Investigação da BBC desvenda sacrifício ritual de crianças em Uganda

    sacri topo2010 - Uma investigação da BBC revelou que rituais envolvendo o sacrifício de crianças em Uganda são muito mais frequentes do que se imaginava e, segundo autoridades do país, estariam aumentando. Um curandeiro levou a equipe de jornalistas ao seu altar secreto e disse que tinha clientes que regularmente capturavam crianças e traziam seu sangue e órgãos para serem oferecidos aos espíritos. Também falando à BBC, um ex-curandeiro que hoje faz campanha para o fim dos sacrifícios confessou, pela primeira vez, que matou 70 crianças, incluindo o próprio filho.

    O governo de Uganda disse que a prática de sacrifícios humanos está aumentando no país. Segundo o chefe da Força-Tarefa Contra o Tráfico e Sacrifício de Humanos, Moses Binoga, os crimes estão diretamente vinculados a um maior desenvolvimento e prosperidade e a uma crença cada vez maior de que a feitiçaria pode ajudar a pessoa a enriquecer rápido.

    Depoimento

    Segundo um curandeiro envolvido na prática, os clientes vão até ele em busca de dinheiro.

    "Eles capturam filhos de outras pessoas e depois trazem sangue e órgãos direto para cá para oferecer aos espíritos", disse o homem à BBC.

    "Eles trazem (as oferendas) em latas pequenas e as colocam sob a árvore de onde vêm as vozes dos espíritos".

    Quando indagado com que frequência o sangue e os órgãos eram trazidos, o feiticeiro respondeu: "Em média três vezes por semana".

    No altar, a reportagem da BBC viu um jarro com sangue e o que parecia ser um fígado de tamanho grande. Não foi possível determinar se se tratava ou não de material humano.Durante as investigações, o altar deste curandeiro, situado na região norte de Uganda, foi queimado por militantes que fazem campanha contra os sacrifícios humanos. O homem negou estar envlvido em ou ter incitado assassinatos, dizendo que os espíritos falam diretamente aos clientes.

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    Ele disse que recebe cerca de US$ 260 por consulta mas acrescentou que a maioria do dinheiro vai para seu "chefe". O diretor da organização criada para combater os sacrifícios humanos, comissário-assistente Moses Binoga, da polícia de Uganda, disse conhecer o chefe mencionado pelo curandeiro. Segundo o comissário, o homem estaria envolvido em cinco ou seis cartéis de proteção a curandeiros operando no país. Binoga disse que em 2009 a polícia abriu 26 inquéritos sobre assassinatos onde havia sinais de sacrifícios rituais, em comparação com apenas três casos desse tipo em 2007.

    "Também temos cerca de 120 crianças e adultos desaparecidos cujo destino ainda não foi estabelecido. Não podemos excluir a possibilidade de que tenhamr sido vítimas dos rituais de feitiçaria".

    Entidades de campanha pela proteção de crianças dizem, no entanto, que o número é muito maior, já que alguns desaparecimentos não são comunicados à polícia.

    Militância

    O ex-curandeiro e hoje militante pelo fim dos sacrifícios humanos Polino Angela disse que conseguiu persuadir 2.500 pessoas a abandonar a prática desde que ele próprio deixou a atividade, em 1990. Angela disse que foi iniciado em uma cerimônia no país vizinho Quênia. Na ocasião, um menino de 13 anos foi sacrificado.

    "A criança foi cortada no pescoço com uma faca, depois, todo o comprimento, desde o pescoço até embaixo, foi aberto e a parte aberta foi colocada sobre mim", disse o ex-curandeiro.

    Ao retornar a Uganda, o feiticeiro foi ordenado a matar seu próprio filho.

    "Enganei minha esposa, me certifiquei de que todos tinham saído e de que estava à sós com meu filho. Uma vez que ele estava de bruços no chão, usei uma faca grande como uma guilhotina".

    Hoje, Angela acredita estar se redimindo do que fez.

    "Estive em todas as igrejas e sou conhecido como um guerreiro na luta para pôr fim à feitiçaria que envolve o sacrifício humano, acho que isso me 'compensa' e me exonera", disse Angela.

    O ministro da Ética e Integridade do país, James Nsaba Buturo, disse que "punir retrospectivamente causaria problemas... se pudermos persuadir os ugandenses a mudar, acho muito melhor do que voltar ao passado".

    Entidades de proteção à criança vêm tentando chamar a atenção para casos recentes de sacrifícios rituais e pedem que novas leis sejam criadas para regulamentar as atividades dos curandeiros.

    Sobrevivente

    Em um processo contra um suposto feiticeiro que deve ser julgado neste ano em Uganda, a polícia contará com o depoimento de um menino que sobreviveu ao sacrifício. Mukisa tem três anos de idade e quase morreu após seu pênis ter sido decepado. Ele sobreviveu graças à ação rápida dos cirurgiões e mais tarde disse à polícia que tinha sido mutilado por um vizinho que, segundo relatos, possui um altar de sacrifícios. Falando à BBC, a mãe de Mukisa disse: "Toda vez que olho para ele, me pergunto como será seu futuro, um homem sem um pênis, e como ele será visto na comunidade".

     

    Sacrifício de Crianças é comum em uganda

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    23/03/2017 - A cada ano, centenas de crianças são sequestradas e assassinadas por causa de rituais de sacrifício humano, realizados por feiticeiros de Uganda. Esta prática macabra acabou se tornando um negócio lucrativo, que tem preocupado cada vez mais as famílias locais. Sabendo disso, um pastor de Uganda está se unindo agora à polícia e políticos de seu país para combater essa brutalidade. A equipe da agência cristã de notícias 'CBN News' acompanhou de perto o trabalho de uma força-tarefa formada por detetives secretos, polícia armada e o pasto Peter Sewakiryanga, na caça a um bruxo, acusado de sequestrar e matar crianças. "Os 'médicos bruxos' acreditam que quando você sequestra uma criança, acaba ganhando riquezas e proteção", informou o líder cristão.

    Brutalidade

    O pastor Peter Sewakiryanga é diretor dos ministérios de assistência à infância Kyampisi, uma organização cristã que tem se empenhado em acabar com o sacrifício de crianças em Uganda. Ele descreve o ritual brutal, realizado pelos feiticeiros."O problema está aumentando e muitas crianças são mortas. Há muito poucas que realmente sobrevivem (conseguem escapar), a maioria delas acaba morrendo", contou.Rachel Kaseggu conhece bem a dor de perder um filho por causa de rituais de feitiçaria. "Eu tinha grandes esperanças e sonhos para Clive", disse Kaseggu à CBN News, enquanto ela soluçava incontrolavelmente.

    O filho de Kaseggu tinha 3 anos de idade, quando desapareceu no dia 2 de junho de 2015, enquanto brincava no quintal de sua casa. "Era por volta das 10h da manhã, quando percebemos que ele não estava em nenhum lugar [de nossa casa]", disse Kaseggu. A CBN News conversou com Kaseggu no dia em que a polícia lhe contou o que aconteceu com seu filho.

    "Eu nunca tinha ouvido falar de sacrifícios de crianças, eu nem sabia o que significava essa expressão", contou a mãe.

    Superstições e crenças

    O detetive Emmanuel Mafundo mostrou o local, não muito longe de sua casa, onde encontraram os restos mortais de Clive, em um banheiro cheio de fezes humanas. Mafundo disse que o principal suspeito seria o vizinho de Kaseggu, um rico empresário que supostamente contratou dois homens para sequestrar Clive e mutilar o corpo da criança, acreditando que o ato traria "boa sorte" ao seu novo empreendimento de hotéis.

    O detetive Mafundo disse que o suspeito pagou o equivalente a US$ 1.400 pelo ritual macabro, que acabou tirando a vida do garoto. "Eu achei muito estranho, que alguém, por causa de uma superstição, poderia ser capaz de sacrificar um garoto de três anos", disse Mafundo, que é superintendente da polícia de Uganda à CBN News. O sacrifício de crianças em Uganda é um problema tão sério e generalizado que o governo ainda criou uma força-tarefa específica para combater o sacrifício infantil e o tráfico humano.

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    O investigador-chefe Moses Binoga lidera a equipe. Ele diz que, além de decapitação e mutilação genital, os feiticeiros muitas vezes arrancam a língua da criança e a misturam com ervas para que isso lhes dê "poderes especiais".

    "A língua é usada no ritual. Eles acreditam que isso pode silenciar os inimigos", descreveu Binoga. Mike Chibita é o funcionário de mais alta patente na polícia da Uganda. Ele diz que a superstição e o desejo de ficar rico rapidamente contribuem para elevadas taxas de sacrifício infantil em seu país.
    "Esses feiticeiros vão até às pessoas que querem ficar ricas e dizem a elas que, para alcançarem esse objetivo, precisam sacrificar outro ser humano", disse Chibita, que atua como diretor do promotores públicos em Uganda.

    Relatos de Sobreviventes

    Os jovens Kanani Nankunda, George Mukisa e Allan Ssembatya têm a sorte de estarem vivos, mas ainda carregam as cicatrizes físicas e emocionais do que aconteceu com eles no passado. Os três são sobreviventes de rituais de sacrifício infantil.
    Alguns anos atrás, Kanani e sua irmã de sete anos de idade foram atacados enquanto brincavam em uma região de mato.
    Ele tem uma cicatriz de 25 centímetros na parte de trás do pescoço, porque um feiticeiro tentou drenar seu sangue por meio do corte.
    "Eu desmaiei e quando eu acordei, encontrei minha irmã morta e sem cabeça", descreveu Nankunda em voz baixa à CBN News.
    Já Allan Ssembatya foi sequestrado por dois homens, enquanto voltava da escola para casa.
    "Eu tentei gritar, para chamar os meus pais, mas minha voz não foi forte o suficiente para que eles me ouvissem", disse Ssembatya.
    O garoto levou uma facada no pescoço, um corte na cabeça e foi castrado durante o ritual. Allan permaneceu em coma por dois meses, depois de ter sido milagrosamente resgatado.
    A mãe de George Mukisa o encontrou deitado em uma poça de sangue, depois que um homem o castrou com uma faca cega.
    Os médicos tiveram que reconstruir seus genitais com um enxerto de parte da pele de seu antebraço.
    Os meninos dizem que eles buscam se encorajar uns aos outros, para conseguir superar seus desafios físicos.
    "Deus me ajudou e está nos ajudando de muitas maneiras diferentes", disse Ssembatya. "Quando pensamos sobre o que aconteceu conosco, apenas oramos e pedimos a Deus que isso nunca aconteça a mais ninguém".
    Os três meninos estão agora sob o cuidado do Pastor Peter e da organização Kyampisi.

    Apoio aos sobreviventes

    O Ministério de Apoio Infantil 'Kyampisi' é a única organização no país que presta apoio financeiro e médicos a longo prazo aos sobreviventes de rituais de sacrifício infantil.
    "Queremos ver que a vida de uma criança que sobreviveu está sendo apoiada, que eles são socialmente capazes de superar e curar as feridas, e que eles podem ter uma vida depois disso", disse o pastor Sewakiryanga.
    Ele também trabalha com legisladores de Uganda, como Komuhangi Margaret para ajudar a elaborar leis específicas, visando a punição de quem colabora de alguma forma com o sacrifício de crianças.

    "Cada ugandense deve acordar e dizer: 'Não sacrifiquem nossos filhos", disse Margaret, membro do parlamento de Uganda. "Nossos filhos são o futuro deste país".

    Rachel Kaseggu diz que a vida sem Clive nunca será a mesma. Ainda assim, ela tem uma mensagem para os homens que brutalmente assassinaram seu filho de 3 anos:
    "Por causa da minha fé em Jesus, acredito em segundas chances, e daria isso a eles, porque não há nada que eu possa fazer para trazer o meu Clive de volta. Minha mensagem para eles é: confessem seus pecados e se convertam ao Senhor. Ele perdoará seus pecados!", finalizou.

    Diante de todo o conteúdo mostrado pela CBN News e do Ministério Infantil Kyampisi essa prática têm matado crianças e destruído famílias, mas podemos lutar contra isso, através de orações e doações ao Ministério. Eles precisam de seu apoio para continuarem a luta e darem apoio as crianças salvas. Contribuem! Orem! Vamos fazer a nossa parte.

     

    Feiticeiros sacrificam crianças para obter riquezas em meio à seca, em Uganda

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    28/03/2018 - Jackline Mukisa soluçou ao descrever como seu filho de 8 anos foi encontrado em um pântano, próximo de sua casa em fevereiro, sem dentes, com os lábios, orelhas e genitais mutilados.

    "Meus inocentes morreram dolorosamente", disse Mukisa, 28. "Como alguém pode querer matar meu filho?"

    Um motociclista ofereceu ao pequeno John Lubega uma carona enquanto ele voltava da escola, de acordo com colegas que o viram pela última vez. As evidências sugerem que ele foi morto lentamente como parte de um ritual realizado por curandeiros, aparentemente para apaziguar os espíritos, disse Mukisa, que apresentou fez uma queixa formal na polícia. Mas nenhuma prisão foi feita até agora.

    Neste país sem litoral, cuja paisagem diversificada inclui as Montanhas Ruwenzori cobertas de neve e com o Lago Vitória, muitos acreditam que os rituais de sacrifício podem trazer riqueza e saúde rapidamente a quem os oferece aos espíritos.

    Entre esses rituais, o sacrifício humano, especialmente de crianças, ocorre com frequência, apesar dos esforços do governo para pará-lo.

    Sete crianças e dois adultos foram sacrificados no ano passado, disse Moses Binoga, um policial que lidera a Força-Tarefa contra o Tráfico Humano e o Sacrifício de Uganda. Sete crianças e seis adultos foram sacrificados em 2015. Mas especialistas dizem que o número pode ser muito maior.

    Os tempos são difíceis em Uganda, e as pessoas estão procurando sacrifícios para "ficarem ricas". A pior seca em mais de meio século atingiu partes da África Oriental, deixando mais de 11 milhões de pessoas neste país sem litoral, enfrentando insegurança alimentar e 1,6 milhão à beira da fome, segundo o governo ugandense.

    "Não há comida devido à seca em curso, e alguns acreditam que isso foi trazido pelos espíritos ancestrais", disse Joel Mugoya, um curandeiro tradicional. "Portanto, há um grande desejo de que as pessoas realizem sacrifícios para que elas saiam desse problema."

    Investigações

    Recentemente, a polícia de Uganda prendeu 44 suspeitos em Katabi, cidade a cerca de 38 quilômetros da capital, Kampala, em conexão com uma série de assassinatos de crianças e mulheres. Metade dos suspeitos foram acusados ??no tribunal, incluindo dois supostos mentores.

    O Inspetor Geral de Polícia de Uganda, Kale Kayihura, disse que um suspeito confessou ter matado oito mulheres. Mais de 21 mulheres foram mortas entre 3 de maio e 4 de setembro, Kayihura disse.

    "Os assassinatos eram para rituais de sacrifício", disse ele aos moradores na semana passada. "Estamos trabalhando duro para prender os suspeitos remanescentes e acabar com a prática".

    A esposa de Francis Bahati estava entre as vítimas. Ele encontrou o corpo dela depois de três dias de buscas. Os dedos e pés dela haviam sido cortados por causa dos rituais, provavelmente na esperança de obter riquezas.

    "Fiquei chocado e até perdi a consciência", disse ele.

    No ano passado, a polícia prendeu Herbert Were, um morador da cidade de Busia, no leste de Uganda, por decapitar seu irmão de oito anos, Joel Ogema. Were, de 21 anos, confessou à polícia que ele matou seu próprio irmão na esperança de obter riquezas.

    Igreja ativa

    Os líderes da igreja estão se unindo à polícia para acabar com esta prática brutal. O pastor Peter Sewakiryanga, que dirige o Ministério 'Kyampisi Childcare', uma organização cristã que luta contra o sacrifício infantil em Uganda, disse que as crianças desaparecem no país a cada semana. Elas são freqüentemente encontradas mortas ou vivas com partes do corpo mutiladas.

    A maioria dos sobreviventes não registra relatórios policiais, disse Sewakiryanga, acrescentando que implora às vítimas que se apresentem à polícia, pois isso ajuda nas investigações.

    "É um problema sério, mas estamos lutando com a ajuda do governo", disse ele.

    Sacrifícios frequentemente envolvem a remoção de partes do corpo, sangue ou tecido enquanto a criança ainda está viva.

    "É um ritual brutal que destrói a vida de nossos filhos e de seus pais mentalmente", acrescentou o pastor. "Estamos trabalhando com a polícia para prender os feiticeiros envolvidos no ritual. Também estamos ajudando os sobreviventes financeiramente e com apoio moral".

    Sewakiryanga disse que sua instituição de caridade trabalhou com a polícia de Uganda há três anos para prender um curandeiro e seus cúmplices, que sacrificaram uma menina de 7 anos chamada Suubi. O feiticeiro drenou seu sangue e cortou seus genitais, ele disse. Ele então cortou o pescoço e drenou o sangue do irmão da garota, que tinha apenas 10 anos. Em junho, a Corte Ugandense condenou o feiticeiro à prisão perpétua.

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    De acordo com a organização 'KidsRights', Uganda tem 650.000 curandeiros tradicionais registrados e cerca de 3 milhões de praticantes não registrados. Os feiticeiros inescrupulosos escondem-se entre os chamados curandeiros, disse o grupo.

    "Eles deveriam prender as pessoas que assassinaram meu filho", disse Mukisa. "O governo está fazendo pouco para proteger nossos filhos. Eles devem começar a prender todos os feiticeiros "

    Mas Sewakiryanga disse que prender todos, alegando praticar medicina seria ir longe demais. Ele espera combater esta prática mudando os corações daqueles que promovem o sacrifício humano. O esforços para acabar com a prática precisam se expandir, ele disse. Outros países da África que relataram estar praticando sacrifício infantil incluem Tanzânia, Nigéria, Suazilândia, Libéria, Botswana, África do Sul, Namíbia e Zimbábue.

     

    Fonte: https://www.bbc.com
               https://guiame.com.br
               https://papocristaop.blogspot.com

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