Apocalipse Crustáceo: Caranguejos são flagrados caçando pássaros

    carangai12017 - Esta é a primeira vez que estes animais são vistos caçando outros vertebrados. Com areias douradas, águas-marinhas e palmeiras fazendo barulho na brisa, as ilhas do Oceano Índico parecem um paraíso hollywoodiano. Mas escondido nesses atóis há um predador blindado de 10 pernas. Alguns pesquisadores registraram o maior artrópode terrestre do mundo, pegando, matando e se alimentado de aves pela primeira vez.

    Foi durante a visita do pesquisador Mark Laidre ao Arquipélago dos Chagos no Oceano Índico que o comportamento extraordinário foi testemunhado. Ele observou como um caranguejo de coco subiu em uma árvore para um ramo baixo, em que uma gaivota de pés vermelhos dormia. O caranguejo aproximou-se do pássaro e pegou sua asa em sua garra, quebrando o osso e fazendo com que o infeliz pássaro caísse no chão. O crustáceo então desceu e aproximou-se do pássaro mutilado, antes de quebrar sua outra asa e selar seu destino. Dentro de 20 minutos, e provavelmente atraídos para a cena pelo cheiro de sangue, outros cinco caranguejos chegaram e a tripulação heterogênea de crustáceos começou o horrível trabalho de literalmente arrancar os pedaços do pássaro. O evento é descrito na revista Frontiers in Ecology and the Environment.

    Os caranguejos são nomeados por sua obsessão com os cocos, que eles são capazes de abrir com suas garra formidáveis. A poderosa pinça destes animais pode exercer uma força descomunal, pois não só sua pinça bate a de todos os outros crustáceos, mas também é mais poderosa do que a mordida de quase todos os outros animais terrestres, perdendo apenas para os crocodilos. Mesmo com esse poder incrível, que pode atingir até 3.300 newtons de força, nunca foi registrado que os caranguejos eram realmente caçadores ativos. Acreditava-se que estes animais passavam a maior parte do tempo consumindo a carne cremosa de cocos enquanto ocasionalmente faziam lanches em qualquer carcaça que eles encontrassem nas áreas das praia.

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    06/09/2018 - Imagine você andando tranquilamente em uma praia e dando de cara com um bicho desses? Para a nossa sorte, o caranguejo-do-coco não pode ser encontrado no Brasil, pois ele é uma espécie exclusiva de ilhas paradisíacas do Oceano Índico e Pacífico, incluindo a Austrália continental e Madagascar. Apesar de ser um caranguejo, ele é do tipo terrestre e é capaz de tocar o terror na vizinhança do lugar em que vive. Conhecida também como caranguejo-ladrão (ou também ladrão-de-coco), a espécie chamada de Birgus latro adora passear por áreas habitadas e roubar latões de lixo e o que mais tiver pela frente para ela comer. Porém, o alimento favorito mesmo desse animal é o coco, que ele destrincha facilmente com suas imensas garras e pinças. Por isso ele ganhou o seu nome de caranguejo-do-coco — e também pela sua facilidade em subir nos coqueiros.

    Tamanho recorde

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    Você viu o tamanho desse bicho? O caranguejo-do-coco é o maior artrópode que vive em terra do mundo, alcançando um peso de até quatro quilos e meio. Ele pode crescer por mais de um metro de envergadura, sendo a única espécie do gênero Birgus que está relacionada com os ermitões terrestres do gênero Coenobita. Esses animais apresentam uma série de adaptações para a vida em terra, como o seu rígido exoesqueleto que se estende até o abdômen. Se em alguma viagem você avistasse um desses e resolvesse jogá-lo no mar, essa não seria uma boa ideia, pois essa espécie não é capaz de nadar ou sobreviver no oceano, apesar de começar o seu ciclo de vida por lá. Eles se afogam rapidamente em poucos minutos submersos na água. Mas não pense que eles são menos “sagazes” por conta disso.

    Olfato apurado

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    Os caranguejos-do-coco desenvolveram um agudo senso de olfato, que evoluiu de forma convergente com o dos insetos e que eles usam para encontrar fontes de alimento em potencial. Os caranguejos que vivem na água têm órgãos chamados estetascos em suas antenas para determinar tanto a concentração quanto a direção de um cheiro. No entanto, como os caranguejos-do-coco vivem sobre a terra, os estetascos em suas antenas são mais curtos e mais diretos do que os de espécies aquáticas, se parecendo mais com os de insetos. Com isso, eles podem detectar odores interessantes a grandes distâncias e buscar a sua comida com mais eficácia. Além dessa vantagem, a expectativa de vida dos caranguejos-do-coco é bastante alta, sendo que eles podem alcançar seu tamanho máximo com a idade entre 40 e 60 anos — isso se não encontrar nenhum predador ou um ser humano aterrorizado pela frente. Há relatos de alguns exemplares que já foram registrados com mais de cem anos de idade.

    Troca de exoesqueleto

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    Como um artrópode, o caranguejo-do-coco usa seu exoesqueleto e o troca de tempos em tempos à medida que ele cresce. Por isso, em média uma vez por ano ele busca a segurança de uma toca para trocar de “casca”. É nesse período em que ele fica mais vulnerável??, pois, uma vez que sai desta casca rígida, para acelerar o desenvolvimento da sua nova armadura, ele consome seu antigo exoesqueleto. Pode se dizer que ele é um caranguejo sustentável. Segundo a bióloga Michelle Drew contou ao site da revista WIRED, os caranguejos que são perturbados antes de completarem esse ciclo muitas vezes têm os exoesqueletos mais frágeis até terem tempo necessário para acumular o cálcio e outros minerais. Para alimentar todo esse crescimento, o caranguejo come o que vê pela frente, indo atrás de seu coco favorito, outras frutas e vegetação, além de carniça de aves mortas e outros caranguejos. Foi observando o seu comportamento de caça que a bióloga Drew registrou alguns caranguejos emboscando frangos jovens e, segure as lágrimas, até gatinhos.

    Espécie ameaçada

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    Apesar de seu tamanho bizarro, pinças perigosas e armadura formidável, essa espécie está em risco de extinção. Há milhões de anos, esses caranguejos viviam tranquilamente em ilhas sem grandes mamíferos predadores, permitindo-lhes atingir as proporções incríveis de suas dimensões. Isso passou a mudar, quando a invasão humana bagunçou a cadeia alimentar da vida dessa espécie. Além de atrapalhar o seu ciclo de vida, alguns países consomem este caranguejo como uma iguaria afrodisíaca. "É por isso que eles estão desaparecendo. A maioria das ilhas agora tem porcos, cães e seres humanos, que podem caçá-los”, disse a bióloga Drew.

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    Estratégias de conservação têm sido postas em prática em algumas regiões, tais como restrições de limite de tamanho mínimo legal para caça em Guam e Vanuatu, e uma proibição da captura de fêmeas portadoras de ovos em Guam e nos Estados Federados da Micronésia. No Norte Ilhas Marianas, a caça dos adultos que não carregam os ovos com um tamanho de carapaça acima de 30 mm pode ocorrer em setembro, outubro e novembro, e somente com uma licença especial.

     

    Fonte: https://osabio.com.br/
               https://www.megacurioso.com.br/

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