Carro sustentável pode ser feito à base de frutas, diz cientista brasileiro

    carrofruta20/03/2011 - Equipe da Unesp desenvolve plástico mais leve, mais forte e mais “verde” que os usados hoje, utilizando fibra de abacaxi e banana. Carros à base de abacaxi: a ideia parece um pouco absurda, mas assim se descreve uma nova técnica desenvolvida por uma equipe de cientistas da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp). Eles utilizaram fibras dessa fruta e de outros vegetais para criar plásticos automotivos que são mais fortes, mais leves e mais ecologicamente corretos que os atuais. As fibras de celulose – encontradas na madeira e em outras partes dos vegetais – já são usadas para a fabricação de papel há muitas centenas de anos.

    Porém, há pouco tempo, cientistas descobriram a nanocelulose, fibras com comprimento em nanômetros geradas pelo processamento intensivo da celulose, que podem ser usadas na fabricação de plástico.

    Segundo o principal autor do projeto, o professor Alcides Leão, as folhas e caules do abacaxi são promissores como fonte da nanocelulose, mais ainda que a madeira comum. A banana, a casca de coco, o sisal e o curauá (Ananás Erectifolius), um parente do abacaxi, também foram estudados pela equipe e podem ser fontes adequadas. O processo de preparo dessas nanofibras é caro. Porém, é preciso de apenas 1 kg de nanocelulose para produzir 100 kg de plástico.

    "As propriedades destes plásticos são incríveis. São 30% mais leves e de 3 a 4 vezes mais fortes", disse Alcides em um comunicado à imprensa. Ele acredita que, em um prazo de dois anos, várias peças do carro, incluindo os painéis e os para-choques, serão feitas de nanofibras de frutas.

    Como elas são mais leves, o peso do veículo também diminui, o que ajudaria na economia de combustível. Outro benefício, segundo Alcides, é que os plásticos feitos de nanofibras de frutas são mais resistentes aos possíveis danos causados por derramamento de líquidos – como os combustíveis – e pelo calor.

    Além disso, estas fibras de nanocelulose são quase tão duras quanto o Kevlar, material usado em coletes à prova de balas. A grande vantagem é que elas são totalmente renováveis, diferente dos plásticos tradicionais, que utilizam petróleo ou gás natural na sua fabricação.


    Fonte: http://revistagalileu.globo.com/

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