Os insetos comestíveis aproximam-se dos pratos europeus. Por que é comum comer insetos em algumas culturas

    insecome113/01/2021 - O cão de guarda de alimentos da UE abriu na quarta-feira o caminho para que os clientes em toda a Europa se alimentem de insetos, uma vez que deu a aprovação de segurança para o consumo humano de larva-da-farinha amarela seca. A decisão da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) é o passo preliminar necessário antes que as autoridades possam decidir se permitem que as larvas do besouro sejam vendidas aos consumidores em todo o bloco de 27 países.

    A decisão é a primeira avaliação de risco concluída de uma aplicação de produto alimentício para insetos pela agência, já que busca aprovar um setor de expansão potencial que poderia fornecer uma fonte sustentável de proteína. Isso poderia "pavimentar o caminho para a primeira aprovação em toda a UE", disse Ermolaos Ververis, oficial científico da unidade NUTRI da EFSA, em um comunicado.

    "A avaliação de risco é um passo decisivo e necessário na regulamentação de novos alimentos, apoiando os formuladores de políticas na UE na tomada de decisões com base científica e garantindo a segurança dos consumidores." A EFSA disse que descobriu que as larvas de farinha - ou larva de Tenebrio molitor - eram seguras para serem comidas "como um inseto inteiro seco ou na forma de pó" após uma aplicação da empresa francesa de criação de insetos Micronutris.

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    "Seus principais componentes são proteína, gordura e fibra", disse o comunicado, mas alertou que mais pesquisas precisam ser feitas sobre possíveis reações alérgicas aos insetos. A crescente indústria de insetos na Europa saudou a decisão e disse que espera que as autoridades dêem permissão para que as larvas de farinha amarelas sejam comercializadas ao público até meados deste ano.

    "O lançamento deste documento representa de fato um marco importante para a comercialização mais ampla de insetos comestíveis na UE", disse Antoine Hubert, presidente da Plataforma Internacional de Insetos para Alimentos e Rações, em um comunicado. A EFSA, sediada na Itália, tem mais pesquisas sobre insetos em seu prato e também deve examinar se os grilos e gafanhotos são adequados para o consumo.

    Os insetos são amplamente consumidos em outras partes do globo, com cerca de 1.000 espécies chegando aos pratos de cerca de 2 bilhões de pessoas na África, Ásia e América Latina. Já estão disponíveis para consumo humano em um pequeno número de países da UE e são mais amplamente produzidos para uso na alimentação animal. A indústria afirma que espera que o mercado europeu de produtos alimentícios à base de insetos cresça rapidamente nos próximos anos e que a produção alcance cerca de 260.000 toneladas em 2030.

     

    Por Que Comer Insetos É Algo Comum Em Algumas Culturas?

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    18/01/2020 - Os insetos são extremamente subestimados e subvalorizados. Nós geralmente tratamos esses seres vivos apenas como pragas, sendo que o nosso primeiro instinto quando vemos um inseto geralmente envolve matar a pobre criatura. No entanto, os insetos podem ser apreciados por muitas razões diferentes. Esses seres são mais conhecidos por serem polinizadores, sem os quais a vida como a conhecemos deixaria de existir. Além disso, eles são importantes para decompor a matéria orgânica e reabastecer o solo com nutrientes. No entanto, os insetos também podem ser usados como alimento, um ato conhecido como entomofagia. De fato, muitos animais, como pássaros, aranhas e insetos, são entomófagos, mas você sabia que algumas culturas humanas também aprovam o consumo de insetos? Ao longo desse artigo, nós vamos analisar alguns dos principais fatores que ajudam a explicar por que algumas pessoas apreciam os insetos como alimento.

    A longa história da entomofagia humana

    A entomofagia humana refere-se aos seres humanos que comem insetos, algo que, embora possa parecer nojento para alguns, tem prevalecido desde os tempos pré-históricos. Evidências de formigas, larvas de besouros, grilos e até mesmo piolhos sendo usados como alimento já chegaram a ser encontradas em coprólitos (esterco fossilizado) nas cavernas do México e dos Estados Unidos. Hoje, em muitas regiões, países e culturas, como a África Subsaariana, o Sudeste Asiático e partes da América Latina, os insetos ainda são cultivados, processados, embalados e vendidos nos mercados e amplamente apreciados. No entanto, é geralmente nas áreas mais rurais, onde pode haver menos escolhas alimentares convencionais, que o consumo de insetos costuma preencher essa lacuna alimentar.

    Os historiadores acreditam que antigos caçadores e coletores comiam insetos por uma questão de sobrevivência. Eles provavelmente descobriam quais dos insetos eram comestíveis ao observar o que os outros animais comiam. Para se ter uma ideia, até mesmo os antigos gregos e romanos jantavam insetos. Plínio, o estudioso romano do primeiro século que produziu a enciclopédia Historia Naturalis, chegou a escrever que os aristocratas romanos adoravam comer larvas de besouros criados com farinha e vinho. Mas apesar de sua longa tradição, comer insetos ainda é um tabu nas áreas urbanas do mundo ocidental. Uma das principais razões por trás disso está no fato de que, como a Europa Medieval era bastante agrária, os insetos passaram a ser vistos como destruidores de plantações e não como fonte de alimento. Consequentemente, esse pensamento se espalhou para a América durante o período da colonização europeia.

    O consumo de insetos como uma alternativa alimentícia

    À medida que a população do mundo cresce e as taxas de pobreza também sobem, a pressão para encher cada boca faminta aumenta de forma galopante. Os seres humanos geralmente dependem muito das opções tradicionais de proteínas, como carne vermelha, peixe e aves, mas a criação desses animais em número suficiente para atender às crescentes demandas (que devem dobrar entre 2000 e 2050) coloca uma enorme pressão sobre nossos recursos globais.

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    Atualmente, cerca de 70% das terras agrícolas estão sendo usadas para criar gado. O problema é que o gado tradicional também contribui significativamente para as emissões de gases de efeito estufa e a produção de amônia. Além disso, o estrume desse gado contamina as fontes de água com patógenos e toxinas. Consequentemente, esses desafios exigem criatividade e inovação para serem resolvidos, mas uma solução em potencial gira em torno do consumo de insetos. Para se ter uma ideia, os insetos têm uma alta eficiência na conversão de alimentos, o que significa que eles precisam de menos comida do que outras criaturas para convertê-la em massa corporal. Por exemplo, para cultivar 1 kg de proteína animal, o gado deve receber cerca de 6 kg de proteína vegetal. Por outro lado, são necessários aproximadamente 1,7 kg de proteína vegetal para produzir 1 kg de peso de isento, como no caso dos grilos. Além disso, os insetos também são comedores menos exigentes e requerem menos água.

    Outro fator a ser levado em conta é que esses seres podem ser alimentados com uma dieta de resíduos orgânicos secundários, como grama, esterco, resíduos de madeira, etc. Isso significa que insetos comestíveis, como a larva-da-farinha, podem não apenas servir como alimento, mas também podem ajudar a combater o lixo orgânico. Dito isto, vale destacar que há pesquisas sendo feitas sobre os efeitos que essas estratégias alimentares podem ter contra a proliferação de doenças e crescimento microbiano.

    Insetos e nutrição

    O perfil nutricional dos insetos varia de acordo com a espécie e seu estágio no ciclo de vida. No entanto, os principais nutrientes em comum desses seres vivos envolvem fibras, proteínas e gorduras. Por se tratar de animais muito pequenos, eles têm um alto teor de proteínas se comparável à carne bovina ou de frango. Além disso, muitos insetos também são ricos em ácidos graxos mono e poliinsaturados, tornando-os uma fonte potencial de ômega-3 e ômega-6. Por incrível que pareça, alguns insetos são boas fontes de vitaminas, como ácido pantotênico e riboflavina, além de outros micronutrientes, como cobre, ferro, magnésio, manganês, fósforo, selênio e zinco. No entanto, assim como não podemos comer todos os vertebrados que vemos, também não podemos comer qualquer inseto do chão. Alguns deles produzem toxinas que são perigosas para os seres humanos se consumidas, sem falar que outros podem causar doenças.

    Sabe-se que cerca de 2000 espécies de insetos são comestíveis para os seres humanos. De acordo com a lista mundial de insetos comestíveis da Universidade de Wageningen, os besouros da ordem Coleoptera são os insetos mais apreciados, com as lagartas da ordem Lepidoptera em segundo lugar, seguidas por formigas, abelhas, vespas, gafanhotos e grilos. Além disso, é importante deixar claro que apenas ser capaz de comer um inseto não é suficiente. Na prática, é muito importante cultivar o inseto usando os mesmos padrões de saneamento e saúde que usamos para a criação de animais como vacas, frangos, entre outros. De fato, os benefícios nutricionais obtidos estão intimamente ligados à boa criação dessas criaturas.


    Uma palavra final

    Para muitas pessoas nos países ocidentais, a ideia de comer insetos pode ser algo extremamente nojento, mas para muitas populações ao redor do mundo, os insetos podem ser uma resposta para seus problemas de alimentação. De fato, está se tornando cada vez mais claro que precisamos repensar a maneira como os humanos interagem com os alimentos, especialmente considerando o fato de que as Nações Unidas projetam que até 2050 a população do mundo chegará a 9 bilhões de pessoas. Considerando a nossa população crescente e a ameaça iminente das mudanças climáticas e seus efeitos na agricultura, a sobrevivência de nossa espécie exigirá mudanças, o que poderá significar a inclusão de algumas iguarias de seis patas em nossos pratos!

    Fonte: ttps://www.barrons.com
               https://www.tricurioso.com/

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