Você trabalhou 100% do ano. Ficou com 32%. O resto? Foi "de centavo em centavo" pro ralo. Sabe aquela sensação de que você rala, rala, rala e no fim do mês não sobra quase nada? Não é impressão não. E não é só "falta de controle financeiro" ou "gastar com bobagem". É pior. Muito pior. Vamos fazer uma conta de padaria, mas dessas que dói. Você consegue um emprego. Batalha. Sua empresa te paga, digamos, R$ 10 mil por mês. Só que você nem vê esse valor direito, porque primeiro vem o famoso leão.
O Imposto de Renda já abocanha 27,5% direto da sua fonte. Pronto: dos R$ 10 mil que você deveria receber pelo seu esforço, já era. Sobram R$ 7.250. "Ok", você pensa. "Ainda dá pra viver." Aí você sai de casa. Precisa comprar comida, remédio, roupa, material de limpeza. Coisa básica. Sabe o que acontece? Chega no caixa do supermercado, na farmácia, na loja, e lá vem mais uma facada sorrindo: 45% de imposto embutido no consumo. Isso mesmo. Daquele dinheiro que sobrou do seu salário, quase metade vai embora de novo em tributos que você nem vê — estão ali, escondidos no preço final. Vamos às contas de novo: dos R$ 7.250 que sobraram, descontando 45%, você fica com aproximadamente R$ 3.987 de poder de compra real. É ou não é de chorar? Traduzindo: você trabalhou 100% do seu tempo, suou, se estressou, perdeu noite de sono, e no fim das contas só 40% do que você ganhou de fato vira algo que você pode usar. O resto? O governo levou.
Aí você resolve ficar em casa. Não compra nada. Nem carro tem. Achou que escapou? Achou errado. O brasileiro médio tem um talento impressionante pra levar facada até dormindo. É o tal do imposto sobre a propriedade. Se você tem um imóvel — muitas vezes conquistado depois de uma vida inteira pagando financiamento — todo ano chega o carnê do IPTU. Se tem um carro — nem que seja um popularzinho velho de guerra — chega o IPVA. Isso somado pode levar até 8% do salário anual da classe média só pra manter o direito de ter o que já é seu. Pare pra pensar: você já pagou pelo imóvel. Já pagou pelo carro. O dinheiro saiu do seu bolso, com todos os impostos incidentes na compra. E ainda assim, todo santo ano, tem que pagar de novo pra continuar tendo. É tipo você comprar uma pizza, comer ela, e todo mês voltar o entregador na sua casa cobrando mais uma taxa "porque a pizza ainda está dentro de você".
Não tem escapatória. Mesmo que você fique em casa, sem gastar nada, sem sair, sem comprar nada, o governo te alcança. Vamos juntar tudo agora. Segura que dói. Você trabalhou 100% do ano. O IR levou 27,5% na largada. O consumo levou 45% na chegada. A propriedade levou mais 8% enquanto você dormia. Somando tudo, de forma bem direta e sem floreios: 68% do que você produziu foi embora em impostos. Você ficou com 32%. Trinta e dois por cento. Isso significa que, para cada R$ 1 milhão que você gerou com seu trabalho ao longo da vida, R$ 680 mil foram parar nos cofres públicos. E você, seu suor, sua família, ficaram com R$ 320 mil.
O que o povo recebe de volta
Aí você me pergunta: "Mas o que eu ganho em troca?" Ótima pergunta. Vamos ver. Luz, água, educação, segurança, saúde. Tudo devia ser de graça, né? Afinal, você pagou por tudo isso. Só que não é.
Luz: fim de 2025, início de 2026, mais de 30% de aumento. Sabe aquele alívio de "agora vai melhorar"? Pois é. Não vai.
Água: sobe toda hora. Reajuste atrás de reajuste. E quando falta — porque falta, e muito — ninguém devolve o dinheiro.
Educação: uma das piores do mundo. Dados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) colocam o Brasil no fim da fila entre dezenas de países. Seu filho aprende na escola pública o que deveria aprender dois ou três anos antes. E quando chega no mercado de trabalho? Aí descobre que o diploma não vale quase nada. Vergonha? Vergonha.
Segurança: praticamente nula. O Estado não consegue te proteger. E o pior: não deixa que você se proteja sozinho. Armas são restritas, burocráticas, quase impossíveis pro cidadão comum. Enquanto isso, facções criminosas dominam bairros, cidades, regiões inteiras. A polícia? Quando entra, entra com medo. Ou não entra. Você fica refém dentro da sua própria casa.
Saúde: o SUS ajuda? Ajuda. Mas vamos combinar: atendimento é numa linha de montagem. Rápido, automático, impessoal. "Próximo!" Se você tem algo grave, a fila é tão longa que, quando chegar sua vez, a chamada pode ser direto pro cemitério. O mais triste? O problema se resolve em uma semana — ou menos — se você tiver R$ 300, R$ 500, R$ 700 pra pagar uma consulta particular. Mas quantos têm?
E tem mais. Muito mais. Porque a faca não para de girar. Aí você pensa: "Ok, vou descansar. Deixar uma herança pros meus filhos. Pelo menos eles ficam com algo." Engano. Quando você morre — e convenhamos, com esse estresse todo, um infarto vem mais cedo ou mais tarde — o governo mete a mão de novo: ITCMD, o imposto sobre herança. Até 8% do que você deixou. Do suor da sua vida inteira. Ou seja: você trabalhou, pagou impostos para trabalhar, pagou impostos para consumir, pagou impostos para ter propriedade, pagou impostos para morrer… e no fim, seus filhos ainda pagam imposto para receber o que restou.
Não é circo? É. Só que você é o palhaço
E não está recebendo por isso. A cereja do bolo podre: alimentação de qualidade não é para todos. A população ganha um salário mínimo — ou um pouco mais, quando muito. Alimentação de qualidade, com comida de verdade, sem veneno, sem conservante, sem agrotóxico proibido em dezenas de países mas liberado aqui? É cara. Muito cara. Então a família vai no supermercado e compra o que dá. Produtos baratos. Cheios de química. Glifosato, conservantes, corantes, realçadores de sabor. Coisa que nem deveria ser chamada de comida. O que acontece com o tempo? Problemas de saúde. Uma enxurrada. Câncer, diabetes, obesidade, hipertensão, problemas hormonais, alergias. Tudo isso vai parar — adivinha onde? — no SUS. Que já está entupido, precário, sem leito, sem médico, sem remédio. Ou seja: o sistema te empurra comida ruim porque você não tem dinheiro para a boa. A comida ruim te adoece. Você fica doente, vai para o SUS quebrado. O SUS não dá conta. Você piora. Se tiver sorte, consegue um particular. Se não tiver… bem, você já sabe.
E aí, quem lucrou?
A indústria de veneno, o governo que tributa tudo, e o plano de saúde que cobra caro e na hora que você precisa arruma mil desculpas para não cobrir. E o pior de tudo: o brasileiro se acostumou. Essa é a parte mais triste de toda essa história. A gente já nem estranha mais. Já acha normal pagar 68% do que se produz em impostos. Já acha normal esperar horas num pronto-socorro. Já acha normal ser assaltado, ter a casa invadida, andar com medo na rua. Já acha normal o filho aprender mal na escola. Já acha normal comer veneno. "É assim mesmo", a gente diz. "Não tem jeito."
Tem jeito, sim. Mas enquanto a população continuar achando que migalha é feijoada, que esmola é direito, que impostos são "investimento" e que político é quase um pai… nada muda. Você já parou para pensar que o Brasil é um dos países que mais arrecada impostos no mundo? E que devolve em serviço público uma das piores qualidades do planeta? Isso não é incompetência. É projeto. E projeto não se resolve com migalha eleitoral de quatro em quatro anos.
Conclusão? Não tem conclusão feliz
A verdade é dura: você trabalha, paga, morre, e ainda deixa imposto pros filhos pagarem. O governo pega 68% do que você produz e te devolve esmola em segurança, saúde, educação e infraestrutura. E quando você reclama, ainda te chamam de "elite", "coxinha", "privilegiado". Não é mimimi. É matemática. E a matemática não mente: você fica com 32% do que ganha. O resto é roubado. A pergunta que fica é: até quando você vai aceitar isso? Porque reclamar no bar, no Facebook, no WhatsApp, e na hora do voto continuar elegendo os mesmos… aí o otário é você. Ou a gente começa a exigir de verdade — cobrar, fiscalizar, votar diferente, se informar, se organizar — ou daqui a pouco os 32% viram 20%. E depois 10%. E depois nada. E aí, meu amigo, não vai ter mais circo. Vai ter só o hospício.