Esperando os forcados e as tochas, a tese "insana" de Nick Hanauer

    plutocra topoPor Bruno Barbosa, 18/04/2015 - Talvez o nome Nick Hanauer não signifique muita coisa pra você, mas ele é uma das pessoas mais ricas do mundo. Nick já investiu milhões de dólares, conhece o mercado e se autodenomina como “um capitalista sem remorsos“. Mas ao contrário de muitos de seus colegas ricos, Nick tem uma ideia inconveniente para mudar o capitalismo e ajudar quem precisa. Ouça seu argumento de por que um relevante aumento no salário mínimo poderia desenvolver a classe média, gerar prosperidade econômica… e impedir uma revolução.

    O argumento de Nick é bastante interessante. A desigualdade cresce a ritmo acelerado e vai chegar um ponto que os desfavorecidos precisarão agir… mas como? Com força e violência? Empreendedor de Seattle, adotou como causa a de que ricos paguem imposto maior. Não está sozinho. O investidor Warren Buffett, o quarto homem mais rico do mundo, defende a mesma tese. Bill Gross, fundador da empresa de investimentos Pimco, chamou os ricos que não querem pagar mais impostos de "Tio Patinhas" e prega alíquotas maiores nas declarações públicas que dá.

    Hanauer já carrega essa bandeira há alguns anos: escreveu dois livros sobre o tema. Ambos estão disponíveis na loja virtual da qual ele é sócio: a Amazon. Ele conta que, há vários anos, conversava com um amigo sobre o grande potencial da internet. "Fui o primeiro investidor na empresa dele. O nome dele é Jeff Bezos." Além disso, vendeu, por US$ 6,4 bilhões, uma empresa de marketing à Microsoft. Segundo Hanauer, a Amazon tem cerca de 80 mil empregados e é responsável por uma perda de mais de 900 mil vagas --o cálculo leva em conta o número de trabalhadores necessários no varejo tradicional para vender o mesmo que a loja virtual. Para que essas pessoas voltem a participar da economia, diz o bilionário, é preciso investir nelas os impostos cobrados dos mais ricos.

    Sua tese é a seguinte: em um país onde o mercado interno é forte, a economia só cresce se os consumidores tiverem dinheiro. Mas a classe média, como professores e médicos, gasta de 35% a 39% de sua renda em impostos, enquanto milionários pagam, no máximo, 15%. Hanauer diz que escolheu doar seu tempo e recurso a "forçar todos a fazer a coisa certa". Segundo ele, o dinheiro que gasta com lobby já dá resultados --o salário mínimo da sua região passou de US$ 7,50 para US$ 15/hora.Há alguns anos Nick deu outra palestra no TED que acabou sendo censurada pela organização. Com o título de “Rich People Don’t Create Jobs“ (“Os ricos não criam empregos”, em tradução livre), Nick tinha argumentos bem parecidos com os que você acabou de ver, mas não foi amplamente divulgado pelo TED por ser “controverso e muito partidário”.

    Porém, com o “vazamento” e a popularização do “novo capitalistmo” de Nick , a organização acabou o convidando para a palestra “Beware, fellow plutocrats, the pitchforks are coming“ (“Cuidado, amigos plutocratas, os forcados estão chegando”, em tradução livre).


    Justiça Social


    Nick Hanauer, americano de Seattle, é um capitalista. Ele coloca dinheiro em empreendimentos nos quais acredita, e tem se dado bem. Venture capitalist, como se diz em inglês. Hanauer foi o primeiro investidor, fora da família Bezos, a comprar ações da Amazon. Ele não tem problemas em se definir como um “super-rico”. Hanauer poderia estar quieto em seu canto, desfrutando de sua fortuna. Mas não está. A desigualdade que se alastrou pelos Estados Unidos nos últimos trinta anos, e da qual ele foi beneficiário, acabou por incomodá-lo a ponto de torná-lo um ativista social. A essência de seu pensamento pode ser vista neste depoimento de cinco minutos que ele concedeu ao TED, uma organização que promove discussões com a finalidade de tornar o mundo melhor. A fala está no pé deste texto. Vale a pena ouvir Hanauer. Há legendas em várias línguas no vídeo.

    Hanauer tem um argumento que é fortíssimo. Se fosse verdade que baixando os impostos dos ricos toda a sociedade se beneficiaria com a criação de novos postos de trabalho, os Estados Unidos estariam “afogados em empregos”. E não, como acontece, em meio a uma dramática crise econômica em que o desemprego é alarmante. Uma tese de Hanauer merece debate entre economistas. Segundo ele, quem cria emprego, na verdade, é a “classe média consumidora”, ao comprar produtos – e não empreendedores, que pouco mais fariam além, na visão de Hanauer, além de identificar os anseios do público.


    Transcrição do vídeo da conferência de Nick em agosto de 2014

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    "Vocês provavelmente não me conhecem, mas eu sou um dos 0,01% sobre quem leem e ouvem falar. e sou, em termos razoáveis, um plutocrata. Esta noite eu gostaria de falar diretamente a outros plutocratas, ao meu povo, porque parece que está na hora de termos uma conversa. Como a maioria dos plutocratas, eu sou um capitalismo orgulhoso e sem remorso. Eu funde, cofundei ou financiei mais de 30 empresas em várias áreas da indústria. Fui o primeiro investidor não familiar da Amazon.com, co fundei uma empresa chamada aQuantive que vendemos a Microsoft por 6,4 bilhões de dólares. Meus amigos e eu temos um banco. Eu digo isso (risos..) inacreditável, náo? Eu digo isso para mostrar que minha vida é como a da maioria dos plutocratas. Eu tenho uma visão ampla do capitalismo e dos negócios, e fui obcenamente recompensado porisso, com uma vida que a maioria de vocês não pode nem imaginar: várias casas, um iate, meu próprio avião, etc, etc, etc.

    Mas sejamos honestos: eu não sou a pessoa mais esperta da Terra, com certeza não sou a mais esforçada, eu era um aluno medíocre, não sei ser técnico, não sei escrever uma inha de código. De fato, eu sucesso é o produto de uma sorte espetacular, de nascença, de circunstâncias e de momento. Mas eu sou muito bom em algumas coisas. Uma é que tenho uma tolerância anormalmente alta a correr riscos, e a outra é que tenho um bom sentido, uma boa intuição do que vai acontecer no futuro, e eu acho que essa intuição sobre o futuro é a essência do bom empreendedorismo.

    Então o que eu vejo no nosso futuro hoje, vocês perguntam? Eu vejo forcados, multidões enfurecidas com tochas e forcados, porque enquanto pessoas com nós, plutocratas, estão vivendo além dos sonhos da ganância, os outros 99% dos nossos concidadãos estão ficando mais e mais para trás. Em 1980, o 1% mais rico dos americanos concentrava em torno de 8% da riqueza nacional, enquanto que os 50% mais pobres concentravam 18%.Trinta anos depois, hoje, o 1% mais rico concentra mais de 20% da riqueza nacional enquanto que os 50% mais pobres concentram 12 ou 13%.

    Se esse padrão continuar, o 1% vai ter mais de 30% da riqueza nacional em 30 anos, enquanto que os 50% vão ter só 6%. Entendam, o problema não é que temos desigualdade. Um pouco de desigualdade é necessária para uma democracia capitalista eficiente. O problema é que a desigualdade está batendo recordes hoje em dia e esta ficando pior a cada dia. E se a riqueza, o poder e a renda continuarem a se concentrar na pontinha de cima, nossa sociedade vai passar de uma democracia capitalista para uma sociedade rentista neofeudal como na França do século 18. Esse era, vocês sabem, a França antes da revolução e das multidões com forcados.

    Tenho uma mensagem para meus companheiros plutocratas e zilionários e para qualquer um que mora numa bolha com portaria: ACORDEM ! Acordem, que isso não pode durar. Porque se não fizermos alguma coisa para consertar as gritantes desigualdades da sociedade, os forcados vão vir atrás de nós, pois nenhum sociedade livre e aberta pode manter esse tipo de desigualdade por muito tempo. Nunca aconteceu. Não existem exemplos. Me mostre uma sociedade altamente desigual e eu vou te mostrar um estado policial ou uma insurreição.

    Os forcados vão vir atrás de nós, se não dermos um jeito nisso. Não é um "se", é um "quando". E vai ser horrível quando eles vierem para todos, mas particularmente para pessoas com nós plutocratas. Eu sei que devo parecer um bom samaritano liberal. Mas não sou. Não estou usando um argumento moral de que a desigualdade econômica é errada. O que eu estou argumentando é que a desigualdade crescente é burra e inevitavelmente autodestrutiva. A desigualdade crescente não só aumenta o risco de forcados, mas também é péssima para os negócios.

    Então, o modelo para nós, ricos, deve ser Henry Ford. Quando ele instituiu o famoso "dia de 5 dólares", que era o dobro do salário prodominaate na época, ele não apenas aumento a produtividade de suas fábricas, ele transformou automotrizes explorados e pobres em uma próspera classe média que podia comprar os produtos que faziam. Ford adivinhou o que nós sabemos hoje, que uma economia é melhor vista como um ecossistema e caracterizado pelos mesmos ciclos de feedback encontrados em um ecosistema, natural, um ciclo entre os clientes e os negociantes. Salários maiores criam uma demanda maior, que gera contratações, que faz aumentar os salários e a demanda e os lucros, e esse virtuoso círculo de prosperidade crescente é exatamente o que falta na recuperação econômica de hoje.

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    E é por isso que temos que deixar para trás as políticas de migalhas enraizadas em ambos os partidos e abarçar o que eu chamo de economia de classe média. A economia de classe média rejeita o pensamento economico neoclássico de que economias são eficientes, lineares e mecanisticas, de que elas tendem ao equilíbrio e a justiça, e no lugar, abraça a idéia do século 21 de que economias são complexas, adaptáveis,ecossistÊmicas, de que elas tendem contra o equilíbrio e a favor da desigualdade, de que não são nem um pouco eficientes, mas são eficazes se bem administradas.

    Essa perspectiva do século 21 permite ver claramente que o capitalismo não funciona alocando eficientemente recursos disponíveis. Ele funciona eficientemente criando novas soluções para os problemas humanos. A genialidde do capitalismo é que ele é um sistema evolucionário de criação de soluções. Ele recompensa as pessoas por resolver os problemas alheios. A diferença entre uma sociedade pobre e uma rica, é claro, é o grau no qual essa sociedade criou soluções na forma de produtos par seus cidadãos. A soma das soluções que temos em nossa sociedade é a nossa prosperidade, é isso que explica por que empresas como o Google, Amazon, Microsoft, Apple e os empreendedores que criaram essas empresas contribuiram tanto para a prosperidade da nossa nação.

    Essa perpectiva do século 21 também deixa claro que o que nós consideramos crescimento econômico é melhor entendido como o ritmo em que solucionamos problemas. Mas esse ritmo depende totalmente de quantos solucionadores, variados e capazes, nós temos, e assim quantos de nossos concidadãos participam ativamente, tanto como empreendedores que oferecem soluções, quanto como clientes que as consomem. Mas essa maximização da participação não acontece por acidente, não acontece sozinha. Ela requer esforço e investimento, e é por isso que todas as democracias capitalistas altamente prósperas são caracterizadas por investimentos maçiços na classe média e na infraestrutura da qual depende.

    Nòs plutocratas temos que deixar essa economia de migalhas para trás, essa idéia de que quanto melhor nos dermos, melhor o resto do mundo vai se dar. Não é verdade! Como poderia ser? Eu ganho mil vezes o salário médio, mas não compro mil vezes mais coisas, compro? Eu comprei dois pares de calças, que meu parceiro Mike chama de calças de gerente. Eu poderia ter comprado duas mil calças, mas o que eu faria com elas? (risos..) Quantas vezes eu posso cortar o cabelo? Quantas vezes eu posso sair para jantar? Não importa quanto dinheiro alguns plutocratas ganhem, nós nunca vamos conseguir manter uma economia nacional forte. Só uma classe média próspera pode fazer isso.

    Não ha nada a fazer, meus amigos plutocratas podem dizer, Henry Ford é de outra época. Talvez não possamos fazer algumas coisas. Talvez possamos fazer algumas coisas. Em 19 de junho de 2013, a Bloombeg publicou um artigo meu chamado "O Argumento do Capitalista a favor de um salário mínimo de US$ 15". As ótimas pessoas da revista Forbes, alguns de meus maiores admiradores, o chamaram de "A insana proposta de Nick Hanauer". E mesmo assim, meros 350 dias após a publicação do artigo, Ed Murray, o prefeito de Seatle, sancionou a lei aumentando o salário mínimo na cidade para US$ 15 a hora, mais que o dobro do valor federal prevalente, US$ 7.25.

    "Como isso aconteceu?", pessoas sensatas podem perguntar. Aconteceu porque alguns de nós lembraram a classe média que eles são a fonte do crescimento e prosperidade nas economias capitalistas. Nós lembramos que quando trabalhadores tem mais dinheiro, os comércios tem mais fregueses e precisam de mais empregados. Nós os lembramos que quando os empregadores pagam um salário digno, os contribuintes são aliviados do peso de financiar programas de assistÊncia social como vale refeições, assitência médica e assitência de aluguel, de que os trabalhadores precisam. Lembramos eles que trabalhadores mal pagos são péssimos contribuintes, e que quando você aumenta o salário mínimo para todos os negócios, todos eles se beneficiam e mesmo assim todos podem competir.

    Agora, a reação ortodoxa, é claro, é a de aumentar o salário mínimo causa desemprego, certo? Seu sindicato está sempre papagaiando essa ideia das migalhas, ao dizer coisas como "bom, se você aumentar o custo do emprego, adivinhe? você tem menos emprego." Você esta certo disso? Porque há algumas provas do contrário. Desde 1980, os salários dos CEOs no nosso país foram 30 vezes o salário médio para 500 vezes. Isso é aumentar o preço do emprego. E mesmo assim, pelo que eu sei, nunca uma empresa terceirizou o trabalho do CEO, o automatizou ou exportou para a China. Na verdae, parece que estamos empregando mais CEOs e gerentes senior que nunca. Assim com especialistas em tecnologia e em serviços financeiros que ganham várias vezes o salário medio e mesmo assim empregamos cada vez mais deles, então claramente é possível aumentar o preço do emprego e ter mais dele.

    Eu sei que a maioria acha que salário mínimo de US$ 15 é uma experiência econômica maluca e arriscada. Nós discordamos. Nós acreditamos que o mínimo de US$ 15 em Seattle é, na verdade, a continuação de uma política econômica lógica. Ele está permitindo que a nossa cidade arrebente com a sua. Porque, vejam, o estado de Washington ja tem o maior salário mínimo dentre todos os estados do país. Nós pagamos US$ 9.32 a todos os trabalhadores que é quase 30% a mais que o mínimo federal de US$ 7.25, mas, crucialmente, 427% a mais que o mínimo federal para regimes de gorjeta, $2.13.

    Se os pensadores migalhas estivessem certos, Washington deveria ter um índice de desemprego gigantesco e Seatle deveria estar afundando no mar. E mesmo assim, Seatle é a metrópole que mais cresce no país. Washington gera empregos em pequenas empresas numa taxa maior que qualquer outro estado no país. O setor dos restaurantes de Seattle? Decolando. Por quê? POrque a lei fundamental do capitalismo é: quando trabalhadores tem mais dinheiro, os comércios tem mais fregueses e precisam de mais trabalhadores. Quando os restaurantes pagam os funcionários suficiente para que eles próprios possam comer em restaurantes, isso não é ruim para o setor dos restaurantes. É bom para ele, apesar do que alguns donos podem dizer.

    É mais complicado do que eu faço parecer? É claro que é. Existem várias dinâmicas em jogo. Mas será que podemos por favor parar de insistir que se os salários mais baixos aumentarem o desemprego vai à Lua e a economia vai falir? Não há provas disso. A coisa mais traiçoeira da economia de migalhas não é a idéia de que se os ricos ficarem mais ricos, todo mundo sai ganhando. É a idéia de quem se opôe a qualquer aumento no salário mínimo, de quese os pobres ficarem mais ricos, isso vai ser ruim para a economia. Isto é besteira. Então será que podemos largar essa retórica de que caras ricos como eu e meus amigos plutocratas construíram nosso país? Nòs plutocratas sabemos, mesmo que não gostemos de admitir, que se tivéssemos nascido em outro lugar e não aqui nos EUA, poderíamos muito bem ter sido só um cara de pé descalço vendendo frutas no acostamento. Não é que não existam bons empreendedores em outros lugares, mesmo lugares paupérrimos. É só que isso é tudo que a clientela desses empreendedores pode pagar.

    Então, aqui vai uma idéia para um novo tipo de economia, um novo tipo e política, que eu chamo de NOvo Capitalismo. Vamos reconhecer que o capitalismo é melhor que as alternativas, mas também que quantomais pessoas incluirmos, tanto com empreendedores quanto como clientes, melhor é o resultado. Com certeza, vamos diminuir os gstos do governo, mas não prejudicando os programas de assistência, e sim garantindo que os empregados ganhem o suficiente para não precisar deles. Vamos investir na classe média o bastante para tornar nossa economia mais justa e inclusiva, e, sendo mais justa, mais de fato competitiva e sendo mais competitiva, mais capaz de gerar as soluções para os problemas humanos que são as verdadeiras motrizes do crescimento e da prosperidade.

    O capitalismo é a melhor tecnologia social ja inventada para criar prosperidade nas sociedades humanas, se for bem administrado, mas o capitalismo, devido as dinâmicas multiplicativas inerentes aos sistemas complexos tende, inevitavelmente, a desigualdade, à concetração e ao colapso. A função das democracias é a de maximizar a inclusão do povo para gerar a prosperidade, não permitir que a elite acumule dinheiro. O Governo de fato cria prosperidade e crescimento criando as condições que permitem que empreendedores e seus clientes prosperem. Equilibrar o poer de capitalistas como eu e trabalhadores não é ruim para o capitalismo, é essencial para ele.

    Programas como um salário mínimo decente, tendimento médico acessível, licença médica remunerada e a tributação progresiva necessária para custear a infraestrutura importante necessária para a classe média como educação, P&D, essas são ferramentas indispensáveis que capitalistas espertos deveriam abraçar para impedir o crescimento, pois ninguém se beneficia dele como nós. Muitos economistas os fariam acreditar que o campo deles é uma ciência Objetiva. Eu discordo, e acho que é tanto isso quanto uma ferramenta humana para fazer valer e programar nossas preferências e preconceitos sociais e morais sobre status e poder, e é por isso que plutocratas como eu sempre tiveram que encontrar histórias convincentes para dizer a todo mundo porque nossas posições relativas são moralmente corretas e boas para todos. Como nós somos indispensáveis, os criadores de empregos, e vocês não; isenções fiscais para nós geram crescimento, mas investimentos em vocês vão inchar a dívida e levar nosso grande pais a falência; que nós somos importantes; que vocês não são.

    Por milhares de anos, essas histórias foram chamadas de direito divino. HOje, temos a economia de migalhas. Quão óbvio e transparentemnte egoísta tudo isso é. Nós plutocratas temos que entender que os EUA nos fizeram, não o contrário; que uma classe média forte é a fonte da prosperidade num economia capitalista, não uma consequência dela. E nunca deveríamos esquecer que até os melhores de nós, na pior situação, estão descalços no acostamento vendendo frutas.

    Amigos plutocratas, eu acho que é hora de nos dedicarmos ao nosso pais novamente, nos dedicarmos a um novo tipo de capitalismo que é mais inclusivo e mais eficaz, um capitalismo que vai garantir que a economia dos EUA continue sendo a mais dinâmica e próspera do mundo. Vamos garantir o futuro para nós mesmos, nossos filhos e netos. Ou, ao invés, podemos não fazer nada, nos esconder em nossos condomínios de luxo e escolas particulares, curtir nossos aviões e iates, eles são muito divertidos, e esperar pelos forcados. Obrigado." (aplausos)


    “Os sistemas políticos atuais favorecem aqueles que já têm poder e dinheiro”

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    09/10/2014 - Muito se falou do poder da tecnologia para mobilizar milhares de pessoas em torno de causas sociais.

    Da Primavera Árabe, passando pelo Occupy Wall Street, nos Estados Unidos, e pelos protestos de junho de 2013 no Brasil, foi principalmente por meio das redes sociais e de outras ferramentas online que muita gente se uniu a um movimento e foi às ruas protestar por mudanças. No entanto, essas ‘armas’ digitais podem ser uma faca de dois gumes na tentativa de mudar a política, segundo a socióloga turca Zeynep Tufeckci. Ela estuda como essa mobilização digital afeta as estruturas tradicionais de poder e defende que, quando a passeata acaba, o verdadeiro trabalho está apenas começando – e que esta parte crucial do movimento por mudanças muitas vezes é deixada de lado. Em sua palestra no TED Global, conferência de projetos inovadores atualmente em curso no Rio de Janeiro, ela argumentou que não basta aos movimentos digitais ir às ruas. É preciso, segundo ela, se organizar e fazer pressão sobre políticos no longo prazo para conseguir realmente transformar o sistema.

    A seguir, Tufeckci explica em mais detalhes seu ponto de vista à BBC Brasil.

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    BBC Brasil – Em sua palestra, a senhora disse que a tecnologia pode empoderar e ao mesmo tempo enfraquecer as manifestações sociais. Por que isso ocorre?

    Zeynep Tufeckci - As democracias estão sendo estranguladas por algumas forças poderosas. Em vez de termos democracias que representam vários interesses, os sistemas políticos atuais favorecem aqueles que já têm poder e dinheiro e que, por isso, têm muita influência sobre os políticos.

    Como resultado, as pessoas estão abandonando a política, porque não acreditam mais nela. Acham que nada mudará. Então ocorre uma fagulha, e as pessoas que estão orfãs de instituições políticas decidem usar tecnologias digitais para se organizar rapidamente. Atingem grandes números, porque há muito descontentamento.

    Mas, como fazem isso sem ter instituições políticas por trás, não sabem o que fazer a seguir. São como pequenas empresas que crescem muito rápido. Nestes casos, porém, há investidores que prestam socorro às empresas. Agora, se um movimento político cresce muito rápido, o governo se volta contra ele. Sem conseguir dar o próximo passo, os movimentos desaparecem, e as pessoas ficam ainda mais descontentes.

    Além disso, os diferentes movimentos não sabem trabalhar em conjunto e começam a discordar entre si. E como não criaram uma forma saudavel de lidar com as discordâncias, eles se autodestroem ou ficam empacados em torno de uma demanda. No fim, a política se torna ainda mais corrupta. Quando ocorre um novo movimento, as pessoas têm ainda menos fé que as coisas podem mudar. É um ciclo vicioso.

    BBC – O que é preciso fazer, então, para mudar a política de fato?

    Tufeckci - Se vamos mudar sistemas políticos, não podemos fazer só as coisas legais. É preciso fazer o trabalho tedioso também. Há muitas ações empolgantes, como protetsos e ocupações, mas a chave está no trabalho chato, como se organizar para votar em eleições e criar a mesma pressão sobre os políticos, como fazem aqueles que têm poder e dinheiro.

    O movimento americano de direitos civis é um exemplo. Conseguiu se organizar para fazer pressão e manter seus membros unidos. O resultado não veio em uma semana, mas em um ano. Não dá pra pensar que uma semana de passeatas mudará o sistema. Para isso, é preciso entender como pressionar o sistema no longo prazo.

    Isso não é tão excitante quanto estar na rua respirando gás lacrimogêneo, mas, se isso não ocorre, os partidos e poderes politivos existentes tem paciência, recursos, dinheiro e pessoal para esperar a turbulência passar. As ruas não são mágicas. Elas têm poder se sinalizam que há algo a ser levado a sério pelos políticos. Se eles sabem que os manifestantes sairão da rua breve e não têm capacidade de se mobilizar politicamente, basta eles esperarem os manifestantes se cansarem.

    BBC – No Brasil e na Turquia, os protestos foram intensos e depois acabaram sendo realizados com menos gente e de forma esparsa. Os protestos em grande escala podem voltar?

    Tufeckci - Claro, mas aqueles que estão no poder não se importam se você vai às ruas. Eles se importam se isso signifca que há algo importante que eles devem levar em consideração. A passeata é um sinal, mas o que se está sinalizando? Que os manifestantes irão pra casa em uma semana? Ou que irão se organizar para tirar os políticos do poder? Para colocar pressão sobre eles?

    Na maioria dos países, não vivemos mais em ditaduras ou monarquias. Há formas de mudar o sistema. Mas, como há muita corrupção, as pessoas desistiram de pressionar o sistema e, por isso, ele se torna ainda mais corrupto.

    BBC – Como o governo turco lidou com os protestos?

    Tufeckci - O governo polarizou o país dizendo que a metade da população que estava nas ruas eram traidores e que eles não importavam. O governo formou uma base com metade do país e decidiu governar para esta metade. Isso é horrivel e algo insustentável no longo prazo.

    Em outros países, é ainda pior. Governa-se apenas para 20% do povo. Criar estas divisões é algo comum. E, assim, o governo e seus apoiadores passam a viver numa bolha, lendo só a midia que os apóia, ouvindo só aqueles que estão a seu lado. Isso pode neutralizar os protestos, mas não neutraliza o descontentamento.

    BBC – Uma reforma política pode resolver essa desconexão entre os políticos e a sociedade?

    Tufeckci - Sim, mas as pessoas não querem entrar na politica tradicional. Isso é ainda mais complicado na Turquia, porque os partidos de oposição são fracos e incompetentes, e o Brasil sabe muito bem como é isso.

    Uma ditadura militar enfraquece uma democracia por décadas, mesmo depois de acabar. Trinta anos depois, ainda sentimentos na Turquia o efeito da ditadura. Porque a ditadura destruiu a oposição e o que a subsitutiu são partidos fracos com líderes corruptos.

    A Turquia precisa de uma reforma política, assim como o Brasil. Mas isso exige trabalho duro. Eleger um Congresso. Mudar a Constituição. E a oposição não se organiza para isso. É deste trabalho chato que falo.


    Bilionários defendem que ricos devem pagar mais impostos

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    26/11/2013 - Muitos milionários costumam sofrer da “crise do Tio Patinhas”: querem ganham dinheiro, mas não querem pagar impostos por isso. Porém, o bilionário americano e um dos principais investidores do Amazon, Nick Hanauer, defende que os ricos devam pagar mais impostos que as outras pessoas.

    De acordo com a CNN, Hanauer não está sozinho nessa luta. O fundador da empresa de investimentos Pimco, Bill Gross, afirmou que “é hora de compartilhar um pouco da fortuna, pagando mais impostos e transformá-los em prol do crescimento econômico e trabalho, ao contrário de lucro das empresas”. Para ele, os Estados Unidos e o Canadá deveriam ter reformas tributárias e ainda critica a forma de lucro pela exploração do trabalho.

    Além deles, o investidor Warren Buffett, o quarto homem mais rico do mundo, também defende a mesma tese. O magnata se juntou a Bill Gates na fundação Giving Pledge – uma campanha para incentivar as pessoas mais ricas do mundo a se comprometerem a doar parte de suas fortunas para a filantropia.

    Fonte: http://www.portalmetropole.com/
    http://www.diariodocentrodomundo.com.br/
    https://gma.yahoo.com/
    BBC Brasil

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