O segredo sujo da CIA: prostitutas, LSD e espelhos falsos

O segredo sujo da CIA: prostitutas, LSD e espelhos falsos

Operação Midnight Climax: Quando a CIA Transformou São Francisco num Bordel de LSD e Chantagem. Imagina só: você tá em 1959, numa noite fria em San Francisco, acaba de sair do bar com uma mulher linda que te deu o maior papo. Ela te convida pra “continuar a festa” num apartamento chiquérrimo na Telegraph Hill, com vista pra Baía. Você sobe, toma um drink que ela te oferece, começa a se sentir… estranho. As paredes derretem. O teto vira um dragão. Você tenta gritar, mas só sai um gemido.

E tem um detalhe que você nunca vai descobrir: atrás do espelho do quarto tem uns caras de terno, martini na mão, anotando tudo. Um deles é agente da CIA. O drink tinha LSD puro. E aquela mulher? Funcionária da agência, paga por cabeça. Bem-vindo à Operação Midnight Climax, o capítulo mais psicodélico, sujo e absurdo do MKUltra, o programa secreto de controle mental da CIA que rodou entre 1953 e 1973.

Como tudo começou (e porque ninguém acredita até hoje)

Depois da Guerra da Coreia, a CIA ficou paranoica. Os comunistas, diziam os relatórios, tinham desenvolvido técnicas de lavagem cerebral que transformavam prisioneiros americanos em marionetes. O diretor da agência, Allen Dulles, autorizou então o projeto MKUltra: “Vamos descobrir como destruir a mente de alguém… e como reconstruir do jeito que a gente quiser”. Dentro do MKUltra existiam 149 subprojetos. O mais famoso — e mais doente — foi o Subprojeto 42, depois batizado de Midnight Climax. O cara que comandou a bagunça foi Sidney Gottlieb, químico da CIA apelidado de “Mago Negro”. Ele contratou o coronel George Hunter White, um ex-agente do narcótico que adorava uísque, morfina e putas (na própria descrição dele no diário). White montou três bordéis de luxo:

São Francisco (2545 Telegraph Hill e 225 Chestnut St.)
Nova York (rua 13 Oeste)
Um terceiro em Marin County, mais discreto

As casas eram puro glamour dos anos 50: sofás de veludo, quadros do Renoir nas paredes, bar lotado de bebidas caras e… microfones e câmeras escondidos em tudo. Até no banheiro.
O esquema era simples e cruel

Prostitutas contratadas (muitas vezes viciadas que aceitavam o trabalho em troca de heroína fornecida pela própria CIA) saíam pra caçar “voluntários” em bares da North Beach.
Levavam os caras pro apartamento.

Serviam drinks com LSD (às vezes heroína, mescalina ou MDMA, dependendo do humor dos cientistas).

Transavam.

Observadores da CIA anotavam cada reação: paranoia, choro, surtos sexuais bizarros, confissões de crimes, tudo virava dado. Alguns homens eram chantageados depois — “ou você trabalha pra gente ou suas fotos pelado gritando que é um esquilo vão parar na mesa do seu chefe”.

George White escreveu no diário em 1955:

“É claro que eu era um filho da puta completo. Eu gostava. Onde mais um federal poderia mentir, matar, roubar, estuprar e saquear com a sanção e a bênção dos Mais Altos?”

Os alvos não eram só qualquer um

Apesar do que contam por aí, nem todo mundo era um cidadão comum. Tinha executivo de empresa, diplomata estrangeiro, militar de alta patente, jornalista, político local. A ideia era testar se dava pra extrair informação ou transformar alguém em agente duplo usando drogas e sexo. Funcionou? Nem um pouco. Mas isso nunca foi o ponto. O ponto era experimentar.

O caso que virou lenda: Frank Olson

O bioquímico da CIA Frank Olson participou de uma sessão em 1953 (antes do Midnight Climax oficial). Levaram ele pra uma cabana em Maryland, colocaram LSD no licor sem avisar. Olson entrou em colapso psicótico. Nove dias depois “caiu” da janela do 10º andar do Hotel Statler, em Nova York. A CIA disse que era suicídio. A família só descobriu a verdade em 1975, quando o escândalo do MKUltra veio à tona. Em 2017 uma nova autópsia apontou que Olson foi jogado da janela. Até hoje o caso é classificado como homicídio.

E as vítimas “comuns”?

Teve de tudo:

Um cara que tomou LSD, achou que era um copo de laranja gigante e tentou “beber” a namorada.
Outro que ficou convencido que estava morto e passou horas tentando enterrar a si mesmo no tapete.
Teve quem saiu correndo pelado na rua gritando que o diabo estava vindo buscar ele.
Pelo menos sete mortes documentadas (suicídios ou overdoses) foram abafadas. Provavelmente mais.

O fim da farra

Em 1963 o inspetor-geral da CIA, John Earman, leu os relatórios e ficou horrorizado: “Isso é coisa de Gestapo”. Em 1966 os bordéis foram fechados. George White se aposentou, mudou pra São Francisco mesmo e morreu em 1975 de cirrose, ainda rindo da própria obra.
Os arquivos? A maior parte foi queimada em 1973 por ordem de Richard Helms, então diretor da CIA. O que sobrou veio à tona graças ao Freedom of Information Act e às audiências da Comissão Church em 1975.

Curiosidades que ainda chocam

A CIA gastou o equivalente a 500 milhões de dólares de hoje só no MKUltra.
O LSD usado era comprado da Sandoz, na Suíça, e distribuído por ninguém menos que… o futuro guru do ácido Timothy Leary (sem saber que a fonte era a CIA).
Uma das prostitutas, chamada “Candy”, virou amante fixa de George White e ganhou um carro de presente.
Allen Ginsberg e Ken Kesey tomaram LSD que veio, indiretamente, do mesmo estoque da agência.

E a gente aprende o quê com isso?

Que poder sem controle vira circo de horrores. Que “segurança nacional” já foi desculpa pra tudo. Que o governo americano, nos anos 50 e 60, tratou cidadãos como ratos de laboratório — e muitas vezes nem pediu desculpas depois. Hoje os prédios de Telegraph Hill ainda estão lá. Turista tira foto da vista, bebe um café na varanda e nem imagina que, sessenta anos atrás, ali rolava o experimento mais louco e imoral da Guerra Fria. E você, que começou lendo isso por curiosidade… terminou, né? Nem viu a hora passar.