Bisfenol A - Parte 3

    bisfenol 6O que é o bisfenol A? - O bisfenol A (BPA) é a matéria-prima do policarbonato, plástico resistente e transparente usado em vários produtos - em mamadeiras, por exemplo. No corpo, age como hormônio sintético, desregulando o sistema endócrino. Estudos internacionais o relacionam a problemas cardíacos, diabete, câncer, puberdade precoce e abortos. Como evitar? - Evite comprar produtos fabricados com bisfenol. É possível identificá-los pelo símbolo da reciclagem com o número 7 no interior do triângulo. As letras PC também indicam o policarbonato.- Mamadeiras, copos infantis e recipientes plásticos usados para alimentação devem ganhar ainda mais atenção. - Não aquecer nem congelar alimentos em potes plásticos. A mudança de temperatura facilita o desprendimento do bisfenol do plástico. Prefira recipientes de vidro ou porcelana.

    - Troque o galão de água pelo filtro de alumínio ou de barro. Se for usar o filtro de plástico, verifique se ele é fabricado com bisfenol.

    - O bisfenol também é usado como resina para evitar ferrugem. Verifique se as embalagens enlatadas usadas contém a substância.


    Maioria das latas de alimentos e bebidas contém bisfenol A - 21/09/2010

    bisfenol 7 latas


    Por Fabiana Dupont e Fernanda Medeiros - Químico associado a câncer e diabetes infantil é encontrado também em embalagens plásticas e mamadeiras. O uso de bisfenol A e suas conseqüências à saúde é associada a contaminação dos alimentos e bebidas provenientes de embalagens plásticas. A presença do químico em latas é pouco divulgada, mas um estudo do  National Work Group for Safe Markets, organização de grupos ligados à saúde e ao meio ambiente, detectou  BPA em 46 alimentos das 50 latas pesquisadas – isso corresponde a 92% das amostras.  As embalagens foram recolhidas de despensas pessoais e de supermercados. Foram selecionados produtos como peixes, frutas, vegetais, feijão, sopas, tomates e molhos de tomate, refrigerantes e leite.

    A dupla amostragem ajuda a investigar a correlação entre a quantidade do componente encontrada em alimentos enlatados e o tempo de prateleira do produto. As latas fechadas foram enviadas para a Anresco, um laboratório inde pendente em São Francisco. Para determinar a concentração de BPA, os alimentos foram homogeneizados e testados. As latas não foram consideradas.

    O bisfenol A é um composto químico e seu uso foi associado a uma maior incidência de problemas cardíacos, diabetes, anormalidades no fígado e também problemas cerebrais e no desenvolvimento hormonal em crianças e recém-nascidos. Alguns estudos também provam que o bisfenol é responsável pelo crescimento de células cancerígenas, diminuição de esperma e micropenia.

    Atualmente, o bisfenol A é proibido em quatro países: França, Canadá, Costa Rica e Dinamarca. Nos Estados Unidos, pelo menos sete estados também já proibiram a fabricação de mamadeiras com o policarbonato. No Brasil, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), todas as determinações de produtos devem ser adotadas pelo Mercosul e, portanto, precisam ser aceitas dentro do bloco econômico antes de serem incorporadas na legislação de cada país.

    Na pesquisa em latas, o nível mais alto encontrado em uma lata de vagem - 1.140 partes por bilhão (PPB).  Em média os produtos apresentaram 77,36 ppb de bisphenol-A. Não foi encontrada uma correlação entre a idade do produto, o local de origem - se veio da despensa ou da loja- e o montante de BPA encontrado.
    A exposição ao produto é especialmente preocupante para mulheres grávidas, bebês e crianças.

    Se uma gestante com cerca de 20 anos, de físico mediano (71 Kg) ingerir apenas os alimentos selecionados na pesquisa vai facilmente elevar sua taxa de bisfenol-A a um nível similar aos que causaram problemas de saúde nos animais em laboratório. Para isso basta, por exemplo, que ela coma enlatados de manhã ou à tarde e simplesmente tome um refrigerante e coma ervilhas no jantar. Assim estará consumindo 138.19 µg, ou 1.95 µg/kg peso corpóreo de BPA.

    A pesquisa aponta, ainda, que a quantidade de BPA em enlatados não pode ser presumida considerando o preço, a qualidade, o valor nutricional ou o local de compra dos produtos. Duas latas produzidas em semanas distintas podem apresentar uma diferença significativa no nível de BPA (1.140 ppb em uma e 296,2 em outra) como demonstraram as amostras.

    Segundo uma pesquisa feita nos Estados Unidos pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (Centers for Disease Control and Prevention) praticamente toda a população da América do Norte possui BPA em seu organismo. Mas alternativas já começaram a aparecer. Pesquisadores já identificaram vários substitutos para o produto que deverá ser usado em revestimentos interno das latas. Também existem outras embalagens sem bisfenol A, como vidro e a cerâmica, além de uns poucos plásticos não tóxicos. Essas substituições mais seguras ajudariam a quebrar o ciclo de contaminação química e a enorme quantidade de problemas de saúde associadas à exposição crônica e diária ao componente.


    Produto utilizado em embalagens - bisfenol A (BPA) - associado a danos no cérebro em desenvolvimento


    Pesquisa mostra que o composto químico bisfenol A (BPA), amplamente usado em produtos tais como embalagem para alimentos, revestimento de recipiente de leite, tubulação plástica e até mesmo seladores dentais, interrompe importantes efeitos do estrogênio no cérebro em desenvolvimento.

    A equipe de pesquisa da University of Cincinnati (UC), chefiada por Scott Belcher, PhD, mostra efeitos negativos do BPA no tecido cerebral, mesmo em doses surpreendentemente baixas. O BPA tem sido freqüentemente relacionado a doenças ou problemas de desenvolvimento.

    "O estudo é o primeiro a mostrar que os rápidos mecanismos de sinalização estão ativos no cérebro em desenvolvimento e em amadurecimento, em regiões não envolvidas com diferenças sexuais ou funções reprodutivas", disse Dr. Belcher. Há muito tempo, sabe-se que o BPA age como um estrogênio artificial, principal hormônio envolvido no desenvolvimento sexual feminino. Também foi mostrado que o BPA aumenta o crescimento de células no câncer de mama e de algumas células no câncer de próstata. Outros possíveis riscos de longo prazo associados com a exposição fetal ao BPA têm sido discutidos na literatura científica.

     

    bisfenol bebe

     

    "Moléculas de BPA são ligados em polímeros usados para criar policarbonato e resinas de epóxi que são amplamente usados em muitos produtos", disse Dr. Belcher, professor associado em farmacologia e biofísica da célula na UC College of Medicine. "Embora os plásticos sejam considerados estáveis, os cientistas sabem há muitos anos que a ligação química entre moléculas de BPA são instáveis".

    Belcher e seus colegas trabalharam com ratos num período equivalente ao terceiro trimestre do desenvolvimento fetal humano até os primeiros anos da infância. Embora seja melhor conhecido por suas funções como hormônio sexual feminino, o estrogênio também tem importante papel no desenvolvimento cerebral de homens e mulheres. Na ausência de estrogênio, o BPA sozinho mimetiza as ações do estrogênio em neurônios em desenvolvimento e doses muito baixas de BPA inibiram completamente a atividade do estrogênio. Como o estrogênio normalmente reforça o crescimento e regula a viabilidade de desenvolver neurônios, esses resultados sustentam a idéia que o BPA pode prejudicar o desenvolvimento de células cerebrais.

    De fato, disse Dr. Belcher, embora altas doses causem pouco efeito, análise da sinalização de marcadores celular e molecular de estrogênio revelaram que o efeito máximo do BPA em neurônios cerebrais de ratos ocorreu em doses extremamente baixas (0,23 partes por trilhão) e em questão de minutos. Dr. Belcher assinala que esse efeito da baixa-dose de BPA é problemático já que seu efeito máximo ocorre em níveis típicos da exposição humana..

    Isso significa que os efeitos danosos do BPA poderiam não ser detectados usando as abordagens padrões para determinar os riscos da exposição química. "Essas considerações são importantes em vista da presença difundida de baixas concentrações de BPA no meio-ambiente," disse Dr. Belcher.

    Em estudos prévios mostrando que os estrogênios podem controlar a sobrevivência de neurônios em maturação em regiões cerebrais envolvidas no movimento e coordenação, Dr. Belcher e seus colegas descobriram que os efeitos do estrogênio eram os mesmos, tanto em homens como em mulheres.

    "A ação do estrogênio nesses neurônios parecem ser uma faca de dois gumes. Durante certos períodos de desenvolvimento, o estrogênio pode eliminar subconjuntos específicos de neurônios, mas em estágios de desenvolvimento posterior, parece que ele aumenta a sua viabilidade". A ruptura de qualquer uma dessas ações do estrogênio pode ser considerado potencialmente danoso".

    "Os efeitos estudados no desenvolvimento são importantes para o desenvolvimento cerebral e também para o funcionamento normal do cérebro adulto. Entretanto, permanece obscuro como a sinalização hormonal inapropriada ou o bloqueio da sinalização normal em um instante crítico do desenvolvimento, influenciará mais tarde na vida".

    Apesar de mais de 100 estudos publicados sobre os efeitos danosos do BPA, Dr. Belcher disse que a indústria e agências regulatórias federais têm resistido em banir o uso de BPA em plásticos usados como recipientes para alimentos e bebidas, apesar de estarem disponívies plásticos sem BPA e outros compostos químicos tóxicos.


    Composto de plásticos, bisfenol-A pode prejudicar qualidade do esperma


    28/10/2010 - Operários chineses expostos a altos níveis do composto têm baixa contagem de sêmen, diz estudo.

    CHICAGO - Uma pesquisa feita com 130 operários chineses expostos diariamente a altos níveis do produto químico bisfenol-A, encontrado em resinas e plásticos, e outros 88 trabalhadores livres dessa substância revelou que os primeiros apresentavam baixa contagem de esperma entre duas e quatro vezes mais que o segundo grupo.

    O estudo, financiado pelo Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos EUA e o primeiro a avaliar a interferência do composto na qualidade do sêmen masculino, foi publicado nesta quinta-feira, 28, na edição online da revista Fertility and Sterility.

    O levantamento é o mais recente a trazer à tona os riscos que o bisfenol-A pode oferecer à saúde, e sua divulgação ocorre duas semanas após o Canadá incluir o produto em sua lista de substâncias tóxicas.

    O que ainda não se sabe é se a baixa contagem de espermatozoides e outros sinais de má qualidade do sêmen se traduzem na redução da fertilidade. O autor do estudo, Dr. De-Kun Li, cientista da Divisão Permanente de Pesquisas Kaiser, em Oakland, Califórnia, sustenta que homens podem ter filhos mesmo com contagens de espermatozoides muito reduzidas.

    Mas a descoberta de Li de que o bisfenol-A pode afetar o esperma é preocupante porque se relaciona com pesquisas em animais e segue a linha de seu estudo anterior com os mesmos homens, que faz uma ligação entre a exposição ao composto e problemas sexuais.

    Se essa exposição pode diminuir os níveis de esperma, "isso não pode ser algo positivo'' e são necessários novos levantamentos para verificar se há outros efeitos nocivos, segundo Li.

    A professora de farmacologia e toxicologia Andrea Gore, da Universidade do Texas, que não estava envolvida no estudo, chamou-o de importante, mas ainda preliminar. "O resultado, no mínimo, sugere a possibilidade de o bisfenol-A ser uma das substâncias que causam alterações no esperma'', disse. Mas Andrea acredita que evidências mais fortes são fundamentais para provar que o produto é realmente culpado.

    O bisfenol-A é usado na fabricação de resinas e no endurecimento de plásticos e encontrado em garrafas de plástico rígido, embalagens de alimentos com revestimento de metal, selantes dentários e óculos. A urina da maioria dos americanos contém níveis mensuráveis do composto.

    Estudos em animais relacionaram esse produto químico a problemas de reprodução e câncer, o que levou ao gasto de milhões de dólares em novas pesquisas com seres humanos.

    Steven Hentges, do Conselho Americano de Química, grupo que representa a indústria, afirma que a pesquisa na China "é de pouca relevância'' para os consumidores nos EUA, que normalmente estão expostos a níveis muito baixos de bisfenol-A, o que não significaria nenhuma ameaça à saúde.

    A agência de vigilância sanitária americana Food and Drug Administration (FDA) tem avaliado a segurança desse produto químico, mas se recusou a informar se seguirá o exemplo do Canadá ao declarar tóxica essa substância.

    Em comunicado enviado por e-mail, a FDA disse que está trabalhando com os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA "para avançar na compreensão científica do bisfenol-A e informar nossas decisões".

     

    Fonte: GreenBiz.com
           Endocrinology, 05/12/2005
           http://pt.wikipedia.org/wiki/Bisfenol_A
           http://delas.ig.com.br/filhos/
           http://www.estadao.com.br/noticias/
           http://www.correiobraziliense.com.br/app/
           New York Times, 16/01/2010
           O Globo - 31/03/2010

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