, o método de seu suicídio já era incomum o suficiente e, além disso, os legistas encontraram vestígios de pólvora na mão de Armando, e, para eles, o mais novo dos irmãos tinha sido o autor. Há, ainda, outra hipótese: segundo os médicos, a mãe teria sido assassinada com quatro tiros, e não três como constava no laudo policial. Duas das balas seriam de uma arma de calibre diferente da pistola de Álvaro, o que indicaria a presença de uma quarta pessoa e tornaria o crime uma chacina encomendada. A polícia descobriu, também, papéis assinados pelo filho mais velho que demonstravam que sua situação financeira era mais delicada do que parecia às vistas, mas seus credores nunca foram encontrados e poderiam estar por trás de tudo.

    O Castelinho da Rua Apa passou por um imbróglio judicial e, abandonado, acabou passando para as mãos do Estado. A deterioração só contribuiu para as lendas, e pessoas dizem ouvir passos, choros e lamúrias dos espíritos dos mortos no lugar. Hoje, o Castelinho é administrado pela ONG Clube das Mães do Brasil, e foi restaurado no período de 2015 a 2017. Mesmo assim, a lenda permanece. As pessoas ainda dizem ouvir sons estranhos vindos do lugar, e alguma coisa continua acontecendo no coração de quem cruza a Rua Apa com a São João.

     

    O que, afinal, aconteceu no Castelinho da Rua Apa?

     

    Por Laís Franklin, 21/07/2016 - Encravado numa esquina da Avenida São João e escondido pelo Minhocão e os prédios da vizinhança, o Castelinho da Rua Apa tornou-se uma das construções mais emblemáticas da cidade. Quando foi inaugurado, no início do século passado, era um dos imóveis mais suntuosos da região. Mas foi abandonado na década de 30 após ser palco de uma tragédia familiar e, com o passar dos anos, virou reduto de moradores de rua. Em 1996, o espaço foi cedido para a ONG Clube de Mães do Brasil, que administra o local até hoje; e, desde dezembro do ano passado, passa por obras de restauração bancadas pelo Fundo Estadual de Defesa dos Direitos Difusos (FID), da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. A reforma, estimada em 2,8 milhões de reais, foi concluída e o local foi reaberto nesta quinta (6) como um centro cultural voltado para a população carente.

    O castelinho chama a atenção não apenas pela arquitetura em estilo francês, que destoa dos edifícios da região, mas também pela história macabra que o acompanha. Na noite do dia 12 de maio de 1937, uma chacina ocorreu no local. A socialite Maria Cândida Guimarães, de 73 anos, e seus dois filhos, Alvaro Guimarães Reis, de 45, e Armando, de 43, foram encontrados mortos ao lado de uma pistola automática Parabellum calibre 9.

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    Até hoje, o crime não foi totalmente esclarecido. A versão divulgada pela polícia dois dias depois do ocorrido é de que Alvaro teria atirado na mãe e no irmão e, depois, se suicidado com dois tiros no coração. O motivo seria o impasse sobre a decisão do filho mais velho de construir um rinque de patinação no gelo com o dinheiro da família. Armando e Maria Cândida não concordavam com isso, pois tinham medo de que Alvaro acabasse com a fortuna da família.

    Tudo estaria resolvido não fossem as contradições do caso. Os médicos-legistas, por exemplo, discordam dos policiais. Segundo eles, quem teria feito os disparos é Armando, o irmão mais novo, ou seja: ele teria matado Alvaro e a mãe e, depois, tirado a própria vida. Prova disso seriam as marcas de pólvora encontradas nas mãos de Armando, o que indicaria o uso do revólver. Mas o mistério não termina aí. A posição na qual os corpos dos irmãos foram encontrados, lado a lado, não é típica de quem dispara e, depois, se suicida. E as balas encontradas na mãe não eram da pistola Parabellum. A mulher, nesse caso, teria sido morta com uma arma de calibre diferente, nunca encontrada. “O laudo da polícia foi muito mal feito”, diz Leda de Castro Kiehl, sobrinha-neta de Maria Cândida e autora do livro O Crime do Castelinho: Mitos e Verdades (Editora Equilíbrio; 200 páginas; 40 reais), lançado em novembro de 2015.

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    A obra foi escrita com base na divergência entre os laudos da perícia do IML e do laboratório da polícia técnica, e levanta a hipótese de que o massacre tenha sido cometido por uma quarta pessoa. “Minha intenção é limpar o nome da família”, afirma Leda. “Não sei dizer quem é o assassino, mas tenho certeza de que não foi nem o Alvaro, nem o Armando. Os documentos que reuni para o livro mostram isso”, desabafa.

    Depois da chacina, o castelinho virou alvo de uma longa disputa judicial entre os parentes da família, até virar patrimônio público. Nesse meio-tempo, ganhou a fama de ser mal-assombrado, com histórias de gente jurando que viu vultos ou ouviu gritos em seus aposentos. “Nunca percebi nada de anormal por aqui”, garante Claudineia Viana, uma das administradoras da ONG Clube de Mães do Brasil, que frequenta o local há 19 anos. “Acho que com a reabertura, ao usarmos esse espaço para fazer o bem, esse receio que as pessoas têm deve acabar naturalmente”, conclui.

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    Fonte: https://pt.wikipedia.org/
               https://aventurasnahistoria.uol.com.br/
              https://vejasp.abril.com.br/

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