Não teve introdução suave. Foi um golpe seco. Em 31 de julho de 1937, uma ordem burocrática, fria e assustadoramente detalhada aterrissou nas mesas das chefias regionais da polícia política soviética. Era a Ordem Operacional nº 00447 do NKVD, assinada por Nikolai Yezhov. O documento não pedia investigação. Não pedia justiça. Ele estabelecia cotas de morte. E foi assim, com a assinatura de um burocrata, que o inferno stalinista abriu suas portas para engolir, segundo as estimativas mais recentes, cerca de 800 mil almas — metade delas fuzilada, a outra metade enterrada viva no Gulag.