Robô Curiosity pousa em Marte e Nasa comemora início da missão

    curiosity_robo06/08/2012 - Controladores da agência espacial festejaram pouso por 10 minutos. Jipe é o maior e mais moderno veículo já feito para explorar o planeta. O jipe-robô Curiosity pousou na superfície de Marte por volta das 2h33 (horário de Brasília) desta segunda-feira (6), segundo a agência espacial americana (Nasa). A aterrissagem ocorreu após uma viagem de 567 milhões de quilômetros e quase nove meses. A missão, que investiu cerca de US$ 2,5 bilhões (mais de R$ 5 bilhões) no projeto que pretende saber se o planeta vermelho já reuniu condições favoráveis à vida, foi declarada completa e um sucesso 1 minuto depois.  O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, qualificou de "feito histórico" a chegada do Curiosity a Marte. "Esse é um triunfo da tecnologia sem precedentes", diz o comunicado presidencial.

    A Nasa confirmou que a nave, de 1 tonelada, entrou na atmosfera do planeta a 20 mil km/h e pousou na Cratera Gale, ao sul do equador, após uma complexa manobra que se chamou de "sete minutos de terror'. Isso, porque a atmosfera marciana é bem menos densa que a da Terra, o que torna mais difícil frear uma nave lá do que aqui. "Estou inteiro e a salvo na superfície de Marte", diz uma mensagem no blog da Nasa, que deu lugar a uma comemoração de pelo menos 10 minutos, com aplausos e abraços, entre funcionários na sala de controle do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês), em Pasadena, na Califórnia.

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    Como havia sido planejado, a cápsula abriu um gigantesco paraquedas para frear a queda. A cerca de 20 metros do solo, um sistema baixou o Curiosity, que abriu suas seis rodas e iniciou a aventura em Marte. O robô está equipado com ferramentas que podem, entre outras coisas, perfurar rochas e coletar amostras de materiais do solo para analisar a composição mineral local. A poucas horas de o jipe tocar a superfície do planeta vermelho, ainda no domingo (5), o site da Nasa informou que o robô estava com "boa saúde".

    Lançado em 26 de novembro de 2011, o Curiosity vinha provocando "fortes emoções" no JPL, segundo descreveu o texto no site da agência. "O entusiasmo vai crescendo enquanto a equipe está diligentemente monitorando a nave (que transporta o robô)", afirmou comunicado oficial o chefe do laboratório, Brian Portock.O veículo deve executar a primeira fase de sua missão em 1 ano, 10 meses e 2 semanas, mas a expectativa é de que continue suas pesquisas por cerca de uma década. Geradores de plutônio têm capacidade de fornecer calor e eletricidade à missão por pelo menos 14 anos. É um sistema de geração de energia diferente do de outras missões que contaram com painéis para geração de energia solar.

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    Os estudos do robô começarão em uma montanha localizada no interior da Cratera Gale. O Curiosity vai subir a montanha e estudar as pedras ali sedimentadas ao longo de bilhões de anos. Indícios da presença de água no passado de Marte foram detectados em estudos anteriores, feitos a partir de imagens do local.
    Estratégias de descida

    O Curiosity é maior e mais pesado que os jipes que a Nasa já mandou para Marte, razão pela qual exige uma nova estratégia de descida. Não bastaria usar apenas paraquedas e retrofoguetes: desta vez, foi criado um novo mecanismo – um guindaste em que o robô desce, pendurado na nave Mars Science Laboratory, até tocar o solo.
    "Sabemos que parece maluco", afirmou Adam Steltzner, do Laboratório de Propulsão de Jatos da Nasa (JPL, na sigla em inglês), líder da equipe que projetou o Curiosity. "Mas é, na verdade, o resultado de decisões cautelosas", completou.

    Se qualquer parte do plano desse errado, o Curiosity se esborracharia no chão e a missão terminaria imediatamente. A Nasa só soube se o pouso foi ou não um sucesso 14 minutos após o ocorrido, porque esse é o tempo que o sinal levou para chegar à Terra.

    O sinal, aliás, não veio direto do veículo para a Terra. Ele foi rebatido pela sonda Odissey, que orbita o planeta vermelho desde 2001. Da perspectiva do Curiosity, a Terra está abaixo do horizonte, e a manobra foi a maneira que a Nasa encontrou para fazer o sinal chegar o mais rápido possível.

    O local de pouso foi escolhido de acordo com o objetivo da missão. A Cratera Gale oferece um alvo seguro para a aterrissagem, com uma área de cerca de 140 km² – maior que o município de Niterói (RJ). Dali, o veículo está relativamente próximo ao Monte Sharp, onde sondas na órbita já visualizaram minerais que podem ter sido formados na água.


    Grande investimento

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    A expedição foi uma aposta arriscada, que precisou de um investimento de US$ 2,5 bilhões. O veículo-robô ("rover") foi lançado em 26 de novembro de 2011 em um foguete Atlas V 541 de Cabo Canaveral (Flórida). Nos oito meses e meio de voo, viajou 570 milhões de quilômetros.

    Entre seus objetivos, a missão inclui a busca de rastros de vida passada no quarto planeta do Sistema Solar, o mais próximo da Terra.

    Alguns cientistas carregavam amuletos e outros invocavam o espírito nacionalista, como um integrante da equipe de voo, que tingiu seus cabelos com as cores da bandeira americana.

    De fato, menos da metade das tentativas realizadas por agências espaciais mundiais para chegar a Marte foram bem-sucedidas desde 1960.

    "É um grande dia para a nação (americana), um grande dia para todos os nossos sócios que têm material (no veículo) e um grande dia para o povo americano", declarou o administrador da Nasa, Charles Bolden.


    Curiosity e seus antecessores

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    Do tamanho de um carro, o novo robô é cinco vezes mais pesado que os jipes Spirit e Opportunity, precursores na exploração de Marte. Mesmo sem tripulação, ele chega a ser maior até que o jipe lunar que carregava dois astronautas por vez nas missões americanas Apollo, que exploraram a Lua nas décadas de 1960 e 1970.
    O Curiosity é tão grande porque traz dentro de si um laboratório inteiro. Os instrumentos científicos incluem uma carga 15 vezes maior do que a levada por seus antecessores.

    A missão está programada para durar um ano marciano, mas isso não quer dizer muita coisa. Quando o Spirit e o Opportunity chegaram ao planeta, em 2004, tinham como missão apenas três meses de explorações. O Opportunity é usado até hoje, e o Spirit só foi inutilizado porque perdeu contato com a Terra, em 2010.
    Os primeiros objetos feitos pelo homem a pousarem em solo marciano foram as sondas Viking 1 e 2, lançadas pela Nasa em 1975 – a chegada foi em 1976. Em 1997, o Mars Pathfinder levou os EUA de volta ao planeta vermelho e inaugurou a era dos jipes, seguida pelo Spirit, pelo Opportunity e, agora, pelo Curiosity. A União Soviética também tentou lançar veículos para lá, mas não obteve sucesso.


    Expectativas

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    O Curiosity permitirá dar "um enorme passo na exploração planetária", confirmou Jon Holdren, assessor científico de Obama.

    O pouso em solo marciano foi resultado de uma complexa operação, já que foi preciso reduzir a velocidade adquirida, de 21.243 quilômetros por hora, a apenas 2,74 quilômetros por hora, por meio do lançamento de um enorme paraquedas e da ativação de uma grua espacial para depositar lentamente o robô.

    O Curiosity soma-se, assim, à lista de missões bem-sucedidas da Nasa a Marte, como Viking 1 e 2 (em 1976), Pathfinder (1997), Marz Exploration Rovers (2004) e Phoenix (2008).


    Marte: conheça algumas câmeras a bordo do jipe-robô Curiosity

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    09/08/2012 - Quando o jipe-robô Curiosity enviou a primeira foto de Marte muitas pessoas criticaram a qualidade da imagem, dizendo que não era possível que com tanta tecnologia disponível a Nasa fosse fotografar Marte com câmeras tão ruins ou com resolução tão baixa. Mas não é bem assim. Antes de falar sobre algumas das câmeras que foram enviadas para a missão, é importante destacar que as primeiras imagens enviadas não tinham o objetivo de fotografar o planeta em alta resolução. Era somente uma forma do Curiosity dizer "Cheguei. Vejam o local do pouso!".

    De acordo com o planejado, após pousar em Marte o computador de bordo do Curiosity deveria enviar dados de telemetria em velocidade muito baixa até o satélite Mars Orbiter, que serve de repetidora de sinais entre Marte e a Terra. A baixa velocidade de transmissão é necessária para permitir que os dados fossem recebidos corretamente, mesmo que as antenas do Curiosity e do satélite em orbita não estivessem perfeitamente orientadas.

    Assim, para evitar sobrecarga de dados apenas um thumbnail (amostra de imagem) de 64x64 pixels de tamanho foi enviado, mas apesar das pequenas dimensões foi o suficiente para mostrar a superfície marciana, para o deleite dos pesquisadores reunidos no JPL. Com a transmissão constante de dados em poucos minutos uma nova foto foi recebida, desta vez com 256x256 pixels de resolução.

    Em ambos os casos foram transmitidas imagens em preto e branco, já que fotos coloridas são maiores e mais pesadas para serem enviadas naquele momento. Em breve, quando as comunicações entre o Curiosity e a Terra estiverem totalmente operacionais, os pacotes de dados serão transmitidos com velocidade muito maior, permitindo enviar fotos com resolução mais alta.

    No total, o jipe Curiosity carrega 17 câmeras especialmente projetadas para a missão em Marte.


    Mast Camera (MastCam)

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    A Mast Camera (MastCam) é montada sobre o mastro do robô e tem capacidade de fotografar em 3D em 8 comprimentos de onda diferentes dentro do espectro visível. Sua resolução é de 1600×1200 pixels e também pode fazer vídeos em alta-definição. Uma das câmeras, a Medium Angle Camera (MAC) tem distância focal de 34 mm, com ângulo e abertura de 15 graus, com capacidade de resolver 22 cm/pixel a 1 km de distância.

    A outra câmera é a Narrow Angle Camera (NAC), com distância focal de 100 mm e campo de visão de 5.1 graus. Sua capacidade de resolução é de 7.4 cm/pixel a 1 km.


    Mars Hand Lens Imager (MAHLI)

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    Responsável por fazer a primeira foto colorida do planeta, este experimento é uma câmera montada na extremidade do braço robótico do Curiosity e também tem resolução de 1600x1200. Possui um sistema zoom com distância focal entre 18.3 mm e 21.3 mm e campo de visão entre 33.8 a 38.5 graus. Possui duas fontes de luz própria, branca e ultravioleta e pode fazer fotos a partir de 2.3 centímetros.


    Hazard avoidance cameras (Hazcams)


    Esta foi a câmera usada para enviar a primeira foto em preto e branco. Na realidade, tratam-se de quatro câmeras iguais montadas nas quatro extremidades do veículo. Sua função é auxiliar na navegação do veículo, evitando acidentes. Seu campo de visão é de 120 graus, capaz de observar três metros de largura do terreno à frente do robô.


    Resolução

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    Alguns podem achar que a resolução de 1600x1200 é muito pouco quando comparada às câmeras que encontramos nas lojas, mas não é. São equipamentos de última geração, com sensores CCD centenas de vezes mais sensíveis e construídos com características especialmente projetadas para os experimentos. Para se ter uma ideia, os sensores ópticos instalados nos principais telescópios em uso na Terra não têm essa qualidade.


    Outras Câmeras


    Além dos instrumentos mostrados, Curiosity também carrega um par de câmeras de navegação (Navcams) com visão estereoscópica e a ChemCam (Chemistry and Camera complex), um instrumento altamente sofisticado de espectroscopia laser capaz de vaporizar rochas a 7 metros de distância e registrar sua composição química.


    Curiosity faz foto panorâmica de Marte

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    13/08/2012 - NASA divulgou a primeira fotografia panorâmica em alta resolução feita pelo robô na Cratera Gale, região onde ele deve ficar durante sua missão de dois anos. O jipe-robô Curiosity tem feito fotografias cada vez melhores desde que pousou no solo marciano em 6 de agosto. Agora, a NASA divulgou a primeira fotografia panorâmica em alta resolução feita pelo robô na Cratera Gale, região onde ele deve ficar durante sua missão de dois anos no planeta vermelho.

    O panorama de 360º da região foi feita com a união de 130 imagens de 144 por 144 pixels feitas com a Mast Camera. Essa é uma câmera de navegação (Navcam) de apenas 34 mm que fica no mastro do veículo.

    Elas foram tiradas em 8 de agosto durante a tarde do dia marciano. Como Marte só recebe metade da luz do Sol quando comparada com a Terra, as imagens que formaram o panorama foram clareadas durante o processo.

    Apesar da edição nas cores, a panorâmica revela tons de marrom avermelhado ao redor das dunas. Esse pode ser indício de diferentes texturas ou materiais. Por sua vez, as manchas cinza que aparecem no chão podem ser causadas pelos motores usados pelo módulo de descida do Curiosity.

    Curiosity transitará pela Cratera Gale até chegar ao ponto mais alto dela, o Monte Sharp. Ele pode ser visto à esquerda da fotografia. O objetivo do Curiosity é explorar a região para tentar descobrir se Marte já teve um ambiente capaz de suportar vida microscópica e se tem condições que preservaram os seus indícios.


     

    Fonte: http://g1.globo.com
           http://www.band.com.br
           http://www.apolo11.com
           http://exame.abril.com.br

     

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