Asimov e Star Trek: robôs, inteligência artificial e complexo de Frankenstein

    starrob1Por Leonardo Coreicha - Sempre se diz que todas as séries televisivas de ficção científica se influenciaram por Asimov. Star Trek não estaria atrás. Asimov, inclusive, adora escrever para a produção da série apontando erros científicos. O que foi visto como irritante por Gene Roddenberry, acabou se tornando amizade e uma parceria constante. A primeira convergência aparente entre Asimov e a série Star Trek foi o primeiro longa-metragem da série.

    O filme foi criticado por amantes da série, por sair da temática de jornada espacial, e elogiado pela crítica especializada, pelo roteiro que ultrapassava o senso comum e avançava em direção a uma ficção científica mais inteligente. Em alguns artigos de fãs de Star Trek na internet dizem que no lançamento do filme, um só homem levantando e aplaudindo quando viu o nome de Isaac Asimov nos créditos iniciais do Filme — era o próprio Asimov.

    Star Trek, o filme, retrata a história de uma ameaça alienígena invencível, que só pôde ser detida após o grande mistério em torno da identidade do invasor fosse descoberto. V’ger, a inteligência alienígena que buscava encontrar o seu criador, era na verdade a sonda Voyager 6, que perdeu seu propósito que era coletar informações para o seu criador.

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    A segunda e maior convergência é o personagem Data, de Star Trek: Next Generation. Na nova geração, Data é um robô positrônico. Foi apresentado como o único de sua espécie e buscava constantemente se tornar mais humano. Embora o seu cérebro positrônico não o permitisse sentir emoções, Data era um personagem simpático e um destaque positivo na série (na minha opinião, o melhor personagem).

    Data não era exatamente como os robôs de Asimov. Se buscasse uma comparação, talvez equivalesse ao R. Daneel Olivaw, o robô humanoide do planeta Aurora, que se torna parceiro de Elijah Baley na famosa série robôs. Data, apesar de ser humanoide, não conseguia passar-se por humano devido a algumas características físicas peculiares. R. Daneel Olivaw não só enganou os atrasados terráqueos em As Cavernas de Aço, como conseguir enganar os habitantes do planeta mais especializado na construção de robôs, Solária, na sequência O sol desvelado.

    Data era marcado, na narrativa de Next Genaration, pela falta de emoção e uma grande lógica. Asimov caracterizava R. Daneel por possuir lógica, porém não possuir razão. Assim, em Star Trek a lógica se opunha a emoção, não só no caso de Data, como também nos vulcanos. Na obra de Asimov, a lógica era oposta à razão, que poderia ser também intuitiva. Logo, apesar de R. Daneel Olivaw possuir mais lógica que seu parceiro detetive humano, o robô não conseguia compreender a razão humana e a complexidade de seus comportamentos — havendo assim a necessidade da cooperação humano-robô para desvendar os casos propostos pela série.

    Asimov criou as três leis da robótica com o objetivo de combater o complexo de Frankstein. Em O sol desvelado, Asimov expõe que o cérebro positrônico foi baseado nas leis, exatamente, para que os robôs fossem incapacitados caso se voltassem contra seus mestres humanos. Mas, ao mesmo tempo, na trama do livro, Asimov resolve demonstrar como os homens podem manipular robôs para matar um homem e uma tentativa de usar a robótica e a Inteligência Artificial para a guerra. Como não se conseguiu usar os robôs diretamente, se busca o uso do cérebro positrônico para naves não tripuladas, a fim de burlar a primeira lei, pois a nave positrônico poderia supor que outras naves também seriam robóticas e destruí-las sob esta suposição não infligiria a primeira lei.

    O mais pitoresco foi que a tentativa de burlar a primeira lei da robótica foi para fazer com que robôs babás pudessem dar palmadas nas crianças para educá-las. Pois a dor física seria necessária para lidar com os humanos criados para serem a elite que dominaria o universo, isto é, os futuros solarianos. Em As Cavernas de Aço, primeiro livro da série robôs, Asimov fala de uma harmonia entre homens e robôs nos mundos exteriores. Entretanto, em o Sol desvelado, o uso de robôs afetou tanto a humanidade, que o homem deixou de ser social. A convivência humana se tornou tabu e todas as relações humanas eram virtuais. Só aceitavam o casamento, pois não haviam ainda desenvolvido a fertilização em vitro, apesar de aplicarem análises genéticas e seleções eugenistas em fetos e crianças.

    O uso de robôs em Star Trek é muito limitado. Os computadores aparecem constantemente, mas quando a Inteligência Artificial aparece, quase sempre é negativa. Em Next Generation, além de Data que era um membro padrão da Frota Estelar. Aparece Lore, irmão de Data, que apesar de ter um cérebro positrônico, foi programado sem o senso moral (não foi falado das leis da robótica, mas se presume). Lore causa a morte de vários humanos em uma colônia, se unindo a um extraterrestre conhecido como “Entidade Cristalina”. Rouba a possibilidade de Data de ter emoções ao se passar por Data perante seu criador, o Dr. Soong. Por fim, Lore cria um exército de Borgs individualizados para dominar o universo e tenta convencer Data a se juntar a ele.

    Assim, o cérebro positrônico do Dr. Soong não é o pensado por Asimov. As leis da robótica não estão totalmente aplicada. Até mesmo Data, em um episódio que se tornou um brinquedo na mão de um colecionador (ep. 22, da terceira temporada), mostrou ter a capacidade de tirar uma vida para preservar a sua.

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    Por fim, na Série Picard, o complexo de Frankstein ganha destaque na Federação. Um grupo terrorista romulano, promove atentados e culpam os robôs. Cria-se um banimento de todos os androides da Federação. E na conclusão, demonstra mais uma vez a capacidade de matar dos robôs positrônicos de Star Trek, onde uma descendente de Data promove um conluio para pôr fim a toda vida orgânica no universo. Nada mais do que trazer, para nossa realidade, máquinas sencientes que protegeriam os robôs e destruiriam os nocivos seres orgânicos. O universo de seres-máquinas é recorrente em Star Trek. Não só no primeiro filme com a aparição de Asimov nos créditos, mas em toda a obra, onde sempre aparecem seres robóticos misteriosos. Os borgs são um mistério não desvendado, assim como o universo de onde veio V’ger.

    As máquinas são as criaturas que se voltam contra o criador? Ou poderia haver um universo em que as máquinas são autogeradas. Deus seria um homem ou uma máquina? Visto que os maiores mistérios de Star Trek estão no desconhecido e no medo gerado pelo suposto criador e por suas criaturas que poderia desenvolver consciência…

    Fonte: https://medium.com/

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