Trigrama - Parte 1

    trig topoOs Trigramas (pinyin: guà) são desenhos que correspondem às 8 possibilidades de combinação de Yin Yang em três linhas. São elementos que estruturam o livro chinês I Ching (pinyin: yì jing). A representação dos oito trigramas desenhados em torno de um mesmo centro é chamado em chinês de Bagua. Os trigramas são sequências formadas por três linhas, compostas pela combinação de linhas contínuas ( ____ ) e linhas quebradas ( __ __ ).  As linhas contínuas representam o Yang (o convexo, a força, o movimento) enquanto as linhas quebradas representam o Yin (o concavo, a fraqueza, a quietude).

    Estas linhas agrupadas em pares originam os quatro bigramas. Através da adição de uma linha aos bigramas são constituídos os trigramas, representações básicas dos fenômenos da natureza.

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    Os Oito Trigramas


    20/12/2010 por Aoi Kuwan - “O Ilimitado gera o limitado, isto é o absoluto (Taiji). O Taiji gera as duas aparências, o yin e o yang. As duas aparências geram as quatro imagens, pequeno yin, grande yin, pequeno yang, grande yang. As quatro imagens agem sobre os oito trigramas, e oito vezes oito resulta em sessenta e quatro hexagramas”. Esta é a tradução de um pequeno poema composto por Fu Hsi, tido como o criador do I Ching, para explicar as suas relações. Os oito trigramas são refinamentos do Taiji, o yin e o yang, e por isso também se encontram em constante movimento. Combinados, eles formam os sessenta e quatro hexagramas que pautam a consulta oracular. Por isso, é importante estudar o seu significado, seu simbolismo e suas relações, pois é através da interação entre os dois trigramas e de suas linhas (que podem ser móveis ou fixas) que obtemos a interpretação do hexagrama.

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    Dos Trigramas

    Do Livro I Ching - O Livro das Mutações.

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    *As estruturas formadas por três linhas, assim como as formadas por seis linhas, são ambas denominadas em chinês “Kua”. Esse termo foi traduzido por Richard Wilhelm como “Zeichen”, “signo”. Deu-se preferência, num caso e noutro, aos termos “trigrama” (3 linhas) e “hexagrama” (6 linhas), usados por James Legge em “The Yi King”, uma vez que, assim, evita-se uma problemática ambigüidade. A tradução inglesa, a tradução chilena e a tradução francesa adotaram esse mesmo procedimento. (Nota da tradução brasileira).

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    Os Trigramas correspondem a 8 possibilidades de combinação de Yin-Yang ou as linhas. Elementos que estruturam o Livro Chinês I-Ching .Os trigramas são sequências formadas por três linhas aéreas, compostas pela combinação de Linhas contínuas (____) representando uma energia YANG e linhas quebradas (__ __) representando uma energia YIN.

    Linhas contínuas representam como o Yang (o convexo, a Força, o Movimento) enquanto como Linhas quebradas representam o Yin (o côncavo, a fraqueza, a quietude). Estas Linhas agrupadas em pares originam Os Quatro bigramas. Através da adição de uma Linha aos bigramas são constituídos os trigramas, que são representações básicas dos fenômenos da natureza.

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    Descrição:

    01. Chien – O Criativo - Céu
    02. Tui – A Alegria - Lago
    03. Li – O Aderir - Fogo
    04. Chen – O Incitar - Trovão
    05. Sun – A Suavidade - Vento
    06. Kan – O Abismal - Água
    07. Ken – A Quietude - Montanha
    08. Kun – O Receptivo - Terra

    Os Oito trigramas mostram o caminho através de suas imagens: as palavras que acompanham as linhas e as decisões falam segundo as circunstâncias. Na medida em que o firme e o maleável estão intercalados, pode-se discernir a boa fortuna e o infortúnio.

    SOBRE A NATUREZA DOS TRIGRAMAS (Capítulo IV)

    1 - Os trigramas luminosos possuem mais linhas obscuras, os trigramas obscuros possuem mais linhas luminosas. Os trigramas "luminosos" são os três filhos: (Chên), (K'an) e (Kên), todos compostos de duas linhas obscuras e uma linha luminosa. Os trigramas "obscuros" são as três filhas: (Sun), (Li) e (Tui), todos compostos de duas linhas luminosas e uma linha obscura.

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    2 - Qual é a razão disso? Os trigramas luminosos são ímpares; os obscuros são pares.

    Os trigramas luminosos se compõem das linhas 7 + 8 + 8 ou 7 + 6 + 8 ou 7 + 6 + 6 ou 9 + 8 + 8 ou 9 + 6 + 6 ou 9 + 6 + 846. Usando os números apropriados, pode-se obter do mesmo modo o valor numérico dos trigramas obscuros. Assim, a soma dos valores das linhas nos trigramas luminosos sempre tem como resultado um número ímpar e a linha que representa o número ímpar47 é, portanto, determinante do trigrama luminoso. No caso dos trigramas obscuros ocorre o inverso.

    3 — Qual é sua natureza e qual sua essência? Os trigramas luminosos têm um governante e dois súditos. Esses trigramas revelam o caminho do homem superior. Os trigramas obscuros têm dois governantes e um súdito; este é o caminho do homem inferior.

    Onde só um governa, existe unidade. Onde, ao contrário, um homem deve servir a dois senhores, nada de bom pode resultar. Esta verdade está aqui ligada um tanto acidentalmente à forma do trigrama.

    47. Uma linha inteira, pois as linhas inteiras, representando o Criativo, o masculino, o Pai, estão associadas aos números ímpares, enquanto que as linhas partidas, representando o Receptivo, o feminino, a Mãe, estão associadas aos números pares, em virtude também da possibilidade de divisão perfeita dos mesmos.

    No início, o Livro das Mutações consistia numa coleção de signos usados como oráculos. Na antigüidade, em toda parte usavam-se oráculos. Os mais antigos restringiam-se às respostas "sim" e "não". Essa forma de expressão oracular foi também a base do Livro das Mutações. "Sim" era indicado por uma linha simples, inteira ( _______ ), e "Não", por uma linha partida ( ____ ____ ). Entretanto, já muito cedo parece que se percebeu a necessidade de uma diferenciação maior e as linhas, antes isoladas, foram combinadas em pares:

    A cada uma dessa combinações adicionou-se uma terceira linha. Assim surgiram os oito trigramas. Esses oito trigramas foram concebidos como imagens de tudo o que ocorre no céu e na terra. Sustentava-se também que eles sempre se acham num estado de contínua transição, passando de um a outro, assim como uma transição sempre está ocorrendo, no mundo físico, de um fenômeno para outro. Aqui se tem o conceito fundamental do Livro das Mutações. Os oito trigramas são símbolos que representam mutáveis estados de transição. São imagens que estão em constante mutação. Focalizam-se não as coisas, em seus estados de ser — como acontece no Ocidente -, mas os seus movimentos de mutação. Os oito trigramas, portanto, não são representações das coisas enquanto tais, mas de suas tendências de movimento.

    Essas oito imagens vieram a adquirir múltiplos significados. Representavam certos processos na natureza, correspondentes às suas próprias características.

    Representavam, ainda, uma família, composta de pai, mãe, três filhos, não no sentido mitológico em que os deuses gregos povoavam o Olimpo, mas no que poderia ser chamado de sentido abstrato, ou seja, expressando não entidades objetivas, mas funções.

    Considerando-se rapidamente estes oito símbolos que formam as bases do Livro das Mutações chega-se à seguinte classificação:

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    Estes Trigramas também representam as direções, fenômeno natural, atributo de uma pessoa, bem como membro de uma família.

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    10 - A Família dos Trigramas

    O Criativo (Chien) é o céu, e por isso é chamado o pai.

    O Receptivo (Kun) é a terra, e por isso é chamado a mãe.

    No trigrama do Incitar (Chen) o feminino procura pela primeira vez o poder do masculino e recebe um filho.12 Por isso, o Incitar chama-se filho mais velho.

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    No trigrama da Suavidade (Sun) o masculino procura pela primeira vez o poder do feminino e recebe uma filha; por isso, a Suavidade chama-se filha mais velha.

    No Abismal (Kan) o feminino procura pela segunda vez o masculino e recebe um filho; por isso, ele se chama o filho do meio.

    No Aderir (Li) o masculino procura o feminino pela segunda vez e recebe uma filha; por isso, ela se chama a filha do meio.

    Na Quietude (Ken) ela procura o masculino pela terceira vez e recebe um filho; por isso, ele se chama o filho mais moço.

    Na Alegria (Tui) ele procura o feminino pela terceira vez e recebe uma filha; ela, então se chama a filha mais moça.


    Da Teoria Yin Yang, temos derivado do Trigrama ou ??. Então, como podemos lembrar qual é qual? Há uma canção para ele:

    “chien san lian (chien é de 3 linha reta)
    kun liu tuan (kun é de 3 linhas quebradas de 6)
    dui shang (tui tem uma parte superior quebrado)
    dom xia duan (sol tem uma base quebrada)
    li zhong (li tem um centro falso)
    kan zhong mun (kan tem um centro completo)
    zhen tan yu (zhen é como um spitoon)
    gen wan fu (gen é como uma tigela reverso)”

    Capítulo II

    3 — Céu (Chien) e Terra (Kun) determinam a direção.
    Montanha (Ken) e Lago (Tui) unem suas forças. Trovão (Chen)
    e Vento (Sun) estimulam-se um ao outro. Água (Kan)
    e Fogo (Li) não se combatem. Assim,
    os oito trigramas se interligam.

    O registro do que ocorre e segue rumo ao passado depende do movimento progressivo. O conhecimento do que acontecerá depende do movimento retroativo. Por isso há, no Livro das Mutações, algarismos em ordem decrescente.

    Aqui, numa expressão provavelmente muito antiga, os oito trigramas primordiais são enunciados numa seqüência de pares que, de acordo com a tradição, remonta a Fu Hsi. Isso significa que essa ordenação existia já na época da compilação do Livro das Mutações, durante a dinastia Chou. Esse arranjo é denominado "Seqüência do Céu Anterior" ou "Seqüência Primordial", "Ordenação Primordial". Os diferentes trigramas são relacionados aos pontos cardeais da seguinte forma (deve-se notar que os chineses situam o sul ao alto).3

    3. Na Sequência do Céu Anterior, assim como na Sequência do Céu Posterior, os trigramas devem ser vistos a partir do centro.

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    Sequência do Céu Anterior (Precoce ou Sequência/Ordenação Primordial)

    Ch'ien, céu e K'un, terra, determinam o eixo norte-sul. Segue-se então o eixo Kên, montanha, e Tui, lago. Suas forças se interligam, uma vez que o vento sopra da montanha em direção ao lago e as nuvens e a névoa dirigem-se do lago à montanha.
    Chên, trovão, e Sun, vento, surgem fortalecendo um ao outro. Li, fogo, e K'an, água, são opostos inconciliáveis no mundo dos fenômenos. Entretanto, nos relacionamentos primordiais seus efeitos não entram em conflito mas, ao contrário, mantêm um ao outro em equilíbrio.

    Aqui pode-se notar uma diferença entre a Ordem Interna e a Ordem Primordial quanto ao sexo dos trigramas derivados. Na Ordem Primordial a linha inferior sempre determina o sexo e os filhos então são:

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    No esquema da Ordem Primordial (fig. 1), eles estão todos dispostos a leste.

    As filhas são:

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    São considerados trigramas derivados os três filhos, Chên, K'an e Kên, e as três filhas,
    Sun, Li e Tui, por serem resultantes da influência do Pai, Ch'ien, sobre a Mãe, K'un (os filhos), e da influência da Mãe, K'un, sobre o Pai, Ch'ien (as filhas). Assim, os filhos ligam-se em especial à Mãe e as filhas, ao Pai; por isso as linhas Yin, femininas, são majoritárias nos trigramas dos filhos, enquanto predominam as linhas Yang nas filhas. Há um significativo paralelismo com a interpretação freudiana do problema da sexualidade infantil. Na seção 10 essa derivação será mais demoradamente estudada. (Nota da tradução brasileira.)

    A idéia de "receber um filho" ou "uma filha" indica que os trigramas dos filhos surgem quando o trigrama da mãe acolhe uma linha vinda do pai, isto é, uma linha Yang, seja na primeira, segunda ou terceira posição. Os trigramas das filhas surgem quando ao contrário, Ch'ien, o pai, recebe uma linha vinda da mãe, uma linha Yin, seja na primeira, segunda ou terceira posição.

    Nos filhos, em virtude dessa derivação, a substância procede da mãe — por isso as duas linhas femininas -, enquanto que a linha dominante e determinante vem do pai. O oposto ocorre no caso das filhas. Na progênie, o sexo é sempre oposto ao de quem "procura".

    Estes trigramas, por sua vez, estão dispostos a oeste. Portanto, na ordem Interna, só Chên e Sun não se modificam quanto ao sexo. O esquema (fig. 2) mostra os três filhos à esquerda de Ch'ien, do Criativo, enquanto K'un tem as duas filhas mais velhas à sua direita e a filha mais moça à sua esquerda, entre ela própria, K'un, e Ch'ien.

    Quando os trigramas se interligam, isto é, quando estão em atividade, observa-se um duplo movimento. O primeiro é o movimento habitual, progressivo, no sentido dos ponteiros do relógio; acumula e se expande com o decorrer do tempo e determina os acontecimentos que seguem rumo ao passado. O segundo é o movimento oposto, retroativo, que se dobra e contrai no decurso do tempo; é através dele que as sementes do porvir vêm a tomar forma. A compreensão desse movimento possibilita o conhecimento do futuro. Isto pode ser expresso na seguinte imagem: caso se compreenda como uma árvore está contida no interior de uma semente, se poderá também compreender o futuro desdobramento da semente em árvore.

    4 — O trovão provoca o movimento, o vento gera a dispersão,
    a chuva gera umidade, o sol gera o calor,
    a Quietude gera imobilização, a Alegria gera o contentamento,
    o Criativo gera o domínio, o Receptivo gera o abrigo.

    Aqui novamente são apresentadas as forças simbolizadas pelos oito trigramas primordiais em termos de seus efeitos sobre a natureza. Os quatro primeiros trigramas são designados por suas imagens, os quatro últimos, por seus nomes. Isso porque só os quatro primeiros designam, em suas imagens, as forças da natureza em atividade no curso do tempo, enquanto os quatro últimos indicam as condições que surgem no decorrer do ano.

    Assim se tem primeiro uma linha de movimento progressivo (ascendente), na qual manifestam-se os efeitos das forças do ano anterior. De acordo com a seção 3, seguindo-se esta linha chega-se ao conhecimento do passado, pois este subsiste como causa latente nos efeitos que gerou. No segundo conjunto, quando os trigramas são nomeados não através das imagens (fenômenos), mas de acordo com seus atributos, há um movimento retroativo, um salto de Li, que se encontra a leste, de volta a Kên, no noroeste. Desenvolvem-se, nessa linha, as forças do ano que está por iniciar. Seguindo-se essa linha chega-se ao conhecimento do futuro que, em suas causas, está sendo preparado como efeito, como sementes que, concentradas em si mesmas, preparam-se para o crescimento.

    Dentro da Seqüência Primordial essas forças agem em pares de opostos. O trovão, a força eletricamente carregada, desperta as sementes do ano anterior; sua contraparte, o vento, dissolve a rigidez do gelo do inverno. A chuva umedece as sementes, possibilitando-lhes o germinar; sua contraparte, o sol, prove o calor necessário. Por isso a expressão: "Água e fogo não se combatem". Em seguida entram em jogo as forças retroativas. A Quietude bloqueia qualquer nova expansão: começa a germinação. Sua contraparte, a Alegria, gera o contentamento da colheita. Finalmente entram em jogo as duas forças diretrizes: o Criativo, que representa a grande lei da existência, e o Receptivo, que indica o abrigo no seio materno, ao qual tudo retorna após o ciclo da vida se ter completado. Assim como no ciclo do ano, também na vida humana existem essas linhas de forças ascendentes e retroativas, das quais se podem deduzir o passado e o futuro.

    5 — Deus se manifesta no signo do Incitar (Chen); ele faz com que todas as coisas se completem no signo da Suavidade (Sun); ele leva as criaturas a se perceberem umas às outras no signo do Aderir (Li) - (a luz); ele faz com que elas se ajudem no signo do Receptivo (Kun). Ele infunde-lhes o contentamento no signo da Alegria (Tui); ele luta no signo do Criativo (Chien), se esforça no signo do Abismal (Kan) e conduz à plenitude no signo da Quietude (Ken).

    Aqui se apresenta a seqüência dos oito trigramas de acordo com o arranjo atribuído ao Rei Wên, e que é denominada a "Seqüência do Céu Posterior", ou "Ordem Interna do Mundo". Os trigramas aqui são retirados de seu agrupamento em pares de opostos e apresentados segundo a seqüência temporal em que se manifestam no plano fenomênico durante o ciclo do ano. Assim sendo, a ordenação dos trigramas sofre modificações essenciais. Estabeleceram-se correlações entre os pontos cardeais e as estações do ano. A ordem é a seguinte:

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    Sequência do Céu Posterior (Ordem Interna do Mundo)

    Na Seqüência do Céu Anterior, assim como na Seqüência do Céu Posterior, os trigramas devem ser vistos a partir do centro.


    O ano começa a revelar a atividade criadora de Deus no trigrama Chên, o Incitar, que está a leste e significa a primavera. A passagem que se seguirá contém explicações mais detalhadas sobre como essa atividade de Deus se realiza na natureza.

    É muito provável que a seção 5 expresse um provérbio enigmático de origem muito remota, que receberá, no trecho a seguir, uma interpretação de cunho sem dúvida confucionista.

    Todos os seres surgem no trigrama do Incitar (Chen), que se encontra a leste.
    Eles chegam à plenitude no trigrama da Suavidade (Sun), que se encontra a sudeste. A plenitude significa que todos os seres tornam-se puros e realizados.
    O Aderir (Li) é a luminosidade, na qual os seres percebem-se uns aos outros. É o trigrama do sul. O fato de os santos e sábios voltarem-se para o sul quando escutavam o sentido do universo significa que governavam voltados para a luz. Eles sem dúvida inspiravam-se nesse trigrama.
    O Receptivo (Kun) significa a terra. Ele cuida para que todos os seres tenham alimento. Por isso se diz: "Ele (Deus) os leva a ajudarem-se uns aos outros no trigrama do Receptivo". A Alegria (Tui) é o auge do outono, que proporciona contentamento a todos os seres. Por isso se diz: "Ele lhes dá contentamento no trigrama da Alegria". "Ele luta no trigrama do Criativo". O Criativo (Chien) é o trigrama do noroeste. Isso indica que aqui o obscuro e o luminoso incitam-se um ao outro.
    O Abismal (Kan) significa água. É o trigrama do norte, do esforço a que todos os seres estão sujeitos. Por isso se diz: "Ele se esforça no trigrama do Abismal".
    A Quietude (Ken) é o trigrama do nordeste, onde consuma-se o começo e o fim de todos os seres. Por isso se diz: "Ele os conduz à plenitude no trigrama da Quietude".

    Aqui se ressalta a correspondência entre o curso do ano e o curso do dia.

    Aquilo que, no trecho anterior, se descrevia como a manifestação do divino, agora é expresso em sua atuação na natureza. Os trigramas são atribuídos às estações do ano e aos pontos cardeais, através de breves referencias das quais se infere o esquema acima. Com o despertar da primavera a natureza começa a germinar e brotar. Isso corresponde ao amanhecer, ao início do dia.

    Este movimento que arranca da inércia é atribuído ao trigrama Chên, o Incitar, que surge da terra sob a forma do trovão e da força elétrica (O trovão é associado a um movimento que surge da terra e não do céu, pois se pensa naquilo que, enquanto sinal das chuvas da primavera, ele indica: o início do ciclo de crescimento das sementes). Sopram, então, as suaves brisas, renova-se o mundo das plantas, cobre-se a terra de verde. Isso corresponde ao trigrama da Suavidade, do Penetrante. Sun tem como imagem tanto o vento que dissolve o rígido gelo do inverno, como a madeira que cresce organicamente. Esse trigrama tende a fazer com que as coisas fluam rumo às suas formas, que se desenvolvam e cresçam de modo a realizar o que se prefigura na semente.
    Chega-se, então, à culminância do ano, ao pleno verão, ao meio-dia. Este é o ponto do trigrama Li, o Aderir, a Luz. Aqui os seres percebem-se uns aos outros. A vida orgânica vegetativa passa ao estado de consciência psíquica. Aqui há também uma imagem da sociedade humana na qual o dirigente, voltado para a luz, governa o mundo. Convém notar que o trigrama Li ocupa a posição sul, que na Seqüência Primordial era ocupada pelo trigrama Ch'ien, o Criativo. Li consiste essencialmente na linha superior e inferior de Ch'ien, que incorporou a si a linha central de K'un.

    Para uma compreensão completa, deve-se visualizar a Ordem Interna do Mundo como translúcida, quando, então, através dela, brilharia a Ordem Primordial. Assim, quando se chega ao trigrama Li, encontra-se também o dirigente Ch'ien, que governa voltado para o sul.

    Segue-se o amadurecimento dos frutos do campo, dádiva de K'un, a Terra, o Receptivo. É a época da colheita, do trabalho comunitário. E então, assim como a noite segue-se ao dia, vem o pleno outono, no trigrama da Alegria, Tui, conduzindo o ano à maturidade e ao contentamento. A seguir vem a estação severa, que exige provas do que foi realizado. Há uma atmosfera de julgamento. Os pensamentos retomam da terra para o céu, para o Criativo, Ch'ien. Trava-se uma luta. É justamente quando o Criativo está alcançando o domínio que o poder obscuro de Yin adquire sua maior capacidade de influência externa. Por isso o obscuro e o luminoso agora incitam-se um ao outro. Não pode haver-dúvida quanto ao resultado dessa luta, pois é apenas a conclusão decorrente de causas já existentes que foram julgadas pelo Criativo.
    Depois chega o inverno no trigrama do Abismal, K'an, situado ao norte, lugar do Receptivo na Ordem Primordial. K'an tem como símbolo o desfiladeiro. É o momento do trabalho de guardar a colheita no celeiro. Assim como a água não poupa esforços, dirigindo-se sempre aos lugares mais profundos (e por isso todas as coisas acompanham seu fluir), assim o inverno no curso do ano e a meia-noite no curso do dia representam o momento da concentração.
    O trigrama Kên, a Quietude, cujo símbolo é a montanha, tem um significado misterioso. Aqui, na semente, no mais profundo recolhimento e silêncio, o fim de todas as coisas une-se a um novo começo. A morte e a vida, o perecer e o ressuscitar — esses são os pensamentos que despertam a transição do ano que passa ao novo ano que chega.
    Assim fecha-se o círculo. Como o dia ou o ano na natureza, cada vida, e mais ainda, cada ciclo de experiências, instaura uma continuidade que liga o antigo ao novo. A partir dessa perspectiva pode-se compreender por que em vários dos sessenta e quatro hexagramas o sudoeste representa o período de trabalho e companheirismo, enquanto o nordeste corresponde ao período de solidão, quando o antigo termina e o novo principia.

    6 — Há um espírito misterioso presente em todos os seres, e que atua através deles. Entre tudo que movimenta as coisas, nada é mais veloz que o trovão. Entre tudo que curva as coisas, nada é mais rápido que o vento. Entre tudo que aquece as coisas, nada resseca mais que o fogo. Entre tudo que alegra as coisas, nada traz mais contentamento que o lago. Entre tudo que umedece as coisas, nada é mais úmido que a água. Entre tudo que dá início e fim às coisas, nada é mais glorioso que a quietude.

    Por isso a água e o fogo se complementam, o trovão e o vento não atrapalham um ao outro, as forças da montanha e do lago atuam convergindo. Somente assim é possível a modificação e a transformação. Somente assim os seres podem alcançar a perfeição.

    Aqui descreve-se apenas a atividade dos seis trigramas derivados (São considerados trigramas derivados os três filhos, Chên, K'an e Kên, e as três filhas, Sun, Li e Tui, por serem resultantes da influência do Pai, Ch'ien, sobre a Mãe, K'un (os filhos), e da influência da Mãe, K'un, sobre o Pai, Ch'ien (as filhas). Assim, os filhos ligam-se em especial à Mãe e as filhas, ao Pai; por isso as linhas Yin, femininas, são majoritárias nos trigramas dos filhos, enquanto predominam as linhas Yang nas filhas.

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    Há um significativo paralelismo com a interpretação freudiana do problema da sexualidade infantil. Na seção 10 essa derivação será mais demoradamente estudada). Essa é a ação do princípio espiritual que não é uma coisa entre as outras, mas a força que se manifesta através de diferentes efeitos — do trovão, do vento, etc. Os dois trigramas originários, o Criativo e o Receptivo, não são mencionados, pois enquanto céu e terra eles são diretas expressões do próprio espírito no interior do qual, pela influência das forças derivadas, o mundo visível surge e se modifica. Cada uma dessa forças atua numa determinada direção, mas há movimento e mutação apenas porque essas forças não se anulam uma à outra mas, agindo como pares complementares de opostos, impulsionam a dinâmica cíclica da qual depende a vida do mundo.

    SHUO KUA (Discussão dos Trigramas – Capítulo III)

    O terceiro capítulo trata separadamente de cada um dos oito trigramas e apresenta os símbolos aos quais estão associados. Este capítulo é importante, uma vez que, em diversas ocasiões, as palavras do texto das diferentes linhas de cada hexagrama serão explicadas com base nessas associações simbólicas. O conhecimento dessas associações é importante como um instrumento para a compreensão da estrutura do Livro das Mutações.

    7 - Os Atributos.

    O Criativo é forte. O Receptivo é maleável. O Incitar significa movimento. A suavidade é penetrante. O Abismal é perigoso. O Aderir significa dependência. A Quietude significa imobilidade. A Alegria significa contentamento.

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    8 - Os Animais Simbólicos.

    O Criativo atua no cavalo; o Receptivo, na vaca; o Incitar, no dragão; a Suavidade, no galo; o Abismal, no porco; o Aderir, no faisão; a Quietude, no cão; a Alegria, na ovelha.

    PARTE 2

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