Açougue humano em Indiana: A vida macabra e o sumiço de Belle Gunness. Sabe aquela história de que o amor é cego? Pois é, no início do século 20, para dezenas de homens que cruzaram o caminho de Belle Gunness, o amor não foi só cego, ele foi letal, esquartejado e enterrado no chiqueiro. Se você acha que as séries de true crime da Netflix são pesadas, senta aí, porque a realidade dessa norueguesa radicada nos EUA faz qualquer roteiro de Hollywood parecer desenho animado.
Estamos falando da Viúva Negra original. Uma mulher que transformou a busca pelo "sonho americano" em um pesadelo regado a sangue, ganância e uma frieza que desafia a lógica. E o pior de tudo? Até hoje, ninguém sabe ao certo se ela realmente pagou pelo que fez.
Uma gigante nórdica em busca de... seguros?
Nascida Brynhild Paulsdatter Størset na Noruega, em 1859, Belle desembarcou nos Estados Unidos com o objetivo de mudar de vida. E mudou. Com quase 1,80m de altura e pesando cerca de 90 kg de puro músculo, ela não era exatamente a figura da "donzela em perigo". Belle era uma força da natureza. Ela se estabeleceu primeiro em Chicago, onde se casou com Mads Sorenson. Coincidentemente (ou não), a loja deles pegou fogo logo depois de abrirem o negócio. Pouco tempo depois, Mads morreu de "insuficiência cardíaca" justamente no único dia em que duas apólices de seguro de vida se sobrepunham. Belle embolsou a grana, pegou as filhas e se mandou para La Porte, Indiana, onde comprou a fazenda que se tornaria o cenário de um dos maiores massacres da história americana.
O segundo marido e a "estranha fatalidade" do moedor de carne
Em Indiana, Belle se casou com Peter Gunness. Menos de um ano depois, Peter estava morto. A explicação de Belle? Um moedor de carne pesado caiu da prateleira bem na cabeça dele. Azar, né? O médico legista achou estranho, mas Belle, com seu jeito convincente e lágrimas de crocodilo, conseguiu convencer todo mundo de que foi um acidente trágico. Mais uma vez, o dinheiro do seguro caiu na conta.
O Tinder da morte: "Traga suas economias"
Depois de ficar viúva de novo, Belle percebeu que matar maridos era rentável, mas demorado. Foi aí que ela teve uma ideia brilhante e diabólica: publicar anúncios em jornais noruegueses nos EUA, procurando um "companheiro de vida". Os anúncios eram quase poéticos. Ela se descrevia como uma viúva robusta, dona de uma fazenda próspera, procurando um homem honesto para compartilhar a vida. Mas havia um detalhe crucial: o pretendente deveria vir preparado para investir na fazenda e, de preferência, trazer todas as suas economias em dinheiro vivo. Homens solitários, em busca de um lar e de uma mulher forte, caíram como patinhos. Eles chegavam em La Porte com seus baús, seus dólares e suas esperanças. Eles entravam na fazenda... e nunca mais saíam.
O "abatedouro" nos fundos da casa
Belle não tinha frescura. Ela mesma abatia os porcos da fazenda, e logo percebeu que a anatomia humana não era tão diferente assim. Os investigadores acreditam que ela drogava os pretendentes durante o jantar e, depois, usava sua força física impressionante para golpeá-los ou estrangulá-los. Mas o que fazer com os corpos? Belle era prática. Ela desmembrava as vítimas com a precisão de um açougueiro profissional e enterrava os restos no chiqueiro dos porcos ou em valas rasas espalhadas pela propriedade. Para os vizinhos, ela era apenas uma viúva trabalhadora que gostava de cavar no jardim à noite. "Apenas cuidando das plantas", ela dizia.

O fogo que revelou o inferno
A casa da fazenda de Belle Gunness pegou fogo na madrugada de 28 de abril de 1908. Quando as chamas foram apagadas, o cenário era de horror absoluto. Nas cinzas, os bombeiros encontraram os corpos de três crianças (as filhas de Belle) e o corpo de uma mulher decapitada. A princípio, todos pensaram: "Pobre Belle, morreu com seus filhos". Mas aí um homem chamado Asle Helgelien apareceu na cidade. O irmão dele, Andrew, tinha ido visitar Belle com 3 mil dólares no bolso e sumido do mapa. Asle não engoliu a história do incêndio e exigiu que a polícia escavasse a propriedade.
O que encontraram foi de revirar o estômago:
Dezenas de relógios e joias de homens desaparecidos.
Ossos humanos misturados aos detritos.
Corpos em diversos estados de decomposição, muitos faltando partes, enterrados sob o esterco dos porcos.
Estima-se que Belle tenha feito mais de 40 vítimas, incluindo seus próprios filhos, que ela matou para não deixar testemunhas de suas atrocidades.
O mistério final: Belle morreu ou fugiu?
Aqui é onde a história ganha ares de lenda urbana. O corpo decapitado encontrado no incêndio era muito menor do que Belle Gunness. Testemunhas e médicos que conheciam a "gigante norueguesa" afirmaram que aquele cadáver não era dela. Além disso, a cabeça nunca foi encontrada. Surgiram teorias de que Belle teria matado uma mulher qualquer, colocado as próprias roupas nela, ateado fogo na casa e fugido com uma fortuna em dinheiro que ela havia sacado dias antes. Ray Lamphere, um ajudante de Belle que foi acusado de incendiar a casa por ciúmes, confessou no leito de morte que ajudou Belle a enterrar muitos corpos e que ela, de fato, escapou.
O rastro que esfriou
Anos depois, em 1931, uma mulher chamada Esther Carlson foi presa em Los Angeles por envenenar um homem para ficar com o dinheiro dele. Ela tinha uma semelhança incrível com Belle Gunness. Infelizmente, Esther morreu antes de ser julgada, e o mistério permaneceu sem resposta definitiva. Testes de DNA foram tentados em 2008 nos restos mortais encontrados na fazenda, mas os resultados foram inconclusivos devido à degradação do material.
Uma lição sangrenta sobre ganância
Belle Gunness não foi apenas uma serial killer; ela foi uma empreendedora do crime. Ela transformou a hospitalidade em uma armadilha e a família em um negócio lucrativo. Ela não tinha empatia, não tinha remorso e, ao que tudo indica, tinha uma inteligência perversa que lhe permitiu enganar autoridades por anos. A história da Viúva Negra de Indiana nos lembra que a maldade, às vezes, não se esconde em becos escuros, mas em fazendas tranquilas, atrás de um anúncio de jornal e de um sorriso (ligeiramente assustador) de uma mulher que só queria "um companheiro honesto".
No fim das contas, Belle Gunness provou que o crime pode até não compensar a longo prazo, mas, se você for forte o suficiente e souber usar um machado, pode deixar o mundo inteiro em dúvida por mais de um século. Se ela morreu nas chamas ou viveu o resto da vida em algum lugar ensolarado gastando o dinheiro de seus pretendentes, talvez nunca saibamos. Mas de uma coisa pode ter certeza: os porcos daquela fazenda em La Porte viram coisas que ninguém deveria ver.